A diretora executiva da Aliança Brasil NBS, Julie Messias, analisou, em entrevista ao podcast da Revolução NBS, os principais desafios e avanços do mercado de carbono e das políticas ambientais no Brasil, destacando a necessidade de fortalecer a governança e integrar ações entre setor público e privado. Com trajetória de quase duas décadas no setor público, Julie também compartilhou a perspectiva de quem agora atua na articulação do setor privado de projetos de carbono.
Um dos pontos centrais abordados foi a experiência pioneira do Estado do Acre na implementação de um programa jurisdicional de carbono, através do Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), criado em 2009. Julie destacou que o programa buscou transformar ativos ambientais, como o carbono, em ativos econômicos, por meio de um sistema que envolveu políticas públicas, instrumentos legais e financiamento internacional.
“Por meio do SISA, esperava-se essa valoração buscando essa transformação do ativo ambiental em um ativo econômico. O carbono, conhecimentos tradicionais, biodiversidade, a água, solo… a gente até brincava que seriam caixinhas, ou seja, programas que o Estado iria se debruçar para estabelecer, para criar um ambiente legal para essa transformação”, explicou.
Julie ressaltou que o Acre foi o primeiro estado brasileiro, e um dos primeiros no mundo, a implementar um programa jurisdicional de carbono com base em um contrato firmado com o banco alemão KfW, através do Programa REM (REDD Early Movers). Esse contrato foi assinado em 2012, na Rio+20, viabilizando recursos para ações de redução do desmatamento, fortalecimento de políticas públicas e apoio a comunidades tradicionais.
No entanto, ela ponderou que a execução do programa revelou desafios estruturais, especialmente para garantir que os recursos chegassem efetivamente aos territórios. “Desde a gente conseguir ter processos mais eficientes para que o recurso chegue realmente no território e com a garantia de resultado. Nos primeiros quatro anos houve performance, ou seja, o jurisdicional, você precisa performar, ter a redução do desmatamento, estabelecer a contabilidade”, disse.
Julie destacou ainda a importância da interoperabilidade entre o mercado jurisdicional e o mercado voluntário de carbono, frente ao crescimento das iniciativas internacionais, como o padrão ART-TREES e o programa LEAF. “Não anula. Eu acho que é importante a gente entender que há espaço para interoperabilidade dos mercados, tanto do voluntário quanto do jurisdicional”, avaliou.
Ela também apontou que o desafio atual dos estados amazônicos, incluindo o Acre, é adequar seus programas a novos padrões internacionais, ao mesmo tempo em que buscam manter as iniciativas já estabelecidas. “O Estado estava realizando consultas públicas, informando sobre a possível integração e adesão ao programa LEAF, dentro do padrão ART-TREES”, relatou.
Sobre os limites das ações públicas, Julie destacou as dificuldades de implementação e continuidade de políticas ambientais, especialmente em contextos de mudanças de governo e de falta de capacidade técnica. “O setor público é mais engessado, ele é mais pesado, sim, para implementação de ações em que você consiga ter um resultado um pouco mais direto”, afirmou.
A migração para o setor privado foi, segundo ela, uma escolha orientada pela busca por impactos mais tangíveis no território. “Esse desafio no setor privado é, inclusive, pessoal, de enxergar o impacto mais direto no território”, declarou.
Ela destacou a necessidade de fortalecer a governança ambiental no Brasil, integrando setor público, setor privado e sociedade civil organizada. “Os resultados que se esperam para o meio ambiente, especificamente, vão nascer da robustez da governança que vai ser estabelecida. E aí incluindo setor público, setor privado, sociedade civil organizada, todas as partes para que a gente consiga definir realmente até o nível de contribuição de cada uma dessas partes”, analisou.
Julie ressaltou ainda a importância das conferências internacionais, como as COPs de Clima e Biodiversidade, que acompanham desde o início de sua trajetória. Segundo ela, essas conferências impactam diretamente na formulação de políticas públicas nacionais e subnacionais. “Cada país assume metas dentro dessas conferências que precisam ser implementadas, levadas como comprovação nas reuniões a cada ano”, explicou.
Em sua análise sobre o mercado de carbono no Brasil, Julie apontou a regulamentação recente do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) como um avanço, mas ressaltou que a implementação será um processo gradual. “A gente não vai regulamentar isso da noite para o dia. É um processo, inclusive de adaptação e de análise de impacto, tanto ambiental, quanto social, quanto econômico”, ponderou.
Para ela, o fortalecimento técnico é fundamental para o avanço do mercado de carbono no país. “A gente tem uma carência muito grande no país como um todo e nas diferentes áreas de capacidade técnica”, avaliou, destacando iniciativas de formação como a Universidade do Carbono.
Ao projetar os próximos dez anos, Julie defendeu que o objetivo deve ser a melhoria das condições de vida na Amazônia, aliando conservação ambiental e desenvolvimento econômico. “O que eu queria ver é, de verdade, mais qualidade de vida para quem está ali na floresta… olhar para aquela área, reduziu o desmatamento, aumentou produção, tem escala de produtos, geração de renda, um modelo de produção com menos emissão”, concluiu.
O Brasil entra na segunda metade de 2026 com um alerta que atravessa o Oceano Pacífico e chega ao curral, ao roçado, aos rios amazônicos e ao preço dos alimentos. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos calcula em 81% a possibilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, com 97% de chance de permanecer ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte. Diante desse cenário, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura levou aos candidatos das eleições deste ano uma agenda que reúne adaptação climática, produção rural, conservação da vegetação nativa e recuperação de terras degradadas.
A expressão “Super El Niño” ganhou espaço no debate público, mas não constitui uma categoria oficial. A NOAA trabalha com as classificações fraco, moderado, forte e muito forte. Para o trimestre de outubro a dezembro, a probabilidade de o fenômeno alcançar a faixa mais elevada chega a 81%, contra 16% de chance de permanecer forte e 3% de ficar moderado. A intensidade, porém, não funciona como uma sentença territorial. Um El Niño poderoso aumenta a possibilidade de determinados padrões de chuva e temperatura, mas não produz o mesmo impacto em todas as regiões.
No Acre, o debate não cabe apenas em mapas meteorológicos. Ele aparece quando o rio baixa e a embarcação deixa de passar, quando a bomba de captação encontra menos água, quando o pasto perde umidade e quando a fumaça ocupa o espaço das nuvens. Um decreto estadual publicado em agosto de 2025 classificou as crises hídricas de 2023 e 2024 entre as mais severas da história recente acreana. A falta de chuva reduziu o nível dos rios, dificultou o transporte para comunidades e aldeias indígenas, comprometeu o abastecimento, degradou pastagens e provocou perdas de lavouras e animais.
A relação entre o El Niño e a seca acreana, porém, exige precisão. O fenômeno costuma reduzir as chuvas principalmente no norte e no leste da Amazônia. No oeste e no sudoeste da região, onde estão Acre e Rondônia, as estiagens guardam ligação mais direta com o aquecimento do Atlântico Tropical Norte. O risco aumenta quando os sistemas oceânicos se combinam com uma atmosfera mais quente, florestas degradadas e territórios menos preparados para suportar longos períodos sem chuva. “O El Niño potencializa os eventos extremos provocados pelo aquecimento global”, afirmou o meteorologista Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
O Acre chega a essa nova temporada com um dado favorável, mas ainda provisório. Entre janeiro e junho de 2026, o estado registrou 41 focos de calor, o menor total para o primeiro semestre em sete anos e uma redução de 43% diante do mesmo período de 2025. O resultado nasceu de fiscalização, monitoramento por satélite, brigadas comunitárias e operações contra desmatamento e queimadas ilegais. O período mais perigoso, no entanto, concentra-se no segundo semestre, quando a vegetação perde umidade e qualquer fogo fora de controle encontra terreno para avançar.
É nesse ponto que a proposta apresentada aos presidenciáveis tenta mudar a lógica da resposta pública. Em vez de esperar a lavoura quebrar, o rebanho perder peso e o incêndio alcançar a floresta, a Coalizão defende que seguro e crédito rural sejam reorganizados para enfrentar riscos climáticos cada vez mais frequentes. O financiamento deveria favorecer produtores que cumprem a legislação ambiental, recuperam áreas degradadas e adotam técnicas capazes de conservar solo e água.
Para uma família que vive da produção rural, adaptação significa ter assistência técnica antes do plantio, crédito no tempo certo, sementes adequadas, cobertura contra perdas e condições para atravessar uma estação ruim sem abandonar a terra.
Entre as práticas propostas estão o plantio direto, os bioinsumos e a integração lavoura-pecuária-floresta. Não se trata apenas de trocar equipamentos ou insumos. O plantio direto reduz o revolvimento do solo e ajuda a conservar umidade. Sistemas integrados diversificam a produção e diminuem a dependência de uma única atividade. Árvores dentro de áreas produtivas oferecem sombra, matéria orgânica e proteção contra a erosão. A Coalizão também cobra mais recursos para assistência técnica, com atenção aos pequenos produtores e à agricultura familiar, justamente o grupo que possui menor margem financeira para absorver uma quebra de safra.
O Código Florestal ocupa outro ponto central. A execução dos Cadastros Ambientais Rurais e dos Programas de Regularização Ambiental aparece como parte de uma política de segurança produtiva, e não apenas como obrigação burocrática. Uma propriedade com reserva legal protegida, mata ciliar preservada e nascente recuperada possui mais condições de reter água, reduzir erosão e atravessar períodos de calor. A regularização também abre caminho para crédito, rastreabilidade e acesso a mercados que passaram a exigir comprovação da origem ambiental dos produtos.
A vegetação nativa entra nessa conta como infraestrutura econômica. A proposta enviada aos candidatos defende mercados de carbono, pagamento por serviços ambientais e uma economia florestal capaz de remunerar produtores, povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares que conservam seus territórios.
No Acre, onde floresta, produção e renda disputam o mesmo espaço político há décadas, essa discussão toca numa pergunta decisiva: quanto vale manter uma área em pé e quem recebe por esse serviço? Sem resposta financeira, a conservação continua cobrada de quem vive no território, enquanto os benefícios da água, do carbono e da estabilidade climática se espalham para toda a sociedade.
A Coalizão reúne representantes do agronegócio, do setor financeiro, da academia e de organizações socioambientais. Essa composição transforma a agenda climática em uma plataforma de desenvolvimento econômico, mas não elimina os conflitos. O próximo governo terá de decidir quanto dinheiro será destinado à adaptação, quais exigências ambientais acompanharão o crédito, como os pequenos produtores terão acesso às políticas e de que forma serão combatidos os crimes que avançam sobre florestas públicas e territórios tradicionais. Sem orçamento, fiscalização e presença do Estado no interior, compromissos ambientais podem permanecer restritos às campanhas eleitorais.
“Não podemos mais tratar eventos extremos como exceções; precisamos de um planejamento territorial robusto”, afirmou Leila Harfuch, integrante do grupo estratégico da Coalizão. A frase resume uma mudança que o país adiou por tempo demais. Enchente, seca, incêndio e perda agrícola já não podem ser enfrentados como acidentes isolados. Cada desastre expõe decisões anteriores sobre ocupação da terra, proteção de rios, acesso ao crédito, assistência aos produtores e capacidade dos governos de agir antes da emergência.
O El Niño passará, como outros passaram. O desafio maior continuará na terra. A lavoura plantada em solo degradado permanecerá vulnerável. O rio sem mata ciliar continuará perdendo proteção. A comunidade sem transporte ficará isolada quando a água baixar. O agricultor sem seguro seguirá carregando sozinho o prejuízo de uma crise produzida por fatores muito maiores que sua propriedade.
A previsão de um fenômeno muito forte oferece ao Brasil uma oportunidade rara: preparar-se antes que a estatística meteorológica se transforme em fumaça, escassez e comida mais cara.
Coalizão Brasil apresenta propostas para produção sustentável e conservação
Documento reúne oito propostas sobre combate ao desmatamento ilegal,
ordenamento fundiário, rastreabilidade socioambiental, financiamento rural,
boas práticas agropecuárias, biocombustíveis e economia florestal.
Mulheres de comunidades tradicionais do Pará ampliaram a produção agroflorestal, organizaram associações e criaram mecanismos de acompanhamento das safras para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. As ações alcançam territórios ribeirinhos, quilombolas, indígenas e de agricultores familiares, onde secas prolongadas e chuvas fora de época reduzem alimentos, comprometem colheitas e ameaçam a renda das famílias.
Na comunidade de Pirocaba, em Abaetetuba, no nordeste paraense, as alterações no clima já afetam a colheita do açaí. O fruto passou a amadurecer de forma diferente e pode secar antes de atingir o ponto considerado ideal pelas agricultoras. Para evitar perdas, as famílias precisam antecipar a retirada dos cachos, mesmo quando os frutos ainda não chegaram à fase conhecida como “tuíra”.
A resposta das comunidades ganhou força com um projeto iniciado em 2023 pela FASE Amazônia em 14 municípios do Pará. O trabalho envolve a implantação de sistemas agroflorestais, a formação de lideranças femininas, a defesa da regularização dos territórios e a criação de alternativas para vender a produção em feiras e programas públicos.
Os sistemas agroflorestais combinam árvores, frutas, mandioca e culturas de ciclo curto na mesma área. A diversificação reduz a dependência de um único produto, mantém o solo protegido e amplia a oferta de alimentos durante o ano. As famílias passaram a produzir diferentes frutas, verduras e derivados da mandioca, em vez de concentrar as atividades apenas em culturas tradicionais.
O acompanhamento das mudanças é feito por meio de cadernetas agroecológicas. As mulheres registram o que produziram, as dificuldades encontradas e os fatores que prejudicaram cada etapa do ciclo agrícola. As anotações ajudam a comparar períodos, identificar perdas relacionadas ao clima e planejar novas formas de cultivo.
Em Igarapé-Miri, a organização comunitária também abriu espaço para o beneficiamento e a comercialização dos alimentos. Produtos como farinha, beiju, tucupi e maniçoba passaram a ser vendidos em feiras locais e fornecidos para a alimentação escolar. A atividade aumenta a renda e fortalece a participação das agricultoras nas decisões econômicas das famílias.
A atuação coletiva também mudou a percepção sobre o trabalho feminino no campo. As cadernetas e a venda direta tornaram mais visível a contribuição das mulheres para o sustento das casas. Além de preservar os territórios, os projetos ampliaram a autonomia financeira e a segurança alimentar das comunidades.
O Comitê Chico Mendes publicou nesta quarta-feira, 8, uma nota de repúdio às acusações direcionadas a Wendel Araújo, presidente da Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes de Assis Brasil (Amopreab) e integrante do Coletivo Varadouro, após a votação sobre a suspensão do Termo de Adequação do Perfil do Beneficiário durante a 27ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Resex Chico Mendes, realizada em Xapuri, no Acre. A manifestação ocorre em meio à disputa sobre a regularização de famílias que vivem na unidade de conservação e à atualização das regras de uso do território.
O Comitê classificou como falsas e difamatórias as afirmações atribuídas à advogada Raimunda Queiroz contra Wendel Araújo. O ponto central da reação foi a tentativa de responsabilizar individualmente o presidente da Amopreab por uma decisão discutida no Conselho Deliberativo, espaço formado por representantes de associações, cooperativas, órgãos públicos, universidades, prefeituras e organizações ligadas às populações tradicionais. A votação terminou com nove votos pela suspensão do termo e oito votos contrários. Wendel ficou entre os conselheiros que votaram contra a suspensão.
O Termo de Adequação do Perfil do Beneficiário entrou no centro da crise porque trata da situação de famílias que ainda buscam reconhecimento formal dentro da Resex Chico Mendes. Para o Comitê, o instrumento permite avançar na regularização de cerca de 600 famílias com pendências ambientais. A fala recente de Rian Barros, jovem extrativista da Reserva Chico Mendes, reforça essa leitura ao apontar que cerca de 570 famílias podem ser incluídas no cadastro oficial de beneficiários, com acesso aos direitos ligados a esse reconhecimento.
Rian defendeu que o debate não seja conduzido pelo medo. Ele afirmou que a Resex Chico Mendes nasceu da luta de homens e mulheres da floresta para garantir o direito das populações tradicionais de viver, produzir e preservar. Para o jovem extrativista, a desinformação transforma o espaço de diálogo em ambiente de conflito e afasta a comunidade dos problemas reais da reserva. A posição dele também reconhece a necessidade de atualização do plano de manejo, mas sustenta que esse processo não precisa impedir a regularização das famílias.
A suspensão do termo até a conclusão da atualização do plano de manejo pode manter famílias por mais tempo fora do cadastro oficial. Na avaliação apresentada por Rian, o atraso pode chegar a pelo menos três anos, período em que essas famílias continuariam sem acesso pleno aos benefícios ligados ao reconhecimento como beneficiárias da unidade. A defesa é que a atualização das regras ocorra com participação, responsabilidade e transparência, sem colocar em risco o direito de permanência das populações tradicionais.
A reunião em Xapuri começou no dia 1º de julho e seguiu até o dia 3, com a presença de moradores, associações locais, cooperativas, sindicatos, Universidade Federal do Acre (Ufac), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Tribunal de Contas do Estado (TCE), prefeituras e parceiros institucionais. A pauta incluiu informes sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), os projetos Esperançar e Mapear e Cuidar, a monitoria participativa do plano de manejo e as propostas relacionadas ao Termo de Acordo de Adequação ao Perfil da Família Beneficiária.
O chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Chico Mendes, Marcos Mesquita, defendeu a realização do encontro em Xapuri para aproximar a tomada de decisão das pessoas que vivem no território. A presidente do Comitê Chico Mendes e conselheira da Resex, Ângela Mendes, também participou da reunião e associou os debates à necessidade de fortalecer projetos voltados à juventude da floresta, como a proposta de uma Escola Família Agrícola.
A disputa ocorre em uma das unidades de conservação mais simbólicas do país. A Reserva Extrativista Chico Mendes foi criada pelo Decreto nº 99.144, de 12 de março de 1990, tem 931.542,94 hectares e integra o bioma Amazônia. O território leva o nome do líder seringueiro assassinado em Xapuri em 1988 e permanece como referência da luta das populações tradicionais pela floresta em pé, com moradia, trabalho e produção.
O impasse atual também expõe uma disputa mais ampla sobre o futuro da Resex. Parte dos moradores e lideranças cobra mudanças no plano de utilização e questiona ações do ICMBio, enquanto entidades ligadas ao movimento extrativista defendem que qualquer revisão preserve a finalidade da reserva e o modo de vida das comunidades tradicionais. O desafio é atualizar regras para uma realidade social e produtiva que mudou, sem abrir caminho para a descaracterização do território.
Na nota, o Comitê Chico Mendes pediu que o poder público adote providências para garantir a segurança de Wendel Araújo e de sua família. A entidade também afirmou que decisões coletivas do Conselho Deliberativo não podem ser convertidas em perseguição pessoal. A fala de Rian Barros fecha o debate pelo mesmo eixo: a reserva foi criada para proteger a floresta, mas também para proteger famílias tradicionais e garantir que esse modo de vida continue existindo.