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MEIO AMBIENTE

Governo leva Operação Contenção Verde ao Juruá para reforçar combate a queimadas

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O governo do Acre iniciou nesta semana a quarta fase da Operação Contenção Verde no Vale do Juruá, com atividades de orientação, fiscalização e repressão a ilícitos ambientais. O lançamento ocorreu em Rodrigues Alves e vai se estender para Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, áreas que concentram alertas de queimadas e desmatamento registrados por monitoramento via satélite.

A ação mobiliza órgãos estaduais, federais e municipais em uma força-tarefa que reúne o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a Polícia Militar, o Batalhão Ambiental, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil, a Defesa Civil, além de instituições federais como Ibama e ICMBio. Com apoio do Programa REM, as equipes atuam de forma integrada sob coordenação da Casa Civil e do Grupo Operacional de Comando e Controle.

Segundo o diretor de Licenciamento Ambiental do Imac, Ivo Péricles, a prioridade é levar orientação antes da aplicação de multas ou sanções. “Essa operação é resultado da união de forças de diferentes órgãos. Já conseguimos observar redução expressiva de focos de queimadas em relação ao mesmo período do ano passado, o que mostra que o trabalho no campo tem produzido efeitos concretos”, afirmou.

A secretária adjunta de Meio Ambiente, Renata Souza, explicou que as equipes chegam às comunidades com informações previamente processadas a partir de dados de satélite, o que permite ações mais direcionadas. Ela ressaltou ainda o incentivo à regularização: “Somente este ano realizamos sete mutirões de regularização ambiental, dois deles no Juruá, para ampliar o acesso dos produtores ao Cadastro Ambiental Rural e ao Programa de Regularização Ambiental”.

Para enfrentar o agravamento da crise climática, o Instituto de Meio Ambiente do Acre suspendeu por 180 dias as autorizações de queimadas controladas em todo o estado. As multas para infrações variam de R$ 3.500 por hectare em áreas de pastagem até R$ 10 mil em áreas de floresta. O coordenador da Casa Civil, Ítalo Medeiros, destacou que o monitoramento em tempo real impede manobras para escapar da fiscalização: “O sistema nos fornece as ocorrências em tempo real, por isso o melhor caminho para o produtor é buscar a regularização”.

Em Rodrigues Alves, a prefeitura atua em parceria com o Estado para reforçar o alcance da operação. A secretária municipal de Meio Ambiente, Márcia Queiroz, disse que a gestão local investe em mecanização agrícola e campanhas educativas. “Estamos trabalhando junto aos produtores, nas escolas e nos meios de comunicação para conscientizar a população sobre os danos que as queimadas trazem ao meio ambiente e à saúde pública”, afirmou.

O governo do Acre associa a Contenção Verde às metas do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ-AC), que prevê reduzir em 10% ao ano os índices de desmatamento até alcançar queda acumulada de 50% até 2027. Dados do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) apontam que, no primeiro semestre de 2025, houve redução de 47% nos focos de queimadas em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado atribuído à combinação de ações de fiscalização, educação ambiental e estímulo à regularização.

A operação, que já percorreu municípios das regionais do Purus, Baixo Acre e Tarauacá/Envira, passa agora a concentrar esforços no Juruá, onde a pressão sobre as florestas se intensifica neste período do ano. O governo afirma que a estratégia será mantida de forma contínua em todo o estado, com prioridade para as áreas mais vulneráveis, buscando conciliar atividades produtivas com a preservação ambiental.

MEIO AMBIENTE

Encontro nacional de comunicação indígena prepara rede para a COP30

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De 28 a 31 de agosto, Belém recebe o I Encontro Nacional de Comunicação Indígena (ENCI), que reúne 100 comunicadores de povos indígenas de todos os biomas do país. O evento acontece na Casa Maraká e é organizado pela Mídia Indígena em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas. A participação é destinada a pessoas inscritas em mapeamento realizado pelas redes sociais e o objetivo é estruturar um plano de comunicação indígena para a COP30, marcada para 2025 em Belém.

A programação inclui painéis, oficinas, exibições de cinema indígena e debates sobre comunicação, clima e cultura, com cinco eixos centrais: memória e identidade da comunicação indígena, formação política e técnica, articulação de uma rede nacional, estratégias para a COP30 e criação de campanhas de impacto voltadas ao diálogo com a sociedade. “Esse encontro representa a força coletiva dos povos indígenas na construção de suas próprias narrativas. É um espaço para fortalecer nossa voz, pensar estratégias conjuntas e afirmar que comunicação também é território de luta e de resistência”, disse Fly Tentehar, integrante da Mídia Indígena e um dos organizadores.

Entre os nomes confirmados estão a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, a deputada federal Célia Xakriabá, a enviada especial da COP30, Sineia Wapichana, e o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Kleber Karipuna. As oficinas tratam de produção de conteúdo para redes, preservação de acervos e técnicas de entrevista, e os painéis abordam a estrutura da comunicação brasileira, a regulamentação das plataformas e o uso de inteligência artificial.

Um resultado esperado é o plano coletivo de cobertura da COP30, com definições de logística, produção e linguagens para garantir protagonismo indígena no debate climático internacional. “Estamos construindo um plano que vai muito além de registrar a COP30. Queremos que ele seja uma ferramenta de incidência, capaz de ecoar nossas vozes dentro e fora das salas de negociação”, afirmou Tipuici Monoki, da Terra Indígena Irantxe, no Mato Grosso.

O encontro também marca os 10 anos da Mídia Indígena e encaminha a consolidação da Rede Nacional de Comunicação Indígena. Para Japupromti Parkatêjê, o passo integra jovens comunicadores e lideranças de diferentes povos em um processo contínuo de organização de longo prazo, com incidência prevista antes, durante e depois da COP30.

Foto: Christian Braga/ISA

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MEIO AMBIENTE

Estudo prevê avanço da doença de Chagas na Amazônia com o aquecimento global

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Um estudo publicado na revista científica Medical and Veterinary Entomology aponta que as mudanças climáticas podem ampliar a área de incidência da doença de Chagas na Amazônia até 2080, especialmente na região conhecida como arco do desmatamento. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em parceria com instituições nacionais e internacionais, projeta que o aumento das temperaturas e as alterações no regime de chuvas favoreçam a expansão do barbeiro, inseto transmissor do Trypanosoma cruzi, causador da enfermidade.

A análise utilizou mais de 11 mil registros de ocorrência de 55 espécies de barbeiros, cruzados com modelos climáticos que simulam diferentes cenários de aquecimento global. Segundo os resultados, a distribuição dos vetores deve permanecer relativamente estável até 2050, mas se tornará mais preocupante em 2080, quando áreas hoje pouco afetadas podem apresentar condições favoráveis à instalação dos insetos. O estudo alerta que o risco é maior em localidades marcadas pela vulnerabilidade social e por condições precárias de moradia, que aumentam o contato entre os vetores e os humanos.

“A combinação de desmatamento, expansão agrícola e mudanças climáticas cria um ambiente propício para a instalação do barbeiro em novas áreas”, resume o artigo. O professor Leandro Schlemmer Brasil, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da UFMT, campus de Pontal do Araguaia, figura entre os principais autores do trabalho.

O Brasil é considerado particularmente vulnerável a esse avanço devido à sua extensão territorial, à diversidade de ecossistemas e à rápida transformação do uso da terra. O arco do desmatamento, que concentra expansão agropecuária, mineração e conflitos fundiários, é identificado como uma das regiões mais críticas para a disseminação futura da doença. Especialistas destacam que, assim como ocorreu com doenças como febre amarela e sarampo, a queda temporária de casos pode reduzir a vigilância e abrir espaço para novos surtos.

O estudo recomenda que governos e autoridades de saúde intensifiquem a vigilância entomológica, invistam em campanhas de conscientização e desenvolvam estratégias de adaptação ao clima para evitar que populações historicamente não expostas passem a conviver com o risco da doença de Chagas.

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ANA declara situação crítica de rios no Acre e Amazonas por escassez de água

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A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou nesta segunda-feira (25) situação crítica de escassez hídrica nos rios Juruá, Purus e em seus afluentes Acre e Iaco, que cortam os estados do Acre e Amazonas e têm nascentes no Peru. A medida, aprovada em 21 de agosto e publicada no Diário Oficial da União, terá validade até 31 de outubro e busca identificar impactos sobre os usos da água, propor medidas de mitigação e permitir que órgãos reguladores e prestadores de serviços de saneamento adotem mecanismos tarifários de contingência para enfrentar custos adicionais.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as bacias dos rios da região registram chuvas abaixo da média desde 2023, e as previsões apontam que esse cenário deve se prolongar até outubro. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indica possibilidade de precipitações acima da média apenas a partir de outubro, o que poderia reverter parcialmente a situação. A Rede Hidrometeorológica Nacional mostra que as vazões atuais estão muito abaixo da média histórica, com predomínio da classificação severa em diferentes pontos de medição.

A resolução também estabelece regras excepcionais para o uso da água e orienta que setores usuários, como o de saneamento, energia e agricultura, acionem planos de contingência. Segundo a ANA, a declaração possibilita que estados e municípios do Acre e do Amazonas tenham agilizado o reconhecimento de situações de calamidade ou emergência por seca, garantindo acesso mais rápido ao auxílio da União. “A iniciativa tem como objetivo assegurar o monitoramento e a mitigação dos impactos da seca, em articulação com órgãos gestores locais e o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil”, informou a agência.

A situação crítica se dá em um período de vazante, entre junho e novembro, quando os níveis dos rios naturalmente começam a baixar. Entretanto, neste ano os índices estão muito inferiores ao esperado, reforçando o alerta de escassez. Caso as condições não melhorem, a resolução poderá ser prorrogada. Por outro lado, a medida poderá ser suspensa antes do prazo caso os níveis dos rios subam com o retorno das chuvas.

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