O Carnaval Cultural Magid 2024 surpreendeu positivamente, superando as expectativas de público e movimentação financeira. Em uma coletiva realizada nesta sexta-feira, o Secretário Municipal de Gabinete Civil, Ney Willams, e a Secretária de Empreendedorismo e Turismo, Gleiciane Cruz, reuniam a imprensa para apresentar os resultados e anunciar os próximos eventos em Cruzeiro do Sul.
Apesar das condições climáticas adversas, aproximadamente 40 mil pessoas participaram do Carnaval ao longo de quatro noites. A última noite registrou a presença de 17 a 18 mil pessoas na praça central da cidade.
A movimentação financeira do evento ultrapassou a marca de 1 milhão de reais, refletindo um impacto positivo na economia local. Em publicação no perfil da prefeitura no instagram o vídeo da coletiva, podemos ver detalhes sobre os esforços de organização e a resposta da comunidade.
Ney Willams e Gleiciane Cruz ressaltaram a importância de eventos culturais para a promoção do turismo e o impulso econômico. Durante a coletiva, destacaram os desafios enfrentados devido ao clima, mas enfatizaram a colaboração da comunidade e o comprometimento da equipe organizadora. Ney destacou que outros eventos importantes estão programados até o final do ano, como o Festival da Farinha. O prefeito anunciou a presença do cantor Pablo no festival, buscando impulsionar a economia local. A ideia é oferecer oportunidades extras para os empreendedores locais aumentarem sua renda e movimentar a cidade com mais dinheiro circulando.
A celebração não apenas superou obstáculos, mas também se consolidou como um marco na promoção da cultura e do turismo local.
O Tribunal de Contas do Estado do Acre realizou no dia 19 de agosto uma fiscalização no Pronto-Socorro de Rio Branco, onde foram constatadas falhas graves, como superlotação, pacientes em macas e no chão, falta de escalas de plantão, carência de profissionais e medicamentos, além de problemas estruturais no prédio. A secretária da Secex, Fernanda Leite Santana, afirmou que a escolha da saúde como prioridade foi resultado da escuta social e da demanda da população, destacando que a operação atende ao Plano Anual de Controle Externo elaborado pelo órgão.
Na Assembleia Legislativa, a situação também foi tema de debate. O deputado Adailton Cruz (PSB) denunciou que, no Hospital Regional do Juruá, a maioria dos trabalhadores da saúde recebe menos que um salário mínimo, enfrentando longas jornadas sem condições de sustento. Ele destacou que o Programa Opera Acre, criado para reduzir filas de cirurgias, precisa ser reestruturado, pois estaria expondo pacientes e profissionais a riscos. O parlamentar criticou ainda o processo de regulação, que segundo ele funciona de forma desigual. “Se for parente ou indicado de alguém, pula a fila; se não for, segue esperando na Fundação Hospitalar pela boa vontade”, declarou, pedindo providências e mais transparência no setor.
A deputada Antônia Sales (MDB) também se pronunciou, citando imagens do Pronto-Socorro de Rio Branco que mostram pacientes deitados no chão. Ela defendeu a criação de uma CPI da Saúde para investigar a aplicação dos recursos e criticou o governo estadual pelos gastos com aeronaves, que somariam R$ 63 milhões. “Nosso governador parece que virou uma abelha. O homem para gostar de voar. Já são R$ 63 milhões em jatinhos, enquanto o povo sofre nas filas, sem atendimento”, afirmou. A parlamentar também relatou problemas nos hospitais regionais de Brasiléia, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, como tetos comprometidos, falta de aparelhos e leitos insuficientes.
A integração entre Pucallpa, no Peru, e Cruzeiro do Sul, no Acre, voltou a ser discutida em reunião realizada na capital de Ucayali, nesta quarta-feira, 27, com a presença de autoridades peruanas e brasileiras. O tema, “#Conexión estratégica desde la Amazonía” entre Perú y Brasil, considerado histórico, envolve propostas de rodovia, ferrovia e até voos regionais para encurtar distâncias e impulsionar o desenvolvimento econômico e social das duas regiões amazônicas.
O coordenador do Projeto Vial Pucallpa–Changcay, Emer Rivera Castillo, recordou que o Congresso peruano aprovou recentemente, com 104 votos, a lei que declara de interesse nacional o corredor Pucallpa–Changcay. Segundo ele, a proposta deve avançar agora em direção ao Brasil, por meio de Cruzeiro do Sul, consolidando um eixo de integração binacional. “Se há 80 anos já se falava em construir a ferrovia e nada foi feito, hoje temos a oportunidade de unir forças e tornar realidade esse sonho”, afirmou.
O governador regional de Ucayali, Manuel Gambini, destacou que os estudos para a ferrovia Pucallpa–Lima já estão em andamento e defendeu que a rota seja conectada ao Acre. Ele apresentou as vantagens da ligação ferroviária até Cruzeiro do Sul, que permitiria escoar produtos agrícolas e minerais do Peru, como arroz, palma de óleo, madeira e rochas, ao mesmo tempo em que facilitaria a entrada de soja brasileira, reduzindo custos de produção. Para Gambini, a ferrovia é estratégica para a integração ao porto de Chancay, no litoral peruano, viabilizando exportações para a Ásia. “Com o trem chegando a Pucallpa e passando para o Brasil, abre-se uma rota direta de escoamento sem necessidade de transbordo”, disse.
O governador propôs ainda a criação de um Comitê Binacional do Trem Bioceânico, com sede em Pucallpa e Rio Branco, para articular os dois países. Ele defendeu também alternativas provisórias de integração, como a implantação de voos regulares entre Pucallpa e Cruzeiro do Sul. Uma companhia aérea peruana, segundo ele, já estaria em tratativas para oferecer o serviço, que faria o trajeto em apenas 25 minutos. “Enquanto a ferrovia não se concretiza, podemos avançar com a ligação aérea e fortalecer o turismo, os negócios e os laços culturais entre nossas populações”, afirmou.
O tema foi reforçado por autoridades brasileiras. O secretário de Indústria e Tecnologia do Acre, Assur Mesquita, lembrou que a reconstrução da BR-364, anunciada pelo presidente Lula, complementa a proposta de integração. Ele destacou que, do lado brasileiro, o desafio é conciliar infraestrutura com áreas de conservação ambiental e terras indígenas, enquanto no Peru há preocupação semelhante. Ainda assim, defendeu a rota Pucallpa–Cruzeiro do Sul como a mais viável para transportar grandes cargas, sobretudo soja. “Essa ligação pode aliviar o congestionamento logístico de Rondônia, onde mais de mil caminhões por dia esperam para acessar o rio Madeira”, afirmou.
O deputado federal José Adriano também reforçou a importância do projeto. O parlamentar disse que a ferrovia Atlântico–Pacífico em estudo entre Brasil e China deve passar pelo Acre e que a prioridade agora é garantir que o traçado inclua Cruzeiro do Sul e Ucayali. “Não podemos perder mais tempo. Essa integração é fundamental para gerar riqueza e melhorar o IDH da região”, disse. O deputado estadual Luiz Gonzaga lembrou que a luta já dura mais de 40 anos e que, no passado, havia voos semanais entre as duas cidades, além de jogos de futebol e intercâmbios culturais. Para ele, a retomada da ligação aérea é urgente, mas a rodovia e a ferrovia são essenciais para consolidar o desenvolvimento. “São apenas 110 quilômetros que nos separam. O benefício para turismo, agricultura e indústria será enorme”, afirmou.
Parlamentares peruanos também assumiram compromisso político de defender a integração. Francis Paredes e Carol Paredes ressaltaram que o tema está na agenda do Parlamento Amazônico e deve avançar em reuniões com o governo central. “Este não é apenas um sonho dos brasileiros, mas também dos peruanos. Nossos produtos amazônicos precisam de portas abertas ao mundo, e a conexão com o Brasil é estratégica para isso”, disse Francis Paredes.
O encontro terminou com o entendimento de que a ligação Pucallpa–Cruzeiro do Sul deve ser tratada como prioridade binacional. Entre as medidas propostas estão a formalização de um comitê conjunto, a busca de acordos entre presidentes e congressos dos dois países e a implementação de soluções imediatas, como voos regionais, enquanto avançam os estudos para rodovia e ferrovia. Para as autoridades presentes, a integração deixaria de ser um sonho antigo e passaria a ser um projeto concreto de desenvolvimento para o Acre e Ucayali.
O Ministério da Saúde selecionou cinco médicos especialistas para atuar no Acre a partir de setembro pelo programa Agora Tem Especialistas, iniciativa inédita que leva profissionais já especializados para o Sistema Único de Saúde (SUS) em regiões onde há escassez desses atendimentos. No total, 501 médicos foram escolhidos em todo o país, distribuídos em 212 municípios dos 26 estados e do Distrito Federal, com 66 destinados à região Norte. Além do Acre, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Tocantins e Amapá também serão contemplados, com destaque para o Pará, que receberá 27 médicos.
As áreas contempladas incluem cirurgia geral, ginecologia, anestesiologia e otorrinolaringologia, especialidades que costumam obrigar pacientes a percorrer longas distâncias até os grandes centros urbanos. O Ministério da Saúde destacou que 67% dos selecionados vão reforçar o atendimento em municípios do interior e que 25,7% atuarão em locais classificados como de alta ou muito alta vulnerabilidade social. “Precisamos de iniciativas ousadas como o Mais Médicos Especialistas, que vai garantir, pela primeira vez, a atuação de profissionais especialistas no SUS e reduzir o tempo de espera da população por atendimento”, afirmou o ministro Alexandre Padilha ao anunciar os resultados.
Os médicos selecionados têm, em média, 12 anos de experiência e passarão a atender em hospitais, policlínicas, centros de apoio diagnóstico e outras unidades da rede pública. Pela primeira vez, profissionais que atuavam exclusivamente em hospitais privados vão integrar o SUS: 26% dos aprovados trabalharam apenas na rede particular até agora. Eles irão realizar consultas, exames especializados e procedimentos de alta complexidade, como cirurgias e tratamentos de câncer.
Para reduzir desigualdades regionais, o Ministério da Saúde considerou na distribuição fatores como a média nacional de especialistas — atualmente de 184 por 100 mil habitantes — e a capacidade instalada de atendimento em cada estado. Os médicos receberão uma bolsa-formação de até R$ 20 mil, definida de acordo com a vulnerabilidade social e sanitária da região em que atuarão, e participarão de cursos práticos no SUS sob mentoria de profissionais da Rede Ebserh e do Proadi-SUS.
Com a chegada desses profissionais, a expectativa é ampliar o acesso à saúde especializada no Acre, reduzir deslocamentos para tratamento em outros estados e fortalecer a rede pública local, que historicamente enfrenta carência de especialistas.