A comunicação política já não passa apenas por palanques, entrevistas, rádio e televisão. Nos últimos anos, setores da direita ocuparam com força redes sociais, canais de vídeo e aplicativos de mensagem, criando uma relação direta com suas bases e influenciando o debate público fora dos espaços tradicionais da imprensa. Diante desse cenário, lideranças do campo progressista passaram a investir mais em podcasts, lives e plataformas digitais, não apenas para marcar presença, mas para tentar disputar interpretação, audiência e vínculo social em um território onde a ausência também tem custo político.
No Acre, o ex-governador Jorge Viana estreou o “Aqui Tem Acre Cast”, projeto em formato de podcast que pretende discutir temas ligados à história recente do estado, aos desafios atuais e às perspectivas para o futuro.
O primeiro episódio foi ao ar no YouTube e contou com a participação do ex-governador Binho Marques, do jornalista Toinho Alves e da jornalista Marcela Jansen. A conversa abordou temas como política, desenvolvimento, educação, saúde, juventude, economia e os caminhos possíveis para o Acre nos próximos anos.
A iniciativa acompanha uma mudança na forma como figuras públicas se comunicam com a população. Em vez de depender apenas dos espaços tradicionais da imprensa, podcasts e canais próprios têm permitido conversas mais longas, com menos interrupções e maior liberdade para contextualizar temas complexos.
Apesar do potencial desses formatos, a simples presença nas plataformas digitais não garante, por si só, ampliação real de audiência nem construção de influência política. Um dos riscos é transformar podcasts, lives e canais próprios em espaços de reafirmação, voltados quase exclusivamente para quem já acompanha, concorda ou faz parte do mesmo campo político. Nesse caso, o formato muda, mas a lógica continua antiga: fala-se muito, escuta-se pouco e a comunicação passa a circular dentro da própria bolha.
Esse debate é recorrente entre profissionais da comunicação política. Marcelo Vitorino, especialista em marketing político digital, costuma chamar atenção para o equívoco de tratar a internet apenas como um novo canal para distribuir mensagens antigas. A crítica é pertinente: no ambiente digital, não basta levar para as redes o mesmo discurso pensado para televisão, palanque ou reunião política. É preciso adaptar linguagem, ritmo, público, território e forma de circulação.
Na mesma direção, o publicitário Juarez Guedes tem defendido que presença e relacionamento são elementos centrais para gerar validação social. A presença digital, portanto, só ganha sentido quando constrói conexão. Estar no YouTube, no Instagram ou em qualquer outra plataforma não significa, necessariamente, dialogar com a sociedade. Pode significar apenas falar para os mesmos grupos, com os mesmos argumentos e para uma audiência que já está previamente convencida.
Em recente publicação em suas redes sociais, o marqueteiro Zé Américo resume bem esse desafio: “O que ganha eleição é transformar história em confiança, experiência em solução e presença em voto.” No contexto da comunicação digital, a ideia ajuda a separar visibilidade de influência. Um podcast pode registrar memória, organizar narrativas e apresentar ideias, mas só se torna politicamente relevante quando consegue traduzir trajetória em confiança, experiência em resposta concreta e presença em vínculo real com o público.
A crítica, portanto, não diminui a importância dos podcasts e canais próprios. Ao contrário, reforça que esses espaços podem ser relevantes quando não se limitam à autopromoção ou à defesa de trajetórias pessoais. Para alcançar públicos mais amplos, é preciso combinar conteúdo, escuta, linguagem, cortes, distribuição, presença nas redes e capacidade de falar também com quem não acompanha diariamente o debate político. No ambiente digital, curtida não é voto, visualização não é adesão e engajamento, sozinho, não garante construção de reputação. Essa distinção entre métrica de rede e força política real também aparece em análises recentes sobre campanhas que confundem produção de conteúdo com comunicação política.
Durante o episódio, Jorge Viana e os convidados falaram sobre experiências de gestão, mudanças vividas pelo Acre nas últimas décadas e questões que continuam presentes no cotidiano da população. A proposta do programa é reunir diferentes vozes para discutir o estado a partir de sua história, de seus problemas e de suas possibilidades.
O “Aqui Tem Acre Cast” está disponível no canal Jorge Viana Acre, no YouTube.
Alysson Bestene não é candidato ao Governo do Acre, mas seu apoio pode ser decisivo. Mais do que influenciar o resultado imediato da disputa, as escolhas que ele fizer agora poderão definir o espaço político que ocupará nos próximos anos.
Na política, nem sempre quem tem a melhor carta está sentado na ponta da mesa. Às vezes, o personagem mais valorizado da partida sequer disputa aquela eleição, mas pode decidir quem vence e quais serão as próximas jogadas.
No Acre de 2026, esse personagem pode ser Alysson Bestene.
Prefeito de Rio Branco e aliado de Tião Bocalom, Alysson lidera politicamente a cidade que concentra quase metade do eleitorado acreano. Por isso, sua posição pode ser decisiva no primeiro e, mais ainda, no segundo turno. Se Bocalom chegar à disputa final, não há mistério: Alysson estará com ele.
Mas, se Bocalom ficar fora? O prefeito se tornará um dos apoios mais cobiçados da eleição, para onde iria Alysson?
Sem Bocalom, os dois lados terão razões de sobra para desejar seu apoio. Não apenas pelo peso eleitoral da capital, mas também pela estrutura política, pelos vereadores, pelas lideranças e pela capacidade de mobilização que gravitam em torno da Prefeitura de Rio Branco.
Alysson não estará na urna, mas estará no centro da negociação política do segundo turno.
Só que ele também terá razões de sobra para pensar muito antes de escolher. Sua decisão não será apenas sobre quem governará o Acre a partir de 2027. Será também sobre qual grupo terá melhores condições de influenciar a sucessão municipal de 2028 e sobre qual espaço Alysson deseja e ocupará nesse processo.
Porque 2026 termina em 2028. No Acre, uma eleição puxa a outra e a estadual começa a desenhar a próxima disputa pela Prefeitura de Rio Branco.
Uma vitória de Alan Rick provavelmente fortaleceria a construção de um projeto próprio para a capital. Já se fala em Emerson Jarude e no “futuro” senador Gemil Junior como possíveis nomes desse campo político, e outros poderão surgir. Alan é jovem e, mantidas as regras atuais, se eleito governador, poderá buscar a reeleição. Isso significa potencialmente oito anos de protagonismo estadual e uma reorganização profunda das ambições políticas ao redor do Palácio Rio Branco.
Com Mailza, a lógica também seria de fortalecimento de um “novo grupo” no poder. Seu campo político possui quadros capazes de disputar a prefeitura da capital. Marcos Alexandre é um deles. Ney Amorim, outro. Nada indica, hoje, que Alysson seria naturalmente o candidato desse grupo em 2028.
É justamente aí que a escolha de Alysson ganha peso estratégico.
Para ele, não estará em jogo apenas quem governará o Acre. Estará em jogo também qual governador poderá oferecer melhores condições para que continue comandando Rio Branco, preserve sua influência e construa uma candidatura competitiva para 2028.
Com Bocalom governador, Alysson teria no Palácio Rio Branco um aliado cuja vitória ajudou a construir. Com Alan ou Mailza, terá pela frente um “novo grupo” no poder, com seus próprios candidatos e interesse direto em conquistar a prefeitura.
Por isso, Alysson é mais do que um apoiador. Ele pode ser decisivo no segundo turno de 2026 e, ao mesmo tempo, uma das peças centrais da sucessão municipal de 2028.
No baralho político acreano, três candidatos disputam hoje as cartas mais visíveis. Mas um dos ases de 2026 estará fora da urna.
O debate promovido pelo ac24horas cumpriu uma função importante: colocou frente a frente os principais candidatos ao Governo do Acre e trouxe para a discussão problemas que há anos desafiam o Estado.
Previdência, saúde, habitação, infraestrutura, produção e emprego apareceram com força.
Alan Rick assumiu uma postura de cobrança sobre a atual gestão. Mailza teve de responder pelos problemas e apresentar as ações do governo. Bocalom buscou sustentar sua experiência administrativa e sua proposta de produção e geração de emprego. Thor Dantas tentou se apresentar como alternativa e questionou principalmente a capacidade de investimento e planejamento do Estado.
O confronto faz parte da eleição. E perguntas difíceis precisam ser feitas.
Mas talvez o ponto mais importante do debate esteja justamente depois da pergunta.
Quando se fala em déficit da Previdência, por exemplo, não basta dizer que ele existe. O problema atravessa décadas e diferentes governos. É preciso explicar como será enfrentado, quanto custará, de onde virão os recursos e como preservar a capacidade do Estado de investir em outras áreas.
Na saúde ocorre o mesmo. Apontar filas, falta de especialistas ou dificuldades no atendimento é necessário. Mas a próxima pergunta deveria ser: qual é o plano, quanto custa e em quanto tempo pode produzir resultado?
Na habitação, não basta discutir quantas casas foram ou não foram entregues. É necessário apresentar demanda, capacidade de investimento, fontes de financiamento e metas possíveis.
Esse talvez seja o principal desafio desta campanha.
O Acre já conhece seus problemas.
O eleitor precisa agora conhecer melhor as soluções propostas por quem pretende governá-lo.
Porque administrar um Estado exige mais do que diagnóstico. Exige estratégia, prioridades, equilíbrio fiscal, capacidade de execução e sustentabilidade das decisões.
Os próximos debates podem ajudar muito se conseguirem avançar nessa direção.
Cobrança faz parte da democracia. Contraditório também. Mas quem pergunta precisa estar preparado para dizer o que faria no lugar de quem governa — e quem governa precisa explicar o que fez, o que não conseguiu fazer e o que pretende mudar.
Ao final, a eleição não deveria ser apenas uma disputa sobre quem identifica melhor os problemas.
Deveria ser uma disputa sobre quem apresenta as respostas mais consistentes para enfrentá-los.
A impossibilidade de Binho Marques permanecer como primeiro suplente abre uma nova etapa na composição da chapa de Jorge Viana. A definição de quem ocupará a vaga passa a se relacionar com o discurso de futuro apresentado pelo candidato. Entre os nomes que circulam nos bastidores estão Naluy Macedo, Nazaré Araújo e Aníbal Diniz.
Naluy Macedo levaria para a chapa a participação do PCdoB, dos movimentos de mulheres e de uma geração que busca espaço nas decisões. Vice-presidente do partido em Rio Branco e presidente da União Brasileira de Mulheres no Acre, atua na defesa do SUS, da educação pública e de políticas para as mulheres e para a juventude negra e periférica. Importante pontuar que Naluy se torna um nome para o futuro, pois ela atualmente é concursada no Estado.
Nazaré Araújo acrescentaria experiência na administração estadual. Foi vice-governadora, exerceu o governo e participou de ações nas áreas de assistência social e políticas para as mulheres. Na primeira suplência, levaria à chapa conhecimento sobre o funcionamento do Executivo estadual.
Aníbal Diniz levaria para a chapa o conhecimento do Senado e da organização política do grupo. Foi secretário de Comunicação nos governos de Jorge Viana e Binho Marques e exerceu mandato de senador. Sua indicação manteria a relação da suplência com a trajetória do projeto.
Binho continuará na coordenação das campanhas de Jorge Viana e Thor Dantas. Sua participação preserva o vínculo com a chapa e permite que contribua na formulação de propostas, na articulação com os partidos e no diálogo com setores da sociedade.
Jorge tem defendido a participação de Binho nas discussões sobre o futuro do Acre e sobre as próximas disputas. A permanência dele na campanha mostra que a mudança na suplência não representa afastamento do projeto, mas o exercício de outra função dentro da mesma construção.
Carla Brito permanece como segunda suplente, mantendo na composição a presença feminina e a representação do Podemos e do Vale do Juruá. A definição da primeira suplência pode incluir o PCdoB e os movimentos sociais, por meio de Naluy; a experiência de governo de Nazaré; ou a passagem de Aníbal pelo Senado.
A palavra política pertence a Jorge Viana, em diálogo com os partidos da Frente Ampla. Os nomes apresentados nos bastidores possuem atuação pública e relação com o projeto. A coerência estará em escolher quem poderá representar a aliança e assumir as responsabilidades da função.