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MEIO AMBIENTE

Acre enfrenta período de seca extrema e mobiliza ações para enfrentar os desafios ambientais

Uma força-tarefa foi formada, reunindo instituições do Estado, incluindo o sistema de segurança e meio ambiente

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O estado do Acre está passando por um período de seca intensa, que vem trazendo desafios significativos para sua população e ecossistemas. A Secretária de Meio Ambiente e das Políticas Indígenas, Julie Messias, concedeu uma entrevista exclusiva para esclarecer o fenômeno e apresentar as medidas adotadas para enfrentar a situação.

Desafios Climáticos e Ações Estratégicas

De acordo com a Secretária Julie Messias, após um início de ano marcado por fortes alagações, o Estado do Acre se vê agora enfrentando um novo extremo climático: um período de seca. A intensificação desse cenário se deve, em parte, à incidência do fenômeno climático El Niño, que tem agravado as condições climáticas na região.

“Nós já identificamos que estamos sofrendo a incidência do efeito do El Niño, o que infelizmente nos leva a prever um período ainda mais seco nos meses de setembro e outubro”

Secretária de Meio Ambiente e das Políticas Indígenas, Julie Messias

Campanha “Respire Vida” e Colaboração Intersetorial

Como resposta a essa situação preocupante, o governo do Acre tem adotado medidas assertivas para combater as queimadas e o desmatamento, que se intensificam em meio à seca. A campanha “Respire Vida” foi lançada como parte desse esforço, não apenas visando a proteção ambiental, mas também a saúde pública.

“Associamos a campanha ao decreto de emergência de saúde, devido à síndrome respiratória que se agrava com a fumaça das queimadas. A soma desses fatores poderia levar a um cenário crítico”, explica.

Uma força-tarefa conjunta foi formada, reunindo instituições do Estado, incluindo o sistema de segurança e meio ambiente. A colaboração atua na geração de inteligência operacional para lidar de forma eficaz com os desafios ambientais, evitando a dispersão de esforços.

Regularização Ambiental e Sistemas Agroflorestais

Além das ações imediatas, a Secretaria de Meio Ambiente do Acre e das Políticas Indígenas tem investido em programas de desenvolvimento sustentável. O processo de regularização ambiental é destacado como uma ferramenta essencial para incentivar práticas agrícolas responsáveis.

“Convidamos os produtores a analisarem seus empreendimentos, oferecendo um serviço gratuito de regularização, apoiando no processo e promovendo a recuperação de áreas degradadas. Isso inclui a implementação de sistemas produtivos e agroflorestais, que estão gerando resultados positivos para a população, como observamos no município de Capixaba”, relata Julie Messias.

A Secretária conclui enfatizando a importância da conscientização da população e agradecendo o engajamento de todos os setores para enfrentar esse período desafiador. “Estamos mobilizados e confiantes de que, com a união de esforços, poderemos superar essa situação e garantir um futuro mais sustentável para o Estado do Acre”, finaliza.

Foto Capa: Sérgio Vale/Vale Comunicação

MEIO AMBIENTE

Governo do Acre abre edital para recuperação de áreas degradadas e enfrentamento de extremos climáticos

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Organizações da sociedade civil ligadas à proteção ambiental e ao fomento da produção rural sustentável já podem submeter propostas para executar projetos de recuperação de áreas degradadas no Acre. O governo estadual publicou nesta segunda-feira (9), no Diário Oficial do Estado, o Edital de Chamamento Público nº 01/2026. A medida busca criar defesas práticas contra extremos climáticos e impulsionar sistemas produtivos ecologicamente equilibrados em territórios dedicados à agricultura familiar.

A seleção ocorre sob as diretrizes do Programa Global REDD for Early Movers – REM Acre Fase II. Os projetos selecionados vão firmar Termos de Colaboração com o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) para acessar recursos de fundos internacionais. O escopo das ações engloba a implantação de sistemas agroflorestais, a mecanização focada na revitalização do solo e a aquisição de mudas para cultivos perenes. A estruturação hídrica das propriedades rurais também compõe o eixo do programa, com a previsão de construção de açudes, perfuração de poços e montagem de redes de irrigação. As frentes de trabalho miram a redução frontal das taxas de desmatamento e a queda das emissões de gases de efeito estufa.

A ampliação da rede de parcerias transfere parte da execução das políticas climáticas para organizações com presença consolidada nas zonas de manejo e produção agrícola. “Este edital representa um passo importante para ampliar as ações do governo e do Programa REM Acre Fase II junto às comunidades e produtores familiares”, afirmou a presidente do IMC, Jaksilande Araújo.

A aplicação desses recursos transforma a base econômica das regiões atendidas ao substituir atividades degradantes por alternativas de cultivo conservacionista e rentável. Ao subsidiar a transição para modelos agrossilvipastoris, as comunidades rurais ganham infraestrutura e suporte técnico para proteger suas lavouras contra secas prolongadas e chuvas atípicas. A consolidação dessas práticas blinda a cobertura florestal remanescente, freia o avanço da fronteira agrícola e fixa as famílias produtoras no campo com segurança hídrica e alimentar.

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MEIO AMBIENTE

MPF denuncia dois homens por invasão, desmatamento e pecuária ilegal na Resex Chico Mendes, no Acre

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O Ministério Público Federal denunciou dois homens por crimes ambientais e ocupação irregular dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre, após investigação que levou à apreensão de mais de 1.400 cabeças de gado mantidas na área protegida e no entorno da unidade.

A acusação aponta invasão de terras da União inseridas na Resex, inserção de informações falsas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de danos ambientais ligados a desmatamento e uso de fogo. A denúncia inclui ainda a manutenção irregular de rebanho bovino em área protegida e em áreas adjacentes, atividade considerada incompatível com o regime de proteção da reserva.

Além das penas previstas para os crimes listados, o MPF pediu à Justiça Federal que determine a desocupação das áreas pelos denunciados e que eles sejam proibidos de exercer atividades econômicas incompatíveis com os objetivos da unidade de conservação, como a agropecuária.

No mesmo caso, outros três investigados firmaram acordos de não persecução penal após confessarem formalmente os fatos e assumirem obrigações voltadas à reparação dos danos e à regularização ambiental. Entre as medidas previstas estão adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), apresentação de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADA), recomposição de áreas de preservação permanente e de reserva legal, cumprimento de termos de compromisso ambiental com a autoridade estadual e entrega de bens no valor de R$ 250 mil ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para reforçar fiscalização e gestão da reserva.

Para o MPF, “a celebração dos acordos integra a estratégia institucional de priorizar a reparação efetiva do dano ambiental e a responsabilização adequada dos envolvidos, sem prejuízo da tutela judicial, quando necessária”.

O avanço do processo pode resultar em ordens de retirada de ocupantes, restrições a atividades econômicas e novas medidas de recuperação ambiental, com impacto direto na proteção da Resex e na pressão sobre áreas destinadas ao extrativismo e ao uso sustentável por populações tradicionais.

Foto: Secom/AC

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MEIO AMBIENTE

Seca extrema revela recifes inéditos de ostras de água doce no rio Muru no Acre

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A seca histórica que atingiu a Amazônia baixou o nível do rio Muru, no município de Tarauacá, no Acre, e deixou expostas plataformas de calcário cobertas por agregações densas da ostra de água doce Bartlettia stefanensis. O fenômeno revelou pequenos recifes formados pelos moluscos, um habitat aquático até então desconhecido na região, que ficou visível com a retração severa das águas durante os meses de estiagem excepcional.

Os blocos de calcrete afloraram e mostraram uma formação estrutural sem precedentes para a bacia amazônica. As ostras formaram colônias fixadas exclusivamente nesse tipo de solo rochoso, ignorando troncos submersos ou estruturas metálicas próximas. A presença dos animais agrupados em forma de recife mudou a percepção sobre a ecologia bentônica da área. “O rio estava muito baixo e os afloramentos de calcrete chamavam a atenção, até que notei que havia conchas em alguns. Sou do litoral de São Paulo e conheço bem bancos de ostras e mexilhões. Quando vi aquilo, pensei: o que isso está fazendo aqui?”, relata o biólogo Fabio Olmos.

A descoberta mobilizou especialistas para documentar a estrutura biológica diretamente no leito do rio. A formação densa e concentrada exigiu uma varredura nas informações existentes sobre o ecossistema local para compreender a magnitude do cenário. “Eu nunca havia ouvido falar em bancos ou recifes de ostras na Amazônia. Documentamos o achado e, ainda em campo, consultamos colegas e a literatura científica. Não encontramos nada sobre esses recifes de ostras expostos ali”, acrescenta Olmos.

A repetição de secas prolongadas ameaça a sobrevivência da espécie a médio e longo prazo. As alterações bruscas na hidrologia local elevam a frequência de mortalidade em massa das ostras e dificultam a recolonização dos habitats afetados pelas variações climáticas. O cenário força uma reavaliação urgente do status de conservação da Bartlettia stefanensis e de outras espécies da fauna de água doce, exigindo novas medidas de monitoramento para proteger ecossistemas que correm o risco de colapsar.

Fonte: https://oeco.org.br/ – Foto: Fabio Olmos

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