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MEIO AMBIENTE

Francisco Piyãko vê veto de Lula ao ‘PL da devastação’ como vitória para a Amazônia e povos indígenas

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No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado neste sábado (9), o coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj) e liderança do povo Ashaninka, Francisco Piyãko, usou as redes sociais para destacar dois acontecimentos recentes considerados marcos para os povos originários: a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas e o veto presidencial a pontos centrais do projeto de lei apelidado de “PL da devastação”.

A conferência, encerrada no último dia 6 em Brasília, reuniu mais de 5 mil mulheres, de mais de 100 povos e todos os biomas do Brasil, e resultou na aprovação de 50 propostas prioritárias para políticas públicas voltadas à proteção de direitos, territórios, saberes ancestrais e enfrentamento à violência. “Um movimento histórico, construído com escuta e participação, que apresentou 50 propostas para fortalecer direitos, proteger territórios, enfrentar a violência e preservar saberes ancestrais”, afirmou Piyãko.

O líder indígena parabenizou as participantes e ressaltou que a mobilização “é um marco para nossa história”. Entre as deliberações, destacam-se a criação de um grupo de trabalho interministerial para instituir a Política Nacional para Mulheres Indígenas, a homologação de três terras indígenas no Ceará e a implementação de programas de valorização cultural e enfrentamento à violência de gênero.

Piyãko também relacionou o evento à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Acre, no mesmo período. Segundo ele, “ao lado de Jorge Viana, ele trouxe um gesto firme e alinhado com a realidade, olhando para o presente e apontando caminhos para o futuro. Lula mostrou que é possível governar com compromisso com os povos da floresta e com todo o Brasil, respeitando nossa diversidade e o valor que este país tem”.

Outro ponto central da manifestação foi o reconhecimento do veto presidencial a 63 artigos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental aprovada pelo Congresso. O governo federal justificou a medida como necessária para assegurar padrões nacionais de proteção, garantir direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas e evitar a flexibilização de regras ambientais. “O veto ao chamado ‘PL da devastação’ foi um ato muito importante para a Amazônia, para o nosso território e para o Brasil. Nós esperávamos por esse momento e ele chegou. Mas sabemos que a luta continua, porque o Congresso ainda insiste em impor uma visão que trata a floresta como algo a ser destruído, trocando nossos bens e valores por uma falsa riqueza”, disse Piyãko.

Para ele, as decisões recentes e a postura do governo demonstram que “é possível fazer o bem sem interesses pessoais ou de grupos, pensando no Brasil como um todo”. E concluiu: “Isso renova nossa esperança e fortalece nossa luta para que possamos seguir defendendo a vida, a floresta e os direitos dos nossos povos”.

MEIO AMBIENTE

Mesmo com redução nos focos de queimadas, Acre já sofre com fumaça no início da estiagem

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Mesmo com queda no número de focos de queimadas neste ano, o Acre já começa a sentir os efeitos da fumaça no início do período de estiagem. A presença de material particulado no ar acende o alerta para os próximos meses, quando o chamado verão amazônico deve ganhar força e aumentar o risco de incêndios florestais.

Entre janeiro e maio de 2026, o estado registrou 21 focos de queimadas, uma redução de 58,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 51 focos. Apesar da queda no acumulado, o mês de maio apresentou crescimento nos registros, indicando uma mudança de tendência com a aproximação do período mais seco.

A preocupação também se dá pela previsão de uma estiagem severa no Acre. Órgãos de monitoramento e Defesa Civil já vêm intensificando ações preventivas para reduzir os impactos da seca, das queimadas e da fumaça sobre a população, especialmente em áreas urbanas e regiões mais vulneráveis.

Em Rio Branco, a piora na qualidade do ar já começa a ser percebida por moradores. A fumaça pode agravar problemas respiratórios, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, além de causar irritação nos olhos, garganta seca, tosse e falta de ar.

Rio Branco registrou melhora na qualidade do ar nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, após sensores da rede PurpleAir apontarem picos de material particulado fino na noite de domingo. Nas últimas 24 horas observadas, as quatro estações ativas na capital tiveram médias horárias de PM2.5 entre 11,2 e 18,4 µg/m³, com máximas entre 21,7 e 32,1 µg/m³ no período noturno, antes de caírem para patamares entre 6,1 e 13,5 µg/m³ no fim da manhã desta segunda.

Mesmo com menos focos de queimadas registrados até agora, especialistas alertam que o risco permanece elevado. Com a redução das chuvas, baixa umidade e vegetação mais seca, incêndios podem se espalhar com mais facilidade nos próximos meses.

O cenário reforça a necessidade de prevenção, fiscalização e conscientização da população. Durante o período de estiagem, o uso do fogo em áreas urbanas e rurais representa risco à saúde pública, ao meio ambiente e à segurança das comunidades.

Foto: Arison Jardim

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Embrapa identifica duas novas espécies de minhocas em sistemas integrados de produção

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Duas novas espécies de minhocas foram identificadas pela Embrapa em áreas com sistemas integrados de produção no interior de São Paulo. A descoberta foi formalizada em artigo científico publicado em abril e reforça a relação entre práticas conservacionistas no campo e a preservação da biodiversidade do solo.

As espécies descritas foram batizadas de Fimoscolex bernardii e Glossoscolex canchim, ambas da família Glossoscolecidae. O estudo foi assinado por pesquisadores de instituições federais e da própria Embrapa. Uma das espécies homenageia o pesquisador Alberto Bernardi, enquanto a outra faz referência à Canchim, nome ligado à fazenda onde o material foi coletado e também à raça bovina desenvolvida na unidade.

Os exemplares foram encontrados em áreas com integração lavoura-pecuária-floresta, integração lavoura-pecuária, integração pecuária-floresta, pastagens intensivas e extensivas e lavouras anuais sob plantio direto. Depois da coleta, os organismos passaram por triagem e análise morfológica, com avaliação de características externas e estruturas anatômicas internas.

A descoberta amplia o inventário da fauna nativa brasileira e ajuda a medir como diferentes formas de uso da terra afetam a vida no solo. As minhocas têm papel importante na abertura de canais, na fragmentação de resíduos vegetais, no transporte de microrganismos e na mistura de matéria orgânica com minerais, processos ligados à fertilidade e à estrutura do solo.

O registro também chama atenção para a lacuna ainda existente no conhecimento sobre a fauna subterrânea brasileira. Embora o país tenha algumas centenas de espécies descritas, a estimativa é de que esse número real seja muito maior, o que mantém o solo como uma das fronteiras menos conhecidas da biodiversidade nacional.

Fonte: Embrapa

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Força Nacional inclui Acre em plano de 2026 para reforçar combate a incêndios florestais

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O Acre entrou no calendário da Força Nacional para o treinamento de bombeiros militares voltado ao combate a incêndios florestais, numa preparação que ganha peso com a aproximação do período de estiagem na Amazônia. O anúncio foi feito em 16 de maio, dentro de um plano nacional para 2026 que prevê capacitações em 18 estados e tenta antecipar a resposta ao avanço das queimadas.

A proposta é treinar mais de 720 bombeiros ao longo do ano, em turmas de 40 alunos e cursos de 30 dias, com aulas teóricas e atividades práticas. A próxima etapa está marcada para 25 de maio, em Manaus. No caso do Acre, a data da capacitação ainda não foi detalhada, mas a inclusão do estado no cronograma já coloca o efetivo local na rota da preparação montada pela Força Nacional para os meses mais críticos.

O conteúdo do curso reúne sistema de comando de incidentes, atendimento pré-hospitalar tático, técnicas de sobrevivência e combate ao fogo em áreas remotas. A ideia é padronizar procedimentos e fazer com que equipes de estados diferentes cheguem à temporada de incêndios falando a mesma língua em campo. Como resumiu um dos oficiais envolvidos na formação, o treinamento não se limita à qualificação individual e busca garantir atuação integrada, ágil e segura.

A medida também conversa com um histórico recente no estado. Em janeiro de 2025, Cruzeiro do Sul sediou a 100ª edição da Instrução de Nivelamento de Conhecimento da Força Nacional, numa operação que mobilizou quase 120 agentes. A nova etapa, agora com foco florestal, aproxima ainda mais o Acre da estratégia federal de enfrentamento a queimadas e incêndios em vegetação, problema que todos os anos pressiona as corporações locais durante a seca.

No mesmo movimento, a Força Nacional abriu cadastro para veteranos da segurança pública, entre eles policiais, bombeiros e peritos inativos há menos de cinco anos. A medida amplia a reserva de pessoal disponível para missões emergenciais e reforça a estrutura que deve ser acionada quando o fogo avançar com mais força sobre a região.

Foto: Secom/AC

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