Connect with us

Direto ao ponto

“Temos que eleger barba, cabelo e bigode” – A máquina governista e o cerco para monopolizar o poder no Acre

Published

on

O xadrez político para as eleições de 2026 no Acre ganhou contornos de batalha campal com o avanço da aliança entre Progressistas (PP), Partido Liberal (PL) e União Brasil (UB). O foco do bloco governista é claro: capturar todas as oito cadeiras da bancada acreana na Câmara dos Deputados, além de garantir o controle do Palácio Rio Branco e as vagas no Senado. A estratégia de terra arrasada sobre os adversários foi exposta pelo governador Gladson Cameli ao cobrar o que chama de trabalho de formiguinha das bases aliadas nas ruas do estado. A movimentação aciona o alerta da vigilância pública, uma vez que o uso do maquinário estatal e a aglutinação de forças buscam anular o oxigênio da oposição e de correntes divergentes dentro da própria direita. A responsabilidade diante da população cresce na mesma proporção em que as portas se fecham para o debate plural.

Nos bastidores da capital, a tática de esvaziamento das frentes concorrentes opera em alta rotação. O senador Márcio Bittar, marchando ao lado de Cameli e da vice-governadora Mailza Assis, puxou o tapete de nomes como Jéssica Sales, Mara Rocha, Petecão e Eduardo Velloso ao cravar publicamente que a direita possui apenas dois pré-candidatos ao Senado. A manobra tenta asfixiar candidaturas independentes e forçar uma polarização direta com a esquerda, resgatando a memória política de que apenas o atual governador e Jair Bolsonaro foram capazes de quebrar a antiga hegemonia do Partido dos Trabalhadores no estado. Com 18 das 22 prefeituras acreanas sob a órbita de influência dessa coalizão, o grupo joga com o peso do trator institucional para varrer o mapa eleitoral. O campo de batalha está desenhado: quem não estiver no palanque oficial corre o risco de entrar no pleito sem estrutura e sem legenda.

Os números apontam a frieza técnica da operação em contraste absoluto com os discursos emocionais de palanque. Historicamente, a pulverização dos votos sempre garantiu uma divisão proporcional das oito cadeiras federais do Acre entre diferentes correntes. Agora, a matemática do bloco governista exige um alinhamento cego de recursos e influência regional para atingir um monopólio inédito no Congresso Nacional. Enquanto os líderes políticos discursam sobre a necessidade de união para garantir melhor saúde e melhor educação, a engenharia eleitoral atua para blindar o poder em um grupo restrito, cobrando lealdade total da militância que deverá subir e descer rios para garantir a vitória nas urnas. As manobras de bastidor vão ser publicadas e acompanhadas passo a passo, pois o fardo financeiro e estrutural dessa concentração de forças sempre recai sobre o pagador de impostos.

O impacto prático dessa tentativa de monopólio legislativo será medido pela capacidade das instituições e da sociedade civil de vigiar a máquina governamental até outubro de 2026. A imposição de um rolo compressor eleitoral pode silenciar minorias e extinguir a diversidade de pautas enviadas a Brasília em nome do Acre. O avanço do calendário mostrará se o governo conseguirá consolidar o controle absoluto das chapas ou se surgirão baixas na base aliada diante da disputa interna pelo fundo eleitoral.

O eleitor, no fim da linha, terá de decidir se entrega as chaves de todas as esferas do poder para um único agrupamento político ou se impõe freios e contrapesos na composição da próxima legislatura.

Foto: Sérgio Vale

Direto ao ponto

Perguntas e mais perguntas; o povo espera mais respostas após debate entre candidatos ao governo no Acre

Published

on

O debate promovido pelo ac24horas cumpriu uma função importante: colocou frente a frente os principais candidatos ao Governo do Acre e trouxe para a discussão problemas que há anos desafiam o Estado.

Previdência, saúde, habitação, infraestrutura, produção e emprego apareceram com força.

Alan Rick assumiu uma postura de cobrança sobre a atual gestão. Mailza teve de responder pelos problemas e apresentar as ações do governo. Bocalom buscou sustentar sua experiência administrativa e sua proposta de produção e geração de emprego. Thor Dantas tentou se apresentar como alternativa e questionou principalmente a capacidade de investimento e planejamento do Estado.

O confronto faz parte da eleição. E perguntas difíceis precisam ser feitas.

Mas talvez o ponto mais importante do debate esteja justamente depois da pergunta.

Quando se fala em déficit da Previdência, por exemplo, não basta dizer que ele existe. O problema atravessa décadas e diferentes governos. É preciso explicar como será enfrentado, quanto custará, de onde virão os recursos e como preservar a capacidade do Estado de investir em outras áreas.

Na saúde ocorre o mesmo. Apontar filas, falta de especialistas ou dificuldades no atendimento é necessário. Mas a próxima pergunta deveria ser: qual é o plano, quanto custa e em quanto tempo pode produzir resultado?

Na habitação, não basta discutir quantas casas foram ou não foram entregues. É necessário apresentar demanda, capacidade de investimento, fontes de financiamento e metas possíveis.

Esse talvez seja o principal desafio desta campanha.

O Acre já conhece seus problemas.

O eleitor precisa agora conhecer melhor as soluções propostas por quem pretende governá-lo.

Porque administrar um Estado exige mais do que diagnóstico. Exige estratégia, prioridades, equilíbrio fiscal, capacidade de execução e sustentabilidade das decisões.

Os próximos debates podem ajudar muito se conseguirem avançar nessa direção.

Cobrança faz parte da democracia. Contraditório também. Mas quem pergunta precisa estar preparado para dizer o que faria no lugar de quem governa — e quem governa precisa explicar o que fez, o que não conseguiu fazer e o que pretende mudar.

Ao final, a eleição não deveria ser apenas uma disputa sobre quem identifica melhor os problemas.

Deveria ser uma disputa sobre quem apresenta as respostas mais consistentes para enfrentá-los.

Mais que perguntas, o Acre precisa de respostas.

Foto: Sérgio Vale

Continue Reading

Direto ao ponto

A escolha que vai definir a coerência da chapa de Jorge Viana

Com a saída de Binho Marques, Naluy Macedo, Nazaré Araújo e Aníbal Diniz aparecem nos bastidores para a primeira suplência da chapa ao Senado.

Published

on

A impossibilidade de Binho Marques permanecer como primeiro suplente abre uma nova etapa na composição da chapa de Jorge Viana. A definição de quem ocupará a vaga passa a se relacionar com o discurso de futuro apresentado pelo candidato. Entre os nomes que circulam nos bastidores estão Naluy Macedo, Nazaré Araújo e Aníbal Diniz.

Naluy Macedo levaria para a chapa a participação do PCdoB, dos movimentos de mulheres e de uma geração que busca espaço nas decisões. Vice-presidente do partido em Rio Branco e presidente da União Brasileira de Mulheres no Acre, atua na defesa do SUS, da educação pública e de políticas para as mulheres e para a juventude negra e periférica. Importante pontuar que Naluy se torna um nome para o futuro, pois ela atualmente é concursada no Estado.

Nazaré Araújo acrescentaria experiência na administração estadual. Foi vice-governadora, exerceu o governo e participou de ações nas áreas de assistência social e políticas para as mulheres. Na primeira suplência, levaria à chapa conhecimento sobre o funcionamento do Executivo estadual.

Aníbal Diniz levaria para a chapa o conhecimento do Senado e da organização política do grupo. Foi secretário de Comunicação nos governos de Jorge Viana e Binho Marques e exerceu mandato de senador. Sua indicação manteria a relação da suplência com a trajetória do projeto.

Binho continuará na coordenação das campanhas de Jorge Viana e Thor Dantas. Sua participação preserva o vínculo com a chapa e permite que contribua na formulação de propostas, na articulação com os partidos e no diálogo com setores da sociedade.

Jorge tem defendido a participação de Binho nas discussões sobre o futuro do Acre e sobre as próximas disputas. A permanência dele na campanha mostra que a mudança na suplência não representa afastamento do projeto, mas o exercício de outra função dentro da mesma construção.

Carla Brito permanece como segunda suplente, mantendo na composição a presença feminina e a representação do Podemos e do Vale do Juruá. A definição da primeira suplência pode incluir o PCdoB e os movimentos sociais, por meio de Naluy; a experiência de governo de Nazaré; ou a passagem de Aníbal pelo Senado.

A palavra política pertence a Jorge Viana, em diálogo com os partidos da Frente Ampla. Os nomes apresentados nos bastidores possuem atuação pública e relação com o projeto. A coerência estará em escolher quem poderá representar a aliança e assumir as responsabilidades da função.

Continue Reading

Acre

Repetição convence. Trajetória permite avaliar

Published

on

A grande regra de uma campanha é repetir uma mensagem simples, clara e consistente até que ela seja facilmente reconhecida pelo público.

Isso não significa falar exatamente a mesma coisa todos os dias. Significa reforçar a mesma ideia central por diferentes ângulos, formatos e exemplos.

Existe, inclusive, um fenômeno estudado pela psicologia chamado efeito da verdade ilusória. Ele mostra que, quando uma afirmação é repetida várias vezes, ela se torna mais familiar e, por isso, tende a parecer mais plausível para as pessoas.

É justamente por isso que a repetição é uma ferramenta tão poderosa.

Mas há uma diferença fundamental: em uma comunicação ética, a repetição serve para fixar uma mensagem verdadeira, útil e verificável, nunca para fabricar uma “verdade”.

Se você muda sua mensagem a cada postagem, o público dificilmente saberá pelo que você quer ser lembrado. A consistência constrói reconhecimento, confiança e posicionamento.

Na política, essa lógica também está presente. Toda campanha procura estabelecer uma narrativa, um slogan, uma identidade e uma mensagem capaz de ser facilmente reconhecida pelo eleitor. Isso faz parte da estratégia de comunicação.

O problema começa quando o eleitor passa a confundir reconhecimento com capacidade.

Uma campanha eficiente pode fazer com que um candidato seja lembrado. Mas ser lembrado não responde, por si só, à pergunta mais importante de uma eleição para o Poder Executivo: quem está preparado para governar?

Governar um Estado é diferente de legislar. Também é diferente de atuar como gestor técnico. O governador administra um orçamento bilionário, coordena secretarias, lidera milhares de servidores, executa políticas públicas e responde diretamente pelos resultados da administração estadual. Já deputados e senadores exercem funções constitucionais voltadas à elaboração de leis, fiscalização e representação política. Gestores técnicos, por sua vez, podem acumular grande experiência administrativa sem, necessariamente, terem exercido a chefia do Poder Executivo.

Essa distinção não estabelece uma hierarquia entre as funções. Apenas demonstra que são experiências institucionais diferentes, com responsabilidades distintas.

No Acre, os nomes que se apresentam para a disputa de 2026 refletem exatamente essa diversidade de trajetórias.

A atual governadora Mailza Assis chegou ao comando do Estado após exercer a vice-governadoria, assumindo o governo em razão da desincompatibilização do então governador Gladson Cameli. Antes disso, exerceu mandato de senadora na condição de suplente. A eleição de 2026 será a primeira em que disputa a chefia do Poder Executivo estadual como cabeça de chapa, submetendo diretamente seu nome e sua gestão, pouco mais de 3 meses, ao julgamento do eleitor.

O senador Alan Rick construiu sua trajetória política no Poder Legislativo, tendo exercido mandato de deputado federal e, atualmente, de senador. Sua experiência pública está concentrada na atividade parlamentar.

Tião Bocalom possui uma trajetória consolidada no Poder Executivo. Foi prefeito de Acrelândia por três mandatos e prefeito de Rio Branco por dois mandatos. No segundo mandato na capital, renunciou ao cargo para disputar o Governo do Acre nas eleições de 2026. Sua experiência pública está concentrada na administração municipal, com atuação direta na gestão do Poder Executivo.

Thor Dantas tem sua atuação ligada à gestão técnica e ao serviço público, tendo coordenado equipes e projetos, inclusive durante a pandemia. Sua experiência, entretanto, não inclui a chefia de um Poder Executivo estadual ou municipal.

Esses fatos ajudam a responder uma pergunta que toda democracia madura deveria fazer: quais experiências cada candidato traz para o cargo que pretende ocupar?

A comunicação continuará sendo decisiva. Os slogans serão repetidos. Os vídeos serão compartilhados. As redes sociais amplificarão mensagens todos os dias.

Mas, quando as urnas se abrirem, talvez a pergunta mais importante não seja quem conseguiu repetir melhor uma mensagem, e sim qual trajetória demonstra maior aderência às responsabilidades do cargo em disputa.

A estratégia de comunicação pode apresentar um candidato. A história de vida e a experiência pública permitem ao eleitor compreender quem ele é.

No fim, campanhas podem tornar uma mensagem conhecida. A trajetória é que oferece elementos concretos para que cada cidadão forme o seu próprio julgamento.

Continue Reading

Tendência