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Política

Pré-campanha ao governo ganha ritmo com BR-364, alianças e drenagem urbana no centro da disputa

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A pré-campanha ao governo do Acre entrou em modo de estrada nesta semana, de 12 a 18 de abril, com Tião Bocalom abrindo a maratona no Vale do Juruá e colocando a BR-364 como vitrine do discurso, Mailza Assis acelerando a montagem de alianças e a costura de uma chapa com o MDB enquanto ainda ajusta a engrenagem do Palácio Rio Branco, Alan Rick levando a pauta de infraestrutura urbana ao plenário do Senado após alagamentos em Rio Branco e ampliando o gesto político no campo da direita em Brasília, e Thor Dantas concentrando a movimentação em defesa pública da própria imagem e na organização do bloco que tenta dar musculatura à candidatura pelo PSB.

No domingo, 12 de abril, Bocalom escolheu o Juruá para marcar o início da agenda como pré-candidato e sinalizou que a campanha vai buscar lastro fora da capital, com foco em temas que dialogam com o interior, como produção, escoamento e obras estruturantes. A semana avançou com a visita de Bocalom à BR-364, transformada em palco do primeiro grande recado sobre logística e integração regional. Na quinta-feira, 16, ele percorreu trechos da rodovia, ouviu relatos de motoristas e moradores e, já em Cruzeiro do Sul, tratou a ponte prevista para ligar o município a Rodrigues Alves como peça estratégica para a mobilidade do Vale do Juruá.

A passagem pelo Juruá não ficou restrita ao roteiro de fotos e encontros. Na sexta-feira, 17, em entrevista a uma emissora local, Bocalom amarrou o discurso de campanha à ideia de “gestão” e de ampliação do que afirma ter feito em Rio Branco e em Acrelândia, repetindo um argumento que aparece como eixo central da sua pré-candidatura: experiência administrativa e agenda pró-setor produtivo. Ao explicar a saída da Prefeitura de Rio Branco, ele resumiu a decisão com uma frase que pretende funcionar como assinatura política: “estou aqui para servir”. Na mesma conversa, citou infraestrutura, creches, reformas em unidades de saúde e reforço do atendimento médico para sustentar a tese de continuidade e de capacidade de entrega. No sábado, 18, a agenda em Cruzeiro do Sul começou cedo, com visita ao mercado municipal e conversa com produtores da agricultura familiar, reforçando a costura do candidato com a pauta de campo e abastecimento, que ele tenta transformar em narrativa de desenvolvimento regional.

Enquanto Bocalom ocupava o interior, Mailza Assis atravessou a semana equilibrando a agenda institucional de quem assumiu o governo há pouco com a necessidade de dar forma política à candidatura. Na sexta-feira, 16, ela reuniu prefeitos no Palácio Rio Branco para reafirmar o compromisso de “gestão municipalista” e abriu espaço para demandas levadas pelos municípios, num movimento que mira apoio regional e capilaridade. “Reunir os prefeitos dos municípios acreanos é reafirmar o compromisso do nosso governo com uma gestão municipalista, baseada na união de esforços”, disse. A reunião também expôs o peso do tema climático e seus impactos nas prefeituras, com o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, citando extremos do inverno e do verão e a necessidade de ações coordenadas diante de enchentes e eventos severos.

No sábado, 18, Mailza levou a conversa para dentro da engenharia eleitoral e tratou publicamente do encaixe do MDB na composição. Em um evento com a família Sales, no Juruá, a ausência da médica Jéssica Sales — cotada para vice — virou sinal de que a definição segue em aberto. Antônia Sales justificou: “Ela não veio porque trabalha como médica”. Mailza, por sua vez, reforçou que a indicação deve sair do MDB, com ou sem Jéssica: “a vaga de vice está disponível ao MDB, estamos conversando, o MDB vai indicar o nosso vice ou a Jessica ou outro”. O mesmo dia também teve um movimento que conecta governo e pré-campanha: Assurbanipal Mesquita, o Assur, deixou o comando da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia após troca no comando da pasta e declarou que a saída foi articulada com setores empresariais para levar ao debate eleitoral uma pauta de indústria, inovação e emprego. “Recebi um convite de vários empresários… que me convenceram que poderíamos também fortalecer a campanha ajudando a nossa governadora Mailza”, disse.

Alan Rick concentrou o noticiário da semana em Brasília, com um discurso que tentou ligar diretamente o episódio de alagamentos em Rio Branco ao déficit histórico de infraestrutura urbana. Na terça-feira, 14, ele foi à tribuna do Senado para defender mais investimentos em saneamento, drenagem, água tratada, esgoto e manejo de resíduos sólidos, citando a recorrência do problema ano após ano. No pronunciamento, levou ao plenário uma conta que costuma aparecer em campanhas quando o assunto é obra pública: “Cada R$ 1 que se investe em saneamento, você economiza R$ 5 em saúde”, afirmou, atribuindo o dado à Organização Mundial da Saúde e conectando a urgência à realidade amazônica, das cidades maiores às áreas mais distantes do interior.

No dia seguinte, 15, Alan ampliou o gesto político em outra frente: publicou uma foto ao lado de Flávio Bolsonaro e Márcio Bittar, chamou Flávio de “nosso futuro presidente” e afirmou que o grupo trabalha na construção do “Brasil que queremos”. O registro ganhou peso no Acre porque Bittar está alinhado ao grupo de Mailza, enquanto Alan se apresenta como alternativa na disputa estadual, num cenário em que a direita acreana tenta acomodar, ao mesmo tempo, competição local e sinalização nacional. Ainda nesta semana, Alan também apareceu ligado à pauta ambiental no Congresso, com parecer favorável a um projeto que permite abatimento, no Imposto de Renda, de gastos do produtor rural com preservação ambiental, iniciativa que mira o eleitorado do campo e tenta associar conservação a incentivo econômico.

Thor Dantas, por outro lado, teve a semana marcada menos por agenda territorial e mais por articulações e reação pública. Na sexta-feira, 17, ele se manifestou em defesa própria após circular uma nota crítica em sites locais, em movimento que expôs o ambiente de ataque e contra-ataque típico do início de campanha. Paralelamente, o bloco político que tenta sustentar sua candidatura discutiu ajustes de organização, com mudanças na definição de quem coordenaria campanhas ligadas ao grupo — um sinal de que, além da disputa majoritária, a montagem das chapas proporcionais e das estruturas de coordenação também entrou no radar desta fase.

O recorte da semana deixa um mapa relativamente claro dos temas e das estratégias que cada pré-candidato tenta impor antes do calendário oficial: Bocalom aposta na estrada e na vitrine de obras e logística, com a BR-364 como símbolo e o setor produtivo como base; Mailza investe em municipalismo e costura de alianças, com a vice e o MDB como peça central, ao mesmo tempo em que incorpora ao discurso a agenda de emprego e indústria; Alan Rick tenta se apropriar do tema saneamento em meio a eventos climáticos e enchentes, e amplia sinais nacionais para consolidar posição no campo da direita; Thor Dantas trabalha para consolidar o próprio espaço como opção do bloco liderado pela esquerda no estado, enfrentando o desgaste inicial e buscando estrutura política para sustentar competitividade.

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Jornalistas sofreram mais de 14 mil ataques nas redes durante o primeiro turno das eleições

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A violência contra jornalistas nas redes sociais ganhou força durante a campanha eleitoral de 2026. Entre 16 de agosto e 4 de outubro, foram registrados 14.182 ataques contra profissionais de imprensa e veículos de comunicação no Brasil. As mulheres foram as principais vítimas das agressões direcionadas individualmente a jornalistas, concentrando quase 65% dos casos.

Os números fazem parte de um levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).

Durante os 50 dias de monitoramento, a pesquisa analisou aproximadamente 3,7 milhões de publicações no X e no Instagram. A média foi de 283 ataques por dia, envolvendo desde tentativas de desacreditar reportagens até ofensas pessoais, ameaças e mensagens de intimidação.

A quantidade de ataques cresceu com a aproximação da votação. Nos primeiros 15 dias analisados, foram contabilizadas 2.630 ocorrências. Na quinzena seguinte, o número subiu para cerca de 4,4 mil, aumento de 67,3%. Somente na última semana antes do primeiro turno, foram registrados 4.537 ataques.

A violência contra mulheres jornalistas também chamou a atenção dos pesquisadores. Dos 3.106 ataques direcionados a profissionais identificados individualmente, 2.013 tiveram mulheres como alvo. As agressões incluíram ofensas misóginas, insultos sexuais e ameaças de violência física.

A disputa presidencial concentrou quase 80% dos ataques em que foi possível identificar o contexto eleitoral. Parte das publicações buscava associar jornalistas e veículos a interesses partidários, utilizando acusações de manipulação de informações e divulgação de notícias falsas.

O levantamento também identificou episódios de intimidação contra profissionais durante a apuração de reportagens. Em alguns casos, jornalistas passaram a ser atacados depois de procurar fontes para entrevistas ou solicitar esclarecimentos sobre assuntos de interesse público.

A Coalizão em Defesa do Jornalismo reúne organizações como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Repórteres sem Fronteiras.

Para as entidades, o crescimento das agressões digitais durante as eleições representa uma ameaça à liberdade de imprensa. Além de atingir diretamente os profissionais, os ataques podem dificultar o trabalho de apuração e o acesso da população a informações sobre candidatos, governos e processos eleitorais.

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Senado marca para quarta-feira votação da PEC que acaba com a escala 6×1

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O Senado Federal deve votar na próxima quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A data foi definida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e marca o início da votação em plenário de uma das principais pautas trabalhistas defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A PEC 221/2019 estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários. A mudança substituiria a escala de seis dias de trabalho por um de folga pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso.

A implementação seria gradual. Nos primeiros 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima passaria para 42 horas semanais, com a garantia de duas folgas. Após mais 12 meses, o limite cairia para 40 horas. O texto também prevê regras específicas para determinadas categorias profissionais.

Ao anunciar a votação, Alcolumbre afirmou que está cumprindo o compromisso de colocar a proposta em pauta “com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental”.

A proposta já foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados, em maio deste ano, e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. Agora, precisa conquistar pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, em duas votações.

A votação ocorre em meio à disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que se enfrentam no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. A base governista busca acelerar a tramitação para concluir a votação antes da eleição, enquanto integrantes da oposição questionam a mudança no calendário e defendem alternativas para a organização da jornada de trabalho.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), trabalha para reunir apoio a um calendário especial que permita antecipar a segunda votação. Pelo rito normal, a PEC precisa passar por três novas sessões de discussão após a aprovação em primeiro turno.

Caso receba os votos necessários nas duas etapas, sem alterações em relação ao texto aprovado pela Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional, sem necessidade de sanção presidencial.

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Números de 13 e 22 Bolsonaro somam mais de 29 mil votos nulos para governador no Acre

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Mais de 29 mil eleitores acreanos digitaram os números 13 e 22 na votação para governador no primeiro turno das eleições de 2026, realizado no último domingo (4). Como nenhum candidato ao governo estadual concorria com essas numerações, os votos foram anulados. Os dois números são associados aos partidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), que disputam a Presidência da República.

Ao todo, foram registrados 29.085 votos nulos com essas duas numerações. O número 22 apareceu 19.428 vezes, enquanto o 13 foi digitado por 9.657 eleitores. Os dados fazem parte de um levantamento realizado a partir dos Registros Digitais de Voto (RDVs) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abrangendo 2.270 seções eleitorais dos 22 municípios do Acre.

A quantidade de votos registrados com esses números chama a atenção porque nenhum dos dois partidos apresentou candidato próprio ao governo estadual. O PL integra a coligação da governadora Mailza Assis (PP), enquanto o PT participou da disputa por meio da Federação Brasil da Esperança, que apoiou a candidatura de Thor Dantas (PSB).

Os registros não permitem identificar se os eleitores confundiram os números utilizados na eleição presidencial com os da disputa estadual ou se decidiram anular o voto de maneira intencional. O sistema eleitoral preserva o sigilo das escolhas e não permite relacionar os votos de uma mesma pessoa para diferentes cargos.

Na disputa pelo Governo do Acre, Mailza Assis terminou o primeiro turno com 218.760 votos, equivalentes a 49,76% dos válidos. Alan Rick (Republicanos) recebeu 141.859 votos, ou 32,27%. Os dois candidatos disputarão o segundo turno no próximo dia 25 de outubro.

Os votos nulos não entram no cálculo dos votos válidos, utilizado pela Justiça Eleitoral para definir os resultados. A anulação do voto para governador também não interfere na votação para presidente, senador ou deputado, já que cada cargo é contabilizado separadamente.

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