Tensões surgiram na Marcha para Jesus deste ano com a presença da vice-governadora Mailza Assis, gerando debates nos bastidores. Enquanto líderes religiosos reiteravam que o propósito do evento era exclusivamente celebrar a fé em Jesus Cristo, a demonstração de apoio político, evidenciada pelo boné que ela usou com o nome do ex-presidente não reeleito em 2022, desviou o foco para questões partidárias e ideológicas.
“A presença da vice-governadora Mailza Assis na Marcha para Jesus não foi apenas uma participação comum, mas sim uma demonstração de apoio político.” Para alguns líderes, essa atitude desviou o foco do evento religioso para questões políticas, indo contra a decisão dos organizadores de que a marcha seria exclusivamente para Jesus e não um desfile de políticos ou posições políticas ideológicas.
Lideranças comentavam nos bastidores que a atitude da vice-governadora sugere que “ou ela não foi devidamente informada sobre a natureza do evento, o que seria impossível pela sua formação e conduta.”
“É essencial que nossos líderes políticos reconheçam os limites entre expressar suas crenças pessoais e respeitar o propósito de eventos religiosos.” Alguns citaram que outros políticos estiveram presentes, mas se colocaram em anonimato.
Questionada por jornalista, Mailza Assis afirmou que escolheu o boné aleatoriamente: “Eu sempre gosto de sair na Marcha Para Jesus com boné, peguei o primeiro que vi pela frente. Foi aleatório”, garantiu.
A recente guinada na estratégia do Partido Liberal (PL), articulada por Flávio e Michelle Bolsonaro, de lançar candidatos próprios ao governo em todos os estados, caiu como uma bomba nos arranjos regionais. Se em estados como Minas Gerais e São Paulo a ordem é pressionar aliados, no Acre, ela tem potencial para implodir o “consórcio da direita” e colocar em rota de colisão os dois maiores expoentes do bolsonarismo local: o senador Márcio Bittar e o prefeito reeleito de Rio Branco, Tião Bocalom.
O Plano Nacional: “Palanque Puro-Sangue” A lógica de Brasília é clara. Para 2026, a família Bolsonaro não quer depender da boa vontade de governadores de outros partidos (como União Brasil ou PP) para fazer campanha presidencial. Flávio Bolsonaro defende a tese de que o PL precisa de “donos de palanque” leais, que defendam o 22 de ponta a ponta.
Essa diretriz favorece, naturalmente, quem tem votos e ambição executiva dentro do partido. No Acre, esse nome é Tião Bocalom.
O “Xadrez” de Márcio Bittar, até o mês passado, a tese defendida publicamente pelo senador Márcio Bittar era pragmática: o foco do PL em 2026 deveria ser eleger a maior bancada possível de senadores.
Por que Bittar dizia isso? Sobrevivência Política: Bittar é candidato à reeleição para o Senado. O cenário ideal para ele seria uma “grande aliança” de direita (PL + União Brasil + PP + Republicanos). Nesse cenário, o PL abriria mão da cabeça de chapa (o Governo) em troca de garantir a vaga de Senado na chapa majoritária de um favorito, como o senador Alan Rick (Republicanos) ou a atual vice, Mailza Cameli (PP).
Em uma aliança ampla, Márcio Bittar contaria com o apoio da estrutura do governo de Gladson Cameli e da rede de prefeitos do interior vinculados ao União Brasil e ao PP, ampliando sua base eleitoral e reduzindo os riscos na disputa pelo Senado.
O “Problema” Bocalom: Se o PL lança Bocalom ao governo, a aliança se desfaz. Bittar seria obrigado a concorrer ao Senado numa chapa “chapa pura” do PL, perdendo os votos dos eleitores de Alan Rick e Gladson Cameli, que teriam seus próprios candidatos ao Senado (o próprio Gladson é cotado para a outra vaga, além de nomes como Alan Rick se este não for ao governo, ou indicações do PP).
A nova ordem de Flávio Bolsonaro dá a Tião Bocalom exatamente o que ele precisava: legitimidade partidária para peitar os acordos de cúpula. Bocalom, reeleito prefeito e surfando na popularidade da capital, nunca escondeu o desejo de governar o estado. Com a benção de Flávio e Michelle, ele deixa de ser um “plano B” e vira a prioridade estratégica do partido.
Para o Acre, isso desenha um cenário de divisão da direita em 2026:
Chapa 2 (União/PP/Republicanos/PL): Alan Rick ou Mailza (Governo) + Gladson Cameli (Senado).
O Tiro pode sair pela culatra? Para Márcio Bittar, a estratégia nacional pode ser um pesadelo tático. Ele corre o risco de ficar isolado numa chapa com Bocalom que, embora forte na capital, ainda enfrenta resistências no interior e em partes da classe política tradicional.
Se a tese de Flávio prevalecer, o PL do Acre deixará de ser um “partido de aluguel” para aliados e tentará voo solo. O risco? Dividir os votos da direita e abrir caminho para uma disputa mais acirrada do que o previsto, ou entregar o governo para o Republicanos enquanto o PL amarga uma derrota majoritária.
Resta saber se a fidelidade de Bittar a Bolsonaro falará mais alto que seu instinto de sobrevivência política, ou se ele tentará convencer Brasília de que, no Acre, o “buraco é mais embaixo”.
A coletiva convocada pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), para tratar de seu futuro político não é apenas mais um ato protocolar de pré-campanha. Ela sinaliza, de forma clara, que 2026 se desenha como o ano das grandes decisões e, sobretudo, das renúncias. No Acre, o velho ditado político “rei morto, rei posto” ganha contornos bastante literais.
A eventual renúncia de Bocalom ao comando da capital inaugura um efeito dominó que vai muito além da Prefeitura de Rio Branco. Trata-se de um movimento que precisa ser analisado sob três eixos centrais: viabilidade eleitoral, apoios partidários reais e o rearranjo de poder que se seguirá ao gesto político.
Bocalom: renuncia para disputar, mas com quais cartas na mão? A pergunta central não é apenas se Bocalom renunciará, mas para quê e com que sustentação. Seu nome circula como possível candidato majoritário em 2026, mas o caminho está longe de ser linear.
Dentro do PL, partido ao qual está filiado, há uma equação nacional e regional a ser resolvida. O partido tende a priorizar projetos com alta competitividade e alinhamento estratégico com a direção nacional. O apoio formal ao prefeito dependerá menos de sua lealdade partidária e mais de sua capacidade real de entregar votos e construir alianças além do núcleo bolsonarista tradicional.
Renunciar sem garantia de musculatura política pode transformar o gesto em um salto no escuro. Em política, renúncia não é ato simbólico: é ruptura definitiva com o cargo e com o poder imediato.
O efeito colateral: Alysson, Mailza e o redesenho do poder estadual
No plano estadual, o cenário é ainda mais complexo. Com a anunciada renúncia do governador Gladson Cameli para disputar o Senado, a vice-governadora Mailza Assis assume o comando do Estado já declarada candidata à reeleição. Diferentemente de outros atores, Mailza não começa do zero.
Ex-senadora, com trânsito consolidado junto à direção nacional de seu partido, Mailza entra no jogo com máquina, visibilidade institucional e relações partidárias consolidadas. Isso muda completamente a correlação de forças. Ela reúne três elementos decisivos: Caneta na mão; Estrutura administrativa e Apoio partidário nacional.
Em política, isso não é detalhe, é vantagem objetiva. (Leia-se fundo partidário)
Enquanto outros ainda discutem candidaturas, Mailza pode discutir governabilidade, entregas e alianças, falando como chefe do Executivo.
O vice-prefeito Alysson (PP) assumindo a Prefeitura de Rio Branco. Esse movimento, por si só, já reposiciona o Progressistas no jogo local, fortalecendo o partido na capital em pleno ano pré-eleitoral.
A ascensão de Alysson (PP) à Prefeitura de Rio Branco, em decorrência da renúncia de Bocalom, cria uma situação política curiosa: dois chefes do Executivo, Estado e capital, sem terem sido eleitos diretamente para esses cargos em 2026, mas com o poder da caneta na mão. Isso, por si só, altera alianças, prioridades e lealdades.
Se há algo que este cenário deixa claro, é que não é um ano para amadores. Marqueteiros já estão atentos, analisando movimentos, testando narrativas e antecipando riscos. Articuladores políticos estão de prontidão. Os chamados “bajuladores”, figuras sempre presentes nos ciclos de poder, já começam a migrar conforme o vento sopra.
A política entra em modo de sobrevivência. Quem aposta errado fica para trás. Quem hesita perde espaço. Renúncia, nesse contexto, não é apenas abrir mão de um cargo: é assumir o risco total de um novo jogo, onde não há direito a pedido de desculpas nem retorno ao ponto de partida.
Ainda é cedo para cravar vencedores, mas algumas tendências já se mostram evidentes no cenário político que se desenha. Quem assume cargos estratégicos passa a contar imediatamente com maior visibilidade pública, estrutura administrativa e capacidade de articulação política.
Por outro lado, quem opta pela renúncia coloca todas as fichas em um projeto futuro que, por definição, é incerto e sujeito a múltiplas variáveis. Os partidos, por sua vez, tendem a agir de forma pragmática, direcionando apoio a quem estiver melhor posicionado nas pesquisas e demonstrar maior viabilidade eleitoral.
Nesse contexto, o eleitor, cada vez mais atento e menos passivo, começa a se perguntar se a sucessão de renúncias atende de fato a um projeto coletivo de governo ou se responde, prioritariamente, às ambições individuais de seus protagonistas.
2026 caminha para ser lembrado como o ano em que o Acre viveu uma política de ruptura. Renunciar não é estratégia neutra, nem discurso de coragem. É uma decisão definitiva, com custos claros e consequências irreversíveis.
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No fim, a regra permanece válida: uma renúncia é uma renúncia. Não há meia-volta. Não há cargo em espera. O jogo segue, e quem ficar para trás não volta ao tabuleiro. Renunciou, acabou. Rei morto, rei posto.
E o PL? Não é diferente, atua com lógica de mercado político: investimento, retorno e viabilidade.
É possível afirmar uma coisa: não é hora de improvisos. Quem renunciar sem rede de proteção política corre o risco de sair do jogo antes da largada. E, ao que tudo indica, o ano da renúncia será também o ano da redefinição do poder.
A esquerda no Acre vive um dilema. Em público, seus discursos falam de unidade, mobilização e esperança. Nos bastidores, porém, a realidade é menos animadora: faltam diálogo, articulação e, sobretudo, disposição para construir um projeto coletivo que vá além das vaidades individuais. O desafio não é apenas de uma sigla, mas de todo o campo progressista, que precisa transformar a memória de duas décadas de poder em propostas capazes de dialogar com a sociedade de hoje.
Esse período de hegemonia foi liderado pelo PT, com Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana à frente. Jorge transformou Rio Branco quando prefeito e promoveu mudanças estruturais no estado em seus dois mandatos como governador; no Senado, consolidou projeção nacional. Binho fez um governo de consenso, conciliador e distante das disputas políticas. Já Tião Viana deu continuidade ao projeto, mas foi criticado por excessos políticos, ao construir alianças em detrimento de antigos aliados. Muito do que o Acre vive hoje é fruto direto desse ciclo. Essa história não pode ser apagada e, gostem ou não, ainda pesa na balança eleitoral.
O problema é que a esquerda parece presa a esse passado. Em vez de dialogar com a sociedade de hoje, acomoda-se na memória de ontem. O próprio Jorge Viana reconheceu que muitos viraram as costas ao partido que liderou o processo, mas o que não se diz é que a esquerda também virou as costas para antigos aliados, apoiadores e até para suas próprias bases. A consequência é clara: perdeu capacidade de diálogo e já não consegue articular um projeto coletivo.
Há nomes respeitados, sim. Dentro da federação PT–PCdoB–PV figuram lideranças com trajetórias sólidas: Perpétua Almeida (PCdoB), Raimundo Angelim (PT), Aníbal Diniz (PT), Sibá Machado (PT), Nazaré Araújo (PT), Daniel Zen (PT), Shirley Torres (PV), Dr. Dudu (PCdoB) e Binho Marques (PT). Experiência não falta, muitos já foram testados nas urnas e têm capacidade de atrair votos. O que falta é uma liderança capaz de unificar essa diversidade em torno de um projeto maior do que disputas internas e cálculos individuais. Para além disso, é preciso incorporar a inclusão como prática concreta: ser diverso não é suficiente se essa diversidade não se traduzir em participação efetiva, diálogo amplo e renovação de ideias.
O desafio de 2026 está lançado. Ou a esquerda acreana rompe com o saudosismo e reencontra a capacidade de diálogo, ou ficará reduzida a uma frente nostálgica, que sobrevive de lembranças em vez de propostas. O Acre precisa de futuro. Cabe aos partidos progressistas decidir se serão parte dele ou apenas uma nota de rodapé em sua própria história.
O certo é que o futuro chega com o novo e, para isso, é impreterível ouvir, abrir espaço e deixar que ele aconteça.