O presidente do sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) no Acre, Valdemiro Rocha, detalhou a expansão e o impacto econômico do setor no estado durante entrevista ao jornalista Klemer, na primeira temporada do podcast KlemerVerso – Séries Especiais. O modelo cooperativista abrange atualmente cerca de 60 mil famílias acreanas e atua desde a agricultura familiar até o agronegócio mais profissionalizado. As cooperativas de crédito também operam no repasse de recursos federais, estruturando programas como o Pronaf para financiar pequenos produtores e extrativistas.
A atuação das organizações ultrapassa as atividades rurais e o extrativismo tradicional da castanha e da borracha , ramificando-se para os setores financeiro, de saúde, transportes de passageiros e áreas de tecnologia. A rede formada pela Cooperacre, que reúne 12 cooperativas menores , emprega atualmente mais de 60 milhões de reais na construção de uma agroindústria. O complexo utilizará tecnologia e maquinário importados da Itália para processar frutas regionais e exportar polpas , amplificando as operações de uma estrutura que já envia produtos para mais de dez países. Para viabilizar a produção industrial, o sistema fomenta a adoção de agricultura de precisão entre os associados, inserindo técnicas de irrigação e correção de solo, além de firmar a garantia de um preço mínimo na comercialização das safras.
No município de Mâncio Lima, a organização cooperativa transformou o cenário econômico por meio da cultura do café. Pequenos produtores rurais alcançaram colheitas de até 100 sacas de café por hectare. O produto é comercializado com a saca avaliada entre 1.200 e 1.300 reais , impulsionando trabalhadores em situação de vulnerabilidade para uma nova classe média rural. O financiamento destas lavouras ocorre majoritariamente com recursos do Plano Safra equalizados pelo Tesouro Nacional, entregando juros reduzidos na ponta. O avanço no fornecimento de crédito reflete-se nos balanços das instituições: uma única cooperativa financeira regional possui hoje quase 150 mil associados nos estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Amazonas , mantendo uma base onde quase 80% das pessoas declaram renda bruta de até 5 mil reais mensais.
O setor sustenta seu planejamento estratégico por meio de representação política suprapartidária na Frente Parlamentar de Apoio ao Cooperativismo e na Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional. Os grupos legislativos atuaram diretamente nas negociações da reforma tributária para reverter normativos que prejudicariam o fluxo financeiro das associações cooperativas no Brasil. Paralelamente à proteção legal, o ramo produtivo acreano captou aportes do governo federal. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) destinou mais de 30 milhões de reais a fundo perdido para a construção de unidades de beneficiamento de café e açaí nas cooperativas locais. Sobre a relação com a administração pública, Valdemiro Rocha declarou que “se um determinado executivo municipal, estadual, federal não atrapalhar, ele já está ajudando”.
O aumento das áreas de cultivo permanente de alto valor agregado e a instalação de maquinário de beneficiamento industrial reduzem a necessidade de desmatamentos amplos destinados à pecuária extensiva. A consolidação das ferramentas de crédito subsidiado e o acesso direto a inovações de manejo projetam a inserção de milhares de pequenos produtores da Amazônia nos mercados de exportação, gerando estabilidade financeira de longo prazo para as populações rurais e urbanas envolvidas na cadeia.