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Sonhos que constroem o futuro

Governo do Estado e trabalhadores unidos na revitalização da Avenida Ceará. Engenharia, força e esperança transformando o Acre.

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Fotografia Premiada

A imagem “Sonhos que constroem o futuro”, da autoria do fotojornalista Sérgio Vale, conquistou o 1.º lugar na categoria Fotografia no 3.º Prémio de Comunicação do Governo do Estado do Acre – Marcos Vicentti (2025).

O sol do Acre não perdoa. Brilha firme sobre o asfalto quente da Avenida Ceará, onde o tempo parece se dividir entre o barulho das máquinas e o passo apressado de quem passa. Ali, no coração de Rio Branco, a cidade muda. Cada novo metro de via é um traço de modernidade. Cada rosto suado, uma história.

Entre eles, a de Wesley da Silva de Oliveira, 26 anos. Filho de uma doméstica e de um pedreiro, ele aprendeu com o pai que trabalho é mais do que sustento, é um modo de existir. “Meu pai era pedreiro, minha mãe doméstica. Eu segui o rumo do meu pai, porque era o que tinha em casa”, diz, olhando para o canteiro de obra que ajuda a erguer, com as mãos marcadas e um olhar que mistura força, cansaço e orgulho.

A obra da Avenida Ceará, executada pelo Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Obras Públicas (SEOP), é uma dessas transformações que se enxergam de perto. Não é só sobre concreto e máquinas. É sobre o movimento de uma cidade que cresce, de pessoas que voltam a sonhar. É sobre um governo que escolheu fazer da infraestrutura um caminho de dignidade.

“É bom ver o governo dando oportunidade. A gente se anima, tem renda, melhora a condição da família”, conta Wesley. Atrás dele, outros homens e mulheres dividem a mesma rotina e o mesmo sentimento. São vozes que o Acre às vezes não ouve, mas que constroem, em silêncio, o futuro de todos nós.

O engenheiro civil Ítalo Almeida Lopes, secretário de Estado de Obras, caminha entre o barulho das máquinas e o calor do asfalto. Ele fala com o orgulho de quem também põe a mão no trabalho que conduz. “É um sentimento de realização e de responsabilidade muito grande”, diz. “Sou engenheiro formado na Universidade Federal do Acre e hoje trabalho com profissionais que são referência para o Estado todo. Essa obra vai muito além da técnica. Mobilidade urbana é qualidade de vida. É garantir que quem sai de casa cedo para trabalhar ou estudar tenha menos tempo no trânsito e mais tempo com a família.”

A Avenida Ceará é mais do que uma via em obras. É o símbolo de um Estado que se refaz, que investe na sua gente, que transforma o chão em esperança. “Eu me imagino nessa cidade daqui a um ano, tudo diferente. E já fico emocionado, porque participei disso”, diz Wesley, com um sorriso tímido. “O coração fica doido.”

No fim da tarde, o sol se despede em tons alaranjados e o reflexo do asfalto novo devolve à cidade um brilho que parecia esquecido. Wesley observa o que está ajudando a construir. “Nosso Acre não é excluído. A gente existe e tem força pra trabalhar”, diz, mais pra si do que pra quem ouve.

Talvez ele não perceba, mas sua frase carrega o sentido exato daquela obra, e de tantas outras que nascem do trabalho e da vontade de um governo que acredita nas pessoas. Porque, no fim das contas, o que se constrói ali não é apenas uma avenida. São sonhos que constroem o futuro.

“Nosso Acre não é excluído. A gente existe e tem força pra trabalhar” – Wesley da Silva de Oliveira


‘Vozes que o Acre às vezes não ouve, mas que constroem, em silêncio, o futuro de todos nós.’

Governo do Estado e trabalhadores unidos na revitalização da Avenida Ceará. Engenharia, força e esperança transformando Rio Branco. – Foto: Sérgio Vale

“Mobilidade urbana é qualidade de vida. Cada desafio de hoje é parte de um investimento que vai beneficiar gerações de acreanos.”  Ítalo Almeida Lopes, secretário de Estado de Obras. – Foto: Sérgio Vale

Texto de Alexandre N. Nobre

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 “Rio Branco se constrói vivendo e sonhando junto com seu povo”

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Prefeitura após a reformaCacimbão da CapoeiraIdentificação de ruas
Especial Épop · Rio Branco

“Rio Branco se constrói vivendo e sonhando junto com seu povo”

“Aqui é meu lugar”: Angelim e o sonho de uma Rio Branco para todos

Raimundo Angelim ficou oito anos à frente da Prefeitura de Rio Branco, entre 2005 e 2012, sem escolher uma ponte, uma rua, uma rodoviária, uma escola ou uma obra de concreto para resumir o próprio governo. Ao revisitar àquele tempo, o ex-prefeito prefere apontar para algo menos fotografável e mais difícil de medir: a tentativa de fazer a capital acreana olhar para si mesma e reconhecer que a cidade não terminava no Centro, nem nas avenidas mais bem cuidadas, nem nos bairros onde o poder público chegava primeiro. Para Angelim, a obra maior foi política e afetiva: criar condições para que o morador da periferia, da beira do igarapé, da rua de barro, da regional esquecida e da comunidade organizada pudesse dizer, com algum sentido concreto, que Rio Branco também era seu lugar.

“Quando olho para os oito anos de gestão, destaco a abertura da administração à participação popular como elemento central do projeto de cidade”, diz Angelim. A frase, dita sem esforço e com simplicidade, abre uma janela para entender o lugar que ele ocupa na memória política recente do Acre. Economista, professor aposentado da Universidade Federal do Acre, gestor formado no planejamento público, na universidade, no Sebrae, na Casa Civil, na Assembleia Legislativa, na Câmara Federal e em diferentes engrenagens do Estado, Angelim chegou à Prefeitura com a marca de um técnico-político. Mas o que ele reivindica agora não é apenas a racionalidade da planilha. É o encontro entre método e escuta, orçamento e bairro, diretriz urbana e vida cotidiana.

“Quando olho para os oito anos de gestão, destaco a abertura da administração à participação popular como elemento central do projeto de cidade.”

Raimundo Angelim

Rio Branco, naquele começo dos anos 2000, ainda carregava no corpo uma velha ferida amazônica: crescia rápido, empurrava famílias para áreas frágeis, convivia com igarapés pressionados, ruas sem drenagem, ocupações irregulares, ausência de saneamento, transporte difícil e uma sensação de que a cidade pertencia a poucos. O asfalto, quando chegava, parecia favor. A praça, quando nascia, virava acontecimento. A sede comunitária, a quadra, a creche, o posto de saúde reformado e a rua com drenagem mudavam mais do que a paisagem; mexiam na autoestima de quem durante décadas aprendeu a esperar pouco do poder público.

Angelim leu esse mapa como quem vinha do planejamento, mas também como quem sabia que cidade nenhuma se governa apenas de dentro do gabinete. “Havia, naquela época e ainda hoje, creio, uma necessidade de superar uma lógica de cidade pouco inclusiva, em que parte da população não se reconhecia como integrante do espaço urbano”, afirma. A palavra pertencimento, tão repetida hoje nos debates urbanos, aparece na fala dele como lembrança de um tempo em que o desafio era mais bruto: fazer a Prefeitura pisar o chão dos bairros e aceitar que a periferia também pensava a cidade.

Pertencimento e espaço público
Cacimbão da Capoeira
Cacimbão da Capoeira
Cacimbão da Capoeira
Cacimbão da Capoeira
Acesso ao Cacimbão
Acesso ao Cacimbão

O slogan “Aqui é meu lugar” não funcionava apenas como peça de campanha ou frase de gestão. Na narrativa de Angelim, era uma tentativa de reorganizar a relação entre população e espaço urbano. “A gestão priorizou o fazer com as pessoas, criando condições para que elas se vissem na cidade e participassem de sua construção”, diz. Angelim não quer ser lembrado como o prefeito de uma obra isolada, mas como alguém que tentou dar forma administrativa a uma ideia de cidade compartilhada.

O seu modo de governar ganhou corpo nos conselhos das regionais, no Fórum da Cidade, nas conferências municipais, nas reuniões comunitárias e no Programa de Gestão Participativa, o PGP. Ali, lideranças de bairro, moradores, servidores e gestores cruzavam demandas, urgências e possibilidades. Uma quadra, uma praça, uma sede comunitária, uma rua, uma drenagem, uma intervenção de lazer ou cultura podiam nascer da pressão organizada de quem conhecia a lama, a poeira, o ônibus atrasado e a falta de equipamento público não como conceito, mas como rotina.

“Dentro do gabinete, isso se traduzia em processos de decisão mais abertos, com escuta ativa e articulação com diferentes setores da sociedade”, diz Angelim. “O planejamento urbano não era tratado apenas como instrumento técnico, mas como ferramenta de organização social.” A frase carrega a síntese de uma gestão que buscava transformar demanda popular em programa, e programa em obra, serviço ou política pública. Nem sempre com a velocidade esperada, é verdade. Nem sempre com a permanência necessária, também é verdade. Mas com uma intuição rara na administração pública, Angelim sabe que o bairro não é problema a ser corrigido, é ponto de partida para pensar a cidade.

As Zonas de Atendimento Prioritário, as ZAPs, foram uma iniciativa do Governo do Acre, desenvolvida em parceria com a Prefeitura de Rio Branco. O projeto articulava a atuação estadual e municipal para enfrentar, de maneira integrada, problemas urbanos, ambientais e sociais concentrados nas áreas mais vulneráveis da capital.

As ZAPs talvez sejam o exemplo mais visível dessa leitura territorial. No âmbito da parceria, a gestão municipal participou da organização e da execução de intervenções que combinavam saneamento, pavimentação, urbanização, remoção de famílias de áreas de risco, recuperação ambiental, arborização e projetos sociais. Registros do período apontam oito ZAPs, cerca de 8 mil famílias beneficiadas e 12 bairros populares alcançados por esse modelo de ação integrada.

A cidade em transformação
Prefeitura após a reforma
Prefeitura após a reforma
Registro panorâmico de espaço público em Rio Branco
Registro panorâmico de espaço público em Rio Branco
Registro de praça em Rio Branco
Registro de praça em Rio Branco

A ZAP Chico Mendes permanece como uma dessas marcas. A área reunia problemas conhecidos de tantas periferias amazônicas: ocupação irregular, moradias comprimidas perto de igarapés, ausência de saneamento, ruas difíceis, risco ambiental e abandono acumulado. A intervenção previa rede de água, esgoto, pavimentação, recuperação de áreas degradadas e parque linear. Por trás dos números, havia uma escolha e decisão social política: tratar a pobreza urbana não como falha moral do morador, mas como resultado de uma cidade que durante muito tempo cresceu sem reconhecer todos os seus habitantes.

Essa compreensão aproximou e/ou aproxima a gestão Angelim de uma questão central para Rio Branco: a relação entre urbanização e ambiente. Na Amazônia acreana, o igarapé não é detalhe da paisagem. Ele corta bairros, carrega memória, drena chuvas, recebe agressões, transborda descaso. Quando uma família ocupa a beira de um curso d’água, o problema não cabe numa frase simples. Há ali ausência de moradia, desigualdade, omissão histórica, pressão econômica, risco sanitário e destruição ambiental. Angelim diz que o Plano Diretor, a política habitacional e a regularização fundiária foram pensados dentro dessa tensão entre crescimento urbano, preservação e inclusão.

“Essas medidas foram concebidas como uma combinação entre decisão técnica e escolha política”, afirma. “Do ponto de vista técnico, houve a definição de diretrizes claras para o crescimento urbano, a proteção de áreas de preservação permanente e a segurança dos igarapés, elementos fundamentais para a sustentabilidade da cidade.” O ex-prefeito cita estudos sobre ocupação do território, áreas de desenvolvimento urbano e rural, levantamento de reservas de água subterrânea e ordenamento do crescimento. Mas o centro da sua fala volta sempre ao direito à cidade. “Do ponto de vista político, essas medidas representaram uma opção pela inclusão urbana, ao reconhecer o direito à cidade e à moradia digna.”

A regularização fundiária aparece nesse ponto como uma fronteira inacabada. Angelim reconhece que a política não se encerra em um mandato, nem se resolve com decreto, discurso ou mutirão isolado. Para famílias de baixa renda, receber segurança jurídica sobre o lugar onde se mora altera a relação com a casa, com a rua e com o futuro dos filhos. Mas a engrenagem é lenta, jurídica, técnica, administrativa e politicamente vulnerável. “O principal avanço foi a consolidação do conceito de regularização fundiária como política pública estruturante no município”, diz. “A regularização fundiária não se encerra em um ciclo de governo, mas demanda um esforço contínuo e integrado ao planejamento urbano.”

Equipamentos para a cidade
Vista aérea da Rodoviária
Vista aérea da Rodoviária
Vista aérea da UTRE
Vista aérea da UTRE
Restaurante Popular
Restaurante Popular

A mesma lógica atravessa a agenda dos resíduos sólidos. A criação da Unidade de Tratamento de Resíduos de Rio Branco, a UTRE, nasceu como resposta a um problema que crescia com a própria cidade. Lixo, saúde pública, contaminação, descarte irregular e gestão ambiental formavam uma só questão. “A agenda de resíduos sólidos surgiu da necessidade de enfrentar de forma estruturada um problema urbano crescente”, afirma Angelim. A UTRE, para ele, foi uma tentativa de dar solução técnica a uma ferida urbana que não podia continuar sendo empurrada para longe dos olhos da população.

Na educação, o ex-prefeito lembra construção e reforma de escolas, melhoria da merenda escolar, ampliação de creches e avanços em indicadores. Na saúde, fala de cobertura vacinal infantil, fortalecimento da atenção básica, serviços essenciais e políticas voltadas aos idosos. No campo social, menciona mulheres, pessoas em vulnerabilidade, redes de inclusão e equipamentos públicos. Na produção, cita agricultura familiar, mulheres produtoras, empreendedorismo, Ceasa e geração de trabalho e renda. Tudo entra, na leitura dele, dentro de uma mesma arquitetura: elevar a autoestima coletiva e fazer a cidade funcionar para mais gente.

Não se trata, porém, de uma história sem engrenagem política. Angelim não separa sua gestão do ciclo da Frente Popular do Acre. Ele reconhece que a sintonia entre Prefeitura, Governo do Acre e Governo Federal ampliou a escala das entregas, facilitou o acesso a recursos e deu força a políticas que talvez não tivessem avançado no mesmo ritmo sem essa convergência. “Sem esse alinhamento, é possível que os resultados fossem diferentes, especialmente em termos de escala e velocidade de entrega”, afirma. Ainda assim, procura marcar uma diferença: a gestão municipal tinha rosto próprio na forma de executar, dialogar e organizar prioridades por território.

Esse ponto é importante para retirar Angelim da caricatura do gestor apenas técnico ou apenas beneficiário de um momento político favorável. Sua administração fazia parte de um projeto coletivo, mas operava num terreno específico: Rio Branco, com suas regionais, seus bairros populares, seus igarapés pressionados, suas associações comunitárias, suas demandas antigas e suas lideranças de base. “A ênfase na participação popular, na construção do planejamento urbano e na articulação com diferentes segmentos sociais refletiu uma identidade de gestão que dialogava com o projeto coletivo, mas que também buscava responder às especificidades de Rio Branco”, diz.

“A comunidade nos ensinou muito, nos fez quebrar ritos e protocolos para rever muitas das nossas ações.”

Raimundo Angelim
Convivência, memória e cuidado
Registro de espaço público arborizado em Rio Branco
Registro de espaço público arborizado em Rio Branco
Monumento em espaço público de Rio Branco
Monumento em espaço público de Rio Branco
Equipamento de apoio em área pública de Rio Branco
Equipamento de apoio em área pública de Rio Branco

Houve decisões difíceis. Angelim cita o rigor na aplicação do Plano Diretor como uma das mais desafiadoras. Em uma cidade onde a pressão por ocupação urbana sem planejamento sempre foi intensa, ordenar o uso do solo significa contrariar interesses, criar resistências e enfrentar a velha cultura do improviso. “Essa postura, embora necessária do ponto de vista técnico e ambiental, gerou resistências, especialmente em contextos onde há pressão por ocupação urbana sem planejamento”, afirma. Para ele, não havia como defender a sustentabilidade urbana sem algum grau de conflito.

A política, na lembrança do ex-prefeito, também foi feita por personagens que raramente aparecem nas fotografias oficiais. Servidores da saúde, da educação, dos serviços urbanos, técnicos de planejamento, lideranças comunitárias, idosos, mulheres, esportistas, fazedores de cultura e moradores que levavam recados, cobravam obras, organizavam reuniões e sustentavam a ponte entre Prefeitura e território. “Quantas lideranças, quantos idosos, mulheres, fazedores de cultura, esportistas levaram nossas mensagens para as ruas. Essas pessoas se sentiram, em algum momento, parte integrante da gestão”, diz.

Isso talvez revele mais sobre Angelim do que qualquer balanço administrativo. Para ele, a cidade não foi apenas administrada; foi negociada, debatida, tensionada e construída com gente que conhecia o chão. A Prefeitura, nesse desenho, não aparecia como uma torre distante. Era uma máquina pública tentando se abrir, com todos os limites, contradições e disputas que acompanham qualquer governo. “A comunidade nos ensinou muito, nos fez quebrar ritos e protocolos para rever muitas das nossas ações”, lembra.

Por isso, Angelim considera limitada a leitura que reduz sua administração às obras físicas. Não porque infraestrutura seja menor. Em Rio Branco, uma rua pavimentada com drenagem pode mudar a vida de uma família tanto quanto uma política social. Mas, na avaliação dele, o concreto era parte de uma trama maior. “Embora a infraestrutura seja importante, houve um conjunto mais amplo de políticas estruturantes voltadas à inclusão social, ao planejamento urbano e fortalecimento institucional administrativo”, afirma. A obra, sozinha, não explica o projeto. O que ele quer preservar é o modo de fazer.

Podemos falar e conversar sem filtros ou qualquer restrição o que levou a entrevista ganhar densidade pessoal quando Angelim fala do que a política lhe deu e do que lhe tirou. O tom deixa de ser apenas administrativo e entra numa região mais íntima, onde a vida pública cobra sua conta. A política proporcionou aprendizado, experiência e reconhecimento”, diz. Quantas pessoas tocamos, quantas ajudamos e que saíram do anonimato social. Depois, vem o preço: o tempo retirado da família, a dedicação intensa, a vida pessoal comprimida pela agenda pública. “Mas não me arrependo, isso me tornou mais digno de ter a família que tenho.”

Uma cidade que ganha nome e direção
Identificação de ruas
Identificação de ruas

Hoje, Angelim diz não buscar novos mandatos. A participação, para ele, pode existir fora do cargo, na conversa, na formação, no conselho, na memória e na disposição de continuar pensando a cidade. “A participação política não se limita ao exercício de cargos, podendo ocorrer também no campo das ideias e da orientação, do se colocar disposto para pensar, chorar e sorrir com as pessoas”, afirma. Afirmação que carrega um traço do homem que atravessou a política sem abandonar completamente o professor.

Ao falar do futuro, ele olha para uma nova geração e deseja lideranças capazes de conversar com o mundo sem perder o pé no Acre. Esse é um dilema antigo da política amazônica: inovar sem virar cópia, crescer sem destruir, modernizar sem apagar os povos, planejar sem expulsar os pobres, dialogar globalmente sem abandonar a realidade local. “A juventude precisa ser incentivada a inovar, a valorizar o conhecimento e a construir soluções adaptadas às necessidades da região”, diz. Para Angelim, também é preciso aprender com experiências anteriores, porque política pública sem continuidade vira sempre recomeço, e recomeço permanente custa caro para quem mais precisa do Estado.

Quando perguntamos sobre a história política recente do Acre, Angelim não foge das perdas do campo progressista. Ele reconhece que a esquerda acreana acertou ao colocar inclusão social, meio ambiente, floresta e povos tradicionais no centro de um projeto de governo, mas também admite que perdeu diálogo com a sociedade em momentos decisivos. A esquerda perdeu a narrativa de que as pessoas estavam no centro das nossas ações, afirma. A análise vem sem triunfalismo. Para ele, o aprendizado está na escuta, na adaptação e no replanejamento permanente.

No fim, Angelim volta ao começo. Gostaria de ser lembrado como alguém que contribuiu para uma gestão baseada na participação, no planejamento e no compromisso com a vida da cidade. Não fala em monumento, nem em avenida, nem em marca pessoal acima da experiência coletiva. Fala de processo, de capacidade pública, de gente comum e de uma cidade onde a vida acontece. “Mais do que ações isoladas, a intenção foi fortalecer processos e ampliar a capacidade de atuação da gestão pública, pensando na cidade como o lugar onde a vida acontece, onde as pessoas sonham em ser felizes.”

Infraestrutura e mobilidade
Mercado Municipal
Mercado Municipal
Terminal Urbano de Rio Branco
Terminal Urbano de Rio Branco

A memória de Raimundo Angelim permanece ligada a essa disputa sobre o sentido de Rio Branco. Para seus defensores, ele ajudou a fazer a Prefeitura sair do gabinete e chegar aos bairros com planejamento, obra, serviço e escuta. Para a análise histórica, seu ciclo ainda pede cruzamento entre memória, dados, continuidade, manutenção das políticas e voz dos moradores atingidos por aquelas intervenções. Mas, na narrativa que ele constrói sobre si, há uma coerência clara: a cidade não podia ser apenas espaço de circulação, arrecadação e obra. Precisava ser lugar de pertencimento.

Não se faz política distante das pessoas, se faz política vivendo juntos, sonhando, decepcionando e comemorando juntos”, diz Angelim. Nessa frase cabe o prefeito, o professor, o gestor e o homem que hoje olha para trás sem escolher uma peça de concreto como troféu. Sua maior obra, na versão que entrega à memória pública, foi tentar convencer Rio Branco de que a cidade também se constrói quando o morador da periferia deixa de pedir licença para existir nela.

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Macadame: a solução de engenharia que pode mudar o futuro da BR-364 no Acre

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A BR-364 cortando a floresta amazônica no Acre
Especial · Infraestrutura

Macadame: a solução de engenharia que pode mudar o futuro da BR-364 no Acre

O DNIT adotou o macadame hidráulico como principal solução estrutural para a rodovia — e a mudança vai muito além do asfalto.

Foto: Sérgio Vale / Secom · Cedida (DNIT)
🛣️
400 km
sobre tabatinga

do trecho central da BR-364 assentados sobre o solo mais instável do país

📅
10 anos
durabilidade comprovada

trechos com macadame de 2015–2016 seguem em boa trafegabilidade

⚙️
Macadame
hidráulico

pedra britada compactada que distribui tensões e drena internamente

A reconstrução da BR-364 no Acre avança para uma nova etapa baseada em engenharia adaptada às condições amazônicas. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) adotou o macadame hidráulico como principal solução estrutural para garantir maior eficiência e durabilidade à rodovia federal.

Segundo o superintendente regional do DNIT no Acre, engenheiro civil Ricardo Araújo, a escolha da técnica representa uma mudança significativa na forma de construir e manter estradas na região.

“Quando o terreno natural não oferece resistência suficiente, a engenharia precisa suplementar essa deficiência com mais estrutura.”

— Ricardo Araújo, superintendente regional do DNIT no Acre

Grande parte do trecho central da BR-364, aproximadamente 400 quilômetros, está assentada sobre a tabatinga — um solo silto-argiloso altamente expansivo, sensível à água e considerado um dos mais complexos do país para obras rodoviárias.

Estudos técnicos indicam que essa formação pode atingir centenas de metros de profundidade, e não há solos bons nas proximidades, impossibilitando soluções tradicionais. Além disso, a tabatinga não pode ser melhorada por meio de simples adição de cal ou cimento, dada a sua composição química peculiar.

🌎 O problema do solo

Perfil geológico mostrando a tabatinga e a instabilidade estrutural da BR-364 Foto: Sérgio Vale / Secom · Cedida (DNIT)

📍 Por que a tabatinga destrói a pista

O inimigo invisível que nasce no subleito

  • Solo silto-argiloso altamente expansivo e instável
  • Perde resistência com umidade — incha no inverno, racha no verão
  • Recalque profundo atinge o pavimento por cima
  • O buraco aparece na superfície — mas o problema nasce embaixo
  • Não pode ser tratada com cal ou cimento por sua composição química

🗺️ O solo importa

Extensão do problema ao longo da rodovia

Mapa técnico indicando a extensão da tabatinga ao longo da BR-364
Extensão da tabatinga no trecho central. Cedida (DNIT)
Trator encalhado na tabatinga durante obra na BR-364
A tabatinga é capaz de “engolir” um trator (Foto: Sérgio Vale, em 2008)

Nesse tipo de terreno, o problema não começa no asfalto, mas no subleito — a base natural da estrada. Durante o verão amazônico, o solo perde umidade, retrai e cria fissuras profundas. No inverno, absorve grandes volumes de água, expandindo e perdendo resistência. O resultado é o recalque diferencial.

Historicamente, muitas rodovias amazônicas foram dimensionadas com métodos desenvolvidos para outras regiões do Brasil, sem considerar as características geológicas locais. Isso gerou estruturas insuficientes e um ciclo vicioso de degradação.

“O buraco aparece na superfície, mas o problema está embaixo. Se a deficiência estrutural continua, tapar o buraco resolve hoje e ele volta no mês seguinte.”

— Ricardo Araújo, DNIT Acre

Por que o macadame é diferente

O macadame hidráulico surge como resposta direta a essa deficiência estrutural. A técnica consiste na execução de uma base formada por camadas espessas de pedra britada, estabilizada granulometricamente e compactada. Essa estrutura funciona como uma camada rígida e drenante que substitui a função que o solo deveria exercer, mas não consegue.

“Na engenharia rodoviária, esse mecanismo é conhecido como distribuição de tensões: o peso dos veículos deixa de chegar concentrado ao subleito e passa a ser dissipado pela camada de pedra, evitando que o pavimento afunde na lama profunda”, ressalta Araújo.

Além disso, o macadame atua como camada drenante. A drenagem interna permite que a água atravesse a estrutura sem comprometer a pista — fator essencial em áreas de várzea e clima extremo como o Acre. “Na prática, o macadame funciona como um ‘escudo estrutural’ entre o pavimento e a tabatinga.”

Infográfico técnico

Como o macadame protege a BR-364 — comparativo de estruturas

❌ Pavimento tradicional (sem macadame)
Asfalto
Camada superficial — aguenta sozinha
Frágil
Solo-brita ou solo local
Perde resistência com umidade
Instável
Tabatinga
Seca e racha no verão; incha e cede no inverno
Crítico
Resultado
Recalque → buraco → tapa-buraco → buraco volta
Ciclo vicioso
✅ Com macadame hidráulico
Asfalto
Suportado por uma base robusta abaixo
Protegido
Pedra britada compactada
Distribui tensões; água escoa pelos vazios
Escudo
Tabatinga isolada
Não recebe cargas; não expande sob o pavimento
Controlada
Resultado
Até 10 anos de trafegabilidade — manutenção drasticamente reduzida
Durável

Representação esquemática. Fonte: DNIT / declarações do eng. Ricardo Araújo (texto da matéria).

⚙️ Infografia técnica · Como o macadame protege a BR-364

Infografia técnica das camadas do macadame hidráulico
Esquema das camadas estruturais do macadame hidráulico. Cedida (DNIT)

O antídoto para o ciclo de buracos

Especialistas do DNIT definem o macadame hidráulico como o “antídoto” para o problema histórico da BR-364. Estradas com deficiência estrutural entram em um ciclo contínuo e oneroso: buracos são tapados repetidamente, mas a origem do problema persiste.

A reconstrução estrutural exige investimento inicial mais alto, porém diminui de forma significativa os gastos ao longo do tempo. Trechos recuperados com macadame podem reduzir despesas anuais de manutenção de centenas de milhares de reais para valores muito menores.

Diagrama do problema

O ciclo vicioso do pavimento sem base estrutural — clique em cada etapa

Tabatinga úmida Solo expande e cede Fissuras no leito Recalque diferencial Buraco na pista Superfície afunda Tapa-buraco Remendo superficial Custo alto Problema persiste Ciclo vicioso sem fim
👆 Passe o mouse (ou toque) em cada etapa do ciclo para ver a explicação.

Fonte: declarações do eng. Ricardo Araújo, DNIT Acre (texto da matéria).

“Estradas mal estruturadas custam caro para sempre. Quando corrigimos a origem do problema, a rodovia passa a exigir muito menos intervenção.”

— Ricardo Araújo, DNIT Acre

Evidência prática na própria BR-364

Terraplenagem e drenagem durante as obras da BR-364
Trecho em terraplenagem e drenagem durante as obras da BR-364. Foto: Sérgio Vale / Secom

A eficácia do método já pode ser observada na própria BR-364. Trechos executados em macadame hidráulico entre 2015 e 2016 permanecem em boas condições de trafegabilidade quase dez anos depois, mesmo submetidos aos rigorosos ciclos de chuva amazônica.

Esses resultados reforçaram a decisão técnica de adotar o macadame como padrão estrutural nos novos projetos executivos. “Hoje já temos trechos executados com macadame que continuam bons, mesmo enfrentando inverno rigoroso. Isso mostra que a técnica funciona para a realidade do Acre”, afirma o engenheiro.

Análise comparativa (ilustrativa)

Custo acumulado de manutenção ao longo do tempo

Pavimento sem base estrutural adequada
Pavimento com macadame hidráulico
0 R$ médio R$ alto Ano 1 Ano 3 Ano 5 Ano 7 Ano 9 Ano 10 Trechos 2015–2016 ainda trafegáveis ✔

Valores ilustrativos baseados em dados relativos citados pelo DNIT. O macadame pode reduzir despesas anuais de manutenção de centenas de milhares de reais para valores significativamente menores.

O engenheiro explica que, mesmo diante da complexa logística de transporte de pedra — necessária porque o Acre não dispõe deste material — os estudos apontam que a durabilidade obtida compensa o custo adicional.

O dilema entre manter e reconstruir

Máquinas pesadas na abertura de trecho da BR-364
Máquinas trabalham na abertura e preparação de trecho da BR-364. Foto: Sérgio Vale

O DNIT reconhece que a BR-364 vive hoje um paradoxo operacional. Enquanto a solução definitiva exige reconstrução estrutural, a rodovia não pode ser interrompida — representa a única ligação terrestre contínua entre municípios acreanos. Sem manutenção emergencial, parte do estado poderia enfrentar isolamento severo.

Assim, os serviços de tapa-buracos e conservação continuam sendo executados como medida de sobrevivência operacional.

“A BR-364 é uma rodovia social, dependemos dela no dia a dia. Precisamos mantê-la aberta, fazendo manutenção, tapando buracos e melhorando os pontos críticos, enquanto avançamos para uma solução mais duradoura.”

— Ricardo Araújo, DNIT Acre
Manutenção emergencial em trecho crítico da BR-364
Intervenção emergencial em trecho crítico da BR-364. Cedida (DNIT)
Estrutura de drenagem em construção no trecho da BR-364 em Feijó
Estrutura de drenagem em construção no trecho da BR-364 em Feijó. Foto: Sérgio Vale / Secom

Engenharia adaptada à Amazônia

A adoção do macadame representa uma mudança de paradigma na infraestrutura rodoviária do estado. Em vez de tentar adaptar modelos tradicionais à região amazônica, o projeto passa a considerar as características naturais do território.

O método é especialmente indicado para áreas com solo úmido, tráfego intenso e regimes climáticos extremos — exatamente as condições encontradas no interior do Acre.

Para Araújo, o impacto vai além da engenharia rodoviária. “A BR-364 é uma rodovia estratégica para o Acre. Ela conecta municípios, garante o deslocamento da população, o transporte de pacientes, o abastecimento das cidades e o funcionamento dos serviços públicos.”

Trecho pavimentado e consolidado da BR-364 no Acre
Trecho pavimentado e em operação da BR-364. Foto: Sérgio Vale / Secom · Cedida (DNIT)

“Quando fortalecemos a estrutura da estrada, estamos conectando pessoas, reduzindo o isolamento e assegurando melhores condições de vida.”

— Ricardo Araújo, DNIT Acre

TextoCarina Menezes — parceria É Pop e Na Proa da Notícia Fotos e imagensSérgio Vale / Secom · Cedidas (DNIT)

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No Instagram, pré-candidatos ao Governo do Acre travam disputa por poder, narrativa e território político

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No feed da pré-campanha

Entre 2 de fevereiro e 5 de maio de 2026, Mailza Assis, Tião Bocalom, Alan Rick e Thor Dantas apareceram em 1.065 publicações públicas monitoradas pela Pop IntelBox, somando cerca de 529,5 mil interações entre curtidas e comentários.

2 de fevereiro a 5 de maio de 2026 1.065 publicações públicas 529,5 mil interações
600 posts de Tião Bocalom, o maior volume entre os perfis analisados.
860,8 interações por post de Mailza Assis, a média mais alta do levantamento.
17,1% das interações de Alan Rick vieram de comentários.
43 posts de Thor Dantas, presença menor e concentrada em saúde.

Antes de a campanha oficial tomar as ruas, os bairros, os ramais e os palanques do Acre, a eleição de 2026 já começou a se mover numa arena onde cada gesto vira mensagem e cada postagem tenta ocupar um pedaço do imaginário público: o Instagram. Entre 2 de fevereiro e 5 de maio de 2026, Mailza Assis, Tião Bocalom, Alan Rick e Thor Dantas apareceram em 1.065 publicações públicas monitoradas pela Pop IntelBox, somando cerca de 529,5 mil interações entre curtidas e comentários. O número não mede voto, nem preferência eleitoral, nem aprovação de governo. Mede outra coisa, talvez mais sutil e igualmente decisiva neste momento anterior à campanha: quem fala mais, quem mobiliza melhor, quem tenta se tornar dono de determinados temas e qual personagem político cada pré-candidato busca vestir diante do eleitor acreano.

A disputa digital no Acre não é apenas uma corrida por curtidas. É uma briga por papel político. Bocalom tenta se firmar como o gestor que entrega obra concreta, que aponta para o asfalto, o elevado, a rua modificada e diz ao eleitor: está feito. Mailza Assis tenta transformar a continuidade do governo em presença própria, com um rosto feminino, institucional, religioso, territorial e cuidador. Alan Rick trabalha a imagem do senador que traz recurso, ocupa Brasília, entra em debates nacionais e tenta converter mandato em força eleitoral. Thor Dantas busca abrir espaço como alternativa técnica, principalmente a partir da saúde, falando menos, mas tentando falar a partir de uma credencial profissional.

O primeiro corte dos dados revela uma diferença importante entre barulho e densidade. Tião Bocalom foi o nome mais presente no período, com 600 publicações e 223.751 interações. É quase uma ocupação diária do feed, uma estratégia de presença constante, como quem finca bandeira no território digital todos os dias para não deixar o assunto esfriar. Mailza Assis publicou menos da metade, 255 posts, mas chegou muito perto no engajamento total, com 219.503 interações, e liderou a média por publicação, com 860,8 interações por post. Alan Rick apareceu com 167 publicações, 72.256 interações e média de 432,7. Thor Dantas teve a presença mais estreita, com 43 posts, 13.988 interações e média de 325,3.

Essa diferença conta uma história política. Bocalom opera pela repetição e pela visualidade da entrega. Mailza aposta na intensidade de cada aparição. Alan trabalha com uma comunicação mais disciplinada de mandato, marcada por hashtags, temas legislativos e pautas de confronto. Thor ainda está numa fase de afirmação, tentando convencer o público de que sua experiência técnica pode virar projeto de poder.

No caso de Tião Bocalom, a narrativa é direta e quase material. O prefeito de Rio Branco aparece como o homem da obra, da máquina, da entrega física, do antes e depois. Das 600 postagens, 226 foram classificadas no eixo de gestão, obras e entregas. O conteúdo de maior engajamento de todo o monitoramento foi dele: um vídeo publicado em 21 de março de 2026 sobre o Elevado Mamédio Bittar, com a frase “Está entregue! Elevado Mamedio Bittar é do povo. Rio Branco avançando”. A publicação somou 6.634 interações, sendo 6.212 curtidas e 422 comentários.

A força de Bocalom está naquilo que pode ser filmado. A obra vira prova, o vídeo vira palanque, o elevado vira argumento. Em uma política marcada muitas vezes pela promessa, ele tenta sustentar a comunicação no concreto. A imagem de gestor executor ganha corpo quando o eleitor vê a estrutura de pé, a via aberta, o trânsito alterado, o equipamento público entregue. O risco também mora aí. A narrativa que funciona em Rio Branco precisa atravessar o mapa inteiro do Acre. Uma eleição estadual exige que o capital político municipal caminhe para além da capital, chegue aos municípios do interior, aos rios, às terras firmes, aos lugares onde a obra vista no Instagram pode parecer distante da vida cotidiana.

Mailza Assis aparece em outro registro. Sua comunicação mistura governo, assistência social, segurança pública, saúde, fé, família, eventos populares e presença territorial. O eixo mais frequente em seu perfil foi assistência social, com 118 posts, seguido por gestão, obras e entregas, com 107, e agenda e comunidade, com 103. A maior média de engajamento apareceu nos conteúdos ligados a família, fé e valores, com 1.447,9 interações por post, e segurança pública, com 1.044,1.

A governadora trabalha uma fronteira delicada: precisa ser continuidade sem parecer apenas extensão de outro nome. Por isso, a comunicação tenta costurar origem humilde, missão pública, maternagem política, fé e autoridade institucional. Em 3 de abril, uma publicação com a frase “Sou uma mulher comum, como tantas outras do nosso Acre” alcançou 4.499 interações. A força da mensagem está no deslocamento: Mailza não se apresenta apenas como ocupante do cargo, mas como alguém que reivindica pertencimento ao Acre comum, ao Acre das mulheres que trabalham, cuidam, creem e sustentam famílias longe dos salões de decisão.

Quando fala da contratação de aprovados do Iapen, Mailza encontra outro ponto sensível. O vídeo teve 4.180 interações e 706 comentários. Segurança pública e funcionalismo costumam mobilizar uma audiência que não apenas curte, mas cobra, celebra, pressiona e participa. A política aparece ali como promessa de estabilidade, emprego, autoridade do Estado e resposta a uma área que atravessa a vida das famílias acreanas. A vantagem de Mailza está na densidade: publica menos que Bocalom, mas alcança quase o mesmo engajamento total. Seu desafio é construir autonomia simbólica diante do capital político herdado de Gladson Cameli.

Alan Rick ocupa um terceiro lugar nessa disputa. Sua comunicação tem marca mais padronizada, com uso recorrente de hashtags como #acre, #aquitemtrabalho, #alanpeloacre e #alanrickpeloacre. O senador fala de mandato, recursos, saúde, infraestrutura, Senado, emendas e pautas nacionais. Seu perfil teve 77 publicações no eixo de política eleitoral, 73 em gestão, obras e entregas, e 43 em saúde.

O dado mais politicamente relevante em Alan não está apenas no total de interações, mas no peso dos comentários. Foram 12.365 comentários dentro de 72.256 interações, uma proporção de 17,1%, superior à dos demais monitorados. Comentário não é sinônimo automático de apoio. Pode ser adesão, crítica, cobrança, militância, ironia ou conflito. Mas mostra que Alan aciona uma audiência mais disposta a responder. Ele não apenas passa pelo feed; ele provoca reação.

Essa característica combina com a assinatura política que tenta construir. Alan aparece como o parlamentar que conecta o Acre a Brasília, que transforma debate nacional em ativo local e emenda parlamentar em argumento eleitoral. Um vídeo de 25 de fevereiro sobre o PL 2294/2024 e o exame nacional de proficiência médica chegou a 3.782 interações. Outro post, sobre pesquisa eleitoral para o governo do Acre, somou 2.386 interações e 436 comentários. Sua força está na clareza da marca: mandato, recurso, saúde e confronto. Seu risco está no próprio combustível dessa comunicação. O atrito engaja, mas também amplia rejeições, endurece campos e pode transformar visibilidade em controvérsia permanente.

Thor Dantas aparece em escala menor, mas com uma tentativa clara de diferenciação. Foram 43 publicações, 13.988 interações e média de 325,3 por post. O volume ainda não permite compará-lo em pé de igualdade com os demais, mas permite ver uma estratégia em formação. Thor tenta converter autoridade profissional em capital político. Seus temas mais recorrentes foram saúde, agenda e comunidade, além de política eleitoral. O post de maior engajamento tratou de sua possível candidatura em 2026 e somou 1.584 interações. Outro vídeo, sobre baixa cobertura vacinal contra gripe, chegou a 856 interações.

O lugar que Thor tenta ocupar é o do técnico-político. Num cenário em que Bocalom fala como gestor executor, Mailza como liderança de continuidade e Alan como articulador de mandato, Thor tenta aparecer como especialista preparado. Saúde pública, gestão, crítica institucional e viabilidade eleitoral formam o centro de sua comunicação. A força está na diferenciação. O limite está na escala. Para crescer, precisará transformar reputação profissional em presença territorial, capilaridade política e linguagem digital mais frequente.

Os posts de maior tração contam o que move o Instagram político acreano. Em Bocalom, a força vem das obras e da mobilidade urbana. Em Mailza, os picos aparecem quando governo, fé, festa popular, posse, segurança e origem pessoal se cruzam. Em Alan, saúde, Revalida, saneamento, pesquisa eleitoral e temas nacionais puxam reação. Em Thor, a audiência cresce quando a candidatura deixa de ser sombra e passa a ser dita. O engajamento, portanto, não nasce apenas da popularidade individual. Ele nasce de evento, emoção, conflito, imagem e oportunidade.

O vídeo domina essa gramática. Em Mailza, os vídeos alcançaram média de 1.176,8 interações, acima dos carrosséis e imagens. Em Bocalom, a média dos vídeos foi de 517,2. Em Alan, 555,1. Em Thor, 408,1. A política no Instagram depende de rosto, voz, cena e ritmo. A obra precisa aparecer. A emoção precisa ser encenada. A fala precisa caber em poucos segundos. A presença pública passa a ser também performance audiovisual.

No fundo, cada pré-candidato tenta ensinar o eleitor a enxergá-lo de uma determinada forma. Bocalom quer ser reconhecido como quem faz. Mailza quer ser reconhecida como quem cuida e continua, mas com nome próprio. Alan quer ser reconhecido como quem articula, entrega e enfrenta. Thor quer ser reconhecido como quem entende tecnicamente dos problemas e pode governar com método. Essa é a disputa real por trás das curtidas: a formação antecipada de reputações.

O Instagram, nesse momento, funciona como um laboratório da eleição de 2026. Ali, os pré-candidatos testam linguagem, medem temperatura, aproximam aliados, tensionam adversários e tentam descobrir quais temas pegam fogo no terreiro digital. Os dados não dizem quem vencerá a eleição. Mas mostram que a campanha já começou antes da campanha, no terreno das imagens, dos comentários, das narrativas e da tentativa de ocupar um lugar fixo na cabeça do eleitor acreano.

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