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Carlos Parkinson destaca governança e logística como pilares para integração pan-amazônica durante seminário TXAI

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Durante o painel Cooperação para o desenvolvimento da bioeconomia pan-amazônica: rota de integração regional e internacional, no Seminário Internacional TXAI Amazônia, o diplomata João Carlos Parkinson de Castro defendeu que a construção de corredores logísticos entre o Brasil e países vizinhos precisa ser sustentada por governança sólida e planejamento de longo prazo. “Sem governança, os esforços se diluem”, afirmou o coordenador nacional dos corredores rodoviários e ferroviários bioceânicos do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Parkinson apresentou o modelo de gestão implantado no Corredor Bioceânico que liga o Centro-Oeste brasileiro ao norte do Chile, como referência para o Acre. Ele sugeriu a criação de uma estrutura de governança com múltiplos atores — governos locais, federais, sociedade civil, universidades e setor privado — e ressaltou a importância de um repositório de informações, com dados públicos sobre projetos, prioridades e negociações internacionais. “Um dos erros cometidos no passado foi planejar infraestrutura sem ouvir as comunidades”, destacou.

Ao analisar os gargalos logísticos da Amazônia, Parkinson defendeu soluções multimodais e mais eficientes, como ferrovias e hidrovias, em detrimento da atual dependência rodoviária. Ele citou que o Brasil gasta cerca de 17% do PIB com logística, quase o triplo do padrão da OCDE. “O foco hoje em Brasília não é mais só construir estrada, é reconfigurar a logística. E as regiões de fronteira, como o Acre, têm que estar no centro disso”, afirmou.

Em tom otimista, o diplomata reforçou que a integração com o Pacífico é irreversível e necessária diante do peso crescente da Ásia no comércio exterior brasileiro. Segundo ele, em 1991 o Brasil exportava US$ 1 bilhão por ano para a China. Em 2024, esse mesmo valor é exportado a cada três dias. “Não é só a China. Em 2023, exportamos mais para Vietnã e Indonésia do que para Reino Unido e França”, acrescentou.

A bioeconomia no centro do debate

O painel também aprofundou o debate sobre como essas rotas de integração podem — ou não — impulsionar a bioeconomia. A pesquisadora Marta Cerqueira Melo criticou a ausência da bioeconomia como prioridade nas estratégias de infraestrutura. “Hoje, ela é um efeito colateral das rotas pensadas para commodities. Para mudar isso, é preciso que conste nos objetivos estratégicos da integração”, pontuou.

Já o secretário de Planejamento do Acre, Ricardo Brandão, apresentou iniciativas do governo estadual para reposicionar o estado frente ao Pacífico e às novas dinâmicas geopolíticas. Ele citou a criação de núcleos de integração de fronteira, o plano estratégico Acre 10 anos e articulações com governos subnacionais do Peru e Bolívia. “Estamos diante de uma janela de oportunidade. A pergunta é: queremos ser apenas rota de passagem ou corredor de desenvolvimento?”, provocou.

O mediador Marky Brito, diretor de desenvolvimento regional da SEPLAN/AC, abriu o painel com dados sobre a Pan-Amazônia: 77% da área está coberta por florestas e 85% por vegetação natural. Ele chamou atenção para os riscos socioambientais dos grandes projetos e defendeu planejamento integrado e visão de longo prazo. “Governança é a palavra-chave. Precisamos pensar onde queremos estar em 30 anos.”

As discussões abordaram também os impactos das mudanças climáticas sobre as rotas tradicionais de comércio, como o Canal do Panamá, a presença estratégica da China na região — com obras como o Porto de Chancay e projetos ferroviários — e a necessidade de contenção dos danos sociais e ambientais por meio de pactos regionais e cooperação internacional.

Encerrando sua fala, Parkinson reforçou que “nenhum corredor é só para soja ou minério. A diversidade da Amazônia exige contenção, transformação, valor agregado e conexão com mercados verdes”. E concluiu: “Não é mais possível pensar em integração sem pensar em bioeconomia.”

Cultura

Alysson Bestene lança 18º Circuito Junino de Rio Branco com investimento de R$ 600 mil

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O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, lançou nesta segunda-feira, 1º de junho, o 18º Circuito Junino da capital com investimento de R$ 600 mil para estrutura, organização e realização da programação de 2026. A abertura marca o início do calendário oficial das festas juninas no município, com expectativa de movimentar grupos culturais, artistas, ambulantes e o comércio local ao longo de junho.

O circuito terá duas etapas principais. A primeira será realizada entre os dias 12 e 14 de junho, na Praça da Revolução. A fase final está marcada para os dias 19, 20 e 21 de junho, no Quadrilhódromo, espaço tradicional das apresentações juninas em Rio Branco.

Durante o lançamento, a prefeitura reforçou que o evento faz parte da política de incentivo à cultura popular e ao fortalecimento das quadrilhas juninas da capital. A proposta é garantir estrutura para os grupos, ampliar a participação do público e manter uma das manifestações culturais mais tradicionais do calendário acreano.

Além das apresentações, o circuito também deve concentrar disputa entre quadrilhas, programação artística e ações voltadas ao público que acompanha os festejos. A expectativa da organização é de que a edição deste ano repita a mobilização registrada em anos anteriores e fortaleça a cadeia econômica ligada aos arraiais.

Com o aporte confirmado, a gestão municipal aposta no circuito como vitrine da cultura popular de Rio Branco e como um dos principais eventos do mês de junho na cidade.

Fotos: Sérgio Vale

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Economia e Empreender

São João amplia espaço para pequenos negócios e impulsiona vendas em todo o país

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As festas de São João abriram uma nova temporada de oportunidades para pequenos negócios em várias regiões do país, com impacto que vai da venda de comidas típicas ao turismo de experiência, moda, decoração, fotografia, papelaria e serviços de beleza. O período junino, que se estende até o fim de julho em muitos destinos, virou uma vitrine para empreendedores ampliarem faturamento, ganhar visibilidade e se conectar com o público em torno da cultura popular brasileira.

O movimento ocorre em um cenário de forte circulação de dinheiro. Os festejos juninos movimentaram cerca de R$ 7,4 bilhões em 2025, segundo estimativas citadas na cobertura. A avaliação é que o peso econômico do calendário vai além das barraquinhas tradicionais e alcança cadeias ligadas a turismo, economia criativa, alimentação, vestuário e experiências culturais. O consumidor tem buscado cada vez mais vivências completas, ligadas à memória afetiva, à autenticidade e à identidade local.

Em Campina Grande, um dos principais polos juninos do país, a empresária Albaniza Farias aposta nesse filão com o Ônibus do Forró, roteiro turístico que reúne transporte, música e interação cultural para oferecer ao visitante uma imersão no ambiente da festa. Na mesma cidade, a microempreendedora Edileuza de Almeida relatou aumento de 50% no faturamento com a produção de roupas e acessórios para quadrilhas, em uma demanda que começou a crescer meses antes da abertura oficial da temporada.

A orientação para 2026 é que os empreendedores se antecipem. Entre as recomendações estão a revisão de estoque, a organização da operação, o reforço da presença digital, a ambientação temática e a formação de parcerias entre pequenos negócios para ampliar alcance e vendas. A coincidência entre o calendário junino e o período da Copa do Mundo deste ano também deve exigir mais planejamento de bares, restaurantes, comércios e serviços voltados ao público das festas.

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Economia e Empreender

FMI aponta resiliência da economia brasileira e estima PIB de 2,5% no médio prazo

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O Fundo Monetário Internacional afirmou nesta segunda-feira que a economia brasileira mantém capacidade de resistência diante de choques externos e projetou crescimento de 2,5% no médio prazo. A avaliação foi divulgada após a missão técnica do organismo ao país e ocorre em um cenário de incertezas internacionais, inflação ainda pressionada e juros em trajetória de ajuste.

Na análise do Fundo, o Brasil atravessa o atual ambiente global em posição relativamente favorável por causa do peso das exportações de petróleo e da forte presença de fontes renováveis na matriz elétrica. Esse quadro ajuda a reduzir parte do impacto provocado pela alta dos preços internacionais de energia, embora os riscos para a atividade econômica ainda permaneçam no radar.

O organismo também avaliou que a inflação desacelerou no começo de 2026, mas voltou a sofrer pressão com o encarecimento da energia no mercado externo. Nesse contexto, considerou adequados os cortes de juros adotados recentemente pelo Banco Central, ao mesmo tempo em que defendeu cautela na condução da política monetária até que os índices de preços se aproximem da meta.

Na área fiscal, o FMI voltou a defender medidas para melhorar a trajetória da dívida pública, com reforço de receitas, preservação de ganhos extraordinários e revisão de rigidezes no orçamento. Para a instituição, esse conjunto pode reduzir o custo de financiamento do país e abrir espaço para investimentos em áreas consideradas prioritárias.

O relatório ainda aponta que o avanço de reformas estruturais, a ampliação de acordos comerciais e a agenda de transição ecológica podem elevar a produtividade e dar sustentação a um ciclo de crescimento mais duradouro. A leitura do Fundo é que, apesar das pressões no curto prazo, o país reúne condições para manter estabilidade e ampliar o ritmo de expansão nos próximos anos.

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Tendência