Iniciativa do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) por meio da Escola de Contas, promove esta semana mais uma edição do Programa Aprimora Gestão, levando palestras e oficinas de capacitação a gestores públicos dos municípios de Sena Madureira, Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus.
Com o objetivo de fortalecer a governança e a transparência na administração pública, a atividade teve início na terça-feira, 18, com o Seminário Início de Mandato Municipal e o Controle Externo, composto por palestras e oficinas, realizadas no Instituto Federal do Acre (IFAC), campus Sena Madureira.
A programação seguiu nesta quarta-feira, 19, com cinco oficinas temáticas que abordaram temas essenciais para a gestão pública. São eles: Despesa de Pessoal e a Gestão Municipal; o Novo Sistema LICON 2.0; Prestação de Contas: Principais Irregularidades; Instrumentos de Planejamento e Gestão Pública; Controle de Patrimônio, ministradas por auditores e técnicos do Tribunal de Contas do Acre.
“Foram dois dias de muito trabalho e aprendizado. Saímos daqui felizes e só temos a agradecer por esses dias de informação e capacitação, para que possamos ter uma boa gestão. Foram orientações sobre os sistemas, resoluções e as mudanças que estão ocorrendo dentro do Tribunal e que a equipe do prefeito, da prefeita e das câmaras municipais precisam conhecer, por isso o TCE está na estrada justamente para cumprir com a sua missão pedagógica”, destacou a diretora da EsCon, conselheira Naluh Gouveia.
Superação
O servidor público da Prefeitura de Santa Rosa do Purus, Sérgio Guedes, relatou a dificuldade para chegar até Sena Madureira para participar dos treinamentos e agradeceu pela iniciativa.
“Nós que moramos em um município isolado, é sempre mais difícil. Tivemos que vir de barco, geralmente gastamos oito horas de viagem. Dessa vez demoramos mais porque o barco quebrou. Além disso, a cheia do rio deixa a viagem mais perigosa, mas fizemos questão de vir participar e receber toda essa capacitação do Tribunal. Aproveito para agradecer aos servidores do TCE que estão sempre prontos a nos ajudar”, disse.
Em nome dos 15 servidores da Prefeitura de Manoel Urbano, Jonatan Pinheiro, funcionário da Secretaria de Obras, destacou a relevância dos conteúdos e a didática aplicada nas oficinas.
“Os temas abordados nas oficinas são essenciais para os novos gestores. Eu classifico como sendo um momento muito rico, de muito aprendizado, por isso, parabenizo o Tribunal de Contas por vir aqui no município nos ensinar ao invés de apenas punir. Quem ganha com isso é a gestão e a população”, disse.
Para a secretária da Mulher de Sena Madureira, Sionilda Gadelha, a iniciativa do TCE é inovadora e pedagógica. “Para nós que estamos mais distantes da capital, ter técnicos qualificados aqui compartilhando conhecimento, ensinamento de normas e procedimentos legais para a boa aplicação dos recursos públicos e de gestão e governança, é algo inovador e digno de elogios, nós agradecemos e parabenizamos. Sem dúvidas, tudo o que foi repassado aqui será de grande importância para o nosso trabalho na gestão municipal”, finalizou.
Programação
O Itinerante, edição 2025, já passou pelas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, e Purus. A caravana do TCE segue ao longo desta semana para a regional Tarauacá/Envira e Juruá, onde deve concluir esta etapa de capacitação.
Veja os próximos encontros:
• 21 de março, no auditório do Instituto Federal do Acre (IFAC), campus de Tarauacá, às 8 horas;
• 22 de março, na Escola Nanzio Magalhães, em Feijó, às 8 horas;
• 24 de março, no Teatro dos Náuas, em Cruzeiro do Sul, às 8 horas;
• 25 de março, na Escola Dom Henrique Ruth, em Cruzeiro do Sul, às 8 horas.
A entrada do Comando Vermelho na cadeia do ouro em Ucayali, no leste do Peru, expôs uma nova etapa do garimpo ilegal na fronteira com o Acre, com facções disputando uma economia que combina alto valor, baixa rastreabilidade e facilidade de lavagem. A Folha de S.Paulo apurou que a mineração em áreas remotas voltou a crescer na região, em meio a pouca fiscalização, degradação ambiental acelerada e mudança no fluxo do metal, que deixou de abastecer o comércio local e passou a seguir por rotas que permitem “legalizar” a origem do ouro.
Em Pucallpa, capital de Ucayali, a transformação já aparece no cotidiano do mercado. A reportagem registrou a percepção de escassez de ouro no comércio tradicional e ouviu um joalheiro que resumiu a virada: “Não tem mais tanto ouro quanto antes”. O relato vem acompanhado de uma explicação recorrente entre compradores e autoridades na cidade: parte do metal extraído no rio Abujão deixou de circular no circuito local e passou a ser escoada para fora, alimentando um caminho em que o ouro entra em cadeias com aparência formal.
O contexto econômico ajuda a entender por que o garimpo virou alvo preferencial. A Folha destacou que, em 2025, a mineração respondeu por 67,5% do valor total exportado pelo Peru, cerca de US$ 63 bilhões, e que, no mercado clandestino, as exportações de ouro ilegal podem ter ultrapassado US$ 12 bilhões, segundo o Instituto Peruano de Economia. A cifra coloca o ouro em um patamar de protagonismo entre as economias ilícitas e reforça o peso do metal como ativo que pode circular com menos barreiras do que drogas, justamente por ter portas de entrada no mercado legal.
Para lembrar
Documentário da OPIRJ registra luta contra estradas e ameaças na fronteira
O debate sobre o avanço do desmatamento, das estradas ilegais e das economias ilícitas na fronteira entre Acre e Ucayali também está no documentário “Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta”, lançado em 22 de setembro. A produção reúne relatos, documentos e registros da atuação da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá na defesa dos territórios indígenas e da floresta na região transfronteiriça.
O filme aborda a mobilização contra a proposta de rodovia entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, trata da estrada ilegal UC-105, entre Nueva Italia e Puerto Breu, e recupera decisões judiciais, estudos econômicos e alertas de lideranças sobre os impactos das vias em áreas indígenas, unidades de conservação e territórios de povos isolados. O documentário está disponível no canal do Épop no YouTube.
A reportagem também situou que a presença do Comando Vermelho no Peru não começou agora. Desde meados de 2015, a facção se expandiu pelo Amazonas, na disputa com o PCC e grupos locais, e se aproximou de rotas de fronteira ligadas a drogas e madeira. O que muda, segundo a apuração, é a consolidação do ouro como frente de lucro e de lavagem, com vantagens operacionais para organizações criminosas. A cientista política Omayra Peña Jimenez disse à Folha que o ouro se tornou mais atraente do que a cocaína por combinar alta de preço com um mercado formal que facilita a camuflagem da origem, e afirmou que grupos criminosos enxergaram no metal uma oportunidade de investimento que também permite lavagem de dinheiro.
No Abujão, afluente na região de Pucallpa, a mineração não é novidade, mas o avanço recente redesenhou a escala da pressão. A Folha relatou que o garimpo existe desde os anos 1980 e voltou a crescer com força nos últimos sete anos, impulsionado pela valorização do ouro, pela migração de criminosos após operações em outras áreas e pela redução da presença do Estado durante a pandemia. O biólogo Sidney Novoa, da Conservación Amazónica, disse que áreas de mineração que haviam sido abandonadas passaram a ser reativadas e que a retomada ganhou tração a partir de 2022.
A facção entra no enredo a partir de relatos e informações de inteligência citadas por autoridades. O procurador de meio ambiente de Pucallpa, José Luis Guzman, afirmou à Folha que passou a ouvir menções ao Comando Vermelho em depoimentos e apurações e descreveu uma mudança no fluxo: antes de 2020, garimpeiros chegavam do Abujão com pepitas; agora, o ouro teria deixado de abastecer joalheiros e compradores locais e passou a ser enviado a mineradoras com concessão, onde o metal ganha aparência de origem legal. Guzman afirmou que “o grosso do dinheiro vai para o Brasil” e que o grupo não investe na região, exceto em consumo imediato.
Segundo ele, a resposta oficial não acompanhou o ritmo do avanço. A Folha registrou que Guzman citou uma operação em 2020 para prender garimpeiros no Abujão, mas disse que o único flagrante foi revertido quando criminosos reagiram com tiros e que, após o recuo para planejar uma ação mais forte, a nova operação não ocorreu. No intervalo, a mineração se expandiu e passou a ameaçar áreas protegidas e territórios indígenas, incluindo a área de conservação Tamaya-Abujão, a reserva indígena Isconahua e o Parque Nacional Sierra del Divisor.
Os efeitos se acumulam em quem vive à margem do rio. A reportagem ouviu moradores que relataram piora na água e mudanças no tecido social, com aumento de prostituição e tráfico de pessoas, além de crescimento da violência e da intimidação armada. Andrés Gonzalez Torres, engenheiro nascido na comunidade de Santa Rosa de Tamaya Tipishca, disse que “a mineração degradou a qualidade da água” e associou a contaminação ao adoecimento de pessoas da região. Ele também descreveu a sensação de domínio armado em áreas sem fiscalização, com a presença de estranhos associada à entrada de armas e à imposição de regras de fora para dentro.
O avanço do ouro ilegal em Ucayali encaixa numa lógica que atravessa a fronteira do Acre: quando a fiscalização falha, a economia clandestina se expande, se especializa e passa a operar como cadeia, do abastecimento ao escoamento. É a mesma engrenagem que o Épop mostrou na reportagem publicada ontem sobre a pressão em Ucayali e o risco de interiorização do problema por rios e estradas, com alertas no eixo Yurúa–Juruá e no corredor da UC-105. A entrada do Comando Vermelho no circuito do ouro reforça essa leitura ao dar nome e método a um processo que, na prática, encurta a distância entre garimpo, lavagem e crime organizado em uma fronteira onde o custo de presença do Estado ainda é alto e o impacto ambiental é imediato.
🌿 Contexto relacionado · Meio Ambiente
Garimpo em Ucayali avança por rios e estradas no Yurúa — e acende alerta no Juruá, na fronteira do Acre
A expansão do garimpo ilegal de ouro no leste do Peru pressiona a fronteira acreana por duas rotas complementares:
a logística terrestre — mais visível em Madre de Dios — e a dinâmica fluvial em Ucayali, onde dragas e acampamentos
aparecem em afluentes remotos e se aproximam do vale do Juruá.
O Peru realizou 243 operações contra mineração ilegal entre janeiro e fevereiro de 2026, sem conter o deslocamento do garimpo para rios de difícil acesso.
Em Ucayali, a mineração se espalha por afluentes do rio Abujao — padrão que pulveriza o impacto e dificulta o monitoramento.
A estrada UC-105 (Nueva Italia–Puerto Breu), no distrito de Yurúa, é apontada por satélite como vetor de desmatamento e economias ilegais a poucos quilômetros do Brasil.
A Comissão Transfronteiriça Yurúa/Alto Tamaya/Alto Juruá pede posto de controle no Hito 38 e guarda indígena binacional para conter o avanço.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na noite de quinta-feira, 30 de abril de 2026, as linhas gerais de uma nova fase do Desenrola Brasil, com renegociação de dívidas, limite de juros e permissão para saque de parte do FGTS para quitar débitos, em uma tentativa de reduzir o endividamento das famílias e destravar consumo e atividade econômica. Hoje, 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Pelo desenho apresentado no pronunciamento, a adesão ao programa permitirá renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fies, com descontos que podem variar de 30% a 90% e financiamento com juros de até 1,99% ao mês. Lula afirmou que o participante poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para pagar as dívidas. “O programa vai permitir que os brasileiros e brasileiras endividados renegociem suas dívidas”, disse o presidente ao detalhar as modalidades alcançadas.
O governo também sinalizou uma trava voltada ao comportamento de consumo: segundo Lula, os inscritos no Novo Desenrola Brasil terão o acesso a plataformas de apostas online bloqueado por um ano, como forma de evitar que novas dívidas sejam contraídas com jogos. O detalhamento do pacote deve ocorrer na segunda-feira, 4 de maio, em Brasília, com a expectativa de contemplar devedores com renda de até cinco salários mínimos — patamar informado como R$ 8.105.
A principal engrenagem da medida será o uso do FGTS para o pagamento de dívidas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, declarou que a nova etapa deve consumir cerca de R$ 4,5 bilhões do fundo, com um teto de R$ 8 bilhões, diante de um saldo total de R$ 705 bilhões, e que a transferência dos recursos ocorrerá pela Caixa Econômica Federal após a negociação entre o devedor e a instituição credora.
A pressão do crédito caro entrou no diagnóstico oficial. O uso do rotativo do cartão — uma das modalidades mais custosas do mercado — cresceu quase 10% no primeiro trimestre de 2026, movimento associado ao avanço do endividamento. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a pasta tratou do tema com presidentes dos principais bancos, incluindo Banco do Brasil e Caixa, e afirmou que o governo vai investir em “boas práticas” na oferta de crédito e em educação financeira.
O governo trabalha para incluir microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas na nova rodada do Desenrola. No recorte de pequenos negócios, o Sebrae informou que, desde 2024, viabilizou por meio do Fampe mais de 133 mil operações de crédito, que somaram R$ 11 bilhões em empréstimos, além de mais de 1 milhão de atendimentos de crédito assistido, alcançando 721 mil pequenos negócios. A estimativa mencionada para o alcance do pacote é de repactuação entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas.
O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, esteve no bairro Rui Lino III no sábado, 2 de maio, para uma reunião com moradores e uma caminhada por ruas da comunidade, em uma agenda voltada a levantar demandas e definir prioridades de infraestrutura e serviços básicos. A visita foi divulgada pela prefeitura neste domingo, 3 de maio, como parte de uma série de agendas em bairros da capital.
O encontro ocorreu em um campo de futebol e reuniu moradores e lideranças locais. Depois de ouvir as principais solicitações apresentadas, Bestene percorreu trechos do bairro acompanhado por representantes da comunidade, visitou residências e conversou com famílias para mapear pontos que precisam de intervenção e alinhar encaminhamentos.
Durante a agenda, o prefeito afirmou que a gestão pretende manter presença frequente nas comunidades para orientar o planejamento e acelerar a execução de melhorias. “Essa relação transparente com a liderança comunitária é essencial. Nosso objetivo é aproximar cada vez mais a prefeitura dos bairros, especialmente daqueles que mais precisam. Estamos aqui para ouvir, planejar e executar ações que tragam resultados concretos para a população”, disse.
O presidente da Associação de Moradores do Rui Lino III, Marquinhos Silva, afirmou que a visita reforça o diálogo com a prefeitura. “A presença do prefeito fortalece o diálogo e mostra que a gestão está atenta às necessidades da comunidade”, declarou.
Segundo a prefeitura, as visitas fazem parte de um conjunto de ações para acompanhar demandas diretamente nos bairros, com foco em infraestrutura urbana, manutenção de vias e serviços essenciais.