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Política

Deputado critica ausência do Secretário de Assistência Social em reunião sobre desabrigados da ‘Terra Prometida’

Edvaldo Magalhães expressa preocupação com a falta de envolvimento do secretário em questões sociais cruciais e destaca crise em setores do governo

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Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (20), o deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) levantou críticas à atuação do governo estadual em questões sociais, especificamente no que diz respeito aos desabrigados do acampamento ‘Terra Prometida’, que atualmente ocupam o hall do Poder Legislativo. O parlamentar questionou a ausência do secretário de Assistência Social, Alexander Santos, em reuniões relacionadas ao problema.

O deputado destacou sua preocupação com a situação e expressou a importância de aproximar-se dos problemas para resolvê-los. Ele considerou inaceitável que o titular de uma pasta responsável por uma área tão sensível não tenha estado presente para lidar com uma questão tão crucial.

Além disso, Magalhães também abordou a manifestação dos servidores terceirizados do Pronto Socorro, enfatizando a gravidade da situação. Ele apontou que o não pagamento desses trabalhadores faz parte de um problema mais amplo que está se manifestando em diferentes setores do governo. O deputado relatou ter recebido informações sobre a falta de pagamento também no transporte escolar no interior do estado, indicando uma crise em curso no governo do Acre.

Foto: Sérgio Vale

Opinião

Nenhuma Escolha é Neutra

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Por Naluh Gouveia*

Há escolhas que não são administrativas. São atos de poder — e o poder jamais é neutro. Toda decisão revela uma arquitetura: quem decide, em nome de quem se decide e quais vidas podem ser sacrificadas para que a ordem se mantenha.

Em um estado como o Acre, onde mulheres são assassinadas violentamente por serem quem somos, nenhuma decisão institucional pode ser compreendida como técnica. Não há neutralidade possível em uma realidade estruturada por desigualdades de gênero, raça e classe. Toda escolha, portanto, toma posição. E toda posição é, em si, uma definição de valor sobre a vida.

Recentemente, o Tribunal de Contas do Estado teve a oportunidade de se renovar com a escolha de um (a) novo (a) conselheiro (a). Não se tratava apenas do preenchimento de uma vaga, mas da possibilidade de deslocar a racionalidade do controle público — tensionando os próprios critérios que definem o que conta como controle, resultado e interesse público. Ou, mais profundamente, de reconfigurar o próprio sentido do interesse público.

Essa oportunidade surge em um momento de inflexão. O modelo tradicional, centrado na lógica sancionadora e na contabilidade formal, já não responde à realidade social. Não há legitimidade na prestação de contas quando os passivos sociais se acumulam — basta olhar para ver. A técnica que ignora a vida concreta deixa de ser técnica: torna-se ideologia.

No entanto, a inflexão não se concretizou. A escolha recaiu sobre um perfil aderente ao padrão dominante, reafirmando uma racionalidade estrutural que define — e limita — o horizonte do possível. Mais do que uma decisão da Governadora, evidencia-se a continuidade de um regime de poder que se reproduz por meio de heranças — preservando, sob novas formas, a mesma lógica de concentração.

O que se apresenta aqui é uma reflexão — consciente de seus limites, mas comprometida com o risco de pensar. O campo permanece aberto, porque todo ponto de vista é sempre visto de um ponto.

É justamente nesse ponto que a questão central se instala. Não se trata de perguntar por que, no exercício do poder, uma mulher não escolhe outra mulher. Trata-se de examinar sob quais condições essa escolha se torna possível — e quais limites ela revela. A pergunta não recai sobre a decisão, mas sobre o campo de possibilidades que a antecede. Sobre o sistema que torna algumas escolhas pensáveis e outras simplesmente inviáveis.

É nesse deslocamento que a aparência de contradição se desfaz. Não há contradição quando uma mulher, no exercício do poder, não escolhe outra mulher. Há coerência com a lógica que organiza o próprio poder. O problema, portanto, não está na escolha isolada — mas no desenho do próprio campo em que escolher se torna possível.

As análises feministas mostram que o poder não é apenas um espaço que se ocupa, mas uma estrutura que organiza previamente as formas de agir, decidir e legitimar decisões. Gênero, raça e classe não são atributos acessórios: são forças que configuram o que pode ser reconhecido como legítimo.

Gerda Lerner é precisa ao afirmar que o patriarcado só se sustenta com a cooperação das mulheres — uma cooperação produzida historicamente, moldada por recompensas, limites e expectativas. Não se trata de adesão livre, mas de inserção em uma ordem que antecede o sujeito e condiciona suas possibilidades.

Bell hooks aprofunda essa tensão ao alertar que a presença de mulheres no poder não garante transformação. Mulheres também podem operar dentro da lógica que as subordina, reproduzindo hierarquias sob outras formas. A identidade, por si só, não rompe estruturas.

E é nesse ponto que a advertência de Angela Davis se impõe com clareza:
não basta ocupar posições nas estruturas de poder — é preciso confrontar as lógicas que as sustentam. Caso contrário, a presença não transforma: apenas reorganiza a permanência.

É assim que o sistema se perpetua. Não pela exclusão absoluta, mas pela seleção precisa. O poder não apenas impede — ele autoriza seletivamente. Define quem pode entrar, em que condições e até onde pode ir.

Por isso, o momento atual dos Tribunais de Contas é decisivo. Não se trata de ajuste técnico, mas de mudança de paradigma. E mudança de paradigma não ocorre sem ruptura.

Uma dessas rupturas é evidente: romper a predominância masculina e instituir a paridade de gênero no plenário de julgamentos e decisões — espaço em que o poder deixa de ser discurso e se torna consequência.

Defender maior presença de mulheres nos espaços de poder é parte dessa disputa — e é uma defesa que precisa ser sustentada. Por isso, continuarei afirmando-a. Mas fazê-lo sem abdicar da crítica às escolhas que reproduzem a lógica dominante não é contradição. É coerência política. Se o poder segue operando sob a aparência de neutralidade, não se trata de desconhecimento. Trata-se de escolha. E nenhuma escolha é neutra.

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*Naluh Gouveia é conselheira e diretora da Escola de Contas do TCE-AC.

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Política

Mailza Assis fecha primeira semana no governo do Acre com recomposição do comando e ajuste com a base aliada

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Mailza Assis encerra a primeira semana completa à frente do governo do Acre consolidando o comando no Palácio Rio Branco, em uma sequência de movimentos voltados mais à reorganização política e administrativa do que a uma mudança de rota na gestão. Empossada em 2 de abril, após a renúncia de Gladson Camelí para cumprir o prazo de desincompatibilização eleitoral, a governadora atravessou os últimos dias reforçando o núcleo de confiança, recompondo áreas estratégicas e alinhando a relação com a base na Assembleia Legislativa.

A semana começou na segunda-feira, 6 de abril, com um gesto direto ao Legislativo. Mailza chamou parte dos deputados estaduais ao Palácio Rio Branco para ajustar a relação entre Executivo e Aleac e abrir um canal de interlocução logo no início do mandato. A mensagem foi de harmonia institucional, com defesa de atuação conjunta para viabilizar projetos e ações voltadas à população, em uma sinalização de continuidade das pautas do governo.

O ponto de maior peso político veio na quarta-feira, 8, quando a governadora mexeu no tabuleiro sem desmontar a estrutura. Ela manteve a maior parte do desenho administrativo, mas trocou nomes em áreas consideradas centrais, com mudanças na Saúde, na pasta da Mulher, na Assistência Social, na Casa Militar, na Polícia Civil e no Iapen. No mesmo dia, encaminhou à Aleac a indicação do procurador Mário Sérgio para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, combinando reorganização interna com um movimento institucional de alcance amplo.

Na quinta-feira, 9, o governo tratou de dar forma e foco à nova etapa. A gestão divulgou a construção de um plano de prioridades para os primeiros 100 dias, com atenção concentrada em Segurança, Saúde, Educação, Produção e Meio Ambiente. Na mesma agenda, Mailza anunciou 5 mil vagas do CNH Social 2026, incluindo cota para mulheres vítimas de violência, autorizou nomeações para reforçar o sistema penitenciário e recebeu representantes do Grupo Bauminas, que estimam investir cerca de R$ 30 milhões no Acre, com previsão de 60 empregos diretos.

O dia também foi marcado pela tentativa de conter ruídos provocados pelas mudanças no primeiro escalão, principalmente na Saúde. Ao justificar as trocas, Mailza disse que a escolha de secretários é prerrogativa do governo, afirmou que precisava de uma equipe de confiança e sinalizou que, por ora, não pretende fazer novas alterações. Em outra declaração, indicou que o MDB seguirá com espaço na estrutura governista, em gesto de acomodação política.

Nesta sexta-feira, 10, o discurso foi de pacificação interna e organização do comando. Pela manhã, Mailza reuniu todo o primeiro escalão para alinhar diretrizes e reiterou a manutenção da linha de trabalho em áreas como saúde, educação, segurança pública e assistência social. Em seguida, iniciou uma rodada de visitas institucionais à Casa Militar, à Semulher e à SEASDH, como sinal de aproximação com as equipes. Ao longo do dia, reforçou a ideia de que o foco imediato é arrumar a máquina e a base de sustentação, deixando o calendário eleitoral em segundo plano. “Momento de escuta e alinhamento”, disse durante a agenda nas secretarias. Na reunião com o secretariado, afirmou que estão “prontos para trabalhar a todo vapor” e que se sente “muito segura e confiante em minha missão”. Ao tratar do entendimento com a base, resumiu: “Me reuni com a Assembleia […] ficou alinhado, entendido”. E, ao definir a prioridade do mandato neste começo, cravou: “o meu foco estará voltado para as prioridades do nosso governo”.

Ao fim da semana, Mailza deixa como marca um início de governo centrado na instalação de poder: recompôs o núcleo de confiança, buscou estabilizar a relação com a Aleac, reafirmou autonomia para montar a equipe e apresentou uma agenda de curto prazo para os 100 dias, enquanto tenta reduzir tensões internas e preservar a governabilidade no período em que a política eleitoral pressiona os bastidores.

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Política

Em entrevista, Alysson fala sobre transparência, trabalho e os desafios de Rio Branco

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Em entrevista ao Bar do Vaz, Alysson associa sua chegada ao comando da capital à trajetória construída ao lado de Tião Bocalom e aponta desafios em áreas como saúde, educação, abastecimento de água, obras e transporte público.

No cotidiano de Rio Branco, a política só ganha medida quando encosta na vida prática: no buraco da rua, na falta de remédio, na vaga em creche, na água que não chega e no ônibus que atrasa. Foi nesse terreno que o prefeito Alysson Bestene posicionou sua primeira entrevista após assumir a prefeitura. Em conversa com Roberto Vaz, no programa Bar do Vaz, ele apresentou a gestão como continuidade da administração de Tião Bocalom, que deixou o cargo para disputar o governo do Acre. 

Alysson procurou deixar claro que sua chegada à chefia do Executivo não nasce de um movimento isolado, mas de uma caminhada política e administrativa ao lado de Tião Bocalom. Ao reafirmar que pretende manter a mesma linha de atuação da gestão anterior, ele também reconhece, de forma explícita, a liderança de Bocalom na condução do projeto que hoje passa às suas mãos. Mais do que um gesto de lealdade política, essa ênfase funciona como uma sinalização pública de estabilidade administrativa.

Esse ponto é central, Alysson não tenta se apresentar como “novo” no sentido de descolado do que foi feito até aqui. Sua fala vai em outra direção: a de alguém que participou da engrenagem, conhece o percurso da gestão e sabe que, ao assumir a prefeitura, herda também seus compromissos. Na entrevista, isso aparece quando ele associa a continuidade da equipe, do planejamento e das obras a uma espécie de responsabilidade de sequência, não de reinvenção. 

Ao mesmo tempo, o prefeito tratou de temas que, em Rio Branco, chegam primeiro ao ouvido do morador do que ao debate técnico: manutenção de ruas, abastecimento de água, vagas em creche, funcionamento das unidades de saúde, falta de medicamentos e a crise recorrente do transporte coletivo. Nessa escolha de pauta, há um dado político relevante: Alysson procurou se mostrar ciente de que o mandato começa, de fato, onde a vida urbana aperta mais. E muitas dessas pautas vivem outra realidade em Rio Branco.

Na infraestrutura, ele citou a manutenção da frente de obras e dos serviços de tapa-buraco, além do número de máquinas em operação e da previsão de reforço da frota. No saneamento, falou em investimentos por meio do Saerb e na necessidade de enfrentar perdas no sistema de abastecimento. Na educação, recorreu à própria passagem pela secretaria para destacar a abertura de vagas em creches e a continuidade da organização da rede. Na saúde, reconheceu entraves no fornecimento de medicamentos e atribuiu parte do problema à logística e às dificuldades de contratação. No transporte, apresentou como eixo a tentativa de remodelar o sistema de remuneração e de ampliar a frota municipal.

Há, portanto, dois movimentos simultâneos na entrevista. O primeiro é de alinhamento: Alysson faz questão de situar sua gestão dentro do projeto liderado por Bocalom. O segundo é de afirmação: ao tratar dos principais gargalos da cidade, ele procura demonstrar que não assume apenas um cargo, mas uma agenda já pressionada pelo cotidiano. Entre a fidelidade política e a cobrança prática da rua, o novo prefeito tenta construir a imagem de quem sabe de onde veio e do que terá de dar conta daqui para frente.

Fonte: entrevista de Alysson Bestene ao programa Bar do Vaz, do ac24horas, em 7 de abril de 2026. Foto: Sérgio Vale

Para assistir à íntegra: o vídeo está disponível no YouTube, no canal do ac24horas. (YouTube)

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