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MEIO AMBIENTE

Uma mulher contra a ilegalidade florestal na Amazônia`

Comunidade Sawawo receberam um alerta de que madeireiros planejavam entrar em Yurúa

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Em agosto de 2021, os membros da comunidade Sawawo receberam um alerta de que madeireiros planejavam entrar em Yurúa, passando com segurança por sua comunidade. A guardiã da floresta, como é conhecida no Peru, Maria Elena e os membros da comunidade logo detectaram um caminho, uma estrada florestal que cruzava sua comunidade, Sawawo Hito 40. A comunidade fica na fronteira com o Brasil, na Hito 40, e fica na bacia do rio Amônia, que nasceu no Peru e percorre os territórios também Asháninka de Apiwtxa, no país vizinho na cidade de Marechal Thaumaturgo (AC).

Quando María Elena Paredes começou a treinar para ser guardiã florestal, ou seja, guardiã oficial de suas florestas comunais, ela já sabia o que queria. Ela revisou a história de seus compatriotas, as histórias de seus avós e ex-líderes comunitários. Eles fugiram da selva central, fugindo do “progresso”: das estradas, dos engenheiros que favoreceram os colonos, dos colonos que se apropriaram de suas terras, dos madeireiros, plantadores de coca e terroristas.

Com pouco ou nenhum entusiasmo, os comunitários saíram de seus territórios tradicionais, em Pasco e Junín, no Peru e buscaram novas terras, com a oferta de um madeireiro de que os ajudaria a obter títulos se aceitassem vender-lhe as valiosas madeiras do que seria sua nova casa. Com o tempo, algumas promessas foram cumpridas e eles tiveram seu título, mas a empresa exigia cada vez mais, então finalmente resolveram encerrar o negócio. A empresa logo caiu em desgraça e deixou a área. Ao longo dos anos, María Elena e seus companheiros de comunidade aprenderam que a tranquilidade de viver longe da agitação da cidade, mesmo com as deficiências do isolamento, era melhor do que viver sempre sob a pressão dos vícios que o dinheiro traz.

Há alguns meses, há pouco mais de um ano, com o apoio de uma ONG, Maria Elena recebeu capacitação, recebeu equipamentos e aprimorou seus conhecimentos sobre seus direitos e deveres como indígena. Seu desempenho foi tão bom que sua comunidade a elegeu como Coordenadora do Comitê de Vigilância Comunitária. “Para mim é uma grande responsabilidade representar e defender a minha comunidade”, conta.

Assim como Maria Elena, mulheres de várias partes de Ucayali estão cada vez mais envolvidas no desenvolvimento de ações comunitárias de vigilância e controle das atividades extrativistas, incluindo, é claro, as atividades florestais. Carmelina, comunitária de Junín Pablo, em Imiría, sente orgulho de fazer parte de seu comitê comunitário. “Nós também conhecemos a floresta, não apenas os meninos. Além disso, temos mais responsabilidade, porque cuidamos dos nossos filhos, não apenas para aproveitar o momento…”, diz ela com um sorriso.

As mulheres estão abandonando o papel passivo que lhes foi erroneamente atribuído por décadas, assumindo o centro das atenções e a liderança, mesmo diante de situações de grande exigência ou pressão.

Uma batalha anunciada

Os maiores temores da comunidade estavam se concretizando com a entrada de uma madeireira. Maria Elena e seu grupo não hesitaram um minuto. Após o treinamento, eles percorreram a área, documentaram os danos, relataram à ProPurús, a ONG que os apóia, e ao mesmo tempo à sua federação. ProEtica, EIA, Alto Amazonas, Associação Apiwtxa do Brasil e outros aliados logo se juntaram.

Os alertas foram rápidos, aproveitando a conexão de internet disponível para a comunidade. Alguns dias depois, um promotor da FEMA chegou à área e encontrou a comunidade organizada em grupos, vigiando maquinário pesado da empresa florestal que havia entrado ilegalmente em suas terras. O procurador viu desde o início a organização e determinação da Comissão de Fiscalização.

Mais de um ano se passou desde o início da disputa judicial com Juan Simón Mendoza, proprietário da Inversiones Forestales JS EIRL, empresa que invadiu as terras de Sawawo, Shawaya e El Dorado. Apesar das investigações, perícias e esforços, a promotoria ainda não acusou o responsável, apesar de todas as evidências o implicarem em um crime que pode levá-lo a 8 anos de prisão. No entanto, Mendoza parece estar mais calmo e apoiado. As recentes eleições municipais e regionais tiveram resultados desagradáveis ​​para os membros da comunidade de Sawawo.

Coisas de família

O tio paterno de Juan Simón Mendoza Pérez, Francisco “Pacho” Mendoza de Souza, foi eleito prefeito da província de Atalaya, à qual pertence o distrito de Yurúa, onde estão localizadas as comunidades afetadas. Pacho Mendoza não é um personagem qualquer. Já foi prefeito três vezes e tem um rosário de reclamações bastante graves.

Antes de ocupar o cargo de Gerente da Sub-Região de Atalaya em 2003, para depois se tornar prefeito da província, Mendoza de Souza se dedicou aos negócios florestais. Pessoas próximas ao Governo Regional de Ucayali, consultadas, indicaram que, sendo um cargo de confiança, não importava que Mendoza de Souza mal tivesse concluído o ensino médio, pois nunca concluiu seus estudos de direito.

Desde 2010, Mendoza de Souza responde pelos crimes de tráfico ilícito de drogas e lavagem de dinheiro, peculato, contaminação, falsidade, usurpação, usurpação agravada e negociação incompatível. Segundo relatos da mídia Ucayali, em 2013, Francisco Mendoza de Souza foi acusado pelo Ministério Público de desviar mais de um milhão de soles da receita da venda do gás de Camisea e de emitir cheques sem fundos para obras.

A Promotoria Anticorrupção de Ucayali tem 17 processos contra o prefeito eleito, 29 processos como réu no Distrito Fiscal de Ucayali, 2 no Distrito Fiscal Central Selva e 2 em Ayacucho, onde foi denunciado por questões relacionadas a narcotráfico e dinheiro lavagem . 50 processos no total.

Embora Francisco Mendoza não tenha nenhuma empresa em seu nome, sua esposa, Rocío Castro de Mendoza, e seus cunhados mantinham algumas empresas madeireiras, Trozas SA e El Roble Industrial Forestal EIRL. Adicionalmente, a estas empresas juntou-se um casal dedicado à promoção do motocross.

O irmão de Francisco Mendoza, o falecido Juan Simón Víctor Mendoza de Souza, pai do madeireiro que construiu ilegalmente a estrada em Sawawo, tinha uma empresa ainda ativa chamada Forestal Mendoza EIRL. É a concessão florestal desta última empresa que serviu de base de operações para os trabalhadores de Juan Simón Mendoza Pérez, proprietário da Forestal JS EIRL, iniciarem a invasão dos territórios indígenas.

ROTEIRO ILEGAL CORTESIA PROJETO MAAP – ACCA

O filho de Francisco Mendoza, Juan Antonio Mendoza Castro, também esteve ligado a, no mínimo, estranhos acontecimentos. Em julho de 2022, a polícia invadiu a casa que Mendoza Castro alugou de uma quadrilha criminosa . A quadrilha praticava extorsão e tráfico de drogas e, no momento da intervenção, foram apreendidos dois fuzis R15, uma pistola Glock 9 mm, uma pistola Tanfoglio 380 ACP, um carregador de culatra, uma espingarda e treze caixas de munição calibre 12 .-70, de 10 cartuchos cada, perfazendo um total de 130 cartuchos e muito mais munições de diversos calibres. Não se pode dizer que Mendoza Castro sabia o que seus inquilinos faziam, mas são curiosas as coincidências com as acusações feitas contra seu pai.

Juan Simón Mendoza Pérez, por sua vez, não está isento de investigações. Este empresário acumula denúncias por violência familiar, lavagem de dinheiro, tráfico ilegal de produtos florestais, afetação de formações florestais e outros, desde 2017, segundo fontes do Ministério Público. São ao todo 12 inquéritos entre cíveis e criminais em que ele aparece como réu. O que ninguém pode explicar é como Juan Simón Mendoza, com tantos processos penais em andamento, não recebeu nenhuma sentença e continua livre para continuar cometendo crimes. O que acontece com seu tio também é inexplicável.

Justiça que leva

Embora o procurador Raúl Huaroc, da Procuradoria Especializada em Meio Ambiente (FEMA) de Atalaya, tenha realizado vários procedimentos no campo, os prazos das investigações estão dolorosamente prolongados. A trilha aberta pelos madeireiros vem fechando, mas o risco de invasão permanece. Os rumores de um novo ataque, aproveitando outras rotas, são cada vez mais frequentes.

Neste ano de 2022, foram consolidados os Comitês Comunitários de Vigilância, reconhecidos pela autoridade florestal de Ucayali. Várias comunidades estão em alerta para a possível entrada de empresas como Juan Simón Mendoza Pérez e se preparam para uma defesa cerrada de seus territórios. Outros, poucos, influenciados pelo abandono do Estado e pela falta de rendimentos económicos, especulam sobre a bonança que traria a “madereada”, uma nova onda de depredação das florestas comunais.

No entanto, em Sawawo, os membros da comunidade já assumiram uma posição firme e consistente com seus ideais de desenvolvimento. Maria Elena e seu grupo de vigilância comunitária ainda estão lá, enfrentando uma empresa mafiosa, com a determinação que o conhecimento e o espírito guerreiro lhes deram. Apesar dos reconhecimentos que começa a receber, como o da International Conservation Foundation , Maria Elena não abandonará o cargo.

Por IVAN BREHAUT – Lamula.Pe

MEIO AMBIENTE

Chuvas no Sul: RS tem inundações e Paraná segue em alerta

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As chuvas e os temporais que atingem a Região Sul desde segunda-feira, 27 de julho, deixaram rios acima da cota de inundação, cidades alagadas, estradas bloqueadas e propriedades rurais destruídas no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira, 29. A instabilidade avançou durante a madrugada sobre Santa Catarina e chegou ao Paraná, empurrada por uma frente fria, por áreas de baixa pressão e por uma corrente de ventos que transporta calor e umidade para o centro-sul do continente. O Rio Grande do Sul permanece como o ponto mais grave da crise, enquanto catarinenses e paranaenses acompanham o deslocamento das tempestades para o norte.

No interior de Selbach, a agricultora Rosângela Castelli, de 47 anos, correu com o marido, a filha e a sogra para dentro do banheiro quando o vento cercou a propriedade da família na noite de terça-feira. “A casa foi a única coisa que ficou intacta”, contou. Árvores foram arrancadas, um galpão perdeu o telhado e o barracão usado no manejo dos animais ficou destruído. Na manhã seguinte, vizinhos e trabalhadores retiravam ferragens e postes que haviam caído sobre as camas das vacas. A ordenha robotizada precisou funcionar com gerador, enquanto a família tentava manter os animais alimentados e reconstruir uma rotina interrompida em poucos segundos.

A cena vivida por Rosângela resume o tamanho do problema desta semana: a chuva não atinge apenas ruas e casas próximas aos rios. Ela entra na produção de leite, derruba instalações, mata animais, interrompe estradas e corta energia. Em Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, outro tornado destruiu casas e galpões, derrubou árvores e deixou quatro pessoas da mesma família feridas. Três continuavam hospitalizadas nesta quarta-feira. “É uma vida que eu perdi”, disse o agricultor Gilço Amaral Mikocak, que se protegeu debaixo de uma mesa antes de pedir socorro por mensagem.

Até o meio-dia desta quarta-feira, pelo menos 85 municípios gaúchos haviam registrado estragos. Seis rios estavam acima da cota de inundação em dez cidades e havia ao menos 18 bloqueios em rodovias estaduais. O quadro inclui alagamentos urbanos, granizo, destelhamentos e quedas de árvores. A Defesa Civil emitiu alertas vermelhos para trechos dos rios Taquari, Gravataí e Uruguai, com risco muito alto de inundação, além de acompanhar a elevação do Jacuí, do Caí e do Sinos.

A água que cai agora encontra um território com pouca capacidade de absorção. Em várias áreas do norte, da Serra, dos Vales e da Região Metropolitana, o solo já estava encharcado pelas chuvas anteriores. Passo Fundo havia acumulado 328 milímetros em julho até a tarde de terça-feira, mais que o dobro da média histórica do mês. Vacaria somava 335,8 milímetros, enquanto Lajeado chegava a 223 milímetros. Quando a terra está saturada, uma parcela maior da chuva corre diretamente para ruas, arroios e rios, acelerando enxurradas e elevações repentinas.

O Instituto Nacional de Meteorologia trabalha com acumulados que podem alcançar 200 milímetros em pontos do Rio Grande do Sul entre 27 de julho e 3 de agosto. Na terça-feira, áreas gaúchas estiveram sob aviso vermelho para volumes superiores a 100 milímetros em 24 horas. A combinação de uma frente fria no oceano, um corredor de baixa pressão entre o Paraguai e o Sul do Brasil e a intensificação do Jato de Baixos Níveis criou condições para chuva intensa, granizo e rajadas de vento. Esse jato funciona como uma faixa de ventos nos primeiros quilômetros da atmosfera, levando umidade e ar aquecido para a região onde as tempestades se formam.

Em Santa Catarina, a madrugada e a manhã desta quarta-feira foram marcadas por temporais, raios, rajadas de vento e granizo no Grande Oeste, nos Planaltos e no Litoral Sul. Na metade leste, a chuva permaneceu por mais tempo e alcançou intensidade moderada em diferentes pontos. A Defesa Civil classificou como moderado a alto o risco de alagamentos, destelhamentos, danos na rede elétrica e quedas de árvores. A tendência é de afastamento das instabilidades durante a tarde, com tempo mais firme na quinta-feira e chuva fraca isolada no Litoral, no Vale do Itajaí e nos Planaltos.

A trégua catarinense, porém, não representa o fim da vigilância. O tempo deve permanecer firme em grande parte do estado na sexta-feira, mas os ventos ganham força. No sábado, uma nova frente fria se aproxima das áreas próximas à divisa com o Rio Grande do Sul. No domingo, voltam as condições para pancadas de chuva e temporais isolados, principalmente no sul catarinense.

No Paraná, o risco se deslocou para o noroeste, oeste e centro do estado nesta quarta-feira. A previsão inclui chuva intensa em curto intervalo, descargas elétricas, granizo e rajadas fortes. Na quinta-feira, as tempestades devem ficar mais concentradas no oeste, com atenção para municípios como Umuarama, Cascavel e Francisco Beltrão. Outras áreas paranaenses ainda podem receber chuva isolada. A sexta-feira tende a ser mais estável, embora rajadas entre 40 e 60 quilômetros por hora possam atingir o oeste e o sul do estado.

O fim de semana exige acompanhamento contínuo. O INMET prevê nova intensificação da chuva no Rio Grande do Sul, especialmente na porção sul, com volumes que podem chegar a 60 milímetros. Em Santa Catarina, a frente fria retorna pela divisa gaúcha. A localização exata das tempestades mais severas pode mudar à medida que o sistema avança, mas o risco cresce quando vento, granizo e chuva volumosa encontram rios elevados, encostas úmidas e estruturas já danificadas.

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Estudo propõe sistema unificado para rastrear soja e carne bovina no Brasil

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O Brasil precisa integrar bases de dados, critérios ambientais e mecanismos de fiscalização para melhorar a rastreabilidade das cadeias de soja e carne bovina. A proposta faz parte de um estudo lançado na terça-feira (28) pelo WRI Brasil, após a análise de 21 iniciativas de monitoramento usadas na Amazônia e no Cerrado para atender à legislação nacional e às exigências do mercado internacional.

O trabalho avaliou dez iniciativas ligadas à produção de soja e 11 voltadas à pecuária bovina. Embora o país já tenha sistemas de monitoramento por satélite, o Cadastro Ambiental Rural, protocolos setoriais e plataformas públicas, esses instrumentos ainda funcionam de forma fragmentada, com critérios, áreas de cobertura e datas de corte diferentes.

Entre os principais problemas estão a dificuldade para acompanhar fornecedores indiretos, especialmente na pecuária, a falta de padrões comuns de verificação e a adoção de regras distintas para identificar desmatamento e conversão de vegetação nativa. Essa falta de integração aumenta os custos de controle e dificulta o uso das informações por produtores, frigoríficos, compradores, bancos e investidores.

O estudo propõe que a propriedade rural seja adotada como unidade básica de monitoramento. A recomendação permitiria reunir em uma mesma análise dados sobre autorizações ambientais, áreas embargadas, desmatamento, trabalho análogo à escravidão, sobreposição com terras indígenas e unidades de conservação, além da movimentação de animais e produtos agrícolas.

As informações deverão vir de bases governamentais ou de sistemas validados cientificamente. A proposta também prevê auditorias independentes, publicação de relatórios de transparência, ampliação do monitoramento para todos os biomas brasileiros e criação de uma supervisão formada por representantes do governo, do setor produtivo e da sociedade civil.

Outro ponto é o acompanhamento de toda a cadeia de fornecimento. Na pecuária, o gado pode passar por diferentes propriedades antes de chegar ao frigorífico. Sem o controle dos fornecedores indiretos, animais criados em áreas com irregularidades podem entrar em propriedades regulares e alcançar o mercado sem que a origem seja identificada.

O marco sugerido estabelece como base a ausência de desmatamento ilegal após 22 de julho de 2008, data prevista no Código Florestal. Também propõe critérios adicionais para cadeias livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa, com regras que poderão ser adotadas de forma voluntária por empresas, governos e parceiros comerciais.

Fornecedores em situação irregular seriam bloqueados temporariamente, mas poderiam retornar ao mercado após corrigir os problemas e comprovar a regularização. O mecanismo busca evitar que a exclusão seja permanente e estimular a recuperação ambiental, a adequação das propriedades e a melhoria das práticas produtivas.

O Protocolo de Monitoramento de Fornecedores de Gado para a Amazônia, o Protocolo Verde dos Grãos do Pará e as plataformas SeloVerde, adotadas no Pará, em Minas Gerais e no Maranhão, estão entre as experiências que já reúnem elementos de controle ambiental e rastreabilidade no país.

A integração dos sistemas também pode fortalecer a relação comercial entre Brasil e China. Soja e carne bovina responderam por cerca de 60% do valor das exportações do agronegócio brasileiro em 2024. Entre 2023 e 2024, as vendas dos dois produtos ao mercado chinês movimentaram aproximadamente US$ 44,6 bilhões.

Um protocolo comum permitiria aos compradores verificar com mais facilidade a origem e a conformidade socioambiental dos produtos brasileiros. A rastreabilidade também pode ser incorporada às análises de risco feitas por instituições financeiras, bancos de desenvolvimento e investidores.

A diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, Mariana Oliveira, afirmou que a adoção dessas medidas deve contribuir para “um modelo de desenvolvimento que promova benefícios socioeconômicos, oportunidades, empregos e renda” no campo.

Fonte: Agência Brasil

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Estudo aponta queda de 77% na densidade de fêmeas de onça-pintada na Amazônia

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Um estudo publicado no Journal of Applied Ecology revelou que a densidade de fêmeas de onça-pintada caiu 77% entre 2005 e 2022 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, uma das áreas com maior concentração do felino no mundo. A redução ocorreu ao mesmo tempo em que aumentou a presença de machos, mudança que pode comprometer a reprodução e a estabilidade da população no longo prazo.

A pesquisa acompanhou as onças durante 17 anos, no monitoramento populacional mais longo já realizado com a espécie. Ao todo, foram feitas 14 campanhas com armadilhas fotográficas durante a estação seca, somando 38.528 noites de observação.

As câmeras registraram 410 imagens e permitiram identificar 77 animais, entre 29 fêmeas e 40 machos. Nenhum filhote apareceu nos registros e apenas dois indivíduos juvenis foram fotografados ao longo de todo o período, resultado que aumenta a preocupação com a renovação da população.

A densidade de fêmeas caiu de 10,32 para 2,39 animais por 100 quilômetros quadrados. No mesmo intervalo, a densidade de machos cresceu 59%, de 3,81 para 6,07 indivíduos por 100 quilômetros quadrados. A população total estimada recuou de 14,13 para 8,47 onças na mesma extensão territorial.

A taxa anual de sobrevivência permaneceu em 76%, sem diferença entre machos e fêmeas. A entrada de novas fêmeas na população, porém, ficou abaixo da registrada entre os machos. A taxa foi de 0,15 por indivíduo entre elas e de 0,26 entre eles.

O aumento da presença masculina pode ter mascarado a perda de fêmeas residentes. Como os machos percorrem distâncias maiores, a chegada constante de novos animais mantém a densidade geral elevada, mesmo quando diminui o número de fêmeas responsáveis pela reprodução e pelos cuidados com os filhotes.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores envolve a caça direcionada principalmente aos machos. A retirada desses animais pode abrir espaço para a entrada de outros indivíduos, que eventualmente matam filhotes que não são seus para antecipar o retorno das fêmeas ao período reprodutivo. O comportamento é conhecido como infanticídio, mas não foi medido diretamente em Mamirauá e ainda depende de novas investigações.

A pressão da caça pode ser maior durante as cheias, quando a navegação facilita o acesso à floresta e as onças passam mais tempo sobre as árvores para escapar das áreas alagadas. O levantamento reuniu registros de 23 animais caçados em 13 anos, número que pode ser inferior ao total real.

A ausência de filhotes nas imagens também pode estar relacionada ao envelhecimento das fêmeas. Animais mais velhos costumam ter menor sucesso reprodutivo, enquanto a permanência de filhas adultas na mesma região pode reduzir o espaço disponível para cada fêmea.

As oscilações anuais no nível dos rios não tiveram efeito direto comprovado sobre a sobrevivência ou a entrada de novos animais. Os pesquisadores alertam, porém, que a reprodução das onças ocorre lentamente e que os impactos de secas e cheias extremas podem aparecer apenas depois de vários anos.

Mamirauá possui cerca de 1,1 milhão de hectares de floresta de várzea e fica na região dos rios Japurá e Solimões. Mesmo com a mudança demográfica, a reserva ainda mantém uma das maiores densidades de onças-pintadas já registradas, comparável às populações encontradas no Pantanal e nos Llanos.

A alta concentração, no entanto, não garante a estabilidade da espécie. A proteção das fêmeas reprodutivas, o controle da caça, o acompanhamento dos filhotes e a continuidade do monitoramento são medidas necessárias para evitar que a redução avance sem ser percebida em levantamentos baseados apenas no número total de animais.

Fontes: O Eco; Journal of Applied Ecology – Foto: GP Felinos/Instituto Mamirauá

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