Connect with us

Notícias

Fungos avançam como nova fronteira na produção de proteínas para alimentação humana

Published

on

Pesquisas da Embrapa e universidades brasileiras apontam os fungos como uma das principais fontes de proteína do futuro. As chamadas micoproteínas, derivadas do micélio — estrutura de sustentação dos fungos —, estão sendo desenvolvidas por meio de engenharia genética e fermentação de precisão. O objetivo é oferecer alternativas à carne tradicional, com menor consumo de terra e água e menores emissões de gases de efeito estufa.

Estudos realizados por equipes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Embrapa Meio Ambiente demonstram que as micoproteínas podem atingir valor nutricional equivalente ao da carne, com textura e sabor adaptáveis às preferências do consumidor. O pesquisador André Damasio, da Unicamp, explica que fungos e leveduras estão sendo transformados em “fábricas celulares” capazes de produzir proteínas recombinantes semelhantes às do leite, ovos e carne, em processos mais seguros e menos intensivos em recursos naturais.

Segundo Damasio, “a produção de micoproteínas se destaca por exigir menos terra e água e emitir menos gases de efeito estufa do que a pecuária convencional”, o que pode reduzir impactos ambientais como desmatamento e degradação do solo. Contudo, ele ressalta que ainda há barreiras técnicas e regulatórias, como a necessidade de aprimorar sabor e textura e garantir a segurança alimentar dos novos produtos.

O analista da Embrapa Meio Ambiente, Gabriel Mascarin, aponta que faltam estudos clínicos sobre biodisponibilidade e efeitos de longo prazo no consumo humano. Ele destaca a importância de normas rigorosas para o controle de toxinas e metais pesados, além da padronização de valores nutricionais. “Os obstáculos vão desde a engenharia genética de linhagens fúngicas até o escalonamento do bioprocesso e o processamento final dos produtos”, afirma. Ferramentas de biologia sintética e tecnologias “ômicas”, como a transcriptômica e a proteômica, estão sendo aplicadas para superar esses desafios e aumentar a eficiência produtiva.

Para a pesquisadora Paula Cunha, também da Unicamp, o uso de micoproteínas não busca substituir a carne animal, mas diversificar a dieta e reduzir os impactos ambientais da produção de alimentos. Ela ressalta que integrar as proteínas fúngicas às cadeias alimentares pode fortalecer a segurança alimentar global e aumentar a resiliência dos sistemas agroindustriais diante das mudanças climáticas.

O investimento no setor reflete o interesse crescente. A fermentação de biomassa fúngica superou a carne cultivada em recursos financeiros nos últimos cinco anos, somando € 628 milhões contra € 459 milhões. Empresas como Quorn, Meati e Eternal produzem micoproteínas com teor proteico entre 45% e 48%, aplicadas em substitutos de carne e laticínios. O mercado global desses produtos deve alcançar US$ 32 bilhões até 2032, com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano.

Estudos indicam que o consumo de micoproteínas pode contribuir para reduzir colesterol e controlar glicemia, embora especialistas alertem para a necessidade de mais pesquisas sobre digestibilidade e possíveis reações alérgicas. Desde sua aprovação pela FDA em 2001, os produtos à base de micélio vêm sendo aprimorados, mas ainda não possuem diretrizes internacionais específicas sobre ingestão diária.

A pesquisa contou com colaboração entre universidades do Brasil e da Dinamarca, e seus resultados foram publicados na revista Discover Food da Springer. Para os pesquisadores, os fungos tendem a assumir papel complementar no fornecimento global de proteínas, com potencial de reduzir a pressão sobre o meio ambiente e atender à demanda crescente por alimentos sustentáveis.

Cultura

Alysson Bestene lança 18º Circuito Junino de Rio Branco com investimento de R$ 600 mil

Published

on

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, lançou nesta segunda-feira, 1º de junho, o 18º Circuito Junino da capital com investimento de R$ 600 mil para estrutura, organização e realização da programação de 2026. A abertura marca o início do calendário oficial das festas juninas no município, com expectativa de movimentar grupos culturais, artistas, ambulantes e o comércio local ao longo de junho.

O circuito terá duas etapas principais. A primeira será realizada entre os dias 12 e 14 de junho, na Praça da Revolução. A fase final está marcada para os dias 19, 20 e 21 de junho, no Quadrilhódromo, espaço tradicional das apresentações juninas em Rio Branco.

Durante o lançamento, a prefeitura reforçou que o evento faz parte da política de incentivo à cultura popular e ao fortalecimento das quadrilhas juninas da capital. A proposta é garantir estrutura para os grupos, ampliar a participação do público e manter uma das manifestações culturais mais tradicionais do calendário acreano.

Além das apresentações, o circuito também deve concentrar disputa entre quadrilhas, programação artística e ações voltadas ao público que acompanha os festejos. A expectativa da organização é de que a edição deste ano repita a mobilização registrada em anos anteriores e fortaleça a cadeia econômica ligada aos arraiais.

Com o aporte confirmado, a gestão municipal aposta no circuito como vitrine da cultura popular de Rio Branco e como um dos principais eventos do mês de junho na cidade.

Fotos: Sérgio Vale

Continue Reading

Economia e Empreender

São João amplia espaço para pequenos negócios e impulsiona vendas em todo o país

Published

on

As festas de São João abriram uma nova temporada de oportunidades para pequenos negócios em várias regiões do país, com impacto que vai da venda de comidas típicas ao turismo de experiência, moda, decoração, fotografia, papelaria e serviços de beleza. O período junino, que se estende até o fim de julho em muitos destinos, virou uma vitrine para empreendedores ampliarem faturamento, ganhar visibilidade e se conectar com o público em torno da cultura popular brasileira.

O movimento ocorre em um cenário de forte circulação de dinheiro. Os festejos juninos movimentaram cerca de R$ 7,4 bilhões em 2025, segundo estimativas citadas na cobertura. A avaliação é que o peso econômico do calendário vai além das barraquinhas tradicionais e alcança cadeias ligadas a turismo, economia criativa, alimentação, vestuário e experiências culturais. O consumidor tem buscado cada vez mais vivências completas, ligadas à memória afetiva, à autenticidade e à identidade local.

Em Campina Grande, um dos principais polos juninos do país, a empresária Albaniza Farias aposta nesse filão com o Ônibus do Forró, roteiro turístico que reúne transporte, música e interação cultural para oferecer ao visitante uma imersão no ambiente da festa. Na mesma cidade, a microempreendedora Edileuza de Almeida relatou aumento de 50% no faturamento com a produção de roupas e acessórios para quadrilhas, em uma demanda que começou a crescer meses antes da abertura oficial da temporada.

A orientação para 2026 é que os empreendedores se antecipem. Entre as recomendações estão a revisão de estoque, a organização da operação, o reforço da presença digital, a ambientação temática e a formação de parcerias entre pequenos negócios para ampliar alcance e vendas. A coincidência entre o calendário junino e o período da Copa do Mundo deste ano também deve exigir mais planejamento de bares, restaurantes, comércios e serviços voltados ao público das festas.

Continue Reading

Economia e Empreender

FMI aponta resiliência da economia brasileira e estima PIB de 2,5% no médio prazo

Published

on

O Fundo Monetário Internacional afirmou nesta segunda-feira que a economia brasileira mantém capacidade de resistência diante de choques externos e projetou crescimento de 2,5% no médio prazo. A avaliação foi divulgada após a missão técnica do organismo ao país e ocorre em um cenário de incertezas internacionais, inflação ainda pressionada e juros em trajetória de ajuste.

Na análise do Fundo, o Brasil atravessa o atual ambiente global em posição relativamente favorável por causa do peso das exportações de petróleo e da forte presença de fontes renováveis na matriz elétrica. Esse quadro ajuda a reduzir parte do impacto provocado pela alta dos preços internacionais de energia, embora os riscos para a atividade econômica ainda permaneçam no radar.

O organismo também avaliou que a inflação desacelerou no começo de 2026, mas voltou a sofrer pressão com o encarecimento da energia no mercado externo. Nesse contexto, considerou adequados os cortes de juros adotados recentemente pelo Banco Central, ao mesmo tempo em que defendeu cautela na condução da política monetária até que os índices de preços se aproximem da meta.

Na área fiscal, o FMI voltou a defender medidas para melhorar a trajetória da dívida pública, com reforço de receitas, preservação de ganhos extraordinários e revisão de rigidezes no orçamento. Para a instituição, esse conjunto pode reduzir o custo de financiamento do país e abrir espaço para investimentos em áreas consideradas prioritárias.

O relatório ainda aponta que o avanço de reformas estruturais, a ampliação de acordos comerciais e a agenda de transição ecológica podem elevar a produtividade e dar sustentação a um ciclo de crescimento mais duradouro. A leitura do Fundo é que, apesar das pressões no curto prazo, o país reúne condições para manter estabilidade e ampliar o ritmo de expansão nos próximos anos.

Continue Reading

Tendência