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MEIO AMBIENTE

Povos indígenas da Amazônia entregam propostas na Conferência do Clima em Bonn

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As principais organizações indígenas dos nove países da Bacia Amazônica entregaram, nesta quinta-feira (19), em Bonn, na Alemanha, um documento histórico que reúne propostas e reivindicações para enfrentar a crise climática. O material foi entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, durante a Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, que antecede a COP30, marcada para 2025, em Belém (PA).

De acordo com o jornalista André Trigueiro, durante comentário na GloboNews, o documento é inédito. “Está sendo apresentado aos negociadores do clima principais em Bonn, na Alemanha, e que foi produzido pela primeira vez, isso é inédito, por todas as organizações, todas as lideranças importantes dos povos indígenas dos nove países amazônicos, representando aproximadamente 500 nações, 500 povos, foram 188 povos isolados”, afirmou.

A proposta foi construída na Pré-COP Indígena, realizada em Brasília no início de junho, com a participação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (Opiac), do Fundo Indígena da Amazônia Brasileira (Podáali) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

O documento reforça que a Amazônia concentra aproximadamente 100 bilhões de toneladas de carbono e que a perda da floresta compromete qualquer meta climática global. “As lideranças indígenas estão protegendo um patrimônio. Quando a gente fala da Amazônia, é uma floresta onde estão 100 bilhões de toneladas de carbono estocado. Se não proteger a Amazônia, não tem Acordo de Paris, não tem acordo do clima que dê certo. E a gente já perdeu 88 milhões de hectares de floresta. Precisa proteger”, destacou Trigueiro.

Entre as principais demandas estão o reconhecimento dos territórios indígenas como áreas livres de atividades extrativas, acesso direto aos fundos climáticos, autonomia na gestão dos recursos, proteção dos defensores e defensoras indígenas e inclusão dos sistemas de conhecimento dos povos indígenas nas estratégias de mitigação e adaptação climática.

O documento também alerta para a gravidade da crise. “Enquanto governos investem em guerras, nós investimos na vida. Somos a voz ancestral da Terra, as verdadeiras autoridades do clima. As políticas e ações climáticas atuais não respondem à gravidade do momento. O tempo acabou. A COP30 será um ponto de virada. Ou coloca os povos indígenas no centro das decisões climáticas, ou será lembrada como cúmplice do colapso”, diz um dos trechos lido por André Trigueiro na transmissão.

O jornalista reforçou que o documento pede, de forma objetiva, financiamento direto e autonomia. “O que esse documento pede é, além da proteção dos territórios indígenas, financiamento direto e autonomia na gestão dos recursos que cheguem na ponta, onde eles estão protegendo o que nos interessa. Eles querem ter voz e vez. Eu acho que eles têm lugar de fala. São os povos originários. Onde eles estão, a floresta é mais protegida”, concluiu.

As propostas foram oficialmente apresentadas aos negociadores presentes na Conferência de Bonn e devem ser incorporadas no processo de construção da COP30, que ocorrerá no Brasil.

MEIO AMBIENTE

Mesmo com redução nos focos de queimadas, Acre já sofre com fumaça no início da estiagem

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Mesmo com queda no número de focos de queimadas neste ano, o Acre já começa a sentir os efeitos da fumaça no início do período de estiagem. A presença de material particulado no ar acende o alerta para os próximos meses, quando o chamado verão amazônico deve ganhar força e aumentar o risco de incêndios florestais.

Entre janeiro e maio de 2026, o estado registrou 21 focos de queimadas, uma redução de 58,8% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 51 focos. Apesar da queda no acumulado, o mês de maio apresentou crescimento nos registros, indicando uma mudança de tendência com a aproximação do período mais seco.

A preocupação também se dá pela previsão de uma estiagem severa no Acre. Órgãos de monitoramento e Defesa Civil já vêm intensificando ações preventivas para reduzir os impactos da seca, das queimadas e da fumaça sobre a população, especialmente em áreas urbanas e regiões mais vulneráveis.

Em Rio Branco, a piora na qualidade do ar já começa a ser percebida por moradores. A fumaça pode agravar problemas respiratórios, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, além de causar irritação nos olhos, garganta seca, tosse e falta de ar.

Rio Branco registrou melhora na qualidade do ar nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, após sensores da rede PurpleAir apontarem picos de material particulado fino na noite de domingo. Nas últimas 24 horas observadas, as quatro estações ativas na capital tiveram médias horárias de PM2.5 entre 11,2 e 18,4 µg/m³, com máximas entre 21,7 e 32,1 µg/m³ no período noturno, antes de caírem para patamares entre 6,1 e 13,5 µg/m³ no fim da manhã desta segunda.

Mesmo com menos focos de queimadas registrados até agora, especialistas alertam que o risco permanece elevado. Com a redução das chuvas, baixa umidade e vegetação mais seca, incêndios podem se espalhar com mais facilidade nos próximos meses.

O cenário reforça a necessidade de prevenção, fiscalização e conscientização da população. Durante o período de estiagem, o uso do fogo em áreas urbanas e rurais representa risco à saúde pública, ao meio ambiente e à segurança das comunidades.

Foto: Arison Jardim

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Embrapa identifica duas novas espécies de minhocas em sistemas integrados de produção

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Duas novas espécies de minhocas foram identificadas pela Embrapa em áreas com sistemas integrados de produção no interior de São Paulo. A descoberta foi formalizada em artigo científico publicado em abril e reforça a relação entre práticas conservacionistas no campo e a preservação da biodiversidade do solo.

As espécies descritas foram batizadas de Fimoscolex bernardii e Glossoscolex canchim, ambas da família Glossoscolecidae. O estudo foi assinado por pesquisadores de instituições federais e da própria Embrapa. Uma das espécies homenageia o pesquisador Alberto Bernardi, enquanto a outra faz referência à Canchim, nome ligado à fazenda onde o material foi coletado e também à raça bovina desenvolvida na unidade.

Os exemplares foram encontrados em áreas com integração lavoura-pecuária-floresta, integração lavoura-pecuária, integração pecuária-floresta, pastagens intensivas e extensivas e lavouras anuais sob plantio direto. Depois da coleta, os organismos passaram por triagem e análise morfológica, com avaliação de características externas e estruturas anatômicas internas.

A descoberta amplia o inventário da fauna nativa brasileira e ajuda a medir como diferentes formas de uso da terra afetam a vida no solo. As minhocas têm papel importante na abertura de canais, na fragmentação de resíduos vegetais, no transporte de microrganismos e na mistura de matéria orgânica com minerais, processos ligados à fertilidade e à estrutura do solo.

O registro também chama atenção para a lacuna ainda existente no conhecimento sobre a fauna subterrânea brasileira. Embora o país tenha algumas centenas de espécies descritas, a estimativa é de que esse número real seja muito maior, o que mantém o solo como uma das fronteiras menos conhecidas da biodiversidade nacional.

Fonte: Embrapa

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MEIO AMBIENTE

Força Nacional inclui Acre em plano de 2026 para reforçar combate a incêndios florestais

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O Acre entrou no calendário da Força Nacional para o treinamento de bombeiros militares voltado ao combate a incêndios florestais, numa preparação que ganha peso com a aproximação do período de estiagem na Amazônia. O anúncio foi feito em 16 de maio, dentro de um plano nacional para 2026 que prevê capacitações em 18 estados e tenta antecipar a resposta ao avanço das queimadas.

A proposta é treinar mais de 720 bombeiros ao longo do ano, em turmas de 40 alunos e cursos de 30 dias, com aulas teóricas e atividades práticas. A próxima etapa está marcada para 25 de maio, em Manaus. No caso do Acre, a data da capacitação ainda não foi detalhada, mas a inclusão do estado no cronograma já coloca o efetivo local na rota da preparação montada pela Força Nacional para os meses mais críticos.

O conteúdo do curso reúne sistema de comando de incidentes, atendimento pré-hospitalar tático, técnicas de sobrevivência e combate ao fogo em áreas remotas. A ideia é padronizar procedimentos e fazer com que equipes de estados diferentes cheguem à temporada de incêndios falando a mesma língua em campo. Como resumiu um dos oficiais envolvidos na formação, o treinamento não se limita à qualificação individual e busca garantir atuação integrada, ágil e segura.

A medida também conversa com um histórico recente no estado. Em janeiro de 2025, Cruzeiro do Sul sediou a 100ª edição da Instrução de Nivelamento de Conhecimento da Força Nacional, numa operação que mobilizou quase 120 agentes. A nova etapa, agora com foco florestal, aproxima ainda mais o Acre da estratégia federal de enfrentamento a queimadas e incêndios em vegetação, problema que todos os anos pressiona as corporações locais durante a seca.

No mesmo movimento, a Força Nacional abriu cadastro para veteranos da segurança pública, entre eles policiais, bombeiros e peritos inativos há menos de cinco anos. A medida amplia a reserva de pessoal disponível para missões emergenciais e reforça a estrutura que deve ser acionada quando o fogo avançar com mais força sobre a região.

Foto: Secom/AC

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