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Na COP30, mulheres negras destacam inovação e ampliam debate sobre afroempreendedorismo

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Na COP30, realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro, a engenheira Patrícia Zanella apresentou o primeiro maiô absorvente reutilizável do Brasil e reacendeu o debate sobre desigualdades enfrentadas por mulheres negras no empreendedorismo. A cofundadora da startup EcoCiclo levou à conferência um produto desenvolvido para ampliar o acesso à higiene menstrual, tema que motivou sua atuação desde que buscou alternativas para mulheres em situação de pobreza menstrual. Patrícia afirmou que a ideia surgiu quando procurava um item biodegradável e de baixo custo e decidiu investir em inovação própria para construir uma solução viável.

A EcoCiclo, fundada por Patrícia, Adriele Menezes e Helen Nzinga, apresentou na conferência resultados alcançados por programas que já atenderam 17 mil mulheres no país, ao lado do primeiro absorvente totalmente biodegradável desenvolvido pela empresa. Mesmo com a expansão das iniciativas, Patrícia relatou barreiras estruturais que dificultam o avanço de empreendedoras negras. Segundo ela, o acesso a determinados ambientes ainda é limitado e muitas vezes a capacidade de inovar é questionada por motivos raciais, o que reforça disparidades no ecossistema empreendedor brasileiro.

A conferência também abriu espaço para o debate sobre afroempreendedorismo como componente da justiça climática. Para Eraldo Santos, gerente adjunto da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae, negócios liderados por pessoas negras atuam diretamente nos setores que sustentam a transição verde no país, como bioeconomia e economia circular. Ele afirmou que esses empreendimentos integram soluções comunitárias, dialogam com o território e enfrentam desafios que incluem barreiras econômicas e estruturais. Eraldo destacou que “essas pessoas carregam barreiras econômicas, estruturais e históricas, mas, mesmo assim, inovam e geram impacto”, reforçando a relação entre desigualdade racial e limitações de acesso ao mercado e financiamento.

Durante a COP30, o Sebrae anunciou ações voltadas à ampliação de oportunidades para afroempreendedores a partir de 2026. Entre as medidas apresentadas estão um calendário anual de feiras e eventos de mercado, com foco em empreendedoras da economia criativa e da bioeconomia, e a ampliação do Fampe, fundo que funciona como garantia para acesso ao crédito. Segundo Eraldo, a instituição projeta ampliar o portfólio de programas para transformar o empreendedorismo em instrumento de renda e estabilidade econômica para negócios liderados por pessoas negras, especialmente mulheres.

A participação do Sebrae na conferência incluiu ainda um estande de 400 metros quadrados na Green Zone, estruturado para receber lideranças, investidores e visitantes em uma programação que combinou séries audiovisuais, degustações, apresentações culturais e rodas de diálogo sobre inovação. O espaço integrou a Brasil BioMarket, onde a EcoCiclo esteve entre os empreendimentos destacados, e funcionou como vitrine de iniciativas da bioeconomia e de produtos desenvolvidos por pequenos negócios. A instituição também montou a Zona do Empreendedorismo no Parque Belém Porto Futuro, com atividades simultâneas voltadas à formação e ao estímulo à conexão entre empreendedores e potenciais parceiros comerciais, reforçando a estratégia de posicionamento nacional durante a COP30.

A presença de mulheres negras na conferência e as discussões sobre financiamento, inovação e acesso a mercados ampliaram o debate sobre as desigualdades que atravessam o empreendedorismo no país. As iniciativas apresentadas apontaram para a necessidade de políticas contínuas de fortalecimento de afroempreendedores, considerando o impacto social e territorial das soluções desenvolvidas por esses negócios. As perspectivas anunciadas pelo Sebrae indicam a intenção de manter o tema na agenda institucional e aproximar empreendedores negros de oportunidades estratégicas relacionadas à transição climática e à economia sustentável.

Fotos: Alailson Muniz

Rio Branco

Parque Chico Mendes passa por revitalização para celebrar 30 anos em Rio Branco

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A Prefeitura de Rio Branco prepara o Parque Ambiental Chico Mendes para a comemoração dos 30 anos do espaço, marcada para 31 de julho. Nesta quinta-feira (16), o prefeito Alysson Bestene visitou o local com secretários e técnicos para acompanhar a revitalização, verificar os serviços em andamento e definir ajustes antes da programação comemorativa.

Com 57 hectares de floresta preservada, o parque é uma das principais áreas públicas de lazer, educação ambiental e turismo da capital. O espaço reúne trilhas ecológicas, áreas para piquenique, academia ao ar livre, playgrounds, zoológico com animais da fauna amazônica, Memorial Chico Mendes, réplica de casa de seringueiro e maloca indígena.

Criado em 1996, o parque homenageia o líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes e mantém atividades ligadas à preservação da Amazônia, à pesquisa científica e ao contato da população com a natureza. A estrutura também guarda elementos da memória dos povos da floresta e da história ambiental do Acre.

Entre os serviços definidos como prioridade estão a recuperação do pavimento, a troca dos equipamentos da academia ao ar livre e a revitalização dos brinquedos. A gestão municipal também avalia intervenções estruturais que deverão ser executadas em novas etapas para melhorar a segurança, o conforto e o uso das áreas destinadas aos visitantes.

“Já estivemos aqui há alguns meses, pontuando algumas necessidades para revitalizar este ambiente cultural, histórico e tradicional da nossa capital. Nada mais justo do que deixarmos o parque cada vez mais moderno, reformado e atraente para as famílias de Rio Branco”, afirmou Alysson Bestene.

O Parque Chico Mendes recebe grande fluxo de visitantes, principalmente aos fins de semana. Em períodos de maior movimento, entre sexta-feira e domingo, o local chega a receber cerca de duas mil pessoas por dia. A revitalização pretende melhorar as condições para atividades culturais, esportivas, educativas e de lazer.

A comemoração dos 30 anos também ocorre em meio à tentativa de ampliar o reconhecimento internacional do parque na área de sustentabilidade. O espaço foi o primeiro parque ambiental da Região Norte a receber o Good Travel Seal, certificação concedida pela fundação holandesa Green Destinations. Em 2025, alcançou o Selo Prata, com 86% de pontuação.

A avaliação considera gestão sustentável, responsabilidade social, preservação ambiental, saúde, segurança e bem-estar dos visitantes. O parque teve desempenho máximo em natureza e paisagem, cultura e tradição, além de gestão e comunicação. A meta agora é avançar para o Selo Ouro.

“Nós já temos o Selo Prata e agora queremos alcançar o Selo Ouro. Algumas das melhorias propostas são justamente para avançarmos nesse reconhecimento, que representa ainda mais o compromisso da gestão municipal com o meio ambiente e com este importante parque urbano”, disse a secretária municipal de Meio Ambiente, Flaviane Stedille.

A diretora do Parque Ambiental Chico Mendes, Joseline Guimarães, afirmou que o espaço chega aos 30 anos com papel ligado à educação ambiental e ao bem-estar dos visitantes. “Nosso objetivo é que cada visitante entre aqui e saia melhor do que chegou: mais feliz e mais consciente em relação ao meio ambiente”, afirmou.

A programação de aniversário será realizada em 31 de julho e deve reunir famílias, estudantes, servidores, turistas e moradores de diferentes regiões de Rio Branco.

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Povos Indígenas

MPAC apura ameaças contra liderança indígena em Porto Walter

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O Ministério Público do Estado do Acre instaurou uma Notícia de Fato Criminal para apurar ameaças contra uma liderança indígena e a possível atuação de uma organização criminosa em uma comunidade indígena de Porto Walter, no interior do Acre. A investigação mira crimes que podem estar ligados à disputa por rotas usadas pelo narcotráfico transnacional nas calhas fluviais da região.

A apuração é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. Na terça-feira, 14 de julho, uma equipe foi até a aldeia para ouvir moradores, coletar depoimentos e reunir elementos para a produção de um relatório técnico sobre o caso.

A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Júlio César de Medeiros Silva, coordenador-geral do Gaeco em exercício, e teve apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre. A Sejusp disponibilizou aeronaves do Centro Integrado de Operações Aéreas para o deslocamento da equipe até a comunidade.

Um servidor do Projeto Txai, iniciativa voltada ao fortalecimento das políticas públicas de proteção e defesa dos direitos fundamentais da população indígena no Acre, também participou da atividade. O acompanhamento envolveu questões relacionadas a educação, saúde e segurança pública.

As informações reunidas na investigação tratam de um cenário de pressão sobre comunidades indígenas por grupos criminosos interessados no controle de rios usados como rota para o tráfico de drogas. A atuação desses grupos envolve ameaça, medo e cooptação de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Durante a diligência, lideranças indígenas foram ouvidas e possíveis autores de crimes foram identificados. Entre os delitos em apuração estão ameaça, furto qualificado, tráfico de drogas e promoção de organização criminosa.

Com a abertura do procedimento, o Gaeco determinou medidas para aprofundar a investigação, entre elas a requisição de informações à Polícia Civil e o compartilhamento de dados de inteligência sobre a atuação de facções criminosas na região.

A apuração também deve ter ações integradas com o Ministério Público Federal e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas para fiscalização e pacificação da área indígena. O Gaeco mantém contato com a Polícia Civil de Porto Walter para avançar na identificação e responsabilização criminal dos envolvidos.

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Economia e Empreender

EUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros e Sebrae orienta pequenos negócios a buscar novos mercados

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Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros importados pelo país, com início previsto para 22 de julho, após investigação comercial aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. A medida atinge setores como máquinas agrícolas, ferramentas, calçados, vestuário, açúcar orgânico, borracha, pedras de construção e petroquímicos, em meio a uma disputa que envolve comércio digital, etanol, meio ambiente, leis anticorrupção e o Pix.

A decisão foi confirmada no último dia do prazo para conclusão da análise conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Ficaram fora da nova cobrança produtos de peso na pauta brasileira, como petróleo, café, carne bovina, laranja, aeronaves e componentes ligados ao setor aeroespacial. Ainda assim, a tarifa amplia a tensão comercial entre os dois países e aumenta a pressão sobre empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano ou integram cadeias de fornecimento voltadas à exportação.

O Sebrae avalia que o efeito sobre micro e pequenas empresas não deve ser imediato em todos os casos, mas pode atingir negócios que fornecem insumos, peças ou serviços para grandes exportadoras. O presidente da instituição, Rodrigo Soares, afirmou que o momento exige ampliação de mercados e apoio à internacionalização. “Mais do que nunca, o Acordo Mercosul-União Europeia é uma oportunidade, dentre outros acordos, que se abre para quem quer exportar, e os empreendedores podem contar com o Sebrae nessa jornada”, disse.

A entidade também contestou a inclusão do Pix entre os argumentos usados pelos Estados Unidos. Soares afirmou que a medida contra o sistema brasileiro de pagamentos é injustificável e lembrou que o Pix é aceito por 96% dos pequenos negócios no país. Para o Sebrae, a diversificação comercial deve ganhar força diante de novas barreiras, com maior presença de empresas brasileiras em mercados da América do Sul, Europa e Ásia.

O governo brasileiro repudiou a decisão norte-americana e informou que vai iniciar os procedimentos para acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, além de retomar o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. A reação ocorre em um contexto de negociações frustradas entre os dois países e de divergências sobre regras comerciais, acesso a mercados e políticas públicas brasileiras.

A participação dos pequenos negócios no comércio internacional cresceu nos últimos dez anos. Entre 2015 e 2025, o número de micro e pequenas empresas exportadoras aumentou cerca de 10%, e o segmento passou a representar quase 40% das empresas brasileiras que vendem produtos ao exterior. As Américas seguem como principal destino, com a América do Sul concentrando 25,3% das exportações dos pequenos negócios e a América do Norte respondendo por 19,7%.

Os Estados Unidos continuam como principal mercado externo para empresas brasileiras, mas perderam participação entre os pequenos negócios. A fatia norte-americana caiu de 20,1%, em 2024, para 16,7%, em 2025. No mesmo período, a China avançou e chegou a 9,43% das exportações do segmento, o maior patamar da série histórica. O movimento reforça a busca por alternativas em meio ao aumento de barreiras comerciais.

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