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Política

Mudanças no projeto da ponte de Sena Madureira viram alvo de cobrança na Aleac

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A queda da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, entrou no centro do debate político na Assembleia Legislativa do Acre nesta terça-feira, 9, a partir de uma questão que o ÉPop também já havia colocado como ponto decisivo para a perícia: as diferenças entre o anteprojeto apresentado pelo Deracre e o projeto executivo que levou à construção da obra sobre o Rio Iaco. Em discurso no plenário, o deputado Edvaldo Magalhães cobrou respostas sobre a possível redução de estacas, mudanças nas dimensões da fundação, substituição de elementos previstos originalmente e autorização para alterações em uma estrutura erguida em área de risco conhecido de erosão e “terra caída”.

A fala do parlamentar reforça o eixo principal da apuração publicada pelo ÉPop: a ponte não pode ser analisada apenas como vítima de um fenômeno natural. O Rio Iaco tem histórico de erosão nas margens, e o próprio projeto da obra reconhecia esse risco. Por isso, a investigação precisa confrontar o que foi previsto, o que foi aprovado, o que foi executado e o que foi efetivamente fiscalizado pelo poder público. A pergunta central deixou de ser apenas por que a ponte caiu. Agora, a questão é saber se ela foi construída exatamente como deveria para resistir ao local onde foi implantada.

Edvaldo tratou desse ponto ao explicar o modelo de contratação usado na obra. Segundo ele, no regime de contratação integrada, o governo apresenta um anteprojeto, licita a obra e a empresa vencedora elabora o projeto executivo. A fiscalização do contratante, nesse caso o Deracre, teria de verificar se o projeto final respeitava as premissas do anteprojeto. Foi nesse trecho que o deputado levantou a primeira cobrança direta: “Por que que o projeto executivo está bem diferente do que o anteprojeto apresentado pelo Deracre? Quem foi que deu o de acordo para essas mudanças?”

A pergunta dialoga diretamente com a apuração técnica feita pelo ÉPop. O anteprojeto da ponte tratava a margem esquerda, no lado do Centro de Sena Madureira, como uma área vulnerável, com necessidade de soluções específicas de fundação, drenagem e proteção contra a erosão. As pranchas analisadas pela reportagem apontavam estacas escavadas de concreto armado com diâmetros de 1,20 metro e 1,40 metro, além de profundidades que chegavam a 20 e 30 metros, conforme o ponto da estrutura. Essa informação se tornou ainda mais relevante depois do colapso, porque a queda ocorreu justamente em um ambiente de margem instável, onde a fundação deveria cumprir papel decisivo.

No plenário, Edvaldo também cobrou explicações sobre possível redução das peças estruturais. “As estacas tinham uma extensão maior e uma circunferência também maior, de volume de concretagem maior. Por que diminuíram? Por que substituíram as estacas? Das estacas, os anéis de aço que constavam do anteprojeto, por quê? Para baratear a obra? Quem concordou com isso? Quem atestou isso? Quem deu de acordo para isso?”, questionou.

Esse é o ponto mais sensível da apuração. Uma ponte pode sofrer com a movimentação da margem de um rio amazônico, mas a engenharia existe justamente para prever esse tipo de comportamento. Em Sena Madureira, o fenômeno das terras caídas não era surpresa. O barranco do Rio Iaco já aparecia como fator de risco antes da inauguração. Se houve alteração nas fundações, se as estacas executadas ficaram menores ou diferentes das previstas, se houve retirada de camisas de aço ou mudança de solução sem justificativa técnica robusta, a perícia terá de dizer quem tomou essa decisão e quem a aceitou dentro do Estado.

A reportagem do ÉPop já havia apontado que a análise não deve ficar restrita à imagem da ponte rompida. A investigação precisa chegar às sondagens, aos memoriais de cálculo, às pranchas do projeto executivo, aos boletins de medição, aos relatórios de fiscalização, aos diários de obra, às notas de pagamento e ao chamado “as built”, documento que mostra como a estrutura ficou depois de executada. Sem essa comparação, qualquer resposta sobre a queda será incompleta.

Edvaldo também rejeitou a tentativa de apresentar o desbarrancamento como explicação suficiente. Ele lembrou que o fenômeno é conhecido no Acre e faz parte da experiência de quem vive às margens dos rios. “Todo e qualquer engenheiro, toda e qualquer empresa que minimamente se preze ao construir na beira dos barrancos sabe que tem que ter um cuidado especial com as chamadas sondagens, com as fundações. Porque o barranco pode levar. Imagine um construtor de ponte, aí que a tecnologia tem que ser avançada”, afirmou.

A ponte Frei Paolino Baldassari foi entregue como obra de ligação entre o Centro e o Segundo Distrito de Sena Madureira. Para a cidade, ela representava uma solução esperada havia décadas. Por isso, a queda produziu um impacto que vai além do prejuízo material. O colapso interrompeu uma promessa de mobilidade urbana, expôs dúvidas sobre a qualidade da obra e abriu uma crise de confiança sobre a capacidade do Estado de contratar, acompanhar e receber estruturas públicas em áreas ambientalmente complexas.

O deputado também levou ao debate o valor pago pela obra. Edvaldo afirmou que a planilha de pagamentos superou R$ 45 milhões, conforme apuração também do ÉPop, embora a obra tenha sido anunciada inicialmente em valores menores. Ele cobrou transparência sobre a origem dos recursos e levantou a possibilidade de haver dinheiro federal na execução. “Houve recursos federais nesta obra? Porque se houve, tem que chamar a Polícia Federal também para investigar”, disse.

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Documentos do projeto já apontavam erosão, escorregamentos, fundações profundas e drenagem especial na área da ponte.

Esse ponto amplia o alcance da apuração. Se a obra teve recursos exclusivamente estaduais, a investigação tende a ficar concentrada nos órgãos locais de controle, no Ministério Público Estadual, no Tribunal de Contas e na própria Assembleia. Se houve verba federal, ainda que repassada ao Tesouro estadual por emendas ou outros mecanismos, a Polícia Federal e órgãos federais de controle podem entrar no caso. A resposta depende da rastreabilidade dos pagamentos e da origem efetiva do dinheiro usado na ponte.

No segundo momento em que voltou ao assunto, Edvaldo endureceu a cobrança sobre a qualidade da execução. Ele citou imagens em que parte do tabuleiro teria sido perfurada por uma estaca durante o colapso e disse que a engenharia precisa verificar a cura do concreto, a profundidade das estacas e a conformidade da estrutura. “A engenharia pode comprovar se a cura tava correta. A engenharia pode comprovar a profundidade da estaca. Porque o fenômeno da terra caída, pelo amor de Deus, todo ano acontece”, afirmou.

As perguntas feitas por Edvaldo Magalhães no plenário reforçam o caminho já apontado pelo ÉPop: a investigação precisa sair da superfície do desabamento e chegar ao subsolo da obra, onde estavam as fundações, as escolhas de engenharia e as assinaturas que autorizaram cada mudança.

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Fachin suspende afastamento de Andrei Rodrigues da PF e leva caso ao plenário do STF

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça que afastou preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial. Fachin também interrompeu os efeitos da decisão de Flávio Dino que havia determinado a reintegração dos dois delegados e convocou uma sessão extraordinária do plenário para 15 de setembro.

Na prática, Andrei Rodrigues e Leandro Almada permanecem nos cargos enquanto o caso é analisado pela Presidência do Supremo. Fachin deu prazo de 48 horas para que o diretor-geral da PF apresente informações relacionadas aos relatórios de inteligência que deram origem à disputa.

A intervenção ocorreu após decisões conflitantes dentro do próprio STF. Mendonça determinou na terça-feira (8) o afastamento dos dois integrantes da cúpula da Polícia Federal. Horas depois, nesta quarta-feira, Dino derrubou a medida e determinou a reintegração dos delegados. Fachin suspendeu os dois atos.

O presidente do Supremo afirmou que a sequência de decisões criou um conflito entre determinações judiciais sobre o mesmo tema. Ele também suspendeu temporariamente o andamento do processo sob relatoria de Mendonça e concentrou na Presidência da Corte medidas relacionadas a possíveis investigações que envolvam ministros do STF.

Mendonça afastou Andrei e Almada ao questionar a produção e o uso de relatórios de inteligência da Polícia Federal. O ministro afirmou ter sido alvo de monitoramento irregular ao lado do advogado-geral da União, Jorge Messias. A medida também determinava a abertura de apuração sobre a atuação dos dirigentes da corporação.

A decisão de Mendonça chegou a receber votos favoráveis de integrantes da Segunda Turma do STF, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Paralelamente, a Advocacia-Geral da União recorreu contra o afastamento e questionou a interferência na direção de um órgão subordinado ao Poder Executivo.

A disputa está relacionada aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master e a atuação de autoridades citadas em documentos reunidos durante as apurações. O caso aumentou a tensão interna no Supremo e provocou uma sequência de decisões envolvendo integrantes da Corte e a cúpula da Polícia Federal.

Com a intervenção de Fachin, o plenário do STF deverá analisar o caso em sessão extraordinária marcada para 15 de setembro. Até lá, a Presidência da Corte ficará responsável pelas principais deliberações relacionadas ao impasse.

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TRE-AC rejeita recurso de Gladson Cameli e mantém decisão em processo de registro de candidatura

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O juiz-membro Thalles Vinicius de Souza Sales, do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), rejeitou os embargos de declaração apresentados por Gladson de Lima Cameli no processo de registro de candidatura nº 0600481-67.2026.6.01.0000. Com a decisão, proferida nesta sexta-feira (4), permanece válida a determinação anterior que encerrou a fase de instrução e estabeleceu as regras para o andamento do caso, que deverá ser submetido ao Plenário da Corte Eleitoral.

A defesa de Cameli alegava omissões e obscuridades na decisão anterior. Entre os questionamentos estavam a competência para analisar uma questão de prevenção do processo, os efeitos de uma eventual mudança de relatoria, a possibilidade de apresentar novos documentos depois do encerramento da instrução e a aplicação de regras da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que disciplina os registros de candidatura.

Um dos pontos levantados pela defesa envolvia o artigo 50, parágrafo 5º, do Regimento Interno do TRE-AC. O dispositivo estabelece que dúvidas relacionadas à distribuição e à classificação dos processos devem ser resolvidas pela Presidência do tribunal. A defesa sustentava que a questão envolvendo a prevenção deveria ter sido encaminhada imediatamente à Presidência.

Thalles Vinicius rejeitou essa interpretação. Para o magistrado, a regra tem natureza administrativa e se aplica a dúvidas relacionadas à autuação, classificação e distribuição inicial dos processos. Ela não transfere à Presidência a competência para decidir, de forma isolada, questões jurisdicionais sobre prevenção ou competência em processos que já foram distribuídos.

O magistrado também manteve o entendimento de que cabe ao próprio relator analisar inicialmente as questões relacionadas à sua competência e que a discussão poderá ser submetida ao Plenário. O processo de registro de Cameli possui impugnação e notícia de inelegibilidade, circunstâncias que, na avaliação apresentada no processo, afastam a possibilidade de uma decisão final monocrática sobre o pedido.

Outro questionamento apresentado nos embargos tratava do que aconteceria com os atos processuais já realizados caso o Plenário reconhecesse eventual alteração de competência. O pedido para que esses efeitos fossem definidos antecipadamente também foi rejeitado. A validade e o aproveitamento dos atos deverão ser analisados pelo julgador competente caso essa situação efetivamente ocorra.

A defesa também pediu esclarecimentos sobre a apresentação de documentos e fatos novos depois do encerramento da instrução, incluindo uma certidão atualizada de objeto e pé relacionada à Ação Penal nº 1.076, que tramita no Supremo Tribunal Federal.

O encerramento da instrução não impede Cameli de apresentar documentos referentes a mudanças posteriores que possam beneficiá-lo. A legislação eleitoral permite a consideração de fatos supervenientes capazes de afastar eventual inelegibilidade, inclusive dentro do marco temporal previsto para o processo eleitoral. A obtenção e apresentação dessas provas, porém, são de responsabilidade do próprio candidato.

Caso decisões posteriores de instâncias superiores modifiquem a situação jurídica de Cameli, a defesa poderá juntá-las ao processo sem necessidade de autorização judicial prévia. A mesma regra foi aplicada à eventual apresentação de uma nova certidão referente à ação penal.

Os embargos também questionavam a utilização do artigo 62 da Resolução TSE nº 23.609/2019. A norma disciplina situações em que o relator pode decidir individualmente processos de registro de candidatura. O entendimento mantido no processo é que registros com impugnação ou notícia de inelegibilidade precisam ser analisados pelo órgão colegiado.

A Procuradoria Regional Eleitoral havia pedido a aplicação de multa por considerar que os embargos teriam caráter manifestamente protelatório. O pedido foi negado. Thalles Vinicius considerou que o recurso representou exercício regular do direito de defesa e que não houve demonstração de intenção de atrasar o andamento do processo.

Com a rejeição dos embargos, nenhuma alteração foi feita na decisão anterior. O processo de registro de candidatura continua em tramitação e a decisão desta sexta-feira não representa julgamento definitivo sobre o deferimento ou indeferimento da candidatura de Gladson Cameli.

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Fachin diz que STF seguirá legalidade em crise envolvendo Moraes e Banco Master

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira (4), em Brasília, que o Judiciário vai seguir os procedimentos previstos na Constituição na análise dos fatos relacionados ao caso Banco Master e às mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação ocorre em meio ao aumento da tensão dentro do Supremo e à apresentação de pedidos de investigação envolvendo ministros da Corte.

Fachin defendeu o respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais durante a apuração. “A gravidade dos fatos não autoriza atalhos”, afirmou. O presidente do STF acrescentou que as instituições devem cumprir suas atribuições dentro dos limites estabelecidos pela legislação, independentemente da repercussão política do caso.

As declarações foram feitas no Palácio do Planalto, durante uma cerimônia de sanção de leis que criam e reestruturam fundos destinados à Justiça Federal, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), à Defensoria Pública da União (DPU) e ao Ministério Público da União (MPU). As mudanças buscam ampliar fontes de recursos para modernização das instituições e expansão do acesso à Justiça.

Fachin também afirmou que nenhuma autoridade ou Poder da República está acima da Constituição. Em outro trecho da manifestação, disse que o Supremo vai atuar no momento e pelos procedimentos determinados pelo ordenamento jurídico. “Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou.

Durante o mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a legislação deve ser aplicada de forma igual a todos os cidadãos, independentemente do cargo ocupado. Lula disse que agentes públicos não podem utilizar suas funções em benefício pessoal e cobrou transparência na condução dos episódios que provocaram a atual crise no Judiciário.

O presidente da República também criticou vazamentos seletivos de informações de investigações e a disseminação de notícias falsas. Lula afirmou que práticas motivadas por interesses políticos ou econômicos podem comprometer a credibilidade das instituições e criar riscos para o funcionamento da democracia.

A crise ganhou força depois que o ministro André Mendonça encaminhou a Fachin um pedido de abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes. A iniciativa ocorreu após um relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master.

Na quarta-feira (3), Moraes reagiu encaminhando ao presidente do STF um pedido de investigação sobre a atuação de André Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também pediu a anulação da investigação envolvendo conversas atribuídas a Moraes e Vorcaro.

Nesta sexta-feira, Fachin estabeleceu prazo de cinco dias para que André Mendonça e Paulo Gonet apresentem manifestações sobre o caso. A condução dos procedimentos passou a ocupar o centro das atenções no Supremo diante do cruzamento de acusações, pedidos de investigação e questionamentos sobre a atuação de integrantes do próprio Judiciário.

Fonte: Agência Brasil

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