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Direto ao ponto

Marcha para Jesus: Fé ou Política?

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Tensões surgiram na Marcha para Jesus deste ano com a presença da vice-governadora Mailza Assis, gerando debates nos bastidores. Enquanto líderes religiosos reiteravam que o propósito do evento era exclusivamente celebrar a fé em Jesus Cristo, a demonstração de apoio político, evidenciada pelo boné que ela usou com o nome do ex-presidente não reeleito em 2022, desviou o foco para questões partidárias e ideológicas.

“A presença da vice-governadora Mailza Assis na Marcha para Jesus não foi apenas uma participação comum, mas sim uma demonstração de apoio político.” Para alguns líderes, essa atitude desviou o foco do evento religioso para questões políticas, indo contra a decisão dos organizadores de que a marcha seria exclusivamente para Jesus e não um desfile de políticos ou posições políticas ideológicas.

Lideranças comentavam nos bastidores que a atitude da vice-governadora sugere que “ou ela não foi devidamente informada sobre a natureza do evento, o que seria impossível pela sua formação e conduta.”

“É essencial que nossos líderes políticos reconheçam os limites entre expressar suas crenças pessoais e respeitar o propósito de eventos religiosos.” Alguns citaram que outros políticos estiveram presentes, mas se colocaram em anonimato.

Questionada por jornalista, Mailza Assis afirmou que escolheu o boné aleatoriamente: “Eu sempre gosto de sair na Marcha Para Jesus com boné, peguei o primeiro que vi pela frente. Foi aleatório”, garantiu.

Foto: Sérgio vale / Vale Comunicação

Direto ao ponto

Espantoso! Bittar diz que pediu atenção a processo de Gladson e fala abre debate sobre influência política

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Senador afirmou em podcast que, quando há acesso a alguém “importante”, é possível pedir que a pessoa “dê uma olhada melhor” em um processo; declaração ocorreu após condenação de Gladson Cameli no STJ

Há declarações políticas que, pela gravidade institucional, ultrapassam o terreno da simples opinião e passam a exigir debate público. A entrevista do senador Márcio Bittar ao podcast Papo Informal, de Luciano Tavares, parece ser uma delas.

Ao comentar a condenação do ex-governador Gladson Cameli pelo Superior Tribunal de Justiça, Bittar relatou que tentou ajudar o aliado político acionando pessoas que, segundo ele, poderiam olhar o caso com mais atenção. O senador afirmou que, quando alguém tem acesso a uma pessoa “importante”, pode pedir que ela “dê uma olhada melhor” em determinado processo.

A frase, por si só, levanta questionamentos. Mas o contexto a torna ainda mais relevante.

Não se tratava de um processo qualquer. Gladson enfrentava uma das maiores ações penais da história política do Acre, acusado de integrar um esquema envolvendo fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção e organização criminosa. Em 6 de maio de 2026, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão.

Foi sobre esse processo que Bittar relatou ter feito gestões pessoais para chamar atenção à tese da defesa.

O senador justificou a atitude dizendo que agiu por amizade e humanidade, diante da alegação dos advogados de Gladson de que haveria provas obtidas de forma irregular. O ponto sensível é que essa não era uma conversa abstrata sobre garantias constitucionais. Era precisamente uma das principais linhas adotadas pela defesa do ex-governador no STF.

Nos últimos meses, os advogados de Gladson recorreram sucessivamente ao Supremo Tribunal Federal tentando suspender, limitar ou esvaziar partes do processo no STJ.

Em novembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes suspendeu temporariamente o andamento da ação penal após pedido da defesa envolvendo acesso a documentos do Coaf.

Em dezembro, a Segunda Turma do STF anulou parte das provas produzidas entre 2020 e 2021, acolhendo parcialmente argumentos sobre diligências supostamente realizadas sem supervisão adequada do STJ.

Em abril de 2026, o ministro André Mendonça voltou a determinar o desentranhamento de provas daquele período, o que alimentou nova ofensiva jurídica da defesa para tentar barrar ou adiar o julgamento.

Tudo isso ocorreu enquanto os advogados sustentavam justamente a tese mencionada por Bittar no podcast: a existência de provas irregulares.

Ou seja: o senador não estava comentando genericamente o funcionamento da Justiça. Ele falava sobre um processo concreto, em andamento, envolvendo um aliado político poderoso, cuja estratégia jurídica dependia diretamente de decisões no Supremo Tribunal Federal.

É nesse ponto que a fala assume peso institucional.

Bittar não é um cidadão comum comentando o caso de um amigo. É senador da República. Ocupa cargo de poder, transita em Brasília, participa de articulações políticas nacionais e tem acesso a espaços que a maioria da população jamais terá. Por isso, quando ele afirma que tentou chamar atenção de pessoas “importantes” para o processo de Gladson, a declaração abre um debate necessário sobre os limites entre amizade, política e Justiça.

A defesa de qualquer acusado tem direito ao contraditório, à ampla defesa, ao devido processo legal e ao uso de todos os recursos previstos em lei. Gladson, como qualquer cidadão, tinha e tem direito de recorrer, questionar provas, apontar nulidades e buscar decisões favoráveis nos tribunais superiores.

O problema não está no exercício técnico da defesa. O problema aparece quando uma autoridade política trata como normal a possibilidade de acionar relações pessoais para pedir atenção especial a um processo criminal de aliado.

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Esse não é o caminho acessível ao cidadão comum.

O trabalhador processado, o pequeno comerciante investigado, o servidor público acusado injustamente, a mãe assistida pela Defensoria Pública, nenhum deles dispõe do privilégio de telefonar para “pessoas importantes” em Brasília pedindo atenção especial ao próprio processo.

Eles dependem dos autos. Dependem do protocolo. Dependem do advogado. Dependem do prazo. Dependem da fila. Dependem da burocracia.

A fala de Bittar alimenta justamente a percepção de que autoridades com mandato podem ter acesso a caminhos que não estão disponíveis à maior parte da população. E essa percepção, por si só, já é danosa para a confiança pública nas instituições.

É importante fazer a distinção jurídica correta.

Até aqui, não há prova pública de crime. A simples declaração de Bittar, isoladamente, não comprova tráfico de influência, interferência efetiva no Judiciário ou qualquer conduta penalmente enquadrável. O artigo 332 do Código Penal, que trata do tráfico de influência, exige elementos específicos, como solicitação ou obtenção de vantagem indevida a pretexto de influenciar ato de funcionário público.

Mas reduzir o problema apenas à existência ou não de crime seria minimizar a dimensão real do episódio.

Há condutas que podem não configurar crime e, ainda assim, serem politicamente graves, moralmente questionáveis e institucionalmente corrosivas.

A Constituição estabelece a independência entre os Poderes e determina que a administração pública seja regida pelos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade. A lógica republicana existe exatamente para impedir que amizade, proximidade política ou prestígio pessoal criem atalhos dentro do Estado.

O próprio Código de Ética da Magistratura Nacional afirma que juízes devem atuar sem influência externa indevida e preservar distância equivalente das partes. Mais do que ser imparcial, a Justiça precisa parecer imparcial.

A fala de Bittar produz justamente o efeito contrário: reforça, na opinião pública, a sensação de que existe uma Justiça mais acessível aos influentes e outra reservada aos cidadãos comuns.

O episódio ganha contornos ainda mais delicados porque Bittar não é um observador externo. Trata-se de um senador da República, aliado político de Gladson Cameli e figura com trânsito no campo da direita acreana e nacional. Sua fala, portanto, não é a de um amigo comum. É a de alguém que ocupa posição de poder dentro da República e relata ter buscado ajuda em torno de um processo criminal de grande repercussão.

A ministra Nancy Andrighi acabou rejeitando a tese central da defesa, afirmando que as provas anuladas pelo STF não sustentavam nem a denúncia nem o mérito da condenação. O STJ entendeu que havia elementos autônomos suficientes para condenar Gladson.

Mas a gravidade política da entrevista permanece.

Porque o centro da questão já não é apenas o resultado do julgamento. É o retrato institucional sugerido pela fala do senador: um ambiente em que autoridades parecem considerar natural acionar relações pessoais para tentar ajudar aliados diante da Justiça.

Em síntese: a defesa de Gladson tinha o direito de recorrer ao STF, discutir nulidades e questionar provas. Isso faz parte do Estado Democrático de Direito.

O que causa preocupação é outra coisa. É um senador da República tratar como gesto comum o uso de acesso privilegiado para pedir atenção especial ao processo criminal de um aliado político.

Numa democracia saudável, Justiça se acessa por direitos.

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Não por amizade.

Não por influência.

E muito menos pelos corredores invisíveis do poder.

Assista ao vídeo:

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Direto ao ponto

Operação contra Ciro e condenação de Gladson pressionam grupo de Mailza no Acre

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A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, ganhou efeito imediato no Acre. Ciro é uma das principais lideranças nacionais do PP, partido da governadora Mailza Assis Cameli, e vinha atuando como um dos fiadores políticos da pré-candidatura dela ao governo em 2026.

Nesta quinta-feira, Ciro foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional no caso Banco Master. Segundo a PF, a apuração mira uma possível relação entre a atuação parlamentar do senador e interesses do banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa de Ciro nega irregularidades.

A investigação aponta que Ciro teria recebido pagamentos mensais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de atuação política favorável ao banco. Também entrou no radar dos investigadores uma proposta apresentada no Congresso para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, medida que poderia beneficiar bancos médios.

No Acre, o caso tem peso porque Ciro não é apenas um dirigente partidário distante. Ele esteve diretamente ligado às articulações nacionais de Mailza. Em fevereiro, recebeu a então vice-governadora em Brasília, declarou apoio à sua pré-candidatura e tratou o projeto acreano como prioridade do Progressistas.

O desgaste chega em um momento delicado para o grupo governista no Acre. Um dia antes da operação contra Ciro, o Superior Tribunal de Justiça condenou o ex-governador Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão por crimes como organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. O STJ também fixou indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre. (Superior Tribunal de Justiça)

Gladson foi o principal construtor da chegada de Mailza ao poder estadual. A governadora herdou a estrutura política do grupo que venceu as últimas eleições no Acre e agora tenta transformar essa continuidade em projeto próprio para 2026. A condenação do ex-governador, somada à operação contra Ciro, coloca dois dos principais pilares políticos da pré-candidatura sob forte desgaste público.

Os Rueda na equação

Embora o foco principal da crise esteja em Ciro Nogueira e Gladson Cameli, há outro elemento no entorno do projeto de Mailza: a família Rueda. Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, é uma das lideranças da federação formada por União Brasil e Progressistas. Ele apareceu ao lado de Gladson, Ciro e Mailza nas articulações nacionais da União Progressista, quando o grupo confirmou a governadora como nome para a disputa no Acre.

No Acre, o sobrenome Rueda está presente diretamente no governo. Fábio Rueda, irmão de Antônio Rueda, foi secretário da Representação do Governo do Acre em Brasília, presidente do União Brasil em Rio Branco, suplente de deputado federal e se movimenta para disputar uma vaga na Câmara pelo Acre.

Antônio Rueda também passou a ser citado em reportagens sobre o Banco Master. A revista Piauí revelou que ele e a irmã atuaram como advogados do banco de Daniel Vorcaro, informação admitida por Rueda, que afirma que a atuação foi regular. O Metrópoles também publicou que Rueda teria dito a interlocutores que poderia ganhar bilhões com a venda do Banco Master ao BRB.

Além disso, a CNN informou que o nome de Antônio Rueda passou a constar em investigação da PF sobre a Operação Carbono Oculto, relacionada à infiltração do PCC nos setores financeiro e de combustíveis. A suspeita mencionada na apuração envolve possível propriedade oculta de jatos executivos. Rueda nega ser dono das aeronaves e repudia qualquer vínculo com ilícitos.

Esse ponto não desloca o centro da questão, mas amplia a pressão política sobre a base de Mailza. A pré-candidatura da governadora está organizada dentro de uma federação comandada nacionalmente por Ciro Nogueira e Antônio Rueda, enquanto no Acre tem como principal referência política Gladson Cameli, agora condenado pelo STJ.

Não há acusação contra Mailza nesses casos. Mas o impacto político é inevitável. A governadora tenta se apresentar como continuidade administrativa e, ao mesmo tempo, como nome próprio para 2026. O problema é que essa continuidade vem acompanhada do desgaste de seus principais padrinhos.

Para a oposição, o cenário abre uma linha de ataque direta: questionar se Mailza representa renovação ou apenas a permanência do mesmo grupo político que agora aparece associado a condenações, operações policiais e escândalos nacionais. Para o governo, o desafio será tentar separar a imagem da governadora das crises que atingem justamente os nomes que ajudaram a sustentar sua chegada ao Palácio Rio Branco.

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Direto ao ponto

A renovação que não chega para todos

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Não basta pedir que os jovens gostem da política; é preciso que eles ocupem a política e sejam os representantes que querem ver

Na política, fala-se muito em renovação, mas o “novo” que aparece em muitos palanques quase sempre chega por caminhos conhecidos. Vem com sobrenome forte, relação familiar ou proximidade com grupos que há décadas ocupam espaços de poder. Isso não torna ninguém ilegítimo. Também não garante voto, mandato ou vitória. Mas revela uma realidade: para alguns, a política é quase ambiente de casa; para outros, continua sendo uma porta pesada.

A questão não é desmerecer quem é filho, parente ou aliado de quem já fez política. A pergunta é outra: quando a renovação se limita à troca de geração dentro das mesmas famílias, estamos diante de mudança real ou apenas de continuidade com rosto jovem? O debate não é sobre quem pode participar, mas sobre por que tantos outros seguem sem conseguir chegar.

O problema central é a ausência dos outros jovens: aqueles sem padrinho, sem sobrenome político, sem convite para sentar à mesa onde as decisões são tomadas. Muitos têm opinião, revolta, preparo, vivência e vontade de participar. Mas seguem do lado de fora. A política gosta da juventude para fazer barulho, movimentar campanha e ocupar rede social. Mas, na hora de decidir candidatura, recurso, chapa e direção partidária, a conversa muda de sala.

Com as mulheres, a contradição é ainda maior. Fala-se em participação feminina, mas muitas vezes a presença das mulheres continua tratada como número, obrigação legal ou composição de chapa. Poucas estão no centro real das decisões. Poucas recebem estrutura. Poucas comandam. E quando tentam ocupar esse espaço, quase sempre precisam provar mais do que os homens.

Também não adianta negar a política. Quem diz que política não presta acaba deixando o espaço livre para quem sempre soube usá-la. A crítica pode até ser justa, mas quando vira recusa total, não muda nada. Só afasta quem poderia participar e entrega a política aos mesmos de sempre. Política ruim não se enfrenta com ausência. Enfrenta-se com presença, disputa e coragem para ocupar os espaços.

Por isso, a frase atribuída a Lula funciona independentemente de alinhamento ideológico: seja você o político porreta que você quer ver. A política não melhora com ausência. Melhora com ocupação. Mas essa ocupação precisa ser real. Não basta chamar os jovens para gostar da política; é preciso que eles entrem, disputem e participem das decisões. E não basta dizer que as mulheres são importantes; é preciso que elas também ocupem o centro da política. O novo só será novo quando deixar de ser apenas discurso e passar a mudar quem decide.

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