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Modelo da Embrapa prevê produtividade da cana e da soja com imagens de satélite

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A Embrapa desenvolve um modelo para prever produtividade agrícola a partir de séries temporais de imagens de satélite, com aplicação já testada em cana-de-açúcar e soja, em experimentos conduzidos entre 2022 e 2025 em parceria com cooperativas e unidades da instituição, com uso de dados diários do PlanetScope obtidos pelo Programa Brasil Mais.

O trabalho integra índices de vegetação extraídos das imagens com variáveis agronômicas e climáticas e compara duas abordagens de cálculo, uma estatística e outra baseada em aprendizagem de máquina. Na cana-de-açúcar, o estudo em cooperação com a Coplacana monitorou duas safras ao longo de três anos e obteve coeficiente de determinação de 0,89 entre a produtividade predita e a observada. Na soja, o método foi empregado para avaliar o desempenho do bioestimulante Hydratus, com correlação de 0,71 entre predição e produtividade medida em três áreas experimentais, duas com satélite e uma com drone. Segundo a equipe, a escolha do índice de vegetação varia por cultura: na cana, utilizou-se o GNDVI; na soja, o EVI2, com sensibilidade à estrutura e biomassa do dossel.

De acordo com o pesquisador Geraldo Magela Cançado, da Embrapa Agricultura Digital, a linha de pesquisa começou com um modelo mais simples e incorporará novas variáveis para aumentar a eficiência. “Conforme os trabalhos avançarem, novas variáveis serão inseridas, como temperatura, textura do solo e disponibilidade hídrica”, afirmou. Ele explicou as diferenças entre culturas: “No caso da cana, como a produção está muito ligada ao próprio dossel da planta, obtêm-se melhores resultados. Já na soja, como o produto é o grão, a relação dossel e produtividade não é tão direta.”

O pesquisador João Antunes destacou a possibilidade de ampliar o levantamento de safra com base em imagens. “Essa metodologia permite um levantamento de safra mais objetivo. Queremos diminuir a subjetividade dessa previsão e ser mais abrangente. Considerada a imensidão deste País, só com o uso de imagens de satélites isso se torna possível”, disse. Para uso prático, a equipe prevê resultados por talhão, com potencial de apoiar planejamento, negociação, logística de colheita e intervenções no manejo, além de subsidiar estimativas de safra pelo poder público.

O analista Eduardo Speranza afirmou que, com o conjunto atual de dados, a abordagem estatística tem apresentado maior precisão do que a de aprendizagem de máquina. “Trabalhamos em uma publicação com 500–600 amostras para treinar um algoritmo. Essa quantidade para aprendizado de máquina é pequena. O método de aprendizagem de máquina tem potencial de ser melhor, mas necessita de milhares de amostras”, explicou, ao relacionar a ampliação do banco de dados à validação agronômica em campo.

A disponibilidade diária de imagens via Rede MAIS, composta por 130 satélites com resolução de 3 metros e oito bandas espectrais, foi citada como diferencial para áreas experimentais e talhões de produção, quando comparada à frequência limitada de voos de drones. Júlio Esquerdo, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agricultura Digital, avaliou que o acesso contínuo abre novas possibilidades para estudo e manejo. Em 2025, a Rede MAIS premiou o trabalho “Previsão da Produtividade em Cana-de-Açúcar Utilizando Análise Temporal de Imagens PlanetScope” em primeiro lugar na categoria instituições federais.

As conclusões parciais foram publicadas em artigos científicos que descrevem o emprego do PlanetScope para estimar a produtividade na fase de crescimento da cana e o uso de sensoriamento remoto para acompanhar o desempenho do Hydratus em soja sob estresse hídrico. O grupo planeja incluir novas variáveis e ampliar o número de amostras para treinar modelos de aprendizagem de máquina, com o objetivo de aumentar a capacidade de generalização e a precisão das previsões em diferentes ambientes e cultivares.

Acre

PF faz operação no Acre contra desvio de recursos da educação

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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 16, a Operação Talha Real para investigar o desvio de recursos públicos federais da educação no Acre. A apuração mira contratos ligados a verbas do Fundeb destinadas a uma secretaria e que, somados, passam de R$ 51 milhões.

A operação cumpre 21 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. As ordens foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Durante o cumprimento dos mandados, um dos investigados foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido. Ele foi levado à Superintendência Regional da Polícia Federal.

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos envolvidos. Também foi ordenada a suspensão temporária das atividades de seis empresas investigadas.

Os investigados poderão responder por peculato, corrupção ativa ou passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A investigação trata da possível malversação de recursos públicos federais destinados à educação básica.

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Rio Branco

Prefeitura lança Contrata +Rio Branco para incluir MEIs e autônomos nas compras públicas

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A Prefeitura de Rio Branco lançou nesta quarta-feira, 15, o programa Contrata +Rio Branco para ampliar a participação de microempreendedores individuais e trabalhadores autônomos nas contratações públicas do município. A proposta é preparar pequenos empreendedores para vender produtos e prestar serviços à administração municipal, com capacitação gratuita e suporte técnico pela Sala do Empreendedor.

O programa será implantado com uma formação voltada exclusivamente a quem deseja atuar como fornecedor da Prefeitura. Durante o treinamento, os participantes receberão orientações sobre formalização, emissão de documentos, regularização cadastral e uso da plataforma digital Contrata+Brasil, ferramenta pela qual serão divulgadas as oportunidades de contratação.

A ação busca reduzir barreiras burocráticas e aproximar pequenos negócios do poder público. A Prefeitura pretende usar as compras municipais como instrumento de geração de renda e fortalecimento da economia local, com maior circulação de recursos dentro da própria cidade.

O secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico e Finanças e coordenador do programa, Fabiano Lira, afirmou que a capacitação foi pensada para orientar os trabalhadores desde as primeiras etapas. “Sabemos que muitos trabalhadores autônomos têm receio da burocracia pública. Por isso, antes de abrir o sistema, nós vamos pegá-los pela mão e ensinar o passo a passo. Queremos que o pintor, a cozinheira, o fotógrafo e o eletricista de Rio Branco saibam que a Prefeitura é uma cliente de portas abertas para eles.”

A Sala do Empreendedor será o ponto de atendimento dos interessados. No local, a equipe vai auxiliar na abertura e alteração de empresas, regularização de cadastros, emissão de documentos e orientação sobre os procedimentos necessários para participar das contratações municipais.

A coordenadora da Sala do Empreendedor, Bruna Lima Caminha, afirmou que o atendimento será voltado à preparação dos futuros fornecedores. “A Sala do Empreendedor é exatamente isso: simplificar todo o processo, desburocratizar toda essa vida empresarial.”

Depois do cadastro na plataforma, os profissionais passarão a receber alertas automáticos no celular sobre oportunidades de trabalho abertas pela Prefeitura. O programa também prevê pagamento em até dez dias após a execução e conclusão do serviço contratado.

Os interessados em participar da capacitação devem entrar no grupo oficial de informações no WhatsApp, divulgado nos canais oficiais da Prefeitura. O grupo será usado para repassar o cronograma das formações, orientações de inscrição, informações sobre a plataforma Contrata+Brasil e as etapas para participação nas futuras contratações públicas.

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Acre

Ufac seleciona doutores para reforçar pós-graduação em Ciência Florestal no Acre

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A Universidade Federal do Acre abriu um processo de credenciamento de professores doutores para ampliar o quadro docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, em Rio Branco. As inscrições começam em 20 de julho de 2026 e seguem até o dia 30, com envio da documentação por e-mail.

A seleção busca pesquisadores com atuação ligada à conservação, restauração, manejo e produção florestal. Podem participar docentes da Ufac, do Instituto Federal do Acre, da Embrapa e de outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior.

O programa será organizado em três linhas de pesquisa. A primeira trata de conservação, restauração e serviços ecossistêmicos. A segunda envolve propagação, implantação e condução florestal. A terceira reúne estudos sobre crescimento, dinâmica e manejo da produção florestal. A proposta é formar um corpo docente voltado a temas ligados à floresta amazônica, à recuperação de áreas degradadas, ao carbono, à bioeconomia, aos sistemas agroflorestais e ao uso sustentável dos recursos naturais.

A escolha dos professores levará em conta a produção científica, a capacidade de orientar mestrandos, a participação em projetos de pesquisa, a captação de recursos e a aderência às linhas do programa. Também será observado o equilíbrio entre as áreas de atuação, para evitar concentração de docentes em uma única linha.

Os candidatos precisam apresentar Currículo Lattes atualizado e preencher o formulário de inscrição. A avaliação ficará sob responsabilidade do colegiado do PPG-Ciflor. Quem não alcançar a pontuação mínima exigida em artigos científicos publicados entre 2022 e 2026 será eliminado.

O cronograma prevê a divulgação das inscrições deferidas em 4 de agosto. O resultado parcial será publicado no dia 5, com prazo para recursos em 6 e 7 de agosto. A lista final dos selecionados está marcada para 10 de agosto.

Os professores credenciados deverão atuar em disciplinas, orientação ou coorientação de estudantes, projetos de pesquisa, inovação, extensão, internacionalização, planejamento acadêmico, autoavaliação e divulgação científica. O credenciamento também reforça a estrutura do programa em uma área estratégica para o Acre, onde a formação de pesquisadores está ligada diretamente ao manejo de florestas, à restauração ambiental e ao desenvolvimento de tecnologias para a Amazônia.

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