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Direto ao ponto

Quem paga a conta quando a Câmara vira recreio?

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A Câmara Municipal de Rio Branco atravessa um daqueles momentos em que a política deixa de parecer disputa democrática e passa a lembrar um recreio sem professor. O problema não é haver divergência. Divergência é saudável, faz parte do Parlamento e, quando bem conduzida, melhora decisões públicas. O problema é quando a divergência vira birra, quando o diálogo dá lugar ao bate-boca, quando a instituição passa a girar em torno de ressentimentos, cargos, viagens, acordos rompidos e disputas internas que pouco dizem respeito à vida real do cidadão.

Nesta semana, a Câmara foi tomada por acusações públicas contra a condução administrativa e política do presidente Joabe Lira. Vereadores questionaram decisões da presidência, apontaram descumprimento de acordos internos e reagiram ao cancelamento de uma viagem oficial do vereador Bruno Moraes. Também vieram à tona reclamações sobre exonerações ligadas a grupos políticos e sobre a forma como a Mesa Diretora vem conduzindo a Casa.

O mais grave, porém, não é a existência da crise. O mais grave é a impressão pública de que a Câmara perdeu a capacidade de conversar consigo mesma. Uma Casa Legislativa que não consegue administrar seus próprios conflitos dificilmente convencerá a população de que está preparada para mediar os conflitos da cidade.

E Rio Branco tem problemas demais para bancar uma cena dessas e, convenhamos, comparar esse comportamento a um jardim de infância chega a ser injusto com as crianças.

A capital vive uma crise no transporte coletivo tão séria que a própria gestão municipal reconheceu situação de emergência no sistema. Há discussões sobre infraestrutura, saneamento, ramais, mobilidade urbana e revisão do Plano Diretor temas que definem onde a cidade pode crescer, como os bairros serão atendidos, que tipo de transporte o trabalhador terá e como o poder público vai enfrentar alagações, ocupações desordenadas. 

O ponto central é: a Câmara não pertence aos vereadores. A Câmara pertence ao povo de Rio Branco.

Quando um vereador se sente desrespeitado, há regimento, há Mesa, há comissões, há meios institucionais. Quando a presidência toma uma decisão administrativa, ela precisa ser transparente, fundamentada e igual para todos. Quando há acordo político, ele não pode valer apenas quando convém. E quando há crise, a resposta não pode ser transformar o plenário em palco de ressentimento.

A população não elegeu vereadores para administrar mágoas. Elegeu para fiscalizar o Executivo, propor leis, debater orçamento, ouvir bairros, cobrar serviços e defender prioridades públicas.

O verdadeiro dano dessa crise não aparece apenas nas manchetes. Ele aparece quando uma pauta importante atrasa. Quando uma audiência pública perde força. Quando a fiscalização vira moeda de disputa interna. Quando o cidadão desiste de procurar a Câmara porque sente que será feito de palhaço. Quando o trabalhador que espera ônibus, o morador que enfrenta lama, o comerciante que precisa de regra urbana clara e a família que cobra água, esgoto e infraestrutura percebem que a política está olhando para o próprio umbigo.

Rio Branco sentirá essa falta de diálogo na ponta. Sentirá no transporte que não melhora. Sentirá nos bairros que continuam esperando obras. Sentirá nas políticas públicas que precisam de debate sério, mas ficam soterradas por vaidades. Sentirá na descrença crescente com a política municipal.

A Câmara precisa decidir se será uma instituição adulta ou um pátio de recreio. Se será espaço de solução ou vitrine de conflito. Se seus membros estão ali para representar a cidade ou para medir forças em disputas internas.

Crise política se resolve com conversa, transparência, regra clara e respeito ao cidadão. O que não dá é a população continuar pagando a conta de uma instituição que, em vez de dar exemplo de maturidade, oferece espetáculo de desorganização.

Rio Branco precisa de Legislativo. Mas precisa de um Legislativo que funcione. Que escute. Que fiscalize. Que dialogue. Que discorde com grandeza. Que entenda que o mandato passa, a cidade fica e o povo está cansado de assistir adulto eleito se comportando como criança contrariada.

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Direto ao ponto

O ás fora da urna: a carta chamada Alysson

Alysson Bestene não é candidato ao Governo do Acre, mas seu apoio pode ser decisivo. Mais do que influenciar o resultado imediato da disputa, as escolhas que ele fizer agora poderão definir o espaço político que ocupará nos próximos anos.

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Na política, nem sempre quem tem a melhor carta está sentado na ponta da mesa. Às vezes, o personagem mais valorizado da partida sequer disputa aquela eleição, mas pode decidir quem vence e quais serão as próximas jogadas.

No Acre de 2026, esse personagem pode ser Alysson Bestene.

Prefeito de Rio Branco e aliado de Tião Bocalom, Alysson lidera politicamente a cidade que concentra quase metade do eleitorado acreano. Por isso, sua posição pode ser decisiva no primeiro e, mais ainda, no segundo turno. Se Bocalom chegar à disputa final, não há mistério: Alysson estará com ele.

Mas, se Bocalom ficar fora? O prefeito se tornará um dos apoios mais cobiçados da eleição, para onde iria Alysson?

Sem Bocalom, os dois lados terão razões de sobra para desejar seu apoio. Não apenas pelo peso eleitoral da capital, mas também pela estrutura política, pelos vereadores, pelas lideranças e pela capacidade de mobilização que gravitam em torno da Prefeitura de Rio Branco.

Alysson não estará na urna, mas estará no centro da negociação política do segundo turno.

Só que ele também terá razões de sobra para pensar muito antes de escolher. Sua decisão não será apenas sobre quem governará o Acre a partir de 2027. Será também sobre qual grupo terá melhores condições de influenciar a sucessão municipal de 2028 e sobre qual espaço Alysson deseja e ocupará nesse processo.

Porque 2026 termina em 2028. No Acre, uma eleição puxa a outra e a estadual começa a desenhar a próxima disputa pela Prefeitura de Rio Branco.

Uma vitória de Alan Rick provavelmente fortaleceria a construção de um projeto próprio para a capital. Já se fala em Emerson Jarude e no “futuro” senador Gemil Junior como possíveis nomes desse campo político, e outros poderão surgir. Alan é jovem e, mantidas as regras atuais, se eleito governador, poderá buscar a reeleição. Isso significa potencialmente oito anos de protagonismo estadual e uma reorganização profunda das ambições políticas ao redor do Palácio Rio Branco.

Com Mailza, a lógica também seria de fortalecimento de um “novo grupo” no poder. Seu campo político possui quadros capazes de disputar a prefeitura da capital. Marcos Alexandre é um deles. Ney Amorim, outro. Nada indica, hoje, que Alysson seria naturalmente o candidato desse grupo em 2028.

É justamente aí que a escolha de Alysson ganha peso estratégico.

Para ele, não estará em jogo apenas quem governará o Acre. Estará em jogo também qual governador poderá oferecer melhores condições para que continue comandando Rio Branco, preserve sua influência e construa uma candidatura competitiva para 2028.

Com Bocalom governador, Alysson teria no Palácio Rio Branco um aliado cuja vitória ajudou a construir. Com Alan ou Mailza, terá pela frente um “novo grupo” no poder, com seus próprios candidatos e interesse direto em conquistar a prefeitura.

Por isso, Alysson é mais do que um apoiador. Ele pode ser decisivo no segundo turno de 2026 e, ao mesmo tempo, uma das peças centrais da sucessão municipal de 2028.

No baralho político acreano, três candidatos disputam hoje as cartas mais visíveis. Mas um dos ases de 2026 estará fora da urna.

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Direto ao ponto

Perguntas e mais perguntas; o povo espera mais respostas após debate entre candidatos ao governo no Acre

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O debate promovido pelo ac24horas cumpriu uma função importante: colocou frente a frente os principais candidatos ao Governo do Acre e trouxe para a discussão problemas que há anos desafiam o Estado.

Previdência, saúde, habitação, infraestrutura, produção e emprego apareceram com força.

Alan Rick assumiu uma postura de cobrança sobre a atual gestão. Mailza teve de responder pelos problemas e apresentar as ações do governo. Bocalom buscou sustentar sua experiência administrativa e sua proposta de produção e geração de emprego. Thor Dantas tentou se apresentar como alternativa e questionou principalmente a capacidade de investimento e planejamento do Estado.

O confronto faz parte da eleição. E perguntas difíceis precisam ser feitas.

Mas talvez o ponto mais importante do debate esteja justamente depois da pergunta.

Quando se fala em déficit da Previdência, por exemplo, não basta dizer que ele existe. O problema atravessa décadas e diferentes governos. É preciso explicar como será enfrentado, quanto custará, de onde virão os recursos e como preservar a capacidade do Estado de investir em outras áreas.

Na saúde ocorre o mesmo. Apontar filas, falta de especialistas ou dificuldades no atendimento é necessário. Mas a próxima pergunta deveria ser: qual é o plano, quanto custa e em quanto tempo pode produzir resultado?

Na habitação, não basta discutir quantas casas foram ou não foram entregues. É necessário apresentar demanda, capacidade de investimento, fontes de financiamento e metas possíveis.

Esse talvez seja o principal desafio desta campanha.

O Acre já conhece seus problemas.

O eleitor precisa agora conhecer melhor as soluções propostas por quem pretende governá-lo.

Porque administrar um Estado exige mais do que diagnóstico. Exige estratégia, prioridades, equilíbrio fiscal, capacidade de execução e sustentabilidade das decisões.

Os próximos debates podem ajudar muito se conseguirem avançar nessa direção.

Cobrança faz parte da democracia. Contraditório também. Mas quem pergunta precisa estar preparado para dizer o que faria no lugar de quem governa — e quem governa precisa explicar o que fez, o que não conseguiu fazer e o que pretende mudar.

Ao final, a eleição não deveria ser apenas uma disputa sobre quem identifica melhor os problemas.

Deveria ser uma disputa sobre quem apresenta as respostas mais consistentes para enfrentá-los.

Mais que perguntas, o Acre precisa de respostas.

Foto: Sérgio Vale

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Direto ao ponto

A escolha que vai definir a coerência da chapa de Jorge Viana

Com a saída de Binho Marques, Naluy Macedo, Nazaré Araújo e Aníbal Diniz aparecem nos bastidores para a primeira suplência da chapa ao Senado.

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A impossibilidade de Binho Marques permanecer como primeiro suplente abre uma nova etapa na composição da chapa de Jorge Viana. A definição de quem ocupará a vaga passa a se relacionar com o discurso de futuro apresentado pelo candidato. Entre os nomes que circulam nos bastidores estão Naluy Macedo, Nazaré Araújo e Aníbal Diniz.

Naluy Macedo levaria para a chapa a participação do PCdoB, dos movimentos de mulheres e de uma geração que busca espaço nas decisões. Vice-presidente do partido em Rio Branco e presidente da União Brasileira de Mulheres no Acre, atua na defesa do SUS, da educação pública e de políticas para as mulheres e para a juventude negra e periférica. Importante pontuar que Naluy se torna um nome para o futuro, pois ela atualmente é concursada no Estado.

Nazaré Araújo acrescentaria experiência na administração estadual. Foi vice-governadora, exerceu o governo e participou de ações nas áreas de assistência social e políticas para as mulheres. Na primeira suplência, levaria à chapa conhecimento sobre o funcionamento do Executivo estadual.

Aníbal Diniz levaria para a chapa o conhecimento do Senado e da organização política do grupo. Foi secretário de Comunicação nos governos de Jorge Viana e Binho Marques e exerceu mandato de senador. Sua indicação manteria a relação da suplência com a trajetória do projeto.

Binho continuará na coordenação das campanhas de Jorge Viana e Thor Dantas. Sua participação preserva o vínculo com a chapa e permite que contribua na formulação de propostas, na articulação com os partidos e no diálogo com setores da sociedade.

Jorge tem defendido a participação de Binho nas discussões sobre o futuro do Acre e sobre as próximas disputas. A permanência dele na campanha mostra que a mudança na suplência não representa afastamento do projeto, mas o exercício de outra função dentro da mesma construção.

Carla Brito permanece como segunda suplente, mantendo na composição a presença feminina e a representação do Podemos e do Vale do Juruá. A definição da primeira suplência pode incluir o PCdoB e os movimentos sociais, por meio de Naluy; a experiência de governo de Nazaré; ou a passagem de Aníbal pelo Senado.

A palavra política pertence a Jorge Viana, em diálogo com os partidos da Frente Ampla. Os nomes apresentados nos bastidores possuem atuação pública e relação com o projeto. A coerência estará em escolher quem poderá representar a aliança e assumir as responsabilidades da função.

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