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Política

A revoada das aves de rapina na cena eleitoral do Acre

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Entre o início da pré-campanha, em 5 de abril, e o fim das convenções partidárias, em 5 de agosto, oportunistas tentam voar em dois palanques ao mesmo tempo — e alguns ainda insistem nisso durante a campanha oficial

O cenário político do Acre em 2026 entrou em ebulição — e não por acaso. A janela partidária, encerrada em 4 de abril, abriu a porteira para uma intensa movimentação de mandatários. Mas esse foi apenas o primeiro ato. A partir de 5 de abril, inicia-se a pré-campanha — fase decisiva que se estende até 5 de agosto, quando as convenções partidárias encerram o ciclo de definições formais.

Até lá, não há coligações consolidadas. Há, sim, um jogo aberto, onde pesquisas eleitorais, agenda política e capacidade de comunicação passam a ser os vetores centrais na construção de alianças.

E é exatamente aí que se revela uma distorção preocupante.

Parte dos atores políticos parece disposta a rifar o destino do Acre em nome de projetos pessoais ou, pior, de estratégias nacionais que pouco dialogam com a realidade local. Ao priorizar exclusivamente a eleição de senadores e relativizar — ou até desprezar — a disputa pelo governo, determinados grupos demonstram um desalinhamento grave com os interesses do estado.

O caso do PL é emblemático: ao concentrar forças no Senado e não apresentar um projeto consistente para o governo, sinaliza, na prática, um descompromisso com os destinos do Acre. E isso precisa ser dito com todas as letras.

O Acre vive um momento estratégico. Deixa, gradativamente, de ser periferia do centro econômico brasileiro para se consolidar como um ponto de conexão relevante com o comércio internacional via Pacífico. Essa mudança de posição geoeconômica exige liderança, planejamento e visão de longo prazo.

Não se trata apenas de eleger nomes. Trata-se de decidir o futuro.

Eleger um governador sem preparo, sem projeto ou subordinado a interesses externos é, objetivamente, empurrar o Acre para a irrelevância. É jogar seu destino na valeta.

Por isso, mais do que nunca, impõe-se uma reflexão: o Acre precisa estar em primeiro lugar. Sem ignorar o Brasil — mas sem se submeter a ele de forma acrítica.

Nesse contexto, a pré-candidatura de Tião Bocalom se apresenta como um projeto estruturado. Não é improviso. É resultado de uma construção política e administrativa de décadas, ancorada em um conceito claro: produzir para empregar. Uma diretriz que dialoga diretamente com a vocação econômica do estado.

Sua trajetória administrativa — em Acrelândia e em Rio Branco — reforça essa narrativa. A ideia de que “sabendo usar o dinheiro, dá” não é retórica: é método testado e replicado.

E é justamente o crescimento potencial dessa candidatura que intensifica a revoada das aves de rapina.

Muitos dos que hoje tentam se aproximar de Alan ou Mailza, baseiam suas análises em pesquisas de um cenário que sequer consideravam Bocalom como pré-candidato ao governo. Ao mesmo tempo, o senador republicano e a vice-governadora estão há anos em movimento contínuo de pré-campanha.

Ou seja: há uma assimetria evidente.

A entrada mais recente de Bocalom no cenário tende a reequilibrar esse jogo — especialmente à medida que sua agenda se intensificar pelo estado e sua pré-candidatura se tornar mais conhecida. 

E é, por não considerar a dinâmica política, que se enganam os oportunistas. Aqueles que tentam ocupar dois palanques ao mesmo tempo, vendendo ao eleitor a ilusão de que podem estar simultaneamente em projetos distintos, na verdade, caminham no fio da navalha. No caso de candidaturas ao Senado, essa estratégia beira o insustentável. O eleitor precisa saber quem está com quem — e por quê.

Política exige lado.

E mais: exige coerência.

É preciso dizer também que há um equívoco de leitura por parte de alguns analistas e atores políticos. A candidatura de Bocalom não é auxiliar, nem satélite, nem tampouco extensão de qualquer outro projeto. Trata-se de uma candidatura competitiva, com identidade própria e capacidade real de disputa.

Isso não significa, no entanto, que o caminho seja o confronto predatório dentro do mesmo campo político. Nem Bocalom precisa hostilizar Mailza, nem Mailza precisa hostilizar Bocalom. A lógica do segundo turno impõe racionalidade: a fragmentação excessiva pode beneficiar terceiros.

E, nesse contexto, a experiência administrativa passa a ser um diferencial concreto. Governar não é retórica — é entrega.

O Acre, neste momento, não pode ser laboratório de aventuras políticas nem moeda de troca em projetos nacionais.

O que está em jogo é muito maior.

É o futuro de um estado que começa a redesenhar seu papel no Brasil e na América do Sul.

No fim, as aves de rapina continuarão sobrevoando o cenário, tentando extrair vantagem de onde for possível. Mas o eleitor acreano terá diante de si uma escolha clara: optar por projetos consistentes, com lado e compromisso, ou ceder à lógica oportunista de quem tenta estar em todos os lugares — sem, na verdade, estar em lugar nenhum.

E essa escolha, desta vez, definirá mais do que uma eleição.

Definirá o rumo do Acre.

Texto de Zé Américo, jornalista e consultor de Marketing Político

Política

Binho Marques fica fora da suplência de Jorge Viana e atuará na coordenação de campanhas no Acre

Ex-governador atribuiu a retirada a um erro no registro e confirmou participação nas campanhas de Jorge Viana ao Senado e Thor Dantas ao governo

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O ex-governador Binho Marques anunciou que não integrará, como primeiro suplente, a chapa de Jorge Viana ao Senado nas eleições de 2026. Segundo ele, um erro relacionado a prazos e datas impediu o registro da candidatura.

Em carta aberta divulgada em agosto, Binho informou que acatará a decisão da Justiça e não pretende contestar o processo.

“Houve um erro técnico no registro da minha candidatura como primeiro suplente do senador Jorge Viana. Um erro de prazos, de datas, daqueles detalhes que não parecem importantes até o dia em que o juiz diz que são. Erramos”, declarou.

Foto: Sergio Vale

Mesmo fora da chapa, Binho afirmou que continuará participando da campanha eleitoral. Ele integrará a coordenação das candidaturas de Jorge Viana ao Senado e de Thor Dantas ao governo do Acre.

“Vou trabalhar mais ainda pela vitória da Frente Ampla, seja na coordenação das campanhas do Jorge e do Thor, seja nas ruas”, escreveu.

Binho também declarou apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. “Voto Jorge Viana senador. Voto Thor Dantas governador. Voto Lula presidente. E vou trabalhar todos os dias para que eles vençam”, afirmou.

Ex-secretário de Educação e ex-governador do Acre, Binho Marques também trabalhou no Ministério da Educação e em organizações do setor. Em sua trajetória, participou de discussões sobre o financiamento da educação básica, incluindo a criação do Valor Aluno Ano Total (VAAT), incorporado ao Fundeb.

Com a saída da suplência, Binho concentrará sua atuação eleitoral na coordenação política das campanhas apoiadas pela Frente Ampla no Acre.

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Política

Bocalom celebra nota 6,8 no Ideb e Alysson Bestene projeta liderança nacional para Rio Branco

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O prefeito em exercício à época da avaliação, Tião Bocalom, celebrou a nota 6,8 alcançada pela rede municipal de Rio Branco no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. O resultado, divulgado na quarta-feira (5), superou os 6,4 registrados em 2023 e manteve a capital acreana na segunda colocação entre as capitais brasileiras nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

A avaliação foi realizada durante a gestão de Bocalom, quando o atual prefeito Alysson Bestene ocupava o cargo de secretário municipal de Educação. Rio Branco ficou atrás apenas de Curitiba e Teresina, que alcançaram nota 6,9.

Bocalom atribuiu o avanço ao trabalho dos profissionais da educação e aos investimentos feitos pela prefeitura na estrutura das escolas, na valorização dos servidores e na adoção de novas tecnologias de ensino.

“Estou muito feliz porque esse resultado é fruto da dedicação dos nossos professores, das equipes gestoras e de todos aqueles que fazem a educação do município de Rio Branco”, afirmou.

O desempenho da rede municipal também colocou três escolas da capital nas primeiras posições do Acre. A Escola Municipal Maria Lúcia Moura Marim, localizada no bairro Morada do Sol, obteve nota 8,7, a maior do estado. A Escola Luiz de Carvalho Fontenele ficou em segundo lugar, com 8,3, seguida pela Escola Chico Mendes, com 8,1.

Ao comentar a nota alcançada pela capital, Bocalom lembrou que Rio Branco já havia ficado perto da liderança nacional na avaliação anterior. Em 2023, o município terminou a um décimo de Goiânia. Na edição de 2025, a diferença para as primeiras colocadas também foi de um décimo.

“Mais uma vez ficamos em segundo lugar por apenas um décimo, mas isso nos enche de orgulho”, declarou.

Entre as medidas adotadas pela administração municipal, Bocalom citou o reajuste salarial dos profissionais da educação, a reforma e climatização das unidades, a instalação de internet nas escolas urbanas e rurais, além da entrega de notebooks aos professores e tablets aos alunos.

O prefeito também relacionou o resultado à implantação do programa Mente Inovadora e das atividades de robótica na rede municipal. “Quando recebemos a prefeitura, a maioria das escolas não tinha ar-condicionado. Hoje todas têm climatização, internet e mais tecnologia dentro das salas de aula”, disse.

Alysson Bestene, que comandava a Secretaria Municipal de Educação durante a aplicação da avaliação, afirmou que o resultado reforça o trabalho desenvolvido pela gestão e estabeleceu como próximo objetivo a conquista da primeira colocação entre as capitais.

“Ficamos atrás apenas de cidades grandes, como Curitiba e Teresina. Estamos orgulhosos pelo resultado e enfatizamos que queremos, agora, o primeiro lugar. Por isso, teremos muito trabalho”, afirmou Alysson.

O Ideb combina o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais com as taxas de aprovação escolar. A prova é aplicada aos alunos do 5º ano, mas o resultado considera o trabalho pedagógico desenvolvido durante os primeiros anos da trajetória escolar.

Bocalom agradeceu aos professores, gestores, servidores e familiares dos estudantes e afirmou que os investimentos na educação municipal devem continuar. “Esse resultado mostra que estamos no caminho certo e que nossas crianças estão tendo mais oportunidades para construir um grande futuro”, declarou.

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Acre

Do Juruá ao comando da Aleac: Nicolau Júnior tem candidatura homologada e busca o quarto mandato

Natural de Cruzeiro do Sul, presidente da Assembleia foi o deputado estadual mais votado do Acre em 2022 e destacou humildade, união e mobilização durante a Convenção Avança Acre

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O presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), Nicolau Júnior, do Progressistas, teve o nome homologado para disputar a reeleição a deputado estadual durante a Convenção Avança Acre, realizada na terça-feira, 4 de agosto, no Ginásio do Sesc Bosque, em Rio Branco.

Aos 41 anos, o parlamentar chega à disputa como um dos principais nomes do Progressistas e uma das lideranças de maior projeção eleitoral do Vale do Juruá. Caso seja reeleito, iniciará, em 2027, o quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa.

A convenção reuniu a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, além de MDB, PL, PDT e Democrata 35. O encontro também oficializou as candidaturas da governadora Mailza Assis à reeleição, de Jéssica Sales a vice-governadora e de Gladson Cameli e Márcio Bittar ao Senado, além das chapas para deputado federal e estadual.

Antes do início do evento, Nicolau afirmou que a campanha será conduzida por meio do diálogo com a população e sem antecipação de resultados.

“Vamos trabalhar com muita humildade, com os pés no chão, porque entendemos que esse é o melhor caminho para o Acre”, declarou.

Nicolau Cândido da Silva Júnior nasceu em Cruzeiro do Sul, em 8 de setembro de 1984. Bacharel em Direito pela Universidade Nilton Lins, de Manaus, e empresário, iniciou sua caminhada eleitoral em 2010, quando disputou pela primeira vez uma cadeira na Aleac. Recebeu 3.208 votos, mas não foi eleito.

Quatro anos depois, voltou às urnas e conquistou o primeiro mandato. Nas eleições de 2014, recebeu 3.827 votos e, aos 30 anos, tornou-se um dos parlamentares mais jovens daquela legislatura. Tomou posse em fevereiro de 2015, levando para a Assembleia uma atuação ligada às demandas de Cruzeiro do Sul e dos demais municípios do Juruá.

Em 2018, ampliou sua votação e foi reeleito com 7.509 votos, quase o dobro do resultado alcançado quatro anos antes. O crescimento nas urnas foi acompanhado pela conquista de espaço dentro do Poder Legislativo.

Em fevereiro de 2019, Nicolau foi eleito presidente da Aleac, tornando-se o parlamentar mais jovem a comandar a Casa. Permaneceu na presidência durante os biênios 2019–2020 e 2021–2022.

Na legislatura iniciada em 2023, ocupou a primeira-secretaria da Mesa Diretora durante a presidência do deputado Luiz Gonzaga. Em fevereiro de 2025, voltou ao comando da Assembleia após ser escolhido por unanimidade para presidir a instituição no biênio 2025–2026. É a terceira vez que exerce a presidência do Legislativo estadual.

O apoio unânime recebido para comandar a Casa demonstrou sua capacidade de articulação com parlamentares da base governista e da oposição.

O resultado eleitoral mais expressivo da trajetória de Nicolau ocorreu em 2022. Naquele ano, foi reeleito para o terceiro mandato com 16.636 votos, a maior votação entre todos os candidatos a deputado estadual no Acre.

Embora tenha preservado sua principal base política no Vale do Juruá, o resultado mostrou uma expansão de sua presença para outras regiões. Em Cruzeiro do Sul, Nicolau recebeu 4.348 votos. Em Rio Branco, foram 4.160 votos.

A distribuição ajuda a explicar a passagem de uma liderança originalmente ligada ao Juruá para um nome com alcance estadual, sem que o parlamentar deixasse de apresentar sua origem cruzeirense como parte central de sua identidade política.

O caminho iniciado no interior, com crescimento gradual nas urnas e espaço conquistado dentro da Assembleia, é apontado por seus apoiadores como demonstração de que lideranças do Juruá podem alcançar posições de comando estadual sem perder a ligação com suas bases.

Mobilização para uma nova campanha

Durante a Convenção Avança Acre, Nicolau convocou os apoiadores a participarem diretamente da campanha e a levarem às ruas as propostas dos candidatos da aliança.

“Eu quero agradecer a cada um que está aqui, porque vocês são o nosso time, é o time que vai estar nas ruas pedindo voto. A gente tem uma responsabilidade muito grande”, afirmou.

O parlamentar relacionou a mobilização política ao compromisso de ampliar as ações destinadas ao Vale do Juruá, a Rio Branco e aos demais municípios acreanos.

Nicolau também declarou apoio à chapa formada por Mailza Assis e Jéssica Sales para o Governo do Acre e destacou a participação das mulheres na campanha eleitoral.

“A gente tem que acreditar na força da mulher. É a mulherada que vai bater no peito, que vai colocar essa chapa no coração, essa chapa da vitória, com duas mulheres”, disse.

Com três mandatos consecutivos, votação crescente e três passagens pela presidência da Aleac, Nicolau chega à disputa de 2026 apresentando como principais credenciais a experiência no Legislativo, a articulação política e a presença construída no Juruá e nas demais regiões do estado.

A homologação em convenção representa a escolha partidária de seu nome. O pedido de registro da candidatura ainda deverá ser apresentado à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A propaganda eleitoral estará autorizada a partir do dia 16.

Fotos: Sérgio Vale e Ismael Mello

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