O V Festival Atsa Puyanawa, que celebra a cultura do povo indígena Puyanawa, teve início nesta terça-feira, 18, no município de Mâncio Lima, no Estado do Acre. Com uma programação abrangente, o festival irá até o dia 23 de julho, proporcionando uma imersão nas tradições e costumes desse povo ancestral.
Durante os seis dias de festividades, os visitantes poderão apreciar danças e músicas tradicionais, desfrutar de comidas típicas, contemplar as pinturas corporais que expressam a rica identidade cultural indígena, participar de caminhadas na floresta, assistir a exibições de filmes que retratam a realidade dos indígenas, além de vivenciar cerimônias espirituais com ayahuasca e se refrescar nos igarapés da região.
O V Festival Atsa Puyanawa é promovido pela Associação Agroextrativista do Barão e Ipiranga (AAPBI) e conta com o apoio do governo estadual. Para Marcelo Messias, secretário de Estado de Turismo e Empreendedorismo, esse evento reveste-se de grande importância, uma vez que atrai turistas e promove a divulgação da cultura local.
“O fomento a eventos como o V Festival Atsa Puyanawa é uma decisão do governador Gladson, que compreende a importância de valorizar e preservar a cultura indígena.” Marcelo Messias – Foto: Marcos Santos/Secom
“Para o governo estadual, essa deve ser uma política de estado, pois reconhecemos a relevância dessas atividades para o turismo e para a divulgação da rica diversidade cultural do Acre. Estamos comprometidos em apoiar e promover iniciativas que fortaleçam as tradições e costumes dos povos indígenas, e o V Festival Atsa Puyanawa é um exemplo emblemático dessa valorização.” destacou o secretário.
A expectativa da organização do festival é receber cerca de 8 mil pessoas ao longo dos dias de comemorações. O V Festival Atsa Puyanawa é uma oportunidade para os participantes conhecerem de perto as tradições e a sabedoria ancestral do povo indígena Puyanawa, valorizando e fortalecendo a diversidade cultural do Estado do Acre e do Brasil como um todo. A festa promete ser memorável e deixar uma marca duradoura na memória daqueles que tiverem a oportunidade de participar.
O Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco, será palco de uma sessão especial do documentário Ponte de Memórias, dirigido pela cineasta acreana Alcinete Damasceno. A exibição está marcada para o dia 18 de novembro, às 16h, e reunirá personagens que participaram da produção, familiares, convidados e integrantes da equipe responsável pelo filme.
A produção recupera histórias ligadas à Ponte Juscelino Kubitschek, popularmente conhecida como Ponte Velha, um dos principais símbolos históricos da capital acreana. Localizada sobre o Rio Acre, na região central da cidade, a estrutura é o ponto de partida para relatos sobre as mudanças urbanas, as relações sociais e as lembranças de diferentes gerações de moradores.
Construído a partir de pesquisas históricas e depoimentos, o documentário apresenta a ponte para além de sua função de ligação entre regiões da cidade. O filme reúne experiências pessoais de quem acompanhou as transformações de Rio Branco e mantém uma relação afetiva com o espaço.
A sessão também será uma oportunidade de reencontro entre as pessoas que contribuíram para a realização da obra. A proposta é reconhecer a participação desses moradores na preservação da história e da identidade cultural acreana.
O documentário foi produzido com recursos do Fundo Municipal de Cultura, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer Garibaldi Brasil (FGB), com apoio da Prefeitura de Rio Branco.
Curta-metragem dirigido por Juraci Júnior integra a programação do prestigiado Interfilm Berlin, destacando a força da produção amazônica e abrindo caminhos no mercado audiovisual europeu.
O premiado curta-metragem rondoniense “Kika Não Foi Convidada”, escrito e dirigido por Juraci Júnior, se prepara para dar um importante passo em sua trajetória internacional. O filme fará sua estreia alemã durante a 19ª edição do KUKI – Young Short Film Festival Berlin, festival de curtas voltado ao público infanto-juvenil do prestigiado Interfilm Berlin, que acontece entre os dias 8 e 15 de novembro de 2026.
Exibido na mostra competitiva KUKI 8+, voltada para crianças a partir dos oito anos, o curta terá cinco sessões em salas emblemáticas da capital alemã, como o Filmtheater am Friedrichshain e o Zeiss-Großplanetarium.
Descentralização e Oportunidades no Mercado Internacional
A chegada do curta à Alemanha reflete também um movimento fundamental de descentralização da produção audiovisual brasileira, rompendo o predomínio do eixo Rio-São Paulo ao levar ao circuito internacional um olhar autêntico do Norte do país.
“É de extrema importância ter um filme brasileiro fora do eixo tradicional Rio-SP no circuito de festivais internacionais. ‘Kika Não Foi Convidada’ traz uma temática universal: a criança que, por ser diferente, não é convidada para a festa. Bullying não precisa de legenda, e o público diverso de Berlim certamente irá se identificar”, pontua Júnia Matsuura, Consultora de Distribuição Internacional do filme.
Júnia ressalta ainda o impacto estratégico dessa exibição para o audiovisual rondoniense: ” O impacto na carreira é evidente, pois o festival conta com uma área de mercado dedicada a eventos de networking e painéis educativos sobre a indústria, em uma cidade que também abriga o segundo maior mercado de cinema do mundo, durante a Berlinale.”
Juraci Júnior se diz empolgado com a oportunidade e destaca o espaço que o filme tem conquistado no Brasil e no exterior. “A história de Kika tem comovido crianças e adultos por onde o filme passa e tô bem curioso para saber como o curta chegará no público alemão. Teremos várias sessões e oportunidade de conversar com a plateia sobre a construção do filme”.
Empatia, afeto e a força do olhar infantil
Inspirado em uma memória de infância do diretor, “Kika Não Foi Convidada” acompanha a descoberta de uma menina negra da periferia de Porto Velho que percebe não ser bem-vinda em uma festa de aniversário. A partir desse conflito, o filme aborda temas urgentes como exclusão social e preconceito de cor, conduzindo a narrativa através da sensibilidade e da pureza da amizade entre as crianças.
O projeto se destaca por sua metodologia de preparação de elenco humanizada, realizada sem testes convencionais e com acompanhamento psicológico junto a crianças de comunidades periféricas de Porto Velho. A trilha sonora ganha contornos poéticos com a canção “Principia”, do rapper Emicida, interpretada por crianças do coral Villa Lobos, de Porto Velho.
“Ver a história da Kika, nascida da nossa vivência na Amazônia negra e urbana de Porto Velho, alcançar telas em um dos festivais mais importantes da Europa mostra que a sensibilidade e o afeto infantil não têm fronteiras”, destaca o diretor Juraci Júnior.
Trajetória de Prêmios e Circulação
Antes da seleção para Berlim, “Kika Não Foi Convidada” acumulou uma sólida carreira no circuito nacional. Venceu o prêmio de Melhor Projeto de Roteiro no Laboratório do Curta Cinema (RJ) em 2024 e, em 2026, conquistou o Prêmio do Júri do Público no 37º Festival Internacional de Cinema de SP – Kinoforum, além de quatro prêmios no 1º Curta Caxias (Melhor Filme, Direção, Roteiro e Montagem), prêmios Itaú Cultural Play e Místika no Cine RO, Mostra SESC de Cinema e menções honrosas nos festivais de Vitória, Festcine Itaúna e FICI.
A literatura produzida por mulheres acreanas ganha mais uma oportunidade de encontro com o público neste sábado, às 18h30, com o relançamento da antologia Letras de Mulher – Volume 2, da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (Ajeb), Coordenação Acre. A atividade integra a programação comemorativa dos 89 anos da Academia Acreana de Letras (AAL) e a realização da 1ª Expofeira Cultural e Científica da instituição, no Museu dos Povos Acreanos, em Rio Branco.
Em evento que reúne diferentes linguagens artísticas, escritores, fotógrafos, artistas visuais e novos talentos da cena cultural acreana, a Ajeb Acre reafirma a importância de ampliar os espaços de visibilidade para a escrita feminina. A obra reúne vozes, experiências, sensibilidades e diferentes expressões literárias, revelando a diversidade de olhares e narrativas que enriquecem a literatura produzida no Acre.
“Vamos organizar um lançamento em formato de roda de conversa para possibilitar um mergulho nos textos, quais pontos eles possuem em comum, quais os estilos de escrita das acreanas”, disse a presidente da Ajeb Acre, Socorro Camelo, reforçando que participar de uma programação dessa dimensão representa também a oportunidade de fortalecer o diálogo entre escritoras, instituições culturais e comunidade, aproximando o público da produção literária feminina e contribuindo para que essas histórias encontrem novos leitores e espaços de reconhecimento.
Serviço: O quê? Relançamento da antologia Letras de Mulher – Volume 2 Quando? Neste sábado, às 18h30 Onde? No Museu dos Povos Acreanos