O ministro dos Transportes, Renan Filho, comentou em vídeo publicado nas redes sociais as declarações feitas por Michelle Bolsonaro sobre a situação da infraestrutura no município de Cruzeiro do Sul, no Acre. A ex-primeira-dama afirmou que a população do Vale do Juruá precisa atravessar o rio diariamente por falta de ponte, referindo-se à ligação entre Cruzeiro do Sul e o município de Rodrigues Alves.
Renan Filho afirmou que já existe uma ponte em Cruzeiro do Sul, a Ponte da União, construída por meio de convênio firmado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, os recursos foram repassados pela União e a obra foi entregue pelo Ministério dos Transportes em parceria com o governo do Acre.
O ministro também informou que o governo federal está contratando um novo projeto para a ponte que liga Cruzeiro do Sul a Rodrigues Alves, no local mencionado por Michelle Bolsonaro. Ele comparou os investimentos em infraestrutura no Acre entre os anos de 2022 e 2024. Em 2022, último ano da gestão anterior, foram investidos R$ 89 milhões no estado. Em 2023, primeiro ano do novo governo, o valor subiu para R$ 274 milhões. Em 2024, o investimento previsto é de R$ 543 milhões.
Renan Filho ainda apresentou dados sobre a qualidade das rodovias no estado. De acordo com os gráficos exibidos, em 2016, 39% das estradas do Acre eram consideradas ruins. Esse percentual aumentou para 72% em 2022. Em 2023, os dados mostram redução para 35% das rodovias em condições ruins e aumento das consideradas boas de 13% para 42%.
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Por fim, o ministro sugeriu que Michelle Bolsonaro consulte o ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas antes de fazer comentários sobre o setor, e criticou o desempenho do governo anterior em relação à malha viária do estado.
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), anunciou nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, sua pré-candidatura ao Governo do Acre durante uma coletiva de imprensa realizada no auditório da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agrícola do Acre (ACISA), em Rio Branco, ao afirmar que, “a partir de hoje nós estaremos colocando o nosso nome à disposição da sociedade acreana” para que, até o início de abril, seja definida a consolidação do projeto eleitoral.
Diante de apoiadores, empresários e representantes da imprensa, Bocalom disse que a decisão está vinculada a um projeto político que, segundo ele, já vinha sendo apresentado à população ao longo dos últimos anos e que não sofreu alterações. “Tem um projeto lá de trás que a gente vai defender o vídeo inteiro. Como você entendeu, não mudou nada, não vai mudar”, afirmou, ao relacionar a pré-candidatura à continuidade do que classifica como uma agenda administrativa em execução na capital.
O prefeito também associou sua entrada formal na disputa ao volume de obras realizadas em sua gestão municipal. “Eu acho que Rio Branco nunca viu tantas obras da prefeitura como tem agora”, declarou, ao destacar que pretende manter o foco na administração da capital mesmo após o anúncio. “Tenho aí três anos de prefeitura ainda pela frente. Não tem nenhum problema. Vamos trabalhar”, disse.
Durante o discurso, Bocalom avaliou que seu nome já aparecia em posição competitiva nas pesquisas, mesmo antes de se declarar pré-candidato. “Não tenho dúvida nenhuma que hoje o nosso nome já era o segundo colocado, sem nunca ter falado que era pré-candidato, mas a gente coloca e eu tenho certeza que vai dar uma mexida boa nesse tabuleiro”, afirmou, ao pedir apoio político e eleitoral aos presentes.
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O prefeito também fez referência à relação construída com eleitores e setores que mantêm vínculo com a Prefeitura de Rio Branco. “Para todos aqueles que se relacionaram com a prefeitura, com negócios, ou que precisam de servir da prefeitura, viram que a prefeitura é de todo mundo. Então, que nos ajudem”, declarou, ao defender que a mobilização antecipada pode influenciar a formação de alianças.
Ao encerrar a fala, Bocalom mencionou sua trajetória pessoal no estado e agradeceu à população. “O nosso nome está à disposição do povo acreano, de Rio Branco, que me acolheu tão bem. O Acre me acolheu quando eu cheguei”, disse.
A entrada de Bocalom no cenário eleitoral deve influenciar a composição de chapas, alianças partidárias e o posicionamento de outros pré-candidatos, além de repercutir na gestão municipal, que seguirá sob sua responsabilidade até eventual desincompatibilização do cargo.
A coletiva convocada pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), para tratar de seu futuro político não é apenas mais um ato protocolar de pré-campanha. Ela sinaliza, de forma clara, que 2026 se desenha como o ano das grandes decisões e, sobretudo, das renúncias. No Acre, o velho ditado político “rei morto, rei posto” ganha contornos bastante literais.
A eventual renúncia de Bocalom ao comando da capital inaugura um efeito dominó que vai muito além da Prefeitura de Rio Branco. Trata-se de um movimento que precisa ser analisado sob três eixos centrais: viabilidade eleitoral, apoios partidários reais e o rearranjo de poder que se seguirá ao gesto político.
Bocalom: renuncia para disputar, mas com quais cartas na mão? A pergunta central não é apenas se Bocalom renunciará, mas para quê e com que sustentação. Seu nome circula como possível candidato majoritário em 2026, mas o caminho está longe de ser linear.
Dentro do PL, partido ao qual está filiado, há uma equação nacional e regional a ser resolvida. O partido tende a priorizar projetos com alta competitividade e alinhamento estratégico com a direção nacional. O apoio formal ao prefeito dependerá menos de sua lealdade partidária e mais de sua capacidade real de entregar votos e construir alianças além do núcleo bolsonarista tradicional.
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Renunciar sem garantia de musculatura política pode transformar o gesto em um salto no escuro. Em política, renúncia não é ato simbólico: é ruptura definitiva com o cargo e com o poder imediato.
O efeito colateral: Alysson, Mailza e o redesenho do poder estadual
No plano estadual, o cenário é ainda mais complexo. Com a anunciada renúncia do governador Gladson Cameli para disputar o Senado, a vice-governadora Mailza Assis assume o comando do Estado já declarada candidata à reeleição. Diferentemente de outros atores, Mailza não começa do zero.
Ex-senadora, com trânsito consolidado junto à direção nacional de seu partido, Mailza entra no jogo com máquina, visibilidade institucional e relações partidárias consolidadas. Isso muda completamente a correlação de forças. Ela reúne três elementos decisivos: Caneta na mão; Estrutura administrativa e Apoio partidário nacional.
Em política, isso não é detalhe, é vantagem objetiva. (Leia-se fundo partidário)
Enquanto outros ainda discutem candidaturas, Mailza pode discutir governabilidade, entregas e alianças, falando como chefe do Executivo.
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O vice-prefeito Alysson (PP) assumindo a Prefeitura de Rio Branco. Esse movimento, por si só, já reposiciona o Progressistas no jogo local, fortalecendo o partido na capital em pleno ano pré-eleitoral.
A ascensão de Alysson (PP) à Prefeitura de Rio Branco, em decorrência da renúncia de Bocalom, cria uma situação política curiosa: dois chefes do Executivo, Estado e capital, sem terem sido eleitos diretamente para esses cargos em 2026, mas com o poder da caneta na mão. Isso, por si só, altera alianças, prioridades e lealdades.
Se há algo que este cenário deixa claro, é que não é um ano para amadores. Marqueteiros já estão atentos, analisando movimentos, testando narrativas e antecipando riscos. Articuladores políticos estão de prontidão. Os chamados “bajuladores”, figuras sempre presentes nos ciclos de poder, já começam a migrar conforme o vento sopra.
A política entra em modo de sobrevivência. Quem aposta errado fica para trás. Quem hesita perde espaço. Renúncia, nesse contexto, não é apenas abrir mão de um cargo: é assumir o risco total de um novo jogo, onde não há direito a pedido de desculpas nem retorno ao ponto de partida.
Ainda é cedo para cravar vencedores, mas algumas tendências já se mostram evidentes no cenário político que se desenha. Quem assume cargos estratégicos passa a contar imediatamente com maior visibilidade pública, estrutura administrativa e capacidade de articulação política.
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Por outro lado, quem opta pela renúncia coloca todas as fichas em um projeto futuro que, por definição, é incerto e sujeito a múltiplas variáveis. Os partidos, por sua vez, tendem a agir de forma pragmática, direcionando apoio a quem estiver melhor posicionado nas pesquisas e demonstrar maior viabilidade eleitoral.
Nesse contexto, o eleitor, cada vez mais atento e menos passivo, começa a se perguntar se a sucessão de renúncias atende de fato a um projeto coletivo de governo ou se responde, prioritariamente, às ambições individuais de seus protagonistas.
2026 caminha para ser lembrado como o ano em que o Acre viveu uma política de ruptura. Renunciar não é estratégia neutra, nem discurso de coragem. É uma decisão definitiva, com custos claros e consequências irreversíveis.
No fim, a regra permanece válida: uma renúncia é uma renúncia. Não há meia-volta. Não há cargo em espera. O jogo segue, e quem ficar para trás não volta ao tabuleiro. Renunciou, acabou. Rei morto, rei posto.
E o PL? Não é diferente, atua com lógica de mercado político: investimento, retorno e viabilidade.
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É possível afirmar uma coisa: não é hora de improvisos. Quem renunciar sem rede de proteção política corre o risco de sair do jogo antes da largada. E, ao que tudo indica, o ano da renúncia será também o ano da redefinição do poder.
Em entrevista recente ao Programa F5 com Josemir Melo, o presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Nicolau Júnior (Progressistas), abriu o jogo sobre suas articulações para as próximas eleições e comentou sobre a possibilidade de disputar o executivo de sua terra natal.
Ao ser questionado sobre os passos para o pleito de 2026 e se almejaria um cargo federal, Nicolau reafirmou seu compromisso com a reeleição para o legislativo estadual, mas deixou claro que sua postura é de alinhamento total com a sigla.”Eu sou candidato a deputado estadual, tô à disposição do partido. […] Eu sou partidário, eu sou Progressista, eu tenho lealdade ao nosso grupo político… eu sou um soldado do Progressista”, afirmou o parlamentar.
O deputado também destacou a importância da união do grupo político liderado pelo governador Gladson Cameli, mencionando o respeito à hierarquia e aos nomes postos para a disputa majoritária, como o da vice-governadora Mailza Assis.
O sonho da Prefeitura de Cruzeiro do Sul
Um dos momentos de maior destaque da conversa ocorreu durante o quadro “Rapidinhas”, quando o apresentador tocou no tema “Prefeitura de Cruzeiro do Sul”. Nicolau Júnior não se esquivou e revelou que comandar o executivo municipal é um desejo pessoal, citando sua experiência à frente do legislativo estadual como credencial para o desafio. “Eu nasci em Cruzeiro, né… eu acho que todo político tem um sonho de ser candidato a prefeito da sua cidade. Eu particularmente administro o segundo poder do estado que é a Assembleia. Então tenho certeza que eu tenho capacidade também de ir pro executivo”, declarou.
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Nicolau enfatizou sua visão de gestão pública, traçando um paralelo com sua origem no comércio e a responsabilidade com o erário. “A prefeitura é um órgão público. Aquele dinheiro que tá ali é público, tem que voltar… tem que ter cuidado e voltar pra população com boas ações”, completou o deputado.
A entrevista completa, onde o parlamentar também discute o desenvolvimento do município de Mâncio Lima e a situação da BR-364, pode ser conferida no canal do Programa F5.