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Ato no Rio reúne entidades e amplia mobilização em defesa dos dados oficiais e da soberania nacional

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Um ato público realizado na terça-feira, 17 de março de 2026, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, reuniu lideranças técnicas, entidades científicas e acadêmicas, gestores públicos e privados, pesquisadores e estudantes, e marcou o início de uma mobilização nacional em defesa dos dados oficiais e da soberania nacional. O encontro teve a participação do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, e de diretores e servidores do instituto, em meio a um cenário de ataques e desinformação que buscam descredenciar pesquisas, metodologias e indicadores produzidos por órgãos públicos.

Durante o evento, Pochmann relacionou a iniciativa a uma movimentação mais ampla, com repercussão internacional, e defendeu união em torno das instituições de produção de conhecimento. “É uma onda que vem ganhando dimensão no mundo e é muito importante que, aqui no Brasil, possamos estar unidos e convergentes na defesa das instituições que produzem conhecimento”, afirmou.

A abertura do encontro foi feita pelo jornalista e conselheiro da ABI Xico Teixeira, que associou a integridade da informação pública ao papel do jornalismo e ao exercício da cidadania. “Dados confiáveis vão além de simples estatísticas: são instrumentos de cidadania”, disse.

O debate também reuniu representantes de entidades sindicais, universidades e organizações da sociedade civil. O presidente da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ABET), Adalberto Cardoso, afirmou que a produção científica e estatística enfrenta ataques por contrariar interesses políticos e econômicos, ao expor problemas como pobreza e desigualdade. Já o presidente do Clube de Engenharia do Brasil, Francis Bogossian, defendeu uma articulação ampla e propôs uma reunião ampliada ainda neste semestre para manter a mobilização e organizar ações contra campanhas de desinformação.

Entre as falas, o professor Adair Rocha, da UERJ, associou soberania e democracia e destacou o simbolismo de a mobilização começar na ABI. O empresário Paulo Protásio, presidente da Câmara Brasileira de Comércio, Indústria e Serviços (CISBRA), abordou a relevância estratégica do Brasil no debate internacional e citou o papel do IBGE na consolidação de uma visão do país em um “mapa múltiplo”.

A mobilização prevê novos atos em outras capitais. Na quinta-feira, 19 de março, está programado um encontro em São Luís, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioespacial e Regional da UEMA, e há articulações iniciais para eventos em cidades como São Paulo, Brasília, Fortaleza, Recife e outras. O movimento também planeja criar canais próprios para registrar debates, divulgar agenda e organizar propostas voltadas ao enfrentamento de fake news e à proteção de usuários e produtores de dados, ampliando a pressão por ambientes informacionais mais confiáveis para decisões públicas e privadas.

Fonte: IBGE

Rio Branco

Prefeitura investe R$ 1,9 milhão na revitalização da ETA I em Rio Branco

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A Prefeitura de Rio Branco investe cerca de R$ 1,9 milhão na revitalização da Estação de Tratamento de Água I, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 40% da cidade. A obra foi vistoriada nesta quinta-feira (18) pelo prefeito Alysson Bestene e busca reforçar a segurança operacional da unidade, reduzir riscos de interrupção no fornecimento e melhorar as condições de trabalho das equipes de manutenção.

As intervenções incluem melhorias na estrutura de captação, reforma da torre e instalação de novos equipamentos. A ETA I é uma das principais unidades do sistema de abastecimento da capital acreana e opera em uma área afetada pela ação natural do rio, que comprometeu o acesso à captação ao longo dos anos.

“Essa estação não pode parar, porque representa boa parte do abastecimento da cidade. São 40% da população atendida por essa unidade. Esse investimento é justamente para revitalizar a torre, colocar equipamentos adequados, dar mais acessibilidade aos profissionais que fazem a manutenção e garantir segurança para que a água chegue à casa das pessoas”, afirmou Alysson Bestene.

Com a revitalização, a estrutura passará a contar com quatro novos equipamentos: dois em operação e dois de reserva. O modelo permitirá que manutenções sejam feitas sem paralisar o sistema, o que deve dar mais estabilidade ao fornecimento de água.

O diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco, Enoque Pereira, afirmou que a reforma vai retirar parte da operação de uma área vulnerável do rio e transferi-la para uma estrutura mais segura. “Se um equipamento apresentar problema, será possível fazer a retirada para manutenção sem parar o sistema de abastecimento. A nossa engenharia entende que, depois dessa reforma, a ETA I terá muito mais segurança para continuar funcionando”, disse.

A modernização da ETA I integra um conjunto de ações para melhorar a captação, o tratamento e a distribuição de água em Rio Branco. O sistema enfrenta dificuldades em períodos de baixa do rio e de acúmulo de balseiros, quando a operação fica mais sujeita a instabilidades.

Além da obra na estação, o município prepara novas intervenções na rede de abastecimento, principalmente na parte alta da cidade, região que historicamente registra mais dificuldade no fornecimento. Os próximos investimentos podem passar de R$ 3,5 milhões, com foco no reforço e na melhoria das redes.

Fotos: Secom/PMRB

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Notícias

Anvisa manda recolher lotes de antibióticos por desvio de qualidade

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou nesta quinta-feira, 18 de junho, o recolhimento de dois lotes de antibióticos injetáveis após identificar desvio de qualidade nos produtos. A medida vale em todo o país e impede a venda, a distribuição e o uso dos medicamentos atingidos, os lotes 2519879 do Polycid, fabricado pela União Química, e 24101854 do fosfato de clindamicina 150 mg/ml, da Hypofarma.

No caso do Polycid, o recolhimento começou depois de a fabricante comunicar a presença de um fragmento de vidro dentro de um frasco do medicamento, usado no tratamento de infecções graves. Já no lote de fosfato de clindamicina, a Anvisa confirmou alteração na solução, com coloração amarelada, além da presença de corpos estranhos e precipitados no interior do frasco lacrado. Em nota, a Hypofarma afirmou que trata a resolução em conformidade com os protocolos regulatórios e mantém colaboração com os órgãos competentes.

A mesma ação da Anvisa também alcança o lote 2513588 da solução fisiológica de cloreto de sódio Equiplex 9 mg/ml, com validade até 30 de junho de 2027, igualmente proibido de ser vendido, distribuído ou utilizado. A agência ainda mandou recolher todas as preparações magistrais produzidas pela Farmácia J do Jabour, após apontar a comercialização de produtos manipulados padronizados e sem prescrição individualizada por profissional habilitado.

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Acre

Matsiani Shanenawa conquista bolsa internacional para fortalecer memória e educação indígena no Acre

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A educadora, pesquisadora e comunicadora Matsiani Shanenawa, liderança do povo Shanenawa no Acre, foi selecionada nesta quinta-feira, 18, para receber uma bolsa internacional da 6ª edição do Programa de Mulheres Indígenas da Amazônia, iniciativa voltada ao fortalecimento de projetos conduzidos por mulheres indígenas em seus territórios. Moradora da aldeia Morada Nova, na Terra Indígena Katukina/Kaxinawá, em Feijó, ela vai desenvolver ações de educação, comunicação comunitária e preservação da memória de seu povo.

O projeto aprovado tem como eixo o fortalecimento da língua Shanenawa, dos saberes tradicionais e da formação de jovens indígenas. A proposta prevê a criação de um sistema de memória digital indígena, com registros da história, da cultura e dos conhecimentos transmitidos entre gerações na comunidade.

Matsiani é graduada em Pedagogia, especialista em Psicopedagogia Institucional e mestre em Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre. Professora da Escola Tekahayne Shanenawa, ela atua na valorização da educação indígena e na preservação dos saberes ancestrais. A liderança também ocupa a vice-presidência da Associação Comunitária Shanenawa de Morada Nova.

Na comunicação, Matsiani está entre as fundadoras do coletivo Tetepawa Comunica, formado por jovens comunicadores indígenas de diferentes terras indígenas do Acre. O grupo trabalha com produção de conteúdo, registros audiovisuais e valorização dos conhecimentos tradicionais, ampliando a presença das narrativas indígenas nos meios digitais.

A secretária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, afirmou que a conquista fortalece não apenas a trajetória individual de Matsiani, mas também sua comunidade. Para ela, oportunidades como essa permitem que novas ferramentas e experiências retornem às aldeias e contribuam para a educação indígena, a comunicação comunitária e a autonomia dos povos.

A trajetória de Matsiani reúne educação, pesquisa, cultura, comunicação e liderança social. Ela é autora e coautora de publicações acadêmicas sobre ancestralidade, educação indígena e identidade cultural. Em 2024, recebeu o Prêmio Mestre da Lei Paulo Gustavo, na categoria Contos e História. Em 2025, o coletivo Tetepawa Comunica recebeu o Prêmio Ciências do Podali.

Com a bolsa internacional, Matsiani Shanenawa pretende ampliar o registro das memórias do povo Shanenawa, fortalecer a língua materna e contribuir para a formação das novas gerações, mantendo vivos os ensinamentos ancestrais e a identidade cultural da comunidade.

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