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Cultura

Estado orienta comunidades indígenas do Vale do Juruá para acesso a recursos da Política Aldir Blanc

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O governo do Acre iniciou, nesta semana, uma ação de orientação técnica em 13 aldeias do Vale do Juruá para apoiar a elaboração de projetos culturais e garantir a participação de povos indígenas no Edital de Fomento e Incentivo à Cultura (Arte e Patrimônio) nº 010/2025, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). A iniciativa é coordenada pela Fundação Estadual de Cultura Elias Mansour (FEM) e ocorre em janeiro de 2026, com foco em ampliar o acesso dessas comunidades aos recursos públicos destinados ao setor cultural.

Nesta etapa da PNAB, o Estado do Acre contará com R$ 3,58 milhões para financiar projetos nas áreas de artes, patrimônio cultural, humanidades, culturas populares, indígenas, afro-brasileiras, urbanas, artes digitais, artes visuais e outras expressões culturais. Os recursos integram a política nacional retomada em parceria com estados e municípios e executada no Acre por meio da FEM, responsável por operacionalizar os editais e acompanhar a aplicação dos investimentos no território estadual.

A ação no Vale do Juruá é conduzida por equipes técnicas da FEM sob a coordenação do representante do órgão na região, Adgildo Oliveira Rebouças. Na aldeia Katukina, foram orientadas 26 propostas voltadas às áreas de música, culinária tradicional e artesanato. Segundo a fundação, o trabalho de campo busca reduzir obstáculos burocráticos que dificultam a participação de comunidades indígenas nos editais públicos, sobretudo em regiões com limitações de conectividade digital e de acesso a serviços administrativos.

“Estamos garantindo que homens e mulheres indígenas possam concorrer às cotas previstas no edital da PNAB 2025. Esses projetos são importantes para a preservação da cultura tradicional e para que saberes e práticas ancestrais sigam sendo transmitidos”, afirmou Adgildo Rebouças, ao comentar a atuação da equipe técnica nas aldeias.

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O presidente da FEM, Minoru Kinpara, afirmou que o governo estadual está seguindo a Instrução Normativa do Ministério da Cultura para assegurar cotas mínimas e o cumprimento das ações afirmativas previstas na política nacional. “Estamos levando orientação diretamente às aldeias para ampliar o acesso aos trâmites dos editais públicos. O prazo para apresentação dos projetos termina em 2 de fevereiro, e por isso estamos intensificando esse trabalho em campo”, declarou.

De acordo com o Estado, a medida integra uma estratégia mais ampla de inclusão cultural e busca corrigir desigualdades históricas no acesso a políticas públicas por parte de povos originários. A expectativa é ampliar o número de propostas indígenas habilitadas no edital, fortalecendo iniciativas ligadas à memória, aos modos de vida tradicionais e à economia da cultura nos territórios do interior do Acre.

Com a proximidade do encerramento do prazo, novas visitas a outras aldeias do Vale do Juruá estão previstas nos próximos dias. O governo avalia que a ampliação da participação indígena pode influenciar diretamente a distribuição dos recursos da PNAB no Estado em 2025, aumentando a presença de projetos oriundos de comunidades tradicionais entre os contemplados.

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Cultura

Mostra de Cinema de Tiradentes abre 29ª edição com foco em políticas públicas e reconhecimento ao audiovisual brasileiro

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A 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes foi aberta na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, na cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, reunindo realizadores, produtores, artistas, representantes do poder público e jornalistas no Cine-Tenda para o início de uma programação que combina exibição de filmes, reflexão crítica e articulação institucional, em um contexto de retomada e reorganização do setor audiovisual brasileiro .

Na cerimônia de abertura, a coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, destacou o compromisso do evento com a diversidade de vozes e linguagens e defendeu a regulação das plataformas de streaming, a democratização das políticas públicas e o fortalecimento do cinema nacional como vetor econômico. Segundo ela, a mostra mantém, desde sua criação, a decisão de apostar em novos protagonismos e possibilidades narrativas no audiovisual brasileiro. O ponto central da noite foi a homenagem à atriz e diretora Karine Teles, que recebeu o Troféu Barroco por uma trajetória de mais de duas décadas no cinema, marcada por escolhas autorais e atuação em diferentes frentes da criação audiovisual .

Ao receber a homenagem, Karine Teles falou sobre as condições de trabalho no setor cultural e os desafios de manter uma carreira artística no país. “Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções”, afirmou. A atriz também comentou as dificuldades de permanência no campo cultural: “Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro” .

A abertura contou ainda com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, que ressaltou a dimensão política e simbólica do audiovisual. “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. Isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”, declarou. Já a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro, mencionando o reconhecimento internacional recente de produções nacionais e reforçando a centralidade das políticas públicas para o setor .

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No sábado, 24 de janeiro, teve início o Fórum de Cinema de Tiradentes, em sua quarta edição, voltado à reflexão sobre políticas culturais, indústria e democracia. A abertura reuniu integrantes do governo e produtores, com a leitura da carta de princípios apresentada pela produtora Débora Ivanov, que convocou o setor a se mobilizar em defesa das conquistas recentes e a refletir sobre o futuro em um cenário de desafios emergenciais. O documento fez um balanço do processo de reconstrução do setor iniciado em 2023, citando a restauração do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual, a retomada do Fundo Setorial do Audiovisual, a reativação de programas de fomento, a renovação da Lei do Audiovisual e das cotas de tela, a implantação da Política Nacional Aldir Blanc, a realização da 4ª Conferência Nacional de Cultura e a retomada da cooperação internacional .

A carta também apontou a execução da Lei Paulo Gustavo em 97% dos municípios brasileiros como indicativo do interesse popular pelo audiovisual e destacou a necessidade de uma política sistêmica que articule União, estados e municípios, racionalize processos e potencialize impactos econômicos, culturais e sociais. Entre os desafios elencados estão a regulação dos serviços de streaming, a consolidação de uma política de Estado perene e a garantia de acesso do público brasileiro aos conteúdos nacionais em todas as telas. O texto conclui que “os desafios do audiovisual são desafios da nação brasileira na afirmação de um destino livre, democrático e soberano”, projetando 2026 como um ano de continuidade da mobilização do setor.

Fonte: Agência Brasil – Foto: Leo Lara/Universo Produções

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Cultura

Conselho Superior de Cinema apresenta Plano de Diretrizes e Metas para o audiovisual 2026–2035

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O Conselho Superior de Cinema realizou, na quarta-feira (21), sua primeira reunião de 2026, em formato virtual, para apresentar o Plano de Diretrizes e Metas (PDM) do Audiovisual Brasileiro 2026–2035, documento que vai orientar as políticas públicas do setor na próxima década e organizar as prioridades do audiovisual no país.

O encontro teve como objetivo expor o conteúdo do PDM e definir os próximos passos do processo participativo, que reúne contribuições do setor e do governo para a consolidação das políticas públicas do audiovisual. A apresentação foi conduzida pela diretora de Difusão e Preservação da Secretaria do Audiovisual, Daniela Fernandes, em conjunto com a diretora da Agência Nacional do Cinema (Ancine), e abordou a metodologia de construção do plano, suas diretrizes estruturantes e o cronograma para a consolidação das contribuições recebidas.

Durante a reunião, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o contexto de retomada institucional do setor e a reativação da governança do Conselho Superior de Cinema. “2025 foi um ano em que nós superamos muitas marcas. É importante mostrar que não temos só embates, não temos só gargalos, a gente também comemora vitórias e reconhece o que estamos fazendo. Houve uma reativação da governança, do Conselho Superior de Cinema, a retomada do diálogo com a Ancine e a escuta do setor audiovisual brasileiro. A retomada do investimento do governo federal no cinema e na cultura como um todo é uma conquista conjunta”, afirmou.

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, explicou que o plano organiza as prioridades do setor para os próximos dez anos e articula ações em diferentes frentes. “O PDM é uma construção coletiva que organiza as prioridades do audiovisual brasileiro para a próxima década. O documento articula ações de formação, inovação, difusão, preservação e internacionalização, fortalecendo de forma integrada todo o ecossistema audiovisual”, declarou.

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Ela também citou entregas previstas para o próximo período, como a plataforma de streaming Tela Brasil, a Film Commission Nacional, a reabertura do Centro Técnico Audiovisual (CTAV), o avanço dos Arranjos Regionais e a consolidação do audiovisual no âmbito da Nova Indústria Brasil. Essas iniciativas fazem parte da estratégia de fortalecimento da cadeia produtiva e de ampliação do alcance da produção audiovisual brasileira.

Como encaminhamento, as conselheiras e os conselheiros do Conselho Superior de Cinema irão formalizar suas sugestões e contribuições ao PDM. Após a consolidação dessas propostas, o documento será apresentado para deliberação final em reunião prevista para fevereiro de 2026, antes de sua entrega à sociedade civil.

Participaram da reunião representantes de diferentes órgãos do governo federal, incluindo a Secretaria do Audiovisual, a Ancine, a Casa Civil, os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Educação, da Fazenda e da Justiça e da Segurança, o que reforça o caráter interinstitucional do plano e sua integração com outras políticas públicas.

A expectativa é que o Plano de Diretrizes e Metas contribua para dar previsibilidade às ações do Estado no setor audiovisual, ampliar o diálogo com profissionais e empresas da área e orientar investimentos em formação, produção, difusão e preservação, com impactos diretos sobre a geração de empregos, a circulação de conteúdos e o acesso da população ao cinema e ao audiovisual brasileiro.

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Cultura

Kleber Mendonça celebra indicações de O Agente Secreto ao Oscar e destaca políticas públicas para o cinema

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O diretor Kleber Mendonça Filho afirmou nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, que as quatro indicações de O Agente Secreto ao Oscar representam um reconhecimento construído ao longo de anos e resultado direto de políticas públicas de incentivo à cultura, em mensagem divulgada em seu perfil no Instagram após o anúncio da Academy of Motion Picture Arts and Sciences. “Muito obrigado por toda essa energia tão incrível que a gente está sentindo do público brasileiro para o Agente Secreto e para essas quatro indicações”, disse o cineasta, que acompanhou ao vivo a divulgação da lista e descreveu o momento como “nervoso”, mas positivo.

Na gravação, Kleber relatou que estava reunido com amigos que participaram do filme quando soube das indicações e agradeceu às empresas responsáveis pela distribuição. “Eu quero também agradecer a Neon pelo trabalho excelente que vem sendo feito e que agora tem continuidade no mês de fevereiro nos Estados Unidos, divulgando o filme nos Estados Unidos e também em outros países”, afirmou. O diretor também mencionou a atuação da Vitrine Filmes no Brasil e disse que a distribuidora ajudou a transformar o longa em um sucesso de público. “Ajudou a gente a transformar o Agente Secreto num arrasa-quarteirão. Passamos ontem de um milhão e meio de espectadores, o que é absolutamente incrível”, declarou.

Kleber Mendonça também citou Wagner Moura, indicado a Melhor Ator, e contou que o ator soube da nomeação durante uma viagem. “Quero também agradecer e mandar um grande abraço para o Wagner Moura, que estava no avião quando ele soube da informação que ele está indicado ao Oscar de melhor ator”, disse. O diretor lembrou ainda que o filme alcançou o mesmo número de indicações de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e relacionou o feito à trajetória recente do cinema nacional. “Esse filme está vindo um ano depois do Ainda Estou Aqui, do Walter Salles. Esse é um filme que tem quatro indicações, que é a mesma quantidade de indicações que o Cidade de Deus conseguiu”, afirmou.

Ao comentar o processo de criação de O Agente Secreto, Kleber destacou a influência de produções anteriores e da cena cultural de Recife. “O Agente Secreto não surgiu esse ano. O Agente Secreto é fruto de muitos outros filmes. Não só os filmes que eu já fiz, mas o Agente Secreto também não existiria sem Amarelo Manga, de Cláudio Assis”, disse, ao lembrar da primeira vez em que viu a cidade de Recife retratada em cinemascope no Festival do Rio. Segundo ele, a obra também reflete um ambiente cultural mais amplo. “É uma combinação de vir de uma cidade que é o Recife, que tem um talento muito natural para a cultura, para a literatura, para o teatro, para a música e, claro, para o cinema”, afirmou.

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O diretor dedicou parte de sua fala ao papel do investimento público na produção cultural brasileira e associou o desempenho internacional do filme à existência de políticas de fomento. “O Agente Secreto é fruto de políticas públicas. Políticas públicas são uma maneira inteligente, está na nossa Constituição, de você investir na identidade do próprio país”, declarou. Para Kleber, esse tipo de investimento permite que a população se reconheça nas próprias produções. “Com políticas públicas para as artes, para a expressão artística, eu realmente acho que a população do nosso país passa a se ver, e é muito importante quando você se vê”, afirmou.

Na mesma mensagem, ele comparou o apoio ao setor cultural a outras áreas estratégicas da economia. “O Brasil é um dos países que utiliza de maneira inteligente o investimento público em produtos culturais do Brasil, um pouco como se investe também na indústria automobilística e no agronegócio”, disse. Para o cineasta, destinar recursos à cultura é uma forma racional de política pública. “Investir no produto cultural do país é uma maneira muito inteligente de investir esse dinheiro”, completou.

Ao final da fala, Kleber Mendonça citou a presença de novos filmes brasileiros em festivais internacionais e afirmou que outras produções estão em desenvolvimento. “A gente tem agora novos filmes em Berlim, no Festival de Berlim, e eu espero novos filmes incríveis sendo trabalhados hoje, ou escritos, ou montados, ou mixados”, disse. Ele também agradeceu ao público que acompanha o longa desde sua estreia em maio no Festival de Cannes. “Um grande abraço para todo mundo que tem acompanhado a trajetória do Agente Secreto desde maio no Festival de Cannes. Eu estou muito feliz com esse dia de hoje”, concluiu.

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