A Mostra Cultural Digital Memórias Musicais da Amazônia estreia no canal do Baquemirim no YouTube com uma série de vídeos que registra trajetórias, repertórios e práticas de mestres da música do Acre. A produção reúne depoimentos, apresentações e relatos sobre processos criativos e contextos socioculturais ligados às tradições musicais do estado.
O episódio inaugural apresenta Osmar do Cavaquinho, 87 anos, músico cuja obra circula entre cumbia, choro, samba, forró e xote. Com mais de cinco décadas de atuação, ele é autor de composições presentes no repertório popular acreano, como Beijo Ardente e Muchatita, e tem o cavaquinho como instrumento central de sua produção.
O segundo episódio registra a trajetória de Zenaide Parteira, cantora e compositora, filha de seringueiros e descendente Kampa (povo Ashaninka). Com mais de 700 composições e o álbum Mulher Vagalume (2021), Zenaide ampliou seu alcance nacional em 2025 ao gravar É No Balanço Dela com Geraldo Azevedo, colaboração que aproximou referências tradicionais e circuitos contemporâneos.
No terceiro episódio, o foco é Nilton Bararu, músico formado em ambiente familiar de instrumentistas e no curso de música do SESC nos anos 1980. Integrante do grupo Som da Madeira, Nilton mantém um repertório que inclui marchinhas, baião e valsas amazônicas.
O quarto vídeo acompanha José Pinheiro de Freitas, conhecido como Mestre Zé Bolo, do povo Nawa. Sua produção aborda histórias dos seringais, experiências de luta por terra e registros de memórias dos povos originários.
O quinto e último episódio apresenta Francisco “Saraiva” Soares, de Xapuri, cuja trajetória reúne a prática familiar do cavaquinho, a vivência nos seringais e o retorno à atividade musical em Rio Branco a partir da década de 1980.
A Mostra integra o Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura e do Governo Federal, em ação conjunta com a Prefeitura de Rio Branco, Fundação Garibaldi Brasil, Instituto Nova Era e Baquemirim, com produção da Aruê!. O projeto também realizou o Encontro de Saberes Tradicionais — Práticas Musicais na Amazônia Acreana, em 28 de outubro de 2025, no auditório da EMAC, com mediação da antropóloga Sarah Almeida (IPHAN-AC). No evento ocorreu o lançamento do livro Escolas de Baques — Estudos de Música Amazônica, de Alexandre Anselmo.
A Prefeitura de Tarauacá abriu nesta segunda-feira, 1º de junho, os editais do ciclo 2 da Política Nacional Aldir Blanc para financiar projetos culturais no município. Ao todo, são 40 oportunidades distribuídas entre as áreas de arte e patrimônio, iniciativas voltadas aos povos originários e apoio a artistas iniciantes, com investimento somado de R$ 329,56 mil.
O maior volume de recursos ficou concentrado no edital de arte e patrimônio, que vai selecionar 20 projetos com repasse de R$ 10.228 para cada proposta, totalizando R$ 204.560. O edital para artistas iniciantes prevê 10 projetos de R$ 6 mil cada, com R$ 60 mil reservados. Já a chamada voltada aos povos originários vai premiar 10 propostas com R$ 6,5 mil por iniciativa, num total de R$ 65 mil.
As inscrições seguem abertas até 12 de junho. Nos editais de arte e patrimônio e de iniciantes, o prazo termina às 13h. No edital dos povos originários, o encerramento está marcado para 23h59 do mesmo dia. A seleção faz parte da política federal de fomento à cultura instituída pela Lei Aldir Blanc e executada no município pela Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Inovação.
Além do recorte por área, os editais também trazem ações afirmativas. Nas chamadas de arte e patrimônio e de iniciantes, há reserva de 25% das vagas para pessoas negras e 5% para pessoas com deficiência. No edital dos povos originários, 60% das vagas foram destinadas à participação feminina.
A prefeitura afirmou que a abertura das seleções representa “um importante avanço para o setor cultural” e defendeu que os editais ampliam as condições para que artistas, grupos e coletivos desenvolvam projetos, movimentem renda e fortaleçam a produção cultural de Tarauacá.
O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, lançou nesta segunda-feira, 1º de junho, o 18º Circuito Junino da capital com investimento de R$ 600 mil para estrutura, organização e realização da programação de 2026. A abertura marca o início do calendário oficial das festas juninas no município, com expectativa de movimentar grupos culturais, artistas, ambulantes e o comércio local ao longo de junho.
O circuito terá duas etapas principais. A primeira será realizada entre os dias 12 e 14 de junho, na Praça da Revolução. A fase final está marcada para os dias 19, 20 e 21 de junho, no Quadrilhódromo, espaço tradicional das apresentações juninas em Rio Branco.
Durante o lançamento, a prefeitura reforçou que o evento faz parte da política de incentivo à cultura popular e ao fortalecimento das quadrilhas juninas da capital. A proposta é garantir estrutura para os grupos, ampliar a participação do público e manter uma das manifestações culturais mais tradicionais do calendário acreano.
Além das apresentações, o circuito também deve concentrar disputa entre quadrilhas, programação artística e ações voltadas ao público que acompanha os festejos. A expectativa da organização é de que a edição deste ano repita a mobilização registrada em anos anteriores e fortaleça a cadeia econômica ligada aos arraiais.
Com o aporte confirmado, a gestão municipal aposta no circuito como vitrine da cultura popular de Rio Branco e como um dos principais eventos do mês de junho na cidade.
A Empresa Brasil de Comunicação e o Ministério da Cultura assinaram neste sábado, 30 de maio, um acordo de cooperação para integrar o acervo da TV Brasil à plataforma pública de streaming Tela Brasil. A previsão é que, numa primeira etapa, mais de 150 obras entrem no catálogo e que, ao longo dos próximos meses, cerca de 3 mil horas de conteúdo da EBC sejam incorporadas ao serviço gratuito, acessado pelo portal Gov.br.
O acordo foi formalizado durante o lançamento da plataforma, no Rio de Janeiro, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, da presidente da EBC, Antonia Pellegrino, e de integrantes da cúpula do ministério. No evento, Lula disse que a iniciativa pode ampliar o acesso ao audiovisual brasileiro e fortalecer a identidade cultural do país.
Segundo a EBC, o pacote inclui programas já consolidados da TV pública, como Sem Censura, Samba na Gamboa, Xodó de Cozinha, Caminhos da Reportagem e Observatório da Imprensa. O entendimento também prevê a digitalização e a liberação gratuita de títulos da emissora e estabelece que produções futuras licenciadas pela TV Brasil passem a entrar automaticamente na janela do Tela Brasil.
A chegada do acervo da EBC amplia a oferta do Tela Brasil, lançado no mesmo dia com 555 obras audiovisuais nacionais, entre curtas, longas, médias e séries. A plataforma foi apresentada pelo governo como uma política pública para ampliar a circulação do cinema e da produção brasileira, com catálogo gratuito, integração ao Gov.br e recursos de acessibilidade.