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MEIO AMBIENTE

Arcebispo sofre ameaças por defender Amazônia e indígenas

Dom Roque faz um chamado a manter viva a aliança com os povos indígenas

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O Presidente do Conselho Indigenista Missionário, Dom Roque Paloschi, Arcebispo de Porto Velho, capital rondoniense, um dos mais desmatados e pressionados da região, é alvo de pressões e intimidações até mesmo durante a celebração das suas missas, Dom Roque Paloschi enfrenta um duplo desafio como líder religioso defensor dos direitos indígenas em cenários de avanço da degradação ambiental e da violência contra as comunidades tradicionais na Amazônia.

Os desafios vivenciados há tempos por Paloschi ganharam uma ilustração pedagógica diante dos mais recentes episódios de intimidações sofridos pelo arcebispo de Aparecida (São Paulo), Dom Orlando Brandes, no dia 12 de outubro. Ele celebrava uma missa em homenagem à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e, como é de praxe nessa data religiosa de importância nacional, fazia reflexões sobre os desafios que impactam as populações mais vulneráveis.

A diferença é que as celebrações deste ano contaram com a presença do presidente Jair Bolsonaro, além de outros integrantes do seu governo, sendo acompanhada, ainda, por inúmeros seguidores, que protagonizaram cenas de desrespeito religioso e agressividade com jornalistas. Eles não gostaram das críticas ouvidas durante o sermão do arcebispo, dentre as quais, a de que “pátria amada não é pátria armada”, uma referência ao slogan do governo e à defesa de armamento da população civil, que tem crescido sob a atual gestão federal. O arcebispo de Aparecida também defendeu os direitos de populações negras e indígenas e combateu campanhas de ódio e desinformação.

No mês de julho de 2022, uma delegação de 17 bispos, representando o Regional Norte 1 da CNBB (Estados do Amazonas e Roraima) e o Noroeste (Acre, sul do Amazonas e Rondônia), foram recebidos pelo Papa Francisco e discutiram a preocupação com as gerações vindouras em relação a Amazônia.

Diante da atual conjuntura, Dom Roque faz um chamado a manter viva a aliança com os povos indígenas, que foi fortemente impulsionada no Sínodo para a Amazônia, “onde eles são os protagonistas diretos”, lembrando a expressão do Papa onde diz que “por mais que a gente faça, ainda é pouco”.

O presidente do Cimi relata que sofre inúmeras intimidações em Rondônia, com atitudes e pronunciamentos que deixam clara a intenção dos provocadores de causar pressão emocional e psicológica. Cada missa celebrada e outros compromissos religiosos realizados têm representado desafios para esse líder religioso.
“Os números estão mostrando que depois de 2018, a partir do atual Governo Federal, as coisas só pioraram. Não somente nesse cenário de negação dos direitos constitucionais. Pioraram também pela violência, cada vez mais intensa, e pela crueldade percebida”, afirma Dom Roque.

Um exemplo mencionado por ele é o dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, em junho, no Vale do Javari, no Amazonas. O caso ganhou repercussão internacional, revelando a ausência da ação governamental nessa região, que segue à mercê do crime organizado.

Diante desse cenário, o presidente da Repam-Brasil, Dom Evaristo Pascoal Spengler, enviou uma carta ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e à equipe de transição, em 11 de novembro, afirmando “acolher com muita esperança a ideia de uma Secretaria de Coordenação de Políticas para a Amazônia”, com enfoque em soluções para a realidade regional.

MEIO AMBIENTE

“A Marina nasceu na floresta”: Presidente Lula destaca papel da ministra durante painel ambiental na COP28 em Dubai

Ministra Marina Silva lidera discurso na COP28 em Dubai sobre preservação ambiental e políticas transformadoras florestais

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O presidente Lula (PT) participou, neste sábado, do painel “Florestas: Protegendo a natureza para o clima, vidas e subsistência”, realizado durante a COP28 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Durante o evento, Lula expressou sua emoção ao abrir espaço para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), para fazer o uso da palavra. “Precisamos de 28 edições da COP para que, pela primeira vez, a floresta viesse falar por si só. E eu não poderia utilizar a palavra sobre a floresta, se eu tenho no meu governo uma pessoa da floresta. A Marina nasceu na floresta”, disse.

Lula declarou que tinha um discurso preparado, mas optou por ceder a palavra a Marina, destacando a importância de ouvir a voz da ministra, uma vez que ela é nascida na floresta e desempenha um papel fundamental na política de preservação ambiental do governo. Ele ressaltou a justiça em permitir que a responsável pelo sucesso das ações ambientais do país falasse sobre o tema.

“A Marina nasceu na floresta, se alfabetizou aos 16 anos. Eu acho que é justo que, para falar da floresta, ao invés de falar o presidente, que é de um Estado que não é da floresta, a gente tem é que ouvir ela, que é a responsável pelo sucesso da política de preservação ambiental que nós estamos fazendo no Brasil”, declarou o presidente, emocionado.

Marina Silva, por sua vez, apresentou um breve relato das políticas federais para a preservação da floresta, enfatizando as ações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Segundo ela, tais medidas resultaram em uma redução de 49,5% na derrubada da floresta nos 10 primeiros meses de governo, evitando a emissão de 250 milhões de toneladas de CO2.

Além disso, a ministra destacou a importância das políticas para os povos indígenas e quilombolas na preservação das florestas. “Os povos originários são responsáveis por 80% das florestas protegidas do mundo, e o povo quilombola agora também tem uma mulher, uma mulher negra, Anielle Franco, uma jovem que está ajudando a proteger a floresta com o povo quilombola”, ressaltou.

Marina Silva salientou que a abordagem do governo não é setorial, permeando todos os ministérios, e mencionou o Plano de Transformação Ecológica apresentado pelo Ministério da Fazenda como um exemplo dessa visão sistêmica. Em relação ao presidente Lula, a ministra destacou que sua diretriz para proteger a floresta vai além do comando e controle, sendo uma orientação para o desenvolvimento sustentável em suas dimensões ambiental, social, econômica e cultural.

Durante a COP, o Brasil propôs que os países com Fundos Soberanos invistam pelo menos US$ 250 bilhões em um Fundo para a manutenção das florestas tropicais em todo o mundo.

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MEIO AMBIENTE

Acre entra em alerta com crescimento de eventos climáticos extremos desde 2010, aponta pesquisa

36 anos de eventos extremos e a crescente preocupação

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Um estudo recente publicado na revista “Perspectives in Ecology and Conservation” aponta que o estado do Acre pode estar experimentando uma mudança significativa nos padrões de eventos climáticos extremos desde o ano de 2010. A pesquisa, realizada em colaboração entre a Universidade Federal do Acre (UFAC), a Universidade Estadual do Ceará (UECE), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o centro de pesquisas americano Woodwell Climate, indica que o estado pode ser uma das regiões brasileiras mais afetadas por esses eventos.

Os pesquisadores analisaram uma série de estudos publicados entre 1987 e 2023, assim como decretos estaduais e municipais relacionados a alertas climáticos e ambientais emitidos no mesmo período. Os dados revelam que nos últimos 36 anos, o estado enfrentou 254 eventos climáticos extremos. Desde 2010, há uma tendência constante de aumento na frequência e intensidade dessas ocorrências, quebrando o padrão observado até então.

Sonaira Silva, pesquisadora da UFAC e autora do estudo, destaca que a partir de 2010, houve uma ruptura no padrão anterior. Até 2004, a média indicava um evento extremo por ano nas cidades acreanas. No entanto, desde então, e especialmente após 2010, dois ou mais eventos têm sido registrados com frequência no mesmo ano em um mesmo município. Silva explica que esse é o padrão emergente, indicando que o ambiente não está se regenerando adequadamente após cada evento, tornando-se mais frágil a cada ano.

Durante o período analisado, o estudo revela que 60% das ocorrências foram caracterizadas como incêndios florestais ou queimadas em áreas desmatadas, 33% foram inundações e 6% crises hídricas. Silva destaca que as pessoas mais afetadas geralmente estão em áreas de risco, sendo mais pobres e com menos estrutura. As perdas econômicas em larga escala também são preocupantes, com o Acre tendo o maior custo financeiro por evento entre todos os estados brasileiros entre 2000 e 2015, estimado em mais de 15 milhões de reais a cada crise.

A equipe identificou que as áreas mais populosas, como a capital Rio Branco e o município de Cruzeiro do Sul, são as mais afetadas. “As regiões com menos floresta são aquelas em que os eventos climáticos ocorrem com mais frequência, mas o prejuízo está por todos os lados”, observa Silva.

Para mitigar a situação, a pesquisadora sugere a recomposição da vegetação nativa, a adaptação das cidades para modelos mais sustentáveis e inteligentes, e o cumprimento de políticas e legislações ambientais. Concluindo, ela destaca a necessidade de continuar monitorando de perto a situação para auxiliar na tomada de decisões que possam alterar esse cenário crescente de eventos extremos.

Confira o estudo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S253006442300072X

Fonte: Agência Bori

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MEIO AMBIENTE

IBAMA realiza operação contra desmatamento ilegal e fecha serrarias no Acre

Operação do IBAMA fecha serrarias ilegais e apreende madeira em combate ao desmatamento na região do Acre

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) conduziu a operação Inopinus Flora na Vila Caquetá, município de Porto Acre, nesta quarta-feira, 22, com o objetivo de combater o desmatamento ilegal na região. Os resultados da operação incluíram a apreensão de aproximadamente 96,41m³ de madeira, bem como o fechamento de 08 serrarias que operavam sem a devida licença ambiental.

Segundo o IBAMA, as serrarias foram notificadas em 2022 para regularizar sua situação, entretanto, persistiram em operar sem a devida licença ambiental. Além disso, havia indícios de que a madeira apreendida era oriunda da Terra Indígena Apurinã do KM 124, localizada no município de Boca do Acre-AM. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), a extração de madeira nessa área configura crime ambiental, sujeito a multas, apreensão de maquinário e até mesmo prisão.

A operação contou com o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, responsável pela escolta dos agentes do IBAMA e dos caminhões que transportaram a madeira apreendida.

O material confiscado será avaliado e destinado para programas sociais. Em comunicado, a coordenação da operação destacou que a ação visa proteger o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas, ressaltando a importância da operação para coibir o desmatamento ilegal na região, que afeta a biodiversidade, o clima e, especialmente, a vida dos indígenas.

Com informações da Assessoria – Foto: Arquivo/IBAMA

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