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Povos Indígenas

Benki Piyãko recebe Prêmio Niwano da Paz no Japão por defesa da Amazônia e dos povos indígenas

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Benki Piyãko, liderança espiritual do povo Ashaninka, presidente e fundador do Instituto Yorenka Tasorentsi, recebeu nesta terça-feira, 12 de maio, no Japão, o 43º Prêmio Niwano da Paz, uma das honrarias internacionais mais importantes dedicadas à paz, ao diálogo espiritual e à defesa da vida. A cerimônia ocorreu na Casa Internacional do Japão, com a presença de Munehiro Niwano, presidente da Fundação Niwano da Paz, e consagrou o acreano por uma trajetória dedicada à proteção da natureza, ao fortalecimento das culturas indígenas e à restauração de áreas degradadas na Amazônia.

A imagem de Benki em território japonês carrega muito mais do que a celebração de um prêmio. Carrega o rio Amônia, a comunidade Apiwtxa, os caminhos antigos do povo Ashaninka, os cantos de cura, as roças agroflorestais e a memória de uma região que aprendeu a defender a floresta com o corpo, com a palavra e com a organização coletiva. Nascido em Marechal Thaumaturgo, no Alto Juruá acreano, Benki cresceu em uma Amazônia onde território não é paisagem distante, mas casa, alimento, remédio, escola e espiritualidade.

Ao longo das últimas décadas, Benki Piyãko se tornou uma das vozes indígenas mais reconhecidas da Amazônia brasileira. Sua atuação passa pela defesa da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, pelo enfrentamento da exploração madeireira, pela valorização da cultura Ashaninka e pela construção de experiências que unem educação, reflorestamento, espiritualidade e economia da floresta em pé. Em sua caminhada, a proteção ambiental nunca esteve separada da proteção cultural. Para os Ashaninka, perder a floresta é perder também a língua, os cantos, os conhecimentos das plantas, os caminhos de caça, os lugares sagrados e a autonomia de viver conforme os ensinamentos dos antigos.

O Prêmio Niwano da Paz nasceu no Japão para reconhecer pessoas e organizações que trabalham pela paz a partir do diálogo espiritual, da cooperação entre povos e da defesa da dignidade humana. A honraria, concedida pela Fundação Niwano da Paz, tem alcance internacional e costuma valorizar trajetórias que ultrapassam fronteiras religiosas, políticas e culturais. Ao chegar às mãos de Benki, o prêmio amplia o sentido da própria palavra paz. No Alto Juruá, paz não é apenas ausência de guerra. Paz é terra respeitada, rio limpo, floresta viva, criança crescendo com sua identidade, povo tradicional sem medo de invasor e comunidade capaz de plantar o futuro sem destruir a raiz.

Nos últimos 40 anos, Benki Piyãko se tornou o terceiro brasileiro a receber o Prêmio Niwano da Paz. Antes dele, a honraria havia sido concedida a Dom Hélder Câmara e a Dom Paulo Evaristo Arns, duas referências históricas na defesa dos direitos humanos no Brasil. A chegada de uma liderança Ashaninka a essa linhagem desloca o olhar para a Amazônia profunda, onde a luta por justiça social passa pela demarcação dos territórios, pela proteção dos rios, pela permanência dos povos indígenas e pela resistência contra um modelo de destruição que transforma árvore em mercadoria e vida em estatística.

A trajetória de Benki é inseparável da história de resistência do povo Ashaninka do rio Amônia. Na região de fronteira entre Brasil e Peru, os Ashaninka enfrentaram invasões, exploração de madeira, pressão econômica e ameaças sobre o território. Na década de 1980, a retirada ilegal de cedro e mogno deixou marcas profundas na floresta e na vida comunitária. A resposta veio com organização, denúncia, articulação política, recuperação ambiental e fortalecimento cultural. A defesa da terra não ficou restrita aos gabinetes. Ela se fez em assembleias, viagens, vigilância territorial, educação dos jovens, plantio de mudas e reconstrução de áreas feridas pela cobiça.

Foi nesse chão que Benki ajudou a erguer iniciativas como o Centro Yorenka Ãtame e o Instituto Yorenka Tasorentsi. Esses espaços nasceram com a missão de aproximar saberes indígenas e não indígenas, formar jovens, recuperar áreas degradadas, fortalecer sistemas agroflorestais e mostrar que a floresta em pé também produz conhecimento, alimento, renda, cura e futuro. Em vez de tratar a Amazônia como depósito de recursos, o trabalho conduzido por Benki parte de outra lógica: a de que a natureza não é uma coisa fora do ser humano, mas a própria condição da existência.

Os sistemas agroflorestais têm papel central nessa caminhada. Nas áreas recuperadas, árvores frutíferas, espécies nativas, alimentos tradicionais e plantas medicinais recriam a fertilidade do solo e devolvem vida aos espaços antes empobrecidos. Cada muda plantada carrega uma resposta política. Cada nascente protegida enfrenta a ideia de que desenvolvimento precisa vir acompanhado de derrubada. Cada jovem formado dentro dessa visão aprende que a defesa da floresta não é atraso, mas uma das tecnologias mais urgentes do nosso tempo.

Ao receber o prêmio, Benki levou ao Japão a força de uma Amazônia que não aceita ser tratada apenas como crise climática em relatório internacional. A floresta tem rosto, nome, língua, parente, reza, trabalho e memória. Tem mulheres que guardam sementes, anciãos que conhecem o tempo das plantas, crianças que aprendem cedo o valor do rio, lideranças que viajam o mundo sem abandonar o território e comunidades que sustentam, na prática, aquilo que o planeta ainda tenta compreender nos discursos: não haverá paz possível com a natureza destruída e os povos originários ameaçados.

Para o Instituto Yorenka Tasorentsi, a premiação representa um momento de grande honra e alegria. Mas o reconhecimento também chega como responsabilidade. Em um tempo em que a Amazônia sofre com queimadas, grilagem, garimpo, avanço predatório sobre terras públicas e violência contra defensores ambientais, a escolha de Benki Piyãko afirma que proteger a floresta é também construir paz. Não uma paz abstrata, distante, de salão diplomático, mas uma paz plantada no barro, no roçado, no viveiro, na aldeia, na beira do rio e na coragem de quem continua de pé.

A cerimônia na Casa Internacional do Japão transformou a caminhada de um líder Ashaninka em mensagem global. Benki não chegou sozinho àquele palco. Com ele estavam os povos indígenas do Acre, a comunidade Apiwtxa, os guardiões da floresta, os jovens formados no Yorenka, os ancestrais que ensinaram a escutar a mata e todos aqueles que insistem em provar que a Amazônia viva é uma condição para o equilíbrio do mundo. O 43º Prêmio Niwano da Paz reconhece uma vida dedicada à cura da Terra e reafirma, com firmeza e alegria, que a proteção da floresta, de seus povos e de suas culturas precisa estar no centro das decisões do presente.

Povos Indígenas

Exposição da Fiocruz em Brasília leva crise Yanomami e Ye’kuana a autoridades e alerta para avanço do garimpo

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A TV Senado exibiu uma entrevista com Cecília Andrade, coordenadora adjunta da exposição “Sopro Humano”, da Fiocruz Brasília, que reúne imagens e relatos sobre a crise humanitária e climática enfrentada pelos povos Yanomami e Ye’kuana no norte do Brasil. A mostra foi montada na sede da Escola de Governo no campus da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, e busca sensibilizar autoridades e a sociedade civil para os impactos do avanço do garimpo ilegal e do enfraquecimento da presença do Estado na região.

A exposição nasceu de uma chamada pública do “Abril Indígena” e combina fotografias produzidas por profissionais que atuam em campo com depoimentos de lideranças indígenas, entre elas Davi Kopenawa. O material foi organizado em eixos que atravessam a cultura dos povos, a escalada de violações associadas à invasão do território e as respostas mais recentes do poder público. Na entrevista, Cecília Andrade também relata como foram obtidos recursos para ações de apoio e como a assistência em saúde e o suporte humanitário chegaram às comunidades.

O ponto central da narrativa é o impacto do garimpo ilegal, apontado como fator que agravou a crise tornada pública em 2023, quando vieram à tona casos de desnutrição e contaminação. A atividade aparece como motor de uma cadeia de danos ambientais e sanitários, com a abertura de poços que favorecem a proliferação de mosquitos e o aumento de malária, além da deterioração das condições de vida nas aldeias.

A entrevista também detalha diferenças entre Yanomami e Ye’kuana, povos que compartilham o maior território indígena do país. Entre os Yanomami, a organização social é mais descentralizada e comunitária, com moradias circulares. Entre os Ye’kuana, há uma estrutura mais hierarquizada e reconhecimento por habilidades ligadas à navegação e ao artesanato. Apesar das diferenças, ambos compartilham uma visão de mundo em que a Terra é entendida como um ser vivo, e as alterações na floresta são percebidas como sinais de desequilíbrio.

No trecho dedicado à atuação do Estado, a entrevista relaciona a intensificação das violações a períodos de negligência e descreve a criação de estruturas de atendimento em Roraima. Uma parceria entre a Fiocruz e o Ministério dos Direitos Humanos organizou Centros de Referência em Direitos Humanos, como o Credi, e o Caici, voltado para crianças, com equipes que incluem psicólogos, assistentes sociais e intérpretes indígenas. A proposta é reduzir o choque cultural e enfrentar problemas que se agravam com o contato, como alcoolismo e questões de saúde mental.

A visitação presencial da exposição segue até 26 de junho em Brasília, e a Fiocruz Brasília também disponibilizou uma versão virtual em seu Instagram oficial.

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Povos Indígenas

Com novos núcleos, OPIRJ fortalece tecnologia, memória e gestão nos territórios indígenas

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A entrega de um Núcleo Indígena de Gestão Integrada não começa no corte de uma fita, nem termina quando a chave passa de uma mão para outra. No Juruá, onde a distância se mede por rio, ramal, tempo de viagem e articulação coletiva, a chegada de uma casa equipada com internet, energia solar, computadores, cozinha, banheiros e salas de reunião tem outro peso. É estrutura, mas também é mensagem: a gestão do território precisa estar dentro do território.

Foi com esse sentido que a Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) avançou, em abril, em uma nova etapa de entrega dos NIGIs em comunidades indígenas do Acre. A agenda integra o projeto Gestão Territorial OPIRJ, com apoio do Fundo Amazônia, e alcança territórios em municípios como Tarauacá, Mâncio Lima e Marechal Thaumaturgo, onde estão concentradas parte das estruturas implantadas para reuniões, formações, planejamento, articulação institucional e decisões coletivas.

Na Terra Indígena Rio Gregório, território do povo Yawanawa, a entrega chegou à Aldeia Mutum no dia 22 de abril. No dia seguinte, a OPIRJ realizou nova entrega na Aldeia Nova Esperança, também território Yawanawa. Nos dois momentos, o que estava em jogo era mais do que a inauguração de uma estrutura física: era a criação de uma base permanente para que lideranças, jovens, famílias e comunidade possam organizar documentos, discutir projetos, guardar a memória do povo e conduzir suas próprias agendas de gestão territorial.

Francisco Piyãko, coordenador da OPIRJ, resumiu o sentido da entrega na Aldeia Nova Esperança como “uma mensagem de dar autonomia pros territórios”. Para ele, o NIGI funciona como “um escritório avançado dentro do seu território”, com internet, sistema solar, banheiros, salas para reuniões, auditório, computadores, material de escritório e estrutura de cozinha. O espaço, disse, serve para “reunir a história do povo”, arquivar documentos, discutir projetos, organizar agendas internas e “se posicionar num tempo novo”.

A fala de Piyãko ajuda a entender por que os NIGIs aparecem como uma das frentes centrais da agenda da OPIRJ. Em regiões onde o deslocamento até a cidade pode exigir horas ou dias de viagem, ter uma estrutura de trabalho no próprio território muda a forma de fazer gestão. O núcleo vira lugar de reunião, mas também de escrita, arquivo, planejamento, comunicação e defesa de direitos. Na leitura do coordenador, não se trata apenas de um prédio novo. É um espaço para reconectar os mais jovens ao compromisso de cuidar da memória, da história e do território como lugar coletivo.

Na Aldeia Nova Esperança, quem recebeu o núcleo também falou a partir desse lugar. Biraci Júnior, o cacique Iskukua, apresentou o NIGI como “um marco” para os territórios que passam a contar com esse instrumento de trabalho. Ele descreveu a estrutura como uma casa “totalmente apropriada”, equipada com internet e energia solar, e afirmou que ela chega como “uma nova ferramenta de luta, de resistência dos nossos povos, do nosso território”.

A frase mais forte veio quando Biraci Júnior Iskukua colocou a tecnologia no vocabulário da luta indígena: “Hoje, nossas armas são a tecnologia, o papel, a caneta, o computador e a internet — instrumentos fundamentais na luta pelos nossos direitos.” É uma síntese direta do que a entrega representa. A defesa do território continua ligada à floresta, à memória, à espiritualidade e à organização comunitária, mas passa também pela capacidade de produzir documentos, acessar informações, escrever projetos, responder a demandas públicas e dialogar com instituições sem depender sempre da cidade.

A agenda também chegou ao povo Kuntanawa, em Marechal Thaumaturgo, dentro da Reserva Extrativista Alto Juruá. Os Kuntanawa vivem às margens do alto rio Tejo, no interior da Resex, no extremo oeste do Acre, com a Aldeia Sete Estrelas como uma de suas principais referências comunitárias. Trata-se de um povo de família linguística Pano, marcado por um processo de retomada e afirmação identitária após as violências das correrias e da formação dos seringais no Acre.

No território Kuntanawa, a entrega do NIGI ocorreu no dia 27 de abril e marcou também o encerramento da oficina de elaboração do Plano de Gestão Territorial e Ambiental Kuntanawa. A presença de Haru Kuntanawa, presidente da associação, e do cacique geral Osmildo Kuntanawa reforçou o vínculo entre a nova estrutura e o planejamento político do povo. Ali, a casa não chega como peça isolada. Ela se conecta à discussão do PGTA, à proteção do território, à organização das comunidades e à construção de caminhos próprios dentro da Resex Alto Juruá.

Em Marechal Thaumaturgo, a rota dos NIGIs também alcança os territórios Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia e Kuntanawa, conforme a agenda de implantação citada pela OPIRJ. A região concentra parte das entregas no Alto Juruá e ajuda a mostrar a escala do desafio: levar estrutura para dentro de áreas onde a logística depende de rio, tempo, transporte de equipamentos e diálogo com cada povo.

No território Arara do Rio Amônia, Antônia Damiana, da Aldeia Nordestino, deu outra dimensão ao significado do núcleo. Ela afirmou que o espaço é importante porque reúne equipamentos, internet, cozinha e refeitório para o trabalho com projetos voltados à melhoria da vida do povo. E fez uma correção política essencial: “Esse NIGI não é só da Aldeia Nordestino, esse NIGI é do povo Arara”.

Essa ideia atravessa toda a agenda. O núcleo não pertence a uma liderança, a uma diretoria ou a uma gestão passageira. Pertence ao povo, ao território, à comunidade que vai usar o espaço para reunir, decidir, escrever, guardar, planejar e cobrar. Por isso, quando Francisco Piyãko afirma que “o povo é dono”, a frase não funciona como slogan. Ela traduz uma prática de gestão territorial em que a infraestrutura precisa estar a serviço da autonomia, e não o contrário.

No Juruá, onde os povos indígenas enfrentam pressões sobre seus territórios, dificuldades de acesso a políticas públicas e longas distâncias até os centros urbanos, os NIGIs chegam como uma ferramenta concreta de permanência. São casas de trabalho, mas também de memória. São escritórios, mas também espaços de escuta. São estruturas com computador e internet, mas nascem de uma lógica anterior à tecnologia: a decisão coletiva de que a gestão do território deve ser feita por quem vive, protege e conhece esse território.

Municípios do Acre citados nas entregas de NIGIs da OPIRJ Mapa municipal do Acre com destaque para Mâncio Lima, Tarauacá e Marechal Thaumaturgo. Acrelândia Assis Brasil Brasiléia Bujari Capixaba Cruzeiro do Sul Epitaciolândia Feijó Jordão Mâncio Lima Manoel Urbano Marechal Thaumaturgo Plácido de Castro Porto Walter Rio Branco Rodrigues Alves Santa Rosa do Purus Senador Guiomard Sena Madureira Tarauacá Xapuri Porto Acre Mâncio Lima Marechal Thaumaturgo Tarauacá

Municípios destacados na matéria da OPIRJ como áreas de implantação dos NIGIs. A localização das aldeias não está indicada ponto a ponto.

Gestão territorial no Juruá

A entrega começa antes da inauguração

Móveis, materiais, equipamentos e estruturas de apoio saem por estrada e rio para dar forma aos Núcleos Indígenas de Gestão Integrada e aos tanques manuais nas Terras Indígenas do Juruá.

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  • Mâncio Lima: Território Nukini e Território Puyanawa.
  • Tarauacá: Terra Indígena Rio Gregório.
  • Marechal Thaumaturgo: Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia e Kuntanawa.
3 municípios aparecem como áreas de implantação dos Núcleos Indígenas de Gestão Integrada.
6 territórios são citados na etapa de estruturação dos NIGIs pela OPIRJ.
4 Terras Indígenas recebem equipamentos e materiais para tanques manuais.

O que chega aos territórios

Segundo a OPIRJ, os NIGIs foram pensados como espaços multifuncionais para reuniões, formações, planejamento e articulação institucional. Cada núcleo reúne salas de reunião e capacitação, escritório com computador e internet, mobiliário, materiais de escritório, área para armazenamento da produção comunitária e cozinha equipada.

Mâncio Lima Territórios Nukini e Puyanawa entram na rota dos NIGIs, com estruturas voltadas à organização local e à gestão comunitária.
Tarauacá A Terra Indígena Rio Gregório aparece entre os territórios contemplados na implantação dos núcleos.
Marechal Thaumaturgo Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia e Kuntanawa concentram entregas no Alto Juruá.
1

Compra e separação

Móveis, equipamentos e materiais são organizados conforme as demandas de cada território.

2

Transporte pelo rio

Parte das entregas segue em embarcações, com materiais chegando às comunidades por via fluvial.

3

Montagem dos espaços

Os NIGIs passam a reunir infraestrutura para reuniões, formações e decisões coletivas.

4

Produção e vigilância

Tanques manuais, casas de passagem e casas de vigilância ampliam a proteção territorial e a segurança alimentar.

Equipe descarrega móveis e materiais de uma embarcação no Rio Juruá.
Equipe descarrega móveis e materiais: a estruturação dos núcleos depende de uma logística que atravessa rios e comunidades.
Embarcação transporta tubos e equipamentos para as entregas em territórios indígenas.
Materiais para tanques manuais seguem por via fluvial.
Estrutura de madeira construída no território Arara do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo.
Estrutura no território Arara do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo.
Grupo posa diante de uma estrutura de madeira construída no âmbito das ações de gestão territorial.
Estruturas específicas, como casas de passagem e vigilância, são construídas conforme a demanda de cada povo.

Para que serve: os NIGIs funcionam como base de organização dos territórios, com condições para reuniões, oficinas, planejamento, articulação com parceiros e tomada de decisão coletiva. A ação integra o projeto Gestão Territorial OPIRJ, apoiado pelo Fundo Amazônia.

Fonte: OPIRJ. Malha municipal usada no mapa: IBGE.

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Povos Indígenas

Liderança Yawanawa relata enchente fora de época na Terra Indígena do Rio Gregório e pede apoio

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A liderança indígena Tashka Yawanawá afirmou que a Terra Indígena do Rio Gregório enfrenta, há três dias, uma grande alagação fora de época que atingiu todas as 18 aldeias localizadas ao longo do rio. No relato, ele descreve a cheia como um evento que foge do padrão esperado para este período do ano, quando a região costuma entrar na transição para o verão amazônico, com diminuição das chuvas e chegada das friagens.

“Nos últimos 3 dias, a Terra Indígena do Rio Gregório vem sendo atingida por uma grande alagação fora de época”, disse Tashka. Ele reforçou que a situação surpreende por ocorrer justamente em abril, mês tradicionalmente associado ao recuo das chuvas. “Em 2026, estamos presenciando um cenário oposto: uma enchente intensa, com a força do inverno amazônico em pleno vigor”, afirmou.

Tashka listou perdas e danos que já se espalham pelo território, com impacto direto na produção de alimentos e na infraestrutura das comunidades. Entre as consequências, ele citou perda de roçados e plantações, destruição de criações como galinhas e porcos, danos e perdas de casas e estruturas comunitárias, prejuízos em barcos, motores e meios de transporte, danos em sistemas de energia solar e comprometimento de banheiros e estruturas básicas. Segundo a liderança, a enchente também afeta a segurança alimentar das aldeias, ao destruir áreas de plantio e reduzir recursos que sustentam as famílias.

Ao relacionar o episódio às mudanças no clima, Tashka afirmou que os povos indígenas estão entre os mais atingidos por eventos extremos. Diante do cenário, ele pediu apoio e solidariedade. “Solicitamos apoio e solidariedade de todos: instituições governamentais, organizações não governamentais, empresas privadas, parceiros e pessoas que possam contribuir neste momento difícil”, declarou.

A ajuda, segundo a liderança, pode ser direcionada à Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY), que ficará responsável por organizar e distribuir os recursos entre as aldeias atingidas. A mobilização busca garantir resposta imediata para recompor meios de transporte, recuperar estruturas e reduzir o risco de desabastecimento, enquanto as comunidades acompanham a evolução do nível do rio e calculam o tamanho das perdas.

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