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O Tempo Suspenso nas Águas do Envira

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A névoa espessa que engole o horizonte matinal no Rio Envira, em Feijó, não apaga a memória das águas que forjaram a nossa integração. Na silhueta solitária da pequena balsa que corta o espelho d’água sob a modesta cobertura de lona, repousa a lembrança viva de um Acre profundo, um tempo anterior ao asfalto e ao aço das pontes da BR-364, quando a vida e a resistência das pequenas cidades no caminho dependiam do compasso lento das velhas balsas de travessia.

Cruzar os barrancos não era apenas vencer a estrada, mas cumprir um rito de paciência imposto pela força do rio, onde viajantes exaustos se igualavam na espera e no respeito à imensidão amazônica.

Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac

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A lua acende seu lampião sobre a BR-364

É atravessando a noite que a gente descobre quanta luz cabe no caminho.

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Como quem pendura um grande lampião dourado no céu, a noite acendeu a lua sobre a floresta.

Na fotografia de Sérgio Vale, a lua cheia surge imponente sobre a vegetação às margens da BR-364. Seu brilho quente contrasta com o azul-escuro do céu e revela os detalhes de sua superfície. Em primeiro plano, arbustos, capins e troncos secos desenham silhuetas na mata parcialmente iluminada.

Entre encanto e silêncio, a imagem celebra a grandiosidade da paisagem amazônica e, ao mesmo tempo, chama a atenção para sua vulnerabilidade.

Crédito: Sérgio Vale, repórter fotográfico.

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Queimada não é paisagem. É denúncia.

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Na foto de Sérgio Vale, o sol parece uma bola de fogo pendurada no céu do Acre.

A fumaça das queimadas cobre a paisagem, apaga a mata, esconde o horizonte e entra sem pedir licença: Olhos ardendo, garganta seca, tosse, falta de ar e aumento dos casos respiratórios… A floresta queima. O céu muda de cor. A cidade respira pior.

Proteger a Amazônia é proteger o ar, a saúde e a vida de quem mora aqui.

Foto: Sérgio Vale Segue ele no Instagram @sergiovaleac

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“O rio torto que não ver o mar”

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A mata acompanha o rio de perto, quase encostada na água, como se guardasse seus segredos. …O rio, a floresta e o silêncio de uma paisagem amazônica ancestral, onde a natureza segue seu próprio tempo.

Sinuoso, estranho e belo… que contorna, insiste, desvia e permanece. Um caminho, uma memória atravessando o coração verde do Acre.

Fotografia do Sérgio Vale, em um diálogo com a canção “Rio Estranho”, de Pia Vila, Felipe Jardim e Romerito Aquino.

Segue ele no Instagram @sergiovaleac

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