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Política

Bolívia enfrenta protestos e paralisações após decreto que elevou preços dos combustíveis

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Menos de dois meses após a posse do novo governo, a Bolívia registra uma série de protestos, paralisações e bloqueios de estradas em reação ao decreto presidencial que extinguiu o subsídio aos combustíveis, em vigor havia cerca de 20 anos, provocando aumentos de até 160% no diesel e aproximadamente 86% na gasolina, segundo dados oficiais divulgados pelo próprio governo. As manifestações começaram em 22 de dezembro e são lideradas por sindicatos e movimentos sociais que pedem a anulação da medida, apontando impactos diretos sobre o custo de vida da população e sobre setores produtivos dependentes do transporte.

A norma, identificada como Decreto 5503, foi publicada em caráter excepcional e temporário, com 121 artigos que redefinem regras tributárias, administrativas e jurídicas. De acordo com o governo boliviano, o objetivo é enfrentar a crise econômica marcada por inflação, escassez de dólares e dificuldades no abastecimento de combustíveis, além de reequilibrar as contas públicas e estimular investimentos privados e exportações. Como medida compensatória ao aumento dos preços, o decreto estabeleceu reajuste de 20% no salário mínimo nacional.

A resposta nas ruas ganhou força com a adesão da Central Operária da Bolívia (COB), principal entidade sindical do país, que classificou o decreto como um pacote que transfere à população o peso da crise econômica. O secretário-executivo da COB, Mario Argollo, afirmou que a norma foi editada sem debate no Legislativo e que “vende o país” ao favorecer interesses privados, crítica reiterada em entrevistas concedidas a veículos internacionais. A central sindical convocou uma greve geral por tempo indeterminado, com apoio de categorias como professores e mineiros, ampliando o alcance das mobilizações.

Além das paralisações, o país registrou marchas, bloqueios de rodovias e episódios de greve de fome. Uma das principais mobilizações prevê uma marcha entre Calamarca e La Paz, onde sindicatos e representantes do governo têm reunião marcada para discutir o decreto. Paralelamente, o texto legal criou um procedimento acelerado para aprovação de projetos considerados estratégicos, com tramitação de até 30 dias, e instituiu um regime extraordinário para investimentos nacionais e estrangeiros, garantindo estabilidade jurídica e tributária por até 15 anos.

O decreto também proíbe novas contratações no serviço público, limita reajustes do funcionalismo e estabelece a possibilidade de livre negociação entre empregadores e trabalhadores, tanto em acordos individuais quanto coletivos. Para o governo, as mudanças são necessárias para garantir previsibilidade econômica e atrair capital; para os movimentos sociais, representam um redesenho profundo das relações entre Estado, mercado e trabalhadores.

O cenário político se tornou mais complexo com o apoio de setores da oposição às mobilizações, incluindo o vice-presidente Edman Lara, que rompeu com o presidente Rodrigo Paz. Em meio às disputas internas, o presidente editou um novo decreto autorizando-se a governar a partir do exterior durante viagens internacionais, evitando a transferência temporária do cargo ao vice.

Especialistas apontam que os desdobramentos das negociações entre governo e sindicatos, bem como a capacidade de manutenção das mobilizações, serão determinantes para o futuro do decreto e para a estabilidade política do país. O episódio ocorre em um contexto de transição após quase duas décadas de governos de esquerda na Bolívia, marcando um período de rearranjo político e econômico com repercussões diretas sobre a sociedade e o modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado.

Fonte: Agência Brasil

Política

Bocalom chega a Santa Rosa do Purus e inicia agenda em municípios de difícil acesso

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O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, iniciou nesta quarta-feira (15) uma nova rodada de agendas por municípios de difícil acesso do estado, com passagem por Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo. A viagem começou com a chegada a Santa Rosa do Purus, onde ele afirmou que pretende conversar com moradores, ouvir demandas locais e apresentar o projeto Produzir Para Empregar.

Bocalom viaja ao lado de Kelen Bocalom, pré-candidata a deputada federal, de Pedro Pascoal, pré-candidato a deputado federal, e de Emerson Leão, pré-candidato a deputado estadual. Nas redes sociais, o ex-prefeito de Rio Branco disse ter sido recebido em Santa Rosa do Purus por “um povo forte, trabalhador e cheio de esperança”.

A agenda marca uma nova etapa da pré-campanha de Bocalom ao governo estadual, com foco em regiões onde o acesso depende de logística mais complexa e onde os debates sobre infraestrutura, produção, saúde, transporte e geração de renda costumam ter peso direto na vida da população. “Sabemos dos desafios enfrentados por quem vive em uma região de difícil acesso, mas também vemos de perto a força e a determinação de quem acredita em um futuro melhor”, afirmou.

O discurso de Bocalom voltou a girar em torno da proposta de ampliar a produção como caminho para gerar empregos e desenvolver os municípios. “É uma alegria estar aqui para conversar, ouvir as pessoas e apresentar o projeto Produzir Para Empregar, que acredita no potencial de cada município para gerar desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida”, disse.

A visita ocorre no mesmo dia em que Bocalom elevou o tom contra os grupos que governaram o Acre nas últimas décadas. Em declaração publicada nesta quarta-feira, o pré-candidato afirmou que é preciso “salvar o Acre” e que a população “não aguenta mais os governos dos últimos 30 anos”. A fala reforça a estratégia de se apresentar como alternativa ao atual ciclo político estadual.

Nos últimos meses, Bocalom tem intensificado viagens, reuniões e encontros com lideranças locais depois de deixar a Prefeitura de Rio Branco para disputar o governo. A agenda em Santa Rosa do Purus, Jordão e Marechal Thaumaturgo amplia a presença do pré-candidato no interior e busca aproximar sua plataforma política das demandas dos municípios isolados.

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Direto ao ponto

CZS, 197 votos em um novo palanque

Quem é, afinal, a grande liderança do Juruá?

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Cruzeiro do Sul é uma cidade singular. É a capital do Juruá, o segundo maior colégio eleitoral do Acre e um território que costuma exercer papel decisivo na política estadual. Foi nesse cenário que, em 2024, acompanhei de perto uma das eleições municipais mais disputadas da história recente do município.

Vi o esforço das pessoas, a mobilização das lideranças, a militância nas ruas e a construção de uma frente política ampla. Por isso, ao observar o cenário atual, às portas de uma nova eleição estadual, é impossível não questionar o significado das escolhas que estão sendo feitas.

Zequinha Lima foi reeleito com 24.478 votos, equivalentes a 50,20% dos votos válidos. Jéssica Sales recebeu 24.281 votos, ou 49,80%. A diferença foi de apenas 197 votos. Não foi uma vitória folgada, individual ou construída isoladamente. Foi uma vitória coletiva, alcançada no limite e decidida por uma margem menor do que a população de muitas comunidades rurais de Cruzeiro do Sul.

Agora, em 29 de junho de 2026, Zequinha anunciou apoio ao senador Alan Rick na disputa pelo governo do Acre. Com isso, afastou-se do projeto eleitoral da governadora Mailza Assis, embora ambos filiados ao Progressistas. Zequinha afirmou que Alan representa o melhor projeto para o estado, alegou que vinha sofrendo tentativas de isolamento e declarou que não recebeu de Mailza o mesmo respeito que teria oferecido a ela. Ao mesmo tempo, manteve seu apoio a Gladson Cameli para o Senado.

Todo agente político possui liberdade para mudar de posição. Lealdade democrática não significa obediência cega, submissão permanente ou impossibilidade de discordar. O problema não está apenas em mudar de caminho. Está em esclarecer por que o caminho anterior, apresentado ao eleitor como uma união em defesa de Cruzeiro do Sul, deixou de ser adequado menos de dois anos depois da eleição.

A justificativa de que determinado candidato representa “o melhor projeto” é insuficiente quando não vem acompanhada de propostas, compromissos públicos e resultados esperados para a população.

Na política, gratidão não pode significar dependência eterna. Mas também não pode ser tratada como uma palavra descartável depois que a eleição termina.

Quem vence por apenas 197 votos precisa reconhecer que cada apoio foi determinante. Nenhuma liderança, partido, militante ou profissional pode reivindicar sozinho a propriedade daquela vitória. Da mesma maneira, o prefeito não pode ser tratado como propriedade do grupo que o apoiou.

Existe, porém, uma diferença entre independência e apagamento da história.

A autonomia política permite que Zequinha escolha outro palanque. A responsabilidade pública exige que ele reconheça as mãos que ajudaram a sustentá-lo quando sua reeleição estava ameaçada. Confiança não se rompe apenas quando alguém muda de candidato. Rompe-se principalmente quando as razões da mudança não são apresentadas com clareza suficiente.

A ironia política é evidente: a candidata derrotada por Zequinha passou a ocupar espaço justamente no grupo do qual o prefeito decidiu se afastar.

Enquanto as lideranças organizam seus palanques, a população continua avaliando ruas, unidades de saúde, escolas, limpeza pública, ramais e serviços básicos.

Reportagens locais vêm registrando reclamações sobre infraestrutura urbana, manutenção das vias e diferença entre anúncios e entregas. Esses registros não substituem uma pesquisa completa de opinião pública, mas mostram que existe cobrança social e que ela não pode ser ignorada.

Os 197 votos de diferença demonstram que quase metade do eleitorado preferia outra administração. Isso, por si só, deveria impor humildade, diálogo permanente e atenção redobrada às cobranças da sociedade.

Quem é, afinal, a grande liderança do Juruá?

Parte da imprensa política local apresenta Gladson Cameli como a principal liderança regional e atribui a ele papel decisivo na reta final da eleição de 2024. Sua participação foi relevante, mas a vitória de Zequinha Lima não pode ser creditada a uma única liderança. A campanha reuniu a então vice-governadora Mailza Assis, deputados federais e estaduais, entre eles Clodoaldo Rodrigues, Pedro Longo e Nicolau Júnior, além da vice Delcimar Leite, de Valéria Lima (eleita a vereadora mais votada do município) e de uma extensa rede de aliados dos setores político, empresarial e religioso, bem como lideranças comunitárias de bairros, ramais e comunidades. A lista de apoios é ampla e praticamente interminável, o que reforça um fato incontestável: a vitória foi resultado de uma construção coletiva, e não da força isolada de qualquer liderança.

Por fim, pude constatar, sem recorrer ao clichê, que a maior liderança do Juruá é o próprio eleitorado. Foram os eleitores que decidiram a eleição por uma diferença de apenas 197 votos. São eles que utilizam os serviços públicos, enfrentam diariamente os problemas da cidade e arcam com as consequências das alianças e das rupturas políticas. Lideranças passam por partidos, mudam de palanque e organizam seus interesses. A população permanece.

Zequinha tem o direito de escolher seu palanque. A população tem o direito de perguntar quais compromissos, interesses e projetos estão por trás dessa escolha. E, principalmente, tem o direito de decidir se o novo caminho representa Cruzeiro do Sul ou apenas só uma movimentação no tabuleiro eleitoral.

Por isso, o debate não deve ser apenas sobre quem Zequinha apoiará em 2026. A questão central é saber se ele está honrando a confiança recebida em 2024.

A política permite novos caminhos. Mas lealdade, compromisso, transparência, confiança e gratidão exigem que ninguém apague as pontes depois de atravessá-las.

Aos pré-candidatos e aos que já se consideram eleitos, fica o lembrete: todos têm a sua chance. Entre traídos, traidores, promessas e interesses, existe uma força maior, o povo. E, no fim, é o povo quem decide.

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Direto ao ponto

2026 já está decidido. As urnas ainda não sabem

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Só esqueceram de combinar com o eleitor.

Todo ciclo eleitoral tem suas etapas. Há a das filiações, a das pesquisas, a das convenções e, antes de todas elas, a mais divertida: a temporada dos profetas eleitorais.

É quando surgem as análises definitivas, as sentenças irrefutáveis e as certezas absolutas sobre uma eleição que ainda nem começou de verdade. Basta um café, uma roda de conversa ou um artigo mais inspirado para decretar: “a eleição será decidida em Cruzeiro do Sul.” Ainda mais quando decisões recentes entram no roteiro, como o anúncio de apoio de Zequinha Lima a Alan Rick e as movimentações que colocam Jéssica Sales como provável vice na chapa de Mailza, como se essas definições fossem suficientes para encerrar o debate antes mesmo de ele começar.

Será?

Cruzeiro do Sul é, sem dúvida, um dos maiores colégios eleitorais do Acre. Tem peso político, tradição e lideranças influentes. Mas reduzir o resultado de uma eleição à vontade de um único município é uma simplificação que nem a matemática eleitoral consegue explicar.

Aliás, se a tese estiver correta, surge um pequeno problema: quem exatamente influencia e decide em Cruzeiro do Sul? Zequinha Lima e Jéssica Sales?

E Nicolau Júnior? E Gladson Cameli? E Delcimar Leite? E Clodoaldo Rodrigues?

E a vereadora Valéria Lima, a mais votada da última eleição municipal? E o presidente da Câmara, Elter Nóbrega? Eles deixaram de influenciar o eleitorado? Ou simplesmente desapareceram porque alguém resolveu resumir a política de Cruzeiro do Sul a um ou dois sobrenomes?

A verdade é que Cruzeiro do Sul não tem uma única liderança. Tem um alfabeto inteiro delas. Deputados, vereadores, ex-parlamentares, lideranças comunitárias, empresariais, religiosas e políticas formam um mosaico que nunca coube em uma manchete.

Quem enxerga apenas uma letra provavelmente ainda não aprendeu a ler a política do Juruá.

E isso vale para qualquer município do Acre. Toda eleição produz a tentação de encontrar um “dono” dos votos, um “grande eleitor” ou um atalho para explicar o comportamento do eleitorado. Mas a política real é muito menos conveniente do que as teorias prontas.

As eleições de 2026 não serão decididas por um artigo, por uma pesquisa isolada, por uma roda de conversa ou pela vontade de um único grupo político. Serão decididas nas urnas, voto a voto, em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Tarauacá, Brasileia, Feijó, Xapuri, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e em todos os demais municípios acreanos.

Existe um detalhe que continua escapando a todas as profecias: o eleitor acreano não usa cabresto, não gosta de “já ganhou” e costuma reagir mal a qualquer tentativa de traição ou imposição.

Até lá, os profetas continuarão fazendo previsões. Faz parte do jogo. Só esqueceram de combinar com o eleitor.

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