Cultura se promove com política pública e incentivo ao fazedor cultural. Essa máxima tem sido seguida por Cruzeiro do Sul, que desde 2016 tem seu Plano Municipal instituído por meio de Lei e construído com a classe artística, sociedade civil e os Poderes Executivo e Legislativo. A atual gestão municipal, com o prefeito Zequinha Lima chegou com o desafio de manter o setor organizado e pulsando, principalmente no período da pandemia da Covid-19.
Literatura também faz parte da lei de incentivo – Foto: Cedida
O secretário de cultura, Aldemir Maciel, explica como Cruzeiro do Sul tem se tornado referência estadual nas políticas públicas culturais, seja pela Lei de Incentivo à Cultura ou pela Lei Aldir Blanc, fase I. “O papel principal da gestão do prefeito Zequinha foi buscar no Plano Municipal de Cultura as ações e metas que precisavam ser fortalecidas ou iniciadas. O avanço na cultura ocorre por causa de um trabalho feito com organização e de forma continuada”.
Cita o exemplo do Edital de Incentivo à Cultura, que já está na sexta edição. Somente na gestão de Zequinha, já foram investidos R$ 300 mil, com aprovação de pelo menos 78 projetos em todos os segmentos culturais, como música, dança, cultura índigena, patrimônio histórico, audiovisual, literatura e outros. “Temos projetos, praticamente, em todos os bairros e vilas da nossa cidade, indo de crianças, adultos até a terceira idade, chegando a quase quatro mil pessoas beneficiadas”.
Fruto desta da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o Circuito Teatral Paçoca e Jujubinha: O Mistério da Caixa Verde, do artista Adegildo Oliveira e o professor Charles André, levou o teatro para as comunidades rurais Santa Rosa e Santa Luzia, longe do centro de Cruzeiro do Sul. Mais de 400 crianças assistiram ao espetáculo nas comunidades.
O festival é um projeto proposto pelo professor Egino – Foto: cedida
Sobre o futuro das políticas públicas para cultura de Cruzeiro do Sul, Aldemir fala sobre a expectativa de implementação das leis Aldir Blanc fase II, e a Paulo Gustavo, aprovadas no Congresso Nacional neste ano. “Hoje temos essas leis como realidade, mas com a preocupação que é que o governo Federal consiga garantir no orçamento de 2023. Para Cruzeiro do Sul, vemos isso com grande expectativa, tendo em vista que as Leis precisam que os municípios se organizem, e aqui nós temos esse avanço porque já temos o sistema totalmente credenciado junto ao Ministério da Cultura. Já realizamos audiência pública e fórum municipal para tratar exclusivamente das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc”, explica.
Na lei Aldir Blanc fase I, o município usou quase que 100% do recurso destinado, beneficiando quase 300 projetos no período da pandemia. “Agora, a expectativa aumenta, pois teremos agora a lei Aldir Blanc II e podemos também ter a lei Paulo Gustavo para 2023”, afirma. Todo e qualquer artista que esteja no cadastro de cultura de Cruzeiro do Sul está habilitado para ser beneficiado pela Lei Paulo Gustavo.
A aproximação entre a Lua crescente e Vênus chamou a atenção de observadores na noite de quarta-feira, 17 de junho de 2026, em várias regiões do Brasil e de outros países das Américas. Logo após o pôr do sol, os dois astros apareceram muito próximos no horizonte oeste. Em parte da faixa de visibilidade, o encontro foi além da conjunção aparente e virou uma ocultação lunar, quando a Lua passou na frente de Vênus por alguns minutos.
A conjunção acontece quando dois corpos celestes parecem estar lado a lado no céu vistos da Terra, embora estejam separados por grandes distâncias no espaço. No caso desta quarta, o fenômeno ficou ainda mais marcante porque Vênus surgiu como um ponto muito brilhante ao lado do fino arco iluminado da Lua. Em áreas fora da faixa exata da ocultação, o público ainda conseguiu acompanhar a aproximação visual pouco depois do entardecer.
A cena também destacou a luz cinérea, brilho suave que deixa visível a parte escura da Lua. Esse efeito acontece quando a luz do Sol reflete na Terra e retorna para iluminar discretamente a superfície lunar que não recebe luz solar direta. O contraste entre a Lua crescente, a luz cinérea e o brilho intenso de Vênus ajudou a transformar o encontro em um dos registros mais vistosos do céu de junho.
Vênus, muitas vezes chamado de estrela-d’alva ou estrela vespertina, é na verdade um planeta e costuma se destacar por ser um dos objetos mais luminosos vistos da Terra. O fenômeno desta semana fez parte de uma sequência de alinhamentos observáveis neste mês, com a Lua passando também nas proximidades de Júpiter e Mercúrio.
Para observar formações desse tipo, a recomendação é procurar locais com horizonte oeste livre e pouca interferência de luz artificial logo após o pôr do sol. Em caso de uso de binóculos, câmeras com zoom ou telescópios, o cuidado principal é não apontar os equipamentos para regiões próximas ao Sol antes do anoitecer, por risco de lesão grave à visão.
Alunos da Escola de Música do Acre participam, de quarta-feira (17) a segunda-feira (22), dos Recitais Abertos, na sede da instituição, em Rio Branco, a partir das 10h. A programação reúne estudantes em formação musical e permite que familiares e a comunidade acompanhem o aprendizado desenvolvido nas aulas.
A atividade é realizada pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura, por meio da Emac, e integra a rotina pedagógica dos alunos. As apresentações funcionam como parte do processo de formação, com a prática de tocar diante do público e de lidar com a plateia.
O coordenador da Emac, Adson Barbosa, afirma que a experiência ajuda os estudantes a desenvolverem segurança na execução musical. “A apresentação ao público cria nos alunos um hábito, que é performar em frente às pessoas. É uma prática importante, porque faz parte da formação do músico estar em contato com a plateia”, disse.
Entre os participantes está Ricardo Asafe, aluno do curso de piano. Para ele, o estudo da música contribui para o desempenho em outras áreas. “No teclado, os movimentos para tocar desenvolvem a coordenação motora e o nosso raciocínio. Tanto o teclado, que eu toco, quanto os outros instrumentos são importantes, porque, assim como as matérias do colégio, precisamos ter foco e disciplina para aprender”, afirmou.
A Escola de Música do Acre atende estudantes da rede pública de ensino dos níveis fundamental e médio. A instituição também oferece musicalização infantil e aulas voltadas à comunidade no período da noite.
A atuação abolicionista de Luiz Gama entrou na disputa por um reconhecimento global da Unesco com a candidatura de documentos, manuscritos e textos publicados na imprensa que registram sua defesa jurídica de pessoas escravizadas no Brasil. A inscrição foi oficializada pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Arquivo Nacional em 26 de novembro de 2025, dentro do edital 2026-2027 do Programa Memória do Mundo, e o resultado deve sair no fim de 2027.
Figura central da história brasileira, Luiz Gama libertou mais de 500 pessoas escravizadas e construiu sua trajetória a partir da própria experiência de violência. Nascido livre, ele foi vendido pelo pai aos 10 anos, em Salvador, e levado para São Paulo, onde viveu sob escravidão até conseguir provar, aos 18, que tinha direito à liberdade. Impedido de se formar em Direito por causa do racismo, frequentou aulas como ouvinte, tornou-se rábula e passou a atuar nos tribunais em defesa da população negra.
A candidatura apresentada à Unesco reúne o acervo preservado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo sob o título Presença Negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade (1830-1882). Entre os documentos estão cartas de alforria, registros produzidos quando Gama trabalhava em delegacia e um livro manuscrito com a lista de 123 africanos livres. O conjunto já recebeu reconhecimento do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe do programa da Unesco e agora busca o selo mundial.
Parte desse acervo revela como Gama usou o próprio trabalho no aparato estatal para enfrentar a escravidão. Ao ter acesso a passaportes de pessoas escravizadas, ele identificava casos de africanos trazidos ilegalmente ao país mesmo depois da proibição do tráfico. Em vez de permitir a continuidade da posse ilegal, barrava documentos, ajudava a garantir a liberdade dessas pessoas e fazia seus registros de identidade. A atuação provocou confronto com setores poderosos da época e terminou com sua expulsão da polícia, em 1869.
Outro eixo decisivo da candidatura é a chamada Questão Netto, apontada por historiadores como uma das maiores ações coletivas de libertação de escravizados das Américas. No processo, Gama enfrentou a disputa em torno da herança do comendador Manoel Joaquim Ferreira Netto para fazer valer a libertação de 217 pessoas escravizadas prevista em testamento. O caso se tornou um marco de sua atuação jurídica e política.
O reconhecimento internacional pode ampliar a projeção da obra de Luiz Gama como símbolo da luta por liberdade, igualdade e reparação histórica. Mais do que preservar papéis do século 19, a candidatura leva à Unesco o registro de uma ação concreta contra a escravidão em um país marcado pelo tráfico humano e pela desigualdade racial.