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Política

Mailza publica vídeo e pode ser questionada na Justiça Eleitoral

Governadora, pré-candidata à reeleição, usou frase que pode ser analisada como “palavra mágica”, critério adotado pelo TSE em casos de propaganda antecipada

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A governadora do Acre, Mailza Assis, pré-candidata à reeleição, publicou em seu perfil no Instagram um vídeo sobre a implantação de uma nova base comunitária da Polícia Militar na Cidade do Povo, em Rio Branco.

Na gravação, Mailza apresenta a ação de segurança pública e afirma que a medida faz parte de um conjunto de investimentos no bairro. O trecho que chama atenção aparece no final do vídeo, quando a governadora diz: “Esse é o trabalho que está sendo feito e merece continuar.”

A publicação foi feita no perfil pessoal da governadora, que atualmente comanda o Executivo estadual. Mailza assumiu o governo do Acre após a renúncia de Gladson Cameli e, desde então, tem adotado em discursos e publicações uma mensagem de continuidade da gestão anterior. Em seu perfil, a ideia de seguir o trabalho aparece de forma recorrente em vídeos e postagens. A governadora já é tratada publicamente como pré-candidata à reeleição.

No vídeo, Mailza afirma:

“Vamos transformar a Cidade do Povo num dos bairros mais seguros da cidade de Rio Branco. E um grande passo está sendo dado agora. Essa é a nova base comunitária da Polícia Militar aqui na entrada do bairro. Com isso, vamos trazer um efetivo de centenas de policiais 24 horas por dia. Ações sociais, educativas e mais esse forte investimento em segurança vão transformar a vida de quem vive aqui. Esse é o trabalho que está sendo feito e merece continuar.”

Veja o video no perfil da Governadora no Instagram @mailza.acre

A legislação eleitoral permite que pré-candidatos divulguem ideias, projetos, ações realizadas e posicionamentos políticos antes do período oficial de campanha. O limite está no pedido de voto, inclusive quando ele aparece por expressões que passam a mesma mensagem, mesmo sem o uso direto da palavra “voto”.

Nesse caso, a frase “merece continuar” é o ponto que pode gerar questionamento. Como Mailza é governadora e pré-candidata à reeleição, a mensagem pode ser interpretada como defesa da continuidade da atual gestão. Em uma eventual representação eleitoral, o argumento seria que a fala vai além da prestação de contas e se aproxima de um apelo político pela permanência do grupo no poder.

A governadora, por outro lado, pode sustentar que o vídeo trata apenas da divulgação de uma ação administrativa na área da segurança pública, sem pedido direto de voto, sem número de urna, sem menção à eleição e sem apresentação formal de candidatura.

A discussão passa pelo artigo 36-A da Lei nº 9.504/1997, que permite a divulgação de pré-candidaturas, ações políticas e qualidades pessoais antes da campanha oficial, desde que não haja pedido explícito de voto.

O TSE, no entanto, tem decidido que o pedido de voto não precisa aparecer apenas na forma direta, como “vote em mim”. A Corte admite a análise das chamadas “palavras mágicas”, expressão usada em decisões eleitorais para tratar de frases que, mesmo sem pedir voto de forma literal, passam mensagem equivalente.

Em julgados recentes, o Tribunal reconheceu que expressões com o mesmo sentido de pedido de voto podem caracterizar propaganda antecipada, dependendo do contexto. A análise considera quem fez a publicação, o cargo ocupado, o momento da divulgação, o conteúdo da mensagem e a existência de elementos que possam favorecer eleitoralmente o pré-candidato.

No caso da publicação de Mailza, a frase “esse é o trabalho que está sendo feito e merece continuar” é o ponto que pode ser levado ao Ministério Público Eleitoral. Como a governadora é pré-candidata à reeleição, caberá ao órgão avaliar se a mensagem ficou no campo da prestação de contas ou se apresentou sentido eleitoral de continuidade.

A reportagem não identificou, até a publicação desta matéria, registro de impulsionamento pago do vídeo ou informação sobre uso de recursos públicos na produção da peça.

O espaço está aberto para manifestação da governadora Mailza Assis.

Política

Jéssica Sales é anunciada como pré-candidata a vice de Mailza Assis

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A ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB), que disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul em 2024, foi oficializada nesta terça-feira (21) como pré-candidata a vice-governadora na chapa de reeleição de Mailza Assis (Progressistas).

Natural de Cruzeiro do Sul, Jéssica recebeu 24.281 votos, equivalentes a 49,80% dos votos válidos, na última eleição municipal. Zequinha Lima (PP) foi reeleito com 24.478 votos, ou 50,20%. A diferença entre os candidatos foi de 197 votos, segundo dados do TSE.

Com a indicação, uma ex-candidata à Prefeitura de Cruzeiro do Sul passa a integrar a chapa que disputará o governo estadual. Jéssica representará o MDB na composição liderada por Mailza.

Durante o anúncio, Mailza agradeceu a Jéssica por aceitar participar da chapa e afirmou que a parceria inicia uma etapa no projeto político do grupo. A governadora disse que pretende dividir com a ex-deputada a responsabilidade pela administração estadual, caso seja reeleita.

Mailza também agradeceu ao ex-governador Gladson Cameli (Progressistas), que participou da coletiva. Segundo a governadora, a chapa pretende manter o projeto iniciado durante a gestão de Cameli.

A pré-candidata à reeleição afirmou ainda que a composição com Jéssica amplia a participação de mulheres na disputa pelo Executivo estadual. A oficialização das candidaturas dependerá das convenções partidárias e do registro na Justiça Eleitoral.

Foto: Luciano Tavares/NH

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Política

Pix desafia controle financeiro dos EUA e entra no centro da disputa comercial com o Brasil

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O Pix passou a representar um desafio à influência dos Estados Unidos sobre o sistema financeiro internacional. Criado e administrado pelo Banco Central, o modelo brasileiro de pagamentos instantâneos reduziu a dependência de bandeiras de cartões e plataformas estrangeiras, ganhou espaço entre consumidores e empresas e agora aparece no centro da disputa comercial entre Washington e Brasília.

O governo norte-americano incluiu o sistema entre as práticas brasileiras que, na avaliação de Washington, prejudicam empresas dos Estados Unidos. O argumento foi usado na investigação comercial que antecedeu a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros.

A reação ao Pix vai além da concorrência entre empresas. Por funcionar em uma infraestrutura pública e nacional, o sistema permite transferências e pagamentos sem a intermediação das grandes redes privadas controladas por grupos estrangeiros. A operação ocorre durante 24 horas por dia, com liquidação em poucos segundos e custos menores para usuários e comerciantes.

O avanço enfraquece uma das principais fontes de influência norte-americana: o domínio de empresas sediadas nos Estados Unidos sobre os meios de pagamento. Bandeiras de cartões, bancos correspondentes e plataformas digitais precisam seguir restrições e sanções determinadas por Washington, mesmo quando as operações acontecem fora do território norte-americano.

O Pix está fora desse alcance direto. Como a infraestrutura é operada pelo Banco Central, pagamentos feitos dentro do Brasil não dependem da autorização de empresas estrangeiras. Esse modelo amplia a autonomia do país e reduz o risco de interrupções provocadas por decisões políticas externas.

A expansão também afetou o mercado das operadoras de cartões. Transferências, compras, cobranças e pagamentos de contas passaram a ser feitos diretamente pelo celular, sem a necessidade de redes internacionais em parte das transações. O uso de cartões continuou crescendo, mas passou a dividir espaço com uma alternativa pública, gratuita para pessoas físicas e amplamente adotada pelo comércio.

O sistema brasileiro tornou-se uma referência para outros países interessados em criar meios de pagamento próprios. Na Europa, o Banco Central Europeu trabalha no desenvolvimento do euro digital, projeto que também busca diminuir a dependência de empresas estrangeiras e preservar a soberania monetária do bloco.

A disputa mostra que o controle sobre pagamentos deixou de ser apenas uma questão tecnológica. Quem administra a infraestrutura financeira também exerce influência econômica e política. Sistemas nacionais reduzem o poder de governos estrangeiros para bloquear operações, impor sanções ou pressionar instituições privadas.

Ao colocar o Pix entre as justificativas para medidas comerciais contra o Brasil, os Estados Unidos reconheceram o impacto estratégico do modelo. Mais do que uma ferramenta para transferir dinheiro, o sistema passou a ocupar espaço na disputa global pelo controle das transações financeiras.

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Política

TRE-AC extingue pedido da Aleac para campanha sobre SRAG e aciona órgãos de controle

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O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) extinguiu, por unanimidade, o processo em que a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) pedia autorização para divulgar uma campanha institucional sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) durante o período de restrições eleitorais. A decisão foi tomada na sessão de 20 de julho de 2026, em Rio Branco, porque o Parlamento estadual não tem competência para executar políticas públicas de saúde.

O processo foi encerrado sem análise do conteúdo da campanha. O colegiado entendeu que somente um órgão ligado ao Poder Executivo e responsável pela política estadual de saúde poderia solicitar à Justiça Eleitoral a autorização para veicular a publicidade.

A campanha previa peças para televisão, rádio, outdoors, busdoors e banners em sites. O material orientaria a população sobre vacinação, higienização das mãos, etiqueta respiratória, cuidados com crianças, idosos e pessoas com comorbidades, além dos sintomas que exigem atendimento médico.

A Aleac alegou que o aumento dos casos de síndrome gripal e SRAG, acompanhado da pressão sobre a rede hospitalar, configurava uma situação de grave e urgente necessidade pública. A Procuradoria Regional Eleitoral chegou a se manifestar favoravelmente à autorização.

Durante a tramitação, o presidente da Aleac, Nicolau Júnior, apresentou o contrato administrativo da campanha e pediu que o Estado do Acre passasse a constar como autor do processo. A mudança, porém, não corrigiu o problema apontado pelo tribunal.

O contrato, o orçamento, a contratação da agência, a produção das peças publicitárias e a iniciativa de procurar a Justiça Eleitoral continuaram ligados à Assembleia Legislativa. Para o TRE-AC, a alteração do nome do autor no processo não mudou a responsabilidade pela execução da campanha.

A legislação eleitoral proíbe a publicidade institucional nos três meses anteriores à eleição, salvo quando houver grave e urgente necessidade pública reconhecida pela Justiça Eleitoral. Antes de analisar essa exceção, o tribunal exige que o pedido seja apresentado pelo órgão responsável pela política pública envolvida.

O chefe da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, informou que a Secretaria de Estado de Comunicação preparava outra campanha sobre síndrome gripal e SRAG e que o Poder Executivo apresentaria um pedido próprio ao TRE-AC. Por isso, a extinção do processo da Aleac não impede que uma nova solicitação seja analisada.

O tribunal também determinou o envio de cópias do processo ao Ministério Público Estadual, ao Tribunal de Contas do Estado e à Procuradoria-Geral do Estado. O TCE deverá fiscalizar a regularidade da execução do orçamento da Assembleia destinado à campanha.

Fonte: Tribunal Regional Eleitoral do Acre — relatório do processo nº 0600162-02.2026.6.01.0000 ; Acórdão nº 7.372/2026 do TRE-AC

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