O número de latrocínios, que são roubos seguidos de morte, no estado do Acre, está em queda e atingiu o menor índice dos últimos 18 anos em 2023, de acordo com um levantamento realizado pela Polícia Civil.
No período de janeiro a setembro deste ano, foram registrados apenas três casos de latrocínio, todos ocorridos em Rio Branco e com vítimas do sexo masculino. Esses resultados positivos podem ser comparados aos anos anteriores, sendo 2017 o ano com maior número de latrocínios, com 21 vítimas no mesmo período.
No entanto, 2023 apresenta um recorde negativo quando comparado aos anos anteriores, com apenas três homicídios registrados. Estatísticas apontam que ao longo dos últimos 18 anos, foram registradas 226 mortes por latrocínio no Acre, sendo que mais da metade ocorreu em Rio Branco, com um total de 140 mortes. Além disso, a maioria das vítimas são homens, representando 93% dos casos.
O Superior Tribunal de Justiça avançou, nesta quinta-feira, 7, na formalização dos efeitos da condenação de Gladson Cameli na Ação Penal nº 1076/DF. O andamento processual registra que a Corte Especial expediu ofícios ao Governo do Acre e à Superintendência Regional da Polícia Federal no estado para comunicar o resultado do julgamento.
A movimentação ocorreu um dia após a proclamação final da decisão, registrada em 6 de maio, às 17h37. No despacho, o STJ informa que a Corte Especial indeferiu as questões de ordem, rejeitou as preliminares apresentadas pela defesa, não conheceu dos embargos de declaração e julgou procedente a denúncia contra Gladson.
Pela decisão, Gladson Cameli foi condenado a 25 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 600 dias-multa. A Corte também fixou indenização por danos materiais no valor de R$ 11.785.020,31 e decretou a perda do cargo público de governador do Acre, nos termos do voto da relatora, ministra Nancy Andrighi.
A condenação envolve crimes previstos na antiga Lei de Licitações, peculato-desvio, corrupção passiva majorada, lavagem de capitais e organização criminosa. A decisão foi tomada pela Corte Especial do STJ, órgão colegiado formado pelos ministros mais antigos do tribunal. Veículos nacionais registraram que a condenação ocorreu no âmbito de acusações relacionadas a fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
No dia seguinte ao julgamento, o sistema processual passou a registrar a comunicação oficial do resultado. Às 18h39 de 7 de maio, consta a expedição do Ofício STJ nº 00064/2026-CESP ao Governo do Estado do Acre. No mesmo horário, também foi expedido o Ofício STJ nº 00065/2026-CESP à Superintendência Regional de Polícia Federal no Acre.
Às 18h57, foi juntada certidão informando que a assessoria encaminhou os ofícios aos destinatários pelos e-mails institucionais do gabinete da Superintendência Regional da PF no Acre e do gabinete da vice-governadora Mailza Assis.
A comunicação ao Governo do Acre tem peso político porque oficializa, no plano administrativo, o resultado do julgamento que atingiu o ex-governador no momento em que ele tentava manter presença no tabuleiro eleitoral de 2026. A comunicação à Polícia Federal também indica que o resultado passou a ser encaminhado aos órgãos responsáveis pelas providências decorrentes da decisão judicial.
Apesar da condenação, ainda cabem recursos no próprio STJ, decisão não passa a valer imediatamente para fins de cumprimento da pena, porque a defesa ainda pode recorrer.
No campo eleitoral, porém, a situação de Gladson se torna mais delicada. A Lei da Ficha Limpa prevê inelegibilidade para condenados por órgão judicial colegiado em determinados crimes, entre eles crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O Tribunal Superior Eleitoral também reúne precedentes segundo os quais a condenação por órgão colegiado pode atrair a inelegibilidade desde a decisão condenatória até o prazo previsto em lei.
Com isso, mesmo antes do trânsito em julgado, a condenação no STJ coloca Gladson no centro de uma disputa jurídica e eleitoral. Para disputar mandato em 2026, ele dependerá de uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação sobre sua elegibilidade. Até lá, o fato novo é que o resultado deixou de estar restrito à sessão de julgamento e passou a constar formalmente no andamento processual, com comunicação enviada ao Governo do Acre e à Polícia Federal.
Entre 2 de fevereiro e 5 de maio de 2026, Mailza Assis, Tião Bocalom, Alan Rick e Thor Dantas apareceram em 1.065 publicações públicas monitoradas pela Pop IntelBox, somando cerca de 529,5 mil interações entre curtidas e comentários.
2 de fevereiro a 5 de maio de 20261.065 publicações públicas529,5 mil interações
600posts de Tião Bocalom, o maior volume entre os perfis analisados.
860,8interações por post de Mailza Assis, a média mais alta do levantamento.
17,1%das interações de Alan Rick vieram de comentários.
43posts de Thor Dantas, presença menor e concentrada em saúde.
Antes de a campanha oficial tomar as ruas, os bairros, os ramais e os palanques do Acre, a eleição de 2026 já começou a se mover numa arena onde cada gesto vira mensagem e cada postagem tenta ocupar um pedaço do imaginário público: o Instagram. Entre 2 de fevereiro e 5 de maio de 2026, Mailza Assis, Tião Bocalom, Alan Rick e Thor Dantas apareceram em 1.065 publicações públicas monitoradas pela Pop IntelBox, somando cerca de 529,5 mil interações entre curtidas e comentários. O número não mede voto, nem preferência eleitoral, nem aprovação de governo. Mede outra coisa, talvez mais sutil e igualmente decisiva neste momento anterior à campanha: quem fala mais, quem mobiliza melhor, quem tenta se tornar dono de determinados temas e qual personagem político cada pré-candidato busca vestir diante do eleitor acreano.
A disputa digital no Acre não é apenas uma corrida por curtidas. É uma briga por papel político. Bocalom tenta se firmar como o gestor que entrega obra concreta, que aponta para o asfalto, o elevado, a rua modificada e diz ao eleitor: está feito. Mailza Assis tenta transformar a continuidade do governo em presença própria, com um rosto feminino, institucional, religioso, territorial e cuidador. Alan Rick trabalha a imagem do senador que traz recurso, ocupa Brasília, entra em debates nacionais e tenta converter mandato em força eleitoral. Thor Dantas busca abrir espaço como alternativa técnica, principalmente a partir da saúde, falando menos, mas tentando falar a partir de uma credencial profissional.
O primeiro corte dos dados revela uma diferença importante entre barulho e densidade. Tião Bocalom foi o nome mais presente no período, com 600 publicações e 223.751 interações. É quase uma ocupação diária do feed, uma estratégia de presença constante, como quem finca bandeira no território digital todos os dias para não deixar o assunto esfriar. Mailza Assis publicou menos da metade, 255 posts, mas chegou muito perto no engajamento total, com 219.503 interações, e liderou a média por publicação, com 860,8 interações por post. Alan Rick apareceu com 167 publicações, 72.256 interações e média de 432,7. Thor Dantas teve a presença mais estreita, com 43 posts, 13.988 interações e média de 325,3.
Essa diferença conta uma história política. Bocalom opera pela repetição e pela visualidade da entrega. Mailza aposta na intensidade de cada aparição. Alan trabalha com uma comunicação mais disciplinada de mandato, marcada por hashtags, temas legislativos e pautas de confronto. Thor ainda está numa fase de afirmação, tentando convencer o público de que sua experiência técnica pode virar projeto de poder.
No caso de Tião Bocalom, a narrativa é direta e quase material. O prefeito de Rio Branco aparece como o homem da obra, da máquina, da entrega física, do antes e depois. Das 600 postagens, 226 foram classificadas no eixo de gestão, obras e entregas. O conteúdo de maior engajamento de todo o monitoramento foi dele: um vídeo publicado em 21 de março de 2026 sobre o Elevado Mamédio Bittar, com a frase “Está entregue! Elevado Mamedio Bittar é do povo. Rio Branco avançando”. A publicação somou 6.634 interações, sendo 6.212 curtidas e 422 comentários.
A força de Bocalom está naquilo que pode ser filmado. A obra vira prova, o vídeo vira palanque, o elevado vira argumento. Em uma política marcada muitas vezes pela promessa, ele tenta sustentar a comunicação no concreto. A imagem de gestor executor ganha corpo quando o eleitor vê a estrutura de pé, a via aberta, o trânsito alterado, o equipamento público entregue. O risco também mora aí. A narrativa que funciona em Rio Branco precisa atravessar o mapa inteiro do Acre. Uma eleição estadual exige que o capital político municipal caminhe para além da capital, chegue aos municípios do interior, aos rios, às terras firmes, aos lugares onde a obra vista no Instagram pode parecer distante da vida cotidiana.
Mailza Assis aparece em outro registro. Sua comunicação mistura governo, assistência social, segurança pública, saúde, fé, família, eventos populares e presença territorial. O eixo mais frequente em seu perfil foi assistência social, com 118 posts, seguido por gestão, obras e entregas, com 107, e agenda e comunidade, com 103. A maior média de engajamento apareceu nos conteúdos ligados a família, fé e valores, com 1.447,9 interações por post, e segurança pública, com 1.044,1.
A governadora trabalha uma fronteira delicada: precisa ser continuidade sem parecer apenas extensão de outro nome. Por isso, a comunicação tenta costurar origem humilde, missão pública, maternagem política, fé e autoridade institucional. Em 3 de abril, uma publicação com a frase “Sou uma mulher comum, como tantas outras do nosso Acre” alcançou 4.499 interações. A força da mensagem está no deslocamento: Mailza não se apresenta apenas como ocupante do cargo, mas como alguém que reivindica pertencimento ao Acre comum, ao Acre das mulheres que trabalham, cuidam, creem e sustentam famílias longe dos salões de decisão.
Quando fala da contratação de aprovados do Iapen, Mailza encontra outro ponto sensível. O vídeo teve 4.180 interações e 706 comentários. Segurança pública e funcionalismo costumam mobilizar uma audiência que não apenas curte, mas cobra, celebra, pressiona e participa. A política aparece ali como promessa de estabilidade, emprego, autoridade do Estado e resposta a uma área que atravessa a vida das famílias acreanas. A vantagem de Mailza está na densidade: publica menos que Bocalom, mas alcança quase o mesmo engajamento total. Seu desafio é construir autonomia simbólica diante do capital político herdado de Gladson Cameli.
Alan Rick ocupa um terceiro lugar nessa disputa. Sua comunicação tem marca mais padronizada, com uso recorrente de hashtags como #acre, #aquitemtrabalho, #alanpeloacre e #alanrickpeloacre. O senador fala de mandato, recursos, saúde, infraestrutura, Senado, emendas e pautas nacionais. Seu perfil teve 77 publicações no eixo de política eleitoral, 73 em gestão, obras e entregas, e 43 em saúde.
O dado mais politicamente relevante em Alan não está apenas no total de interações, mas no peso dos comentários. Foram 12.365 comentários dentro de 72.256 interações, uma proporção de 17,1%, superior à dos demais monitorados. Comentário não é sinônimo automático de apoio. Pode ser adesão, crítica, cobrança, militância, ironia ou conflito. Mas mostra que Alan aciona uma audiência mais disposta a responder. Ele não apenas passa pelo feed; ele provoca reação.
Essa característica combina com a assinatura política que tenta construir. Alan aparece como o parlamentar que conecta o Acre a Brasília, que transforma debate nacional em ativo local e emenda parlamentar em argumento eleitoral. Um vídeo de 25 de fevereiro sobre o PL 2294/2024 e o exame nacional de proficiência médica chegou a 3.782 interações. Outro post, sobre pesquisa eleitoral para o governo do Acre, somou 2.386 interações e 436 comentários. Sua força está na clareza da marca: mandato, recurso, saúde e confronto. Seu risco está no próprio combustível dessa comunicação. O atrito engaja, mas também amplia rejeições, endurece campos e pode transformar visibilidade em controvérsia permanente.
Thor Dantas aparece em escala menor, mas com uma tentativa clara de diferenciação. Foram 43 publicações, 13.988 interações e média de 325,3 por post. O volume ainda não permite compará-lo em pé de igualdade com os demais, mas permite ver uma estratégia em formação. Thor tenta converter autoridade profissional em capital político. Seus temas mais recorrentes foram saúde, agenda e comunidade, além de política eleitoral. O post de maior engajamento tratou de sua possível candidatura em 2026 e somou 1.584 interações. Outro vídeo, sobre baixa cobertura vacinal contra gripe, chegou a 856 interações.
O lugar que Thor tenta ocupar é o do técnico-político. Num cenário em que Bocalom fala como gestor executor, Mailza como liderança de continuidade e Alan como articulador de mandato, Thor tenta aparecer como especialista preparado. Saúde pública, gestão, crítica institucional e viabilidade eleitoral formam o centro de sua comunicação. A força está na diferenciação. O limite está na escala. Para crescer, precisará transformar reputação profissional em presença territorial, capilaridade política e linguagem digital mais frequente.
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Os posts de maior tração contam o que move o Instagram político acreano. Em Bocalom, a força vem das obras e da mobilidade urbana. Em Mailza, os picos aparecem quando governo, fé, festa popular, posse, segurança e origem pessoal se cruzam. Em Alan, saúde, Revalida, saneamento, pesquisa eleitoral e temas nacionais puxam reação. Em Thor, a audiência cresce quando a candidatura deixa de ser sombra e passa a ser dita. O engajamento, portanto, não nasce apenas da popularidade individual. Ele nasce de evento, emoção, conflito, imagem e oportunidade.
O vídeo domina essa gramática. Em Mailza, os vídeos alcançaram média de 1.176,8 interações, acima dos carrosséis e imagens. Em Bocalom, a média dos vídeos foi de 517,2. Em Alan, 555,1. Em Thor, 408,1. A política no Instagram depende de rosto, voz, cena e ritmo. A obra precisa aparecer. A emoção precisa ser encenada. A fala precisa caber em poucos segundos. A presença pública passa a ser também performance audiovisual.
No fundo, cada pré-candidato tenta ensinar o eleitor a enxergá-lo de uma determinada forma. Bocalom quer ser reconhecido como quem faz. Mailza quer ser reconhecida como quem cuida e continua, mas com nome próprio. Alan quer ser reconhecido como quem articula, entrega e enfrenta. Thor quer ser reconhecido como quem entende tecnicamente dos problemas e pode governar com método. Essa é a disputa real por trás das curtidas: a formação antecipada de reputações.
O Instagram, nesse momento, funciona como um laboratório da eleição de 2026. Ali, os pré-candidatos testam linguagem, medem temperatura, aproximam aliados, tensionam adversários e tentam descobrir quais temas pegam fogo no terreiro digital. Os dados não dizem quem vencerá a eleição. Mas mostram que a campanha já começou antes da campanha, no terreno das imagens, dos comentários, das narrativas e da tentativa de ocupar um lugar fixo na cabeça do eleitor acreano.
A condenação de Gladson Cameli pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça colocou o ex-governador do Acre sob o alcance da Lei da Ficha Limpa e criou um obstáculo direto para uma eventual candidatura nas eleições de 2026.
A regra é clara: condenados por decisão transitada em julgado ou por órgão judicial colegiado ficam inelegíveis quando a condenação envolve crimes como corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra a administração pública, crimes contra o patrimônio público e organização criminosa.
É o caso de Gladson. A condenação foi proferida por um órgão colegiado, a Corte Especial do STJ, em ação penal ligada à Operação Ptolomeu. O processo envolve crimes graves, como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.
Na prática, a inelegibilidade não depende do trânsito em julgado. Ou seja, Gladson ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal, mas o simples recurso não suspende automaticamente os efeitos eleitorais da condenação. Para voltar a ter condição jurídica de disputar uma eleição, ele precisaria obter uma decisão suspendendo a inelegibilidade.
O ponto agora passa a ser o calendário eleitoral. Para registrar candidatura em 2026 em situação regular, Gladson teria que conseguir o efeito suspensivo antes do prazo final de registro das candidaturas, marcado para 15 de agosto de 2026, às 19h.
Sem essa decisão, o pedido de candidatura poderia até ser apresentado, mas já nasceria vulnerável a impugnação pelo Ministério Público Eleitoral, por partidos, federações, coligações ou adversários.
Ainda há uma segunda janela possível. Caso não consiga suspender a inelegibilidade até 15 de agosto, Gladson poderia tentar obter uma decisão posterior e apresentá-la durante a tramitação do registro como fato jurídico superveniente. Mas, nesse cenário, o prazo prático passa a ser 14 de setembro de 2026, data em que os pedidos de registro de candidatura devem estar julgados e com decisões publicadas nas instâncias ordinárias da Justiça Eleitoral.
Depois disso, a situação entraria em uma zona de maior insegurança jurídica, já que o primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro.
Por isso, o quadro jurídico-eleitoral é direto: Gladson está inelegível pela condenação colegiada no STJ, mas pode tentar suspender esse efeito no STF. Sem uma decisão superior que suspenda os efeitos da condenação, ele chega ao calendário eleitoral impedido pela Lei da Ficha Limpa.
Em nota, Gladson disse que recebeu a decisão com serenidade, afirmou que vai recorrer ao STF e declarou que “ninguém pode ganhar no tapetão”. A governadora Mailza Assis Cameli também se manifestou após a condenação. Ela declarou apoio e solidariedade a Gladson, classificou o ex-governador como “um dos maiores líderes” eleitos pelo povo acreano e afirmou que seguirá com “fé, serenidade e confiança na Justiça”.