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Cultura

Cadastro cultural: Governo quer identificar fazedores de cultura do Acre

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O governo do Acre, através da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), anunciou o lançamento do Cadastro Cultural, uma iniciativa que visa mapear e identificar os diversos agentes e fazedores de cultura que atuam no estado. A medida tem como objetivo principal subsidiar a criação e implementação de políticas públicas mais efetivas e adequadas às necessidades da classe artística local.

O Cadastro Cultural é uma ferramenta digital acessível via site oficial da FEM, onde os artistas e profissionais ligados ao movimento cultural poderão preencher um formulário específico para cada segmento em que atuam. Caso o indivíduo esteja envolvido em mais de uma área cultural, será necessário preencher formulários separados para cada segmento, garantindo uma identificação precisa e abrangente de suas atividades.

“Estamos unidos pela Cultura, e esperamos que todos cadastre-se, assim vamos fortaleça a identidade cultural do Acre” Minoro Kinpara

Segundo o presidente da FEM, Minoru Kinpara, o cadastro se torna essencial para que o governo compreenda a realidade e a diversidade cultural presente em todo o território acreano. “Precisamos desse mapeamento dos fazedores de cultura em todo o estado, para que possamos trabalhar dentro da nossa realidade”, enfatiza Kinpara.

Ao coletar informações sobre os diferentes setores culturais presentes na região, o governo busca obter um panorama abrangente e detalhado das demandas e necessidades específicas de cada segmento. Dessa forma, será possível elaborar políticas públicas mais adequadas, que contemplem e incentivem a diversidade cultural, a preservação do patrimônio histórico e a promoção de atividades artísticas.

Além disso, o Cadastro Cultural pode se tornar uma importante ferramenta de fomento à cultura no estado, uma vez que possibilitará o mapeamento de projetos culturais já existentes, bem como a identificação de novos talentos e iniciativas que poderão ser apoiadas e difundidas pelo governo e instituições culturais.

O cadastro pode ser realizado através do site oficial da FEM e preencher o formulário com a maior quantidade de informações possível, garantindo que o diagnóstico da classe artística seja o mais completo e representativo possível.

A expectativa é que o governo do Acre esteja mais preparado para promover ações culturais significativas e estruturar políticas que valorizem e fortaleçam o cenário artístico do estado, contribuindo para a preservação e enriquecimento da rica cultura acreana.

Link do cadastro: Clique no link para acesso ao cadastro

Cultura

Angela Davis critica gentrificação em Paraty e cita intelectuais brasileiras na Flip 2026

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A filósofa, escritora e ativista norte-americana Angela Davis criticou a gentrificação e o racismo ambiental em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, durante uma participação na programação paralela da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. O encontro gratuito ocorreu no sábado, 25 de julho, no Sesc Caborê, em uma conversa mediada pela jornalista Flávia Oliveira.

A atividade coincidiu com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e com o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Diante do público, Angela relacionou a história de Paraty ao período da escravização e afirmou que a luta pela liberdade da população negra também passa pela música, pela arte e pela literatura.

A ativista disse ter ouvido moradores e jovens preocupados com as mudanças econômicas e ambientais na região. Ela criticou iniciativas que valorizam determinadas áreas, elevam o custo de vida e afastam famílias pobres dos territórios onde vivem há gerações.

“Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty. E também sobre o racismo ambiental”, afirmou. Angela declarou que a busca por lucro tem provocado a retirada de moradores de terras ligadas à história de seus antepassados.

Durante a conversa, a filósofa defendeu que a literatura não seja tratada apenas como expressão artística, mas também como instrumento de mobilização social. Para ela, livros, músicas e outras manifestações culturais alcançam dimensões que nem sempre aparecem no debate político tradicional.

Angela Davis também homenageou a escritora mineira Conceição Evaristo, que acompanhava o encontro na plateia. Ela comparou a importância da autora brasileira à da cantora Nina Simone e da escritora Toni Morrison, primeira mulher negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1993.

Ao falar sobre a “escrevivência”, conceito desenvolvido por Conceição Evaristo a partir das experiências e narrativas de mulheres negras, Angela lembrou que o reconhecimento do direito de pessoas negras contarem as próprias histórias ocorreu após um longo processo de luta.

A pesquisadora brasileira Beatriz Nascimento também foi citada. Angela relacionou a expressão “eu sou atlântica”, usada pela intelectual, à construção de vínculos entre populações negras de diferentes países e continentes. Ela contou que sua própria formação política ganhou força quando conheceu a luta dos argelinos contra a repressão na França.

Outro nome lembrado foi o da antropóloga e ativista Lélia Gonzalez. Angela elogiou o conceito de amefricanidade, que conecta as experiências de populações negras e indígenas nas Américas. Para ela, a luta contra o racismo não pode ser separada da crítica ao capitalismo e à exploração dos recursos naturais.

A ativista afirmou que a concentração de riqueza nas mãos de bilionários e trilionários amplia a desigualdade e ameaça o futuro do planeta. Segundo Angela, o modelo econômico transforma terras, recursos ambientais e pessoas em fontes de lucro, sem considerar as consequências sociais.

A ascensão de governos autoritários na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina também entrou na conversa. Angela declarou que movimentos populares precisam impedir o avanço de candidatos ligados ao fascismo e mencionou as eleições brasileiras de 2026.

A redução da jornada de trabalho foi apresentada como uma medida capaz de garantir aos trabalhadores mais tempo para o descanso, o lazer e o acesso à cultura. Angela também lembrou as mudanças ocorridas nas universidades brasileiras desde suas primeiras visitas ao país, quando havia poucos estudantes negros no ensino superior.

Ela reconheceu o impacto das políticas que ampliaram o acesso da população negra às universidades, mas afirmou que as conquistas não encerram a luta contra as desigualdades raciais.

Ao recordar o período em que esteve presa nos Estados Unidos, Angela atribuiu sua libertação à mobilização internacional. Perseguida por sua atuação política, ela foi acusada de conspiração, sequestro e homicídio e chegou a enfrentar a possibilidade de pena de morte, antes de ser absolvida.

Angela disse que a experiência na prisão e a convivência com outras mulheres encarceradas mudaram sua trajetória acadêmica e política. Para ela, a mobilização de pessoas em diferentes países mostrou que a ação coletiva pode impedir violações praticadas por autoridades.

A filósofa também falou sobre sua defesa da Palestina, iniciada na década de 1960. Ela afirmou que mudanças na opinião pública mundial, antes consideradas improváveis, mostram que situações políticas aparentemente permanentes podem ser transformadas.

A violência contra as mulheres foi outro tema abordado. Angela defendeu que o debate inclua, além das agressões domésticas, a violência policial, o encarceramento e outras ações praticadas pelo Estado. Ela afirmou que mulheres negras e mulheres trans negras estão entre os grupos mais atingidos.

Angela ainda homenageou a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e agradeceu sua contribuição para a luta por direitos. Ela também mencionou o trabalho de Anielle Franco na continuidade do legado da irmã.

O encontro estava previsto para contar com a presença do escritor nigeriano Wole Soyinka, primeiro africano a receber o Nobel de Literatura, mas ele não participou por questões de saúde. A Flip 2026 terminou neste domingo, 26 de julho.

Fonte e foto: Agência Brasil

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Cultura

Hip hop avança no Congresso como manifestação da cultura nacional

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O hip hop deu mais um passo para entrar formalmente na lista de manifestações reconhecidas como parte da cultura nacional. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 15 de julho, em Brasília, o Projeto de Lei 3839/24, que dá esse status ao movimento e envia a proposta para análise do Senado.

A aprovação muda o tratamento legislativo dado ao tema. Em vez de limitar o hip hop a um gênero musical, o texto reconhece o movimento como expressão cultural ampla, formada por linguagem artística, identidade coletiva e atuação social. A alteração foi feita no substitutivo apresentado pelo deputado Inácio Arruda, do PCdoB do Ceará, relator da proposta em plenário.

O projeto é de autoria do deputado Pastor Henrique Vieira, do Psol do Rio de Janeiro. A proposta reconhece o hip hop a partir de seus cinco elementos mais conhecidos: DJ, breaking, MC, grafite e conhecimento. A redação também reforça a presença do movimento nas periferias urbanas e sua ligação com jovens negros, comunidades populares e espaços de criação coletiva.

No debate em plenário, Inácio Arruda comparou o caminho do hip hop ao de outras manifestações culturais que passaram de expressões marginalizadas a referências da arte brasileira. “O hip hop tem uma relação direta com o repente e com manifestações que, antes, não eram reconhecidas e foram reconhecidas por força da sua presença na cultura e na arte do povo brasileiro”, afirmou.

Pastor Henrique Vieira defendeu que o reconhecimento nacional também tem peso simbólico para artistas, coletivos e batalhas de rima que ainda enfrentam resistência em diferentes cidades. “Muitas rodas de rima no meu estado, o Rio de Janeiro, convivem com o preconceito e a falta de estrutura, de valorização e de visibilidade”, disse. “Aprovar o hip hop como manifestação da cultura nacional é mudar essa chave”.

O parlamentar lembrou que o hip hop nasceu nos anos 1970 em comunidades afro-americanas e latinas de Nova York, especialmente no Bronx. No Brasil, a cultura ganhou força nos anos 1980, com encontros de jovens em São Paulo, em locais como a Rua 24 de Maio e a estação São Bento do metrô, pontos que ajudaram a consolidar a cena nacional.

A sessão também teve homenagem ao rapper e ativista cultural Rivas Alves, o Rivas Álibi, morto na semana passada em Brasília, aos 56 anos, em decorrência de câncer. O deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB do Distrito Federal, lembrou a trajetória do artista e sua participação na criação da Casa do Hip Hop de Ceilândia.

Com a aprovação na Câmara, o texto ainda depende de votação no Senado. Se passar pelos senadores e for sancionado, o hip hop terá reconhecimento legal como manifestação da cultura nacional.

Fonte e foto: Agência Brasil

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Cultura

Justiça extingue ação do Bloco 6 É D+ sobre resultado do Carnaval de Rio Branco

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A Justiça do Acre extinguiu a ação movida pelo Bloco 6 É D+ para rever o resultado do concurso de blocos do Carnaval 2026 de Rio Branco. A decisão manteve a discussão na esfera administrativa e afastou a possibilidade de o Judiciário substituir a comissão responsável pela apuração e aplicação das regras do desfile.

O caso começou após a divulgação do resultado da competição. O 6 É D+ chegou a ser anunciado como campeão, mas o Unidos do Fuxico apresentou recurso à Fundação Garibaldi Brasil e à Comissão do Carnaval. Após a análise do pedido, a organização alterou a classificação e reconheceu o Unidos do Fuxico como vencedor da disputa.

A mudança provocou reação do 6 É D+, que contestou a decisão administrativa e alegou falhas no procedimento, principalmente pela falta de oportunidade para apresentar defesa antes da alteração do resultado. A agremiação também questionou a penalidade ligada ao carro alegórico e sustentou que não houve atraso nem prejuízo para os demais blocos.

Na avaliação judicial, a revisão da pontuação, dos critérios do edital e da atuação da comissão julgadora não deve ser feita pelo Judiciário quando não houver ilegalidade evidente capaz de justificar intervenção. Com isso, a ação foi encerrada sem mudança no resultado definido pela organização do Carnaval.

A disputa marcou a apuração do Carnaval 2026 em Rio Branco. O impasse envolveu a Fundação Garibaldi Brasil, a comissão organizadora, o Bloco 6 É D+ e o Unidos do Fuxico, que passou a ser reconhecido oficialmente como campeão depois do recurso administrativo.

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