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Política

Nota do governo minimiza bloqueio de R$ 22 milhões, mas argumentos do TCE expõem falhas na contratação da Expoacre 2026

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A nota divulgada pelo Governo do Acre depois da suspensão de R$ 22 milhões destinados à Expoacre 2026 tenta enquadrar o caso como uma discussão jurídica sobre um instrumento relativamente recente. A manifestação oficial, porém, deixa sem resposta os principais problemas levantados anteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado do Acre durante a 1.654ª Sessão Ordinária: a falta de planejamento, o uso da urgência para dispensar concorrência, a ausência de planilhas detalhadas e a tentativa de transferir a uma Organização da Sociedade Civil a administração financeira do maior evento agropecuário do estado.

O governo afirmou que o modelo de contratação possui amparo na Lei Federal nº 13.019/2014, o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, e que esse tipo de parceria já foi utilizado de maneira legítima na realização de eventos culturais. A existência da lei, contudo, não foi o centro da objeção feita pelo TCE. Os conselheiros questionaram o uso do instrumento para contratar uma entidade sem experiência comprovada em grandes eventos e colocá-la à frente de serviços como segurança privada, operação de arena, montagem de estruturas e contratação de shows nacionais.

Durante a sessão do dia 23, o conselheiro Antônio Malheiro havia afirmado que o Estado passou a recorrer a diferentes instituições para executar despesas sem realizar licitações convencionais. Ele citou o uso anterior do Sebrae e de federações e classificou a adoção das organizações da sociedade civil como mais uma etapa desse processo.

“A lei das organizações civis (13.019) não era para esta finalidade… O pior deles é que às vezes eu contrato uma empresa beneficente acostumada a fazer caridade e empreito com ela um show. […] É um arranjo para burlar a lei de licitação”, declarou Malheiro durante a sessão.

Como exemplo, o recorte, nos últimos anos, de pagamentos com Expoacre e show/shows, a Casa da Amizade aparece como principal recebedora, com R$ 39,5 milhões, incluindo o Termo de Colaboração nº 3/2025/SEICT, voltado à “promoção de eventos com atrações nacionais” na Expoacre Juruá e na Expoacre em Rio Branco. Em seguida aparece a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 12,4 milhões, principalmente para estruturação da Expoacre Juruá.

A nota do governo não enfrenta diretamente essa crítica. Ao defender a legalidade abstrata do instrumento, a Casa Civil não explica por que a parceria seria mais adequada do que uma licitação, nem apresenta elementos que comprovem a capacidade técnica da entidade escolhida para executar uma feira com orçamento de R$ 22 milhões.

Outro trecho da manifestação oficial afirma que o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil é relativamente recente e que sua aplicação está sujeita a debates e aperfeiçoamentos. A lei, no entanto, foi aprovada em 2014. O próprio TCE já havia tratado do tema no Acórdão nº 15.728/2026, estabelecendo que parcerias destinadas à realização de festejos precisam demonstrar vantagem para o poder público, detalhamento dos custos e compatibilidade entre a atividade da organização e o serviço contratado.

O governo também não respondeu ao questionamento sobre a urgência usada para justificar a dispensa de um novo chamamento público depois que o primeiro procedimento fracassou. Ainda na sessão de ontem, o relator da medida cautelar, conselheiro Ronald Polanco, afirmou que a proximidade da Expoacre não poderia ser tratada como uma situação imprevisível.

“A Casa Civil invocou a urgência como justificativa para dispensar a concorrência. Entretanto, a Expoacre é um evento altamente previsível e de calendário oficial anual. A exiguidade do prazo decorreu exclusivamente da falta de planejamento, lentidão e desorganização da própria administração, o que não legitima a dispensa por urgência”, afirmou Polanco.

A manifestação da Casa Civil trata o episódio como parte de um processo de adaptação administrativa. O fundamento apresentado pelo relator aponta para outra causa: a demora do próprio governo em organizar a contratação. A Expoacre acontece todos os anos, integra o calendário oficial e exige meses de preparação. Para o TCE, a administração não pode criar uma situação de urgência e depois usar a falta de tempo como justificativa para reduzir a concorrência.

A conselheira Naluh Gouveia também havia alertado para o risco de repasses milionários a organizações sem experiência comprovada, estrutura compatível e mecanismos rigorosos de fiscalização. A fala ocorreu antes da publicação da nota e tratou do crescimento de entidades usadas para movimentar recursos públicos sem controle suficiente. “Hoje a gente tá vendo uma coisa muito triste (…) organizações sendo criadas literalmente para lavagem de dinheiro. (…) A gente não consegue entender como é que pastores hoje estão fazendo eventos não religiosos… virou uma coisa absurda”, disse.

A declaração não atribuiu crime à entidade envolvida na contratação da Expoacre. O alerta foi usado para defender uma análise mais rigorosa sobre a origem das organizações, seus dirigentes, sua experiência anterior e a forma como administram recursos públicos.

Ao anunciar que trabalha na adoção de um novo formato, o governo também afirma que pretende garantir a realização da feira com legalidade e segurança jurídica. A decisão do TCE, porém, não impediu a Expoacre 2026. A cautelar suspendeu o repasse no formato apresentado e exigiu documentos que permitam saber como o valor de R$ 22 milhões foi calculado.

A falta dessas informações foi um dos pontos mais criticados durante a sessão. Em uma licitação ou contratação direta, o Estado precisa apresentar planilhas com os preços de cada serviço, equipamento e estrutura. Na parceria proposta, a elaboração desses custos seria transferida à organização da sociedade civil.

“Eu não percebo por que o setor público e o governo não licitou, não usou das dispensas da lei nas planilhas na contratação direta, porque ele tem que ter uma planilha para contratar. E quando eu faço um convênio com OSC, nem a planilha ele não tem que ter. Ele tá esperando que a OSC mande uma planilha para ele”, afirmou Malheiro.

A nota sustenta compromisso com a transparência, mas não apresenta a composição do orçamento, os preços unitários, os critérios de escolha da entidade ou a comparação entre o modelo proposto e uma licitação. Também não esclarece como seriam controladas as receitas arrecadadas com bilheterias, estacionamentos, concessões e outras atividades comerciais realizadas durante a feira.

O chefe da Casa Civil, Cristóvão Pontes, recebeu prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos, memórias de cálculo, orçamentos e documentos ao Tribunal. A resposta deverá explicar a escolha da organização, comprovar sua capacidade técnica e demonstrar que o modelo oferece vantagem para o Estado.

A nota publicada procura reduzir o episódio a uma divergência sobre a aplicação de uma lei. As falas dos conselheiros colocam a controvérsia em termos mais concretos: ausência de planejamento, dispensa de concorrência, falta de planilhas, capacidade técnica não comprovada e perda de controle sobre despesas e receitas. É nesse contraste, e não em uma resposta direta do TCE ao governo, que está o centro do caso.

Política

Alysson Bestene admite possível reforma no secretariado após eleições e cita alianças políticas

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O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, afirmou nesta quarta-feira (21) que a administração municipal avalia possíveis mudanças no secretariado após as eleições de 2026. Segundo ele, uma eventual reformulação da equipe poderá considerar tanto o desempenho da gestão quanto as alianças políticas e partidárias que integram a base de apoio ao governo municipal.

Bestene explicou que as avaliações são feitas continuamente e que nenhuma alteração está definida até o momento. O prefeito afirmou que eventuais mudanças serão discutidas com os setores envolvidos antes de qualquer decisão.

“A gente tem feito avaliações constantes. Lógico, todo e qualquer movimento que possa vir a ter não é garantia nenhuma de que isso de fato ocorrerá”, declarou.

Ao comentar a possibilidade de uma reforma administrativa, o prefeito reconheceu que a composição política também faz parte das discussões sobre o futuro da equipe de governo.

“Essa definição de que possa vir reforma, mudança, isso é conversado, é dialogado, não é imposto. A gente entende o que seria melhor e também nas questões que dizem respeito às alianças políticas partidárias”, afirmou.

O prefeito também falou sobre a relação da administração municipal com outras instituições, incluindo o Governo do Estado, o Judiciário, o Legislativo e a Câmara de Vereadores. Segundo ele, o diálogo institucional tem orientado as decisões desde que assumiu a prefeitura.

As discussões sobre eventuais mudanças ocorrem em meio ao cenário político posterior ao primeiro turno das eleições. Bestene, no entanto, não informou quais secretarias poderiam passar por alterações, nem se representantes de partidos aliados poderão assumir novos espaços na administração.

“Após a eleição, a gente tem feito algumas análises. Vamos continuar dialogando para que, quando e se houver uma mudança, uma nova reforma, a gente priorize sempre esse sentido de atender as pessoas em primeiro lugar”, disse.

Por enquanto, a possibilidade de reforma permanece em avaliação, sem anúncio de substituições ou previsão de quando uma decisão poderá ser tomada.

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Política

Valéria Lima defende apoio ao terceiro setor e destaca atuação de associações em Cruzeiro do Sul

Durante entrevista ao É Pop, vereadora abordou a destinação de recursos às entidades e a importância do reconhecimento institucional das organizações sociais.

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A participação das associações no atendimento às demandas sociais e a necessidade de financiamento para o terceiro setor foram temas de entrevista da vereadora Valéria Lima (PP) ao É Pop, durante uma sessão da Câmara Municipal de Cruzeiro do Sul.

A parlamentar defendeu a destinação de emendas de deputados estaduais, federais, senadores e bancadas para apoiar organizações que desenvolvem atividades nas comunidades.

“A associação tem um poder fundamental na vida das pessoas, porque muitas vezes elas chegam aonde o poder público não consegue chegar”, afirmou Valéria.

Como exemplo, a vereadora citou o trabalho de mulheres do Ramal 12, que atuam no cultivo de café e cacau e na fabricação de chocolates comercializados por meio da iniciativa Cacau com Elas. Segundo ela, a atividade conta com apoio de recursos parlamentares e parcerias para manter a produção.

ARKAL e o reconhecimento do trabalho social

Na entrevista, Valéria também mencionou a Associação Ruan Kile Araújo Lima (ARKAL), organização social sediada em Cruzeiro do Sul que desenvolve ações de apoio a crianças e famílias.

Ao abordar a entidade, a parlamentar fez referência ao reconhecimento de utilidade pública e à importância do apoio institucional para organizações que prestam serviços à comunidade.

“Nós hoje colocamos como lei de utilidade pública a Associação Arcal, que faz um trabalho de empreendedorismo”, declarou.

A ARKAL possui reconhecimento de utilidade pública estadual desde 2023. A referência feita pela vereadora reforça, em sua argumentação, a importância de reconhecer institucionalmente o trabalho desenvolvido pelas associações e de criar condições para a continuidade de suas atividades.

De acordo com Valéria, a associação desenvolve cursos gratuitos para mulheres de baixa renda, atividades de reforço escolar e atendimentos de saúde voltados a crianças. Ela também mencionou ações realizadas por organizações sociais junto a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares.

A entrevista coloca em discussão a relação entre o Legislativo e as organizações do terceiro setor, especialmente quanto ao reconhecimento institucional, à destinação de recursos e ao acompanhamento das atividades desenvolvidas nas comunidades.

O apoio às associações também envolve a fiscalização do uso de recursos públicos e a responsabilidade do Estado pela oferta de serviços à população.

Fotos: Samuel Queiroz

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Política

TRE-AC confirma que locais de votação não mudaram para o segundo turno no Acre

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O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) confirmou que não houve alterações nos locais de votação para o segundo turno das Eleições 2026, marcado para domingo, 25 de outubro. Com isso, os eleitores dos 22 municípios acreanos deverão comparecer aos mesmos endereços onde votaram no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

O esclarecimento foi divulgado na segunda-feira (19), em meio às discussões nacionais sobre mudanças de seções eleitorais. No mesmo dia, os 27 Tribunais Regionais Eleitorais divulgaram uma nota conjunta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assumindo o compromisso de comunicar eventuais alterações antes da votação.

No Acre, o TRE informou que nenhuma mudança foi necessária até o momento. O tribunal explicou que transferências de locais de votação somente ocorrem em situações excepcionais, relacionadas à acessibilidade, segurança pública, riscos climáticos ou problemas nas estruturas utilizadas pela Justiça Eleitoral.

Apesar da confirmação, o órgão esclareceu que os juízes eleitorais poderão determinar mudanças emergenciais caso sejam identificados riscos à segurança de eleitores, mesários e demais profissionais envolvidos na votação. Essas medidas poderão ser adotadas inclusive no dia da eleição.

A manifestação dos tribunais regionais ocorre após questionamentos sobre a divulgação de milhares de seções eleitorais que apareciam como alteradas no sistema nacional. O TSE explicou que parte dos registros estava relacionada a transferências provisórias realizadas no primeiro turno, que precisavam ser novamente cadastradas para permanecer válidas no segundo.

Segundo o TSE, as mudanças efetivas são de responsabilidade das zonas eleitorais, enquanto o tribunal superior reúne e divulga os dados registrados pelos órgãos regionais. Os TREs assumiram o compromisso de informar eventuais alterações por todos os meios disponíveis.

Mesmo sem mudanças confirmadas no Acre, a Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores consultem antecipadamente seus locais de votação pelo aplicativo e-Título ou pela página de Autoatendimento Eleitoral do TSE.

Outra opção é o Disque-Eleições, pelo número 148, disponibilizado pelo TRE-AC para orientar a população.

No próximo domingo (25), os eleitores acreanos voltarão às urnas para escolher o presidente da República e o governador do estado.

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