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Cenário Acreano

Fim da Escala 6×1 e Nova Fiscalização Trabalhista Prometem Reduzir Afastamentos por Transtornos Mentais

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No podcast Cenário Acreano, apresentado por Daniel Ribeiro e André Garcia, o superintendente do Ministério do Trabalho, Leonardo Lani, e a especialista em recursos humanos, Raquel Albuquerque, debateram nesta semana, no Acre, os impactos diretos do fim da escala de trabalho 6×1 e as novas exigências de saúde mental nas empresas. A discussão ocorreu em meio ao avanço da proposta que visa reduzir a jornada de trabalho semanal sem corte salarial, buscando reverter o adoecimento crônico da classe trabalhadora aprofundado pelas mudanças legislativas recentes no país.

A flexibilização das leis do trabalho suprimiu direitos e enfraqueceu as entidades sindicais, deixando o empregado sem poder de negociação direta com os contratantes. O fim da contribuição sindical obrigatória cortou mais de 90% das receitas das categorias de classe. Sem representação robusta, os profissionais absorveram rotinas exaustivas, como a escala 6×1, na qual cumprem sete horas e vinte minutos diários com um único dia de descanso semanal. Atualmente, quase 8 milhões de brasileiros estão submetidos a esse regime, cenário que anula a socialização, o convívio familiar e o cuidado com a própria saúde.

Os reflexos dessa sobrecarga aparecem nos dados previdenciários. Ocorreu um aumento de 15% nos afastamentos pelo INSS ligados a transtornos mentais e comportamentais originados no ambiente de trabalho entre 2024 e 2025. Esse tipo de adoecimento já representa a segunda maior causa de licenças médicas no país, atrás apenas das lesões osteomusculares. As mulheres são as mais impactadas, respondendo por 63,5% das ausências prolongadas, consequência da dupla jornada imposta pela gestão do lar e criação dos filhos. “A sociedade machista faz com que o ônus do trabalho doméstico recaia de forma assimétrica sobre a mulher”, disse o superintendente Leonardo Lani.

O ambiente de pressão contínua afeta o setor de serviços e o varejo de maneira aguda. Nos supermercados e shoppings, o estabelecimento de metas desproporcionais e a falta de pausas básicas levam as equipes ao limite físico e psicológico. A carga de trabalho excessiva obriga empregados a realizarem refeições em espaços inadequados, como portas de banheiros, ou a ignorarem necessidades de higiene básica para não abandonar os postos de atendimento. “Eu sou prova viva. Não descarto de forma nenhuma os anos de metas surreais. Você bate as metas por nove meses, mas nos três que não bateu, é medido por eles”, relatou a especialista Raquel Albuquerque.

A expectativa dos órgãos de proteção ao trabalho é a aprovação de uma transição que reduza a jornada inicialmente para 40 horas semanais e, ao longo de uma década, atinja o limite de 36 horas. A mudança injetará recursos diretamente na base da economia, pois empregados com maior poder de consumo e tempo livre tendem a movimentar os pequenos e médios negócios locais. As projeções estimam a criação de aproximadamente meio milhão de novos postos de emprego com o fim do regime 6×1, um reflexo estatístico semelhante ao ocorrido após a promulgação da Constituição de 1988, quando a jornada encolheu de 48 para 44 horas.

No curto prazo, as empresas enfrentarão uma rotina rigorosa de fiscalização. Auditores do trabalho passarão a aplicar autos de infração aos empregadores que negligenciarem o gerenciamento de riscos psicossociais, cumprindo as diretrizes da nova Norma Regulamentadora 1 (NR1). A fiscalização atuará sobre casos de assédio moral, imposição de metas abusivas e desgaste nas relações interpessoais, forçando uma correção imediata na cultura corporativa brasileira. As autuações buscam frear a epidemia de doenças ocupacionais ligadas à exaustão e garantir que as organizações implementem ambientes que respeitem a integridade psíquica e a dignidade das equipes.

Essa é uma produção da Wave Produções

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