A pressão pública para que a governadora Mailza Assis escolha a procuradora Anna Helena de Azevedo Lima Simão para a vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) passou a se organizar em rede nesta semana, com entidades de mulheres juristas e estruturas permanentes da Ordem dos Advogados do Brasil no Acre (OAB-AC) assumindo protagonismo na mobilização, em notas, publicações e convocações nas redes sociais.
O eixo mais visível da articulação veio da Associação de Mulheres Juristas, que divulgou nota pública em apoio à procuradora e colocou a defesa no centro do debate. A manifestação sustenta a indicação de Anna Helena com base na trajetória no Ministério Público de Contas do Acre (MPC-AC), citando a aprovação em primeiro lugar no concurso de ingresso e a posição de maior antiguidade entre os integrantes da lista tríplice enviada ao governo. A entidade também passou a defender abertamente que a escolha contemple uma mulher para o cargo de conselheira.
A mesma liderança que assina a nota ampliou o alcance da campanha com uma convocação direta nas redes. Um áudio atribuído à presidente da Associação de Mulheres Juristas, Tatiana Martins, passou a circular a partir da formação da lista tríplice, chamando mulheres a cobrarem a governadora e vinculando a escolha ao fato de Anna Helena ocupar a primeira posição da relação e ser mulher. A gravação acelerou a repercussão e transformou a disputa, antes restrita ao rito institucional, em uma mobilização pública com linguagem de campanha.
Em paralelo, a Comissão da Mulher Advogada, instância permanente da OAB-AC, também entrou no movimento e publicou manifestação de apoio ao nome de Anna Helena. A comissão integra a estrutura formal da seccional e tem Caruline Simão na presidência. A postagem reforçou o argumento de representatividade feminina e somou capilaridade à articulação ao acionar uma rede já instalada na advocacia local.
A movimentação se apoia em duas frentes que caminham juntas: de um lado, a defesa de critérios de carreira para sustentar a preferência por Anna Helena dentro da lista; de outro, a pressão política por presença feminina em um órgão responsável por fiscalizar gastos, avaliar a legalidade de atos administrativos e julgar contas. Essa combinação elevou o peso simbólico da decisão e aumentou o custo político de uma escolha que, pelo rito, permanece discricionária dentro dos três nomes remetidos ao Executivo.
Anna Helena é acreana, de Rio Branco, formada em Economia pela Universidade Federal do Acre em 1985 e em Direito em 1991. Ela ingressou no MPC-AC em julho de 1992, após aprovação no primeiro concurso público da carreira em primeiro lugar, e acumulou funções de chefia ao longo de mais de três décadas no sistema de controle externo, além de aparecer em registros recentes como corregedora do órgão.
A escolha final cabe exclusivamente à governadora, e a rede de apoio montada nas redes sociais e em entidades organizadas tenta influenciar um ato que será político por natureza. A decisão deve definir a composição da Corte de Contas após a aposentadoria do conselheiro Valmir Gomes Ribeiro e tende a produzir repercussão direta no ambiente institucional do Estado, tanto pelo peso do cargo quanto pelo debate público que passou a cercar a nomeação.
No cronograma que antecedeu a entrega formal, o Pleno do TCE-AC aprovou a lista tríplice em sessão realizada em 7 de abril. Nesta quarta-feira, 8 de abril, a presidente do Tribunal, Dulcinéa Benício, esteve no Palácio Rio Branco para entregar os nomes à governadora Mailza Assis e comunicar oficialmente a abertura do prazo para a escolha do novo conselheiro dentro da relação encaminhada.