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Direto ao ponto

Marcha para Jesus: Fé ou Política?

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Tensões surgiram na Marcha para Jesus deste ano com a presença da vice-governadora Mailza Assis, gerando debates nos bastidores. Enquanto líderes religiosos reiteravam que o propósito do evento era exclusivamente celebrar a fé em Jesus Cristo, a demonstração de apoio político, evidenciada pelo boné que ela usou com o nome do ex-presidente não reeleito em 2022, desviou o foco para questões partidárias e ideológicas.

“A presença da vice-governadora Mailza Assis na Marcha para Jesus não foi apenas uma participação comum, mas sim uma demonstração de apoio político.” Para alguns líderes, essa atitude desviou o foco do evento religioso para questões políticas, indo contra a decisão dos organizadores de que a marcha seria exclusivamente para Jesus e não um desfile de políticos ou posições políticas ideológicas.

Lideranças comentavam nos bastidores que a atitude da vice-governadora sugere que “ou ela não foi devidamente informada sobre a natureza do evento, o que seria impossível pela sua formação e conduta.”

“É essencial que nossos líderes políticos reconheçam os limites entre expressar suas crenças pessoais e respeitar o propósito de eventos religiosos.” Alguns citaram que outros políticos estiveram presentes, mas se colocaram em anonimato.

Questionada por jornalista, Mailza Assis afirmou que escolheu o boné aleatoriamente: “Eu sempre gosto de sair na Marcha Para Jesus com boné, peguei o primeiro que vi pela frente. Foi aleatório”, garantiu.

Foto: Sérgio vale / Vale Comunicação

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O PT que fez Jorge Viana agora não cabe na campanha dele

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Jorge Viana afirma que não está negando sua história no PT. Mas, ao mesmo tempo, diz que não pretende colocar o partido em sua campanha. A frase parece conciliadora, mas é politicamente dura: ele conserva o PT como origem, mas o rejeita como identidade eleitoral.

Não se trata de qualquer filiado tentando ampliar seu eleitorado. Jorge Viana foi eleito prefeito de Rio Branco, governador do Acre por dois mandatos e senador da República pelo PT. É filiado ao partido desde os anos 1980 e sua trajetória se confunde com a construção da força petista no Acre.

Por isso, quando diz que sua candidatura “é do Acre” e não “do PT”, Jorge não está apenas fazendo uma escolha de marketing. Está dizendo que a marca partidária que o levou à Prefeitura, ao Palácio Rio Branco e ao Senado passou a ser um problema para sua própria campanha.

O PT que lhe deu estrutura, militância, palanque e identidade política agora deve desaparecer da propaganda para que ele possa buscar votos. Jorge quer os votos do Acre, mas não quer disputar a eleição sob a bandeira do partido que construiu sua carreira.

A contradição é evidente. Ele afirma que não nega sua história, mas evita apresentá-la integralmente. Afinal, não há Jorge Viana prefeito, governador e senador sem PT. Sua biografia política não foi construída apesar do partido; foi construída dentro dele.

O ponto também de destaque está na tentativa de responsabilizar “parte do PT” pela derrota de 2018. Jorge pode criticar disputas internas, divergências e erros de condução. Mas não pode transformar o partido em culpado exclusivo quando lhe convém e, depois, pedir que esse mesmo partido permaneça como retaguarda silenciosa de sua candidatura.

Se houve erros, quais foram? Quem os cometeu? Que decisões concretas levaram à derrota? E qual foi a responsabilidade de Jorge Viana, uma das maiores lideranças do grupo, naquele processo?

A autocrítica não pode ser seletiva. Não basta dizer que “teve muitos erros” e, ao mesmo tempo, preservar para si os acertos do período em que o PT governou o Acre. Quem foi protagonista de um ciclo político não pode se colocar apenas como vítima de suas consequências.

A fala de Jorge também coloca o PT diante de uma escolha constrangedora. O partido aceita ser reduzido a uma legenda de cartório, útil para garantir filiação, tempo político e estrutura, mas invisível na campanha de seu principal nome? Ou pretende sustentar publicamente seu programa, sua história e suas responsabilidades?

Porque, se Jorge Viana afirma que sua candidatura não é do PT, o PT precisa explicar qual é, então, a sua candidatura.

O risco é o PT ficar sem candidato, sem discurso e sem coragem de defender a própria trajetória, justamente para proteger aquele que mais se beneficiou dela.

Jorge Viana pode querer ser o candidato do Acre. Mas não pode exigir que o Acre esqueça quem o fez prefeito, governador e senador.

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Mailza soltou a mão de Zequinha?

Na política, ninguém é descartado por um único motivo. Mas há momentos em que um aliado deixa de ser solução e passa a representar problema.

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Na política, ninguém é descartado por um único motivo. Mas há momentos em que um aliado deixa de ser solução e passa a representar problema.

É possível que a distância entre Mailza Assis e Zequinha Lima tenha menos relação com divergências pessoais e mais com cálculo eleitoral. Zequinha tem peso político no Juruá, especialmente em Cruzeiro do Sul, mas também carrega desgaste, conflitos internos e ruídos que podem contaminar uma chapa que precisa ampliar alianças.

Quando um aliado passa a gerar rejeição, atrito ou insegurança entre partidos, ele deixa de ser ativo eleitoral e vira custo de composição. E Mailza, hoje, precisa de estabilidade política muito mais do que de novas crises dentro da própria base.

O MDB está exatamente nesse ponto. A sigla ganhou espaço estratégico na construção da chapa e Mailza reafirmou que a indicação da vice permanece reservada ao partido. Isso não é detalhe: é uma tentativa de ampliar musculatura política, reduzir resistências e montar um palanque mais competitivo.

Manter Zequinha no centro da articulação poderia dificultar esse movimento. Um nome desgastado ou conflituoso tende a fechar portas, especialmente quando a candidatura depende de alianças amplas e de uma composição capaz de dialogar além do núcleo tradicional do governo.

Por isso, “soltar a mão” pode ter sido menos ruptura pessoal e mais reposicionamento tático. Mailza pode ter percebido que insistir numa aliança já desgastada custaria mais do que abrir espaço para o MDB e para uma nova configuração de chapa.

Não significa que Zequinha seja irrelevante. Ele continua sendo ator importante no Juruá. Mas, para Mailza, a prioridade parece ser outra: evitar que os conflitos dele inviabilizem uma aliança maior e contaminem uma candidatura que já entra na disputa pressionada a provar força política.

Foto: Sérgio Vale Segue ele no Instagram @sergiovaleac

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A eleição no Acre ainda procura o eleitor

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No Brasil, sempre aparece um motivo para dizer que o ano ainda não começou. Primeiro é o Carnaval. Depois a Páscoa. Em seguida vêm as festas juninas. Quando se percebe, já tem férias, segundo semestre, Natal se aproximando e em ano eleitoral, político correndo atrás do tempo perdido.

É, em ano eleitoral, essa sensação fica ainda maior. E, quando tem Copa do Mundo no meio, a política precisa disputar atenção com quase tudo: futebol, arraial, igreja, família, rede social, festa de bairro, conversa de esquina e conta para pagar.

É nesse clima que a nova pesquisa Real Time Big Data no Acre deve ser lida. Não como sentença, nem como ponto final. O levantamento mostra um momento em que a política já se mexe nos bastidores, os grupos já fazem suas contas, os pré-candidatos tentam ocupar espaço, mas boa parte do eleitorado está de longe.

A eleição, por enquanto, ainda não pegou fogo.

Tem Copa, tem São João, tem roçado, tem comércio, tem gente trabalhando, tem família se organizando e tem muito eleitor que só vai parar para olhar política mais adiante. Os nomes aparecem quando são colocados na mesa, mas isso não quer dizer que a disputa já tenha tomado conta da rua, da feira, do bairro, da igreja ou da conversa espontânea do povo.

O ambiente, neste momento, parece mais importante do que o placar.

Mas há uma contradição que não pode passar despercebida.

O Acre foi, nos últimos ciclos eleitorais, um dos estados onde o discurso conservador, antipetista e moralizante encontrou terreno fértil. Pátria, família, Deus, bons costumes e combate à corrupção viraram palavras repetidas em palanques, redes sociais, igrejas e rodas de conversa.

Também se tornou comum ouvir que não se vota em “ladrão”, que não se protege “bandido de estimação” e que corrupção não pode ser tolerada.

Por isso, chama atenção que, dentro da amostra de 1.600 eleitores ouvidos pela pesquisa, apareça em posição de destaque para uma disputa majoritária um condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a mais de 25 anos de prisão por crimes ligados a organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A defesa nega irregularidades e ainda pode recorrer. Mas o fato político está posto.

A questão, portanto, não é apenas eleitoral. É cultural.

Esse talvez seja o ponto mais sensível do levantamento. A pesquisa não mede apenas intenção de voto. Ela também expõe o espaço que existe entre aquilo que parte do eleitorado diz defender e aquilo que aceita na prática.

É cedo para cravar qualquer coisa. Mas não é cedo para observar o ambiente.

A política ainda tenta entrar de vez na rotina do eleitor. Enquanto isso, a Copa, os arraiais, o trabalho, a igreja e a vida real ocupam o centro da cena.

A eleição ainda não começou para muita gente.

Mas as contradições já entraram em campo.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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