Uma história, quando ganha o mundo, tem o poder de transformar quem toca, quem ouve, quem sente, mesmo que por alguns minutos, a dor do outro. Vozes do Silêncio é uma dessas histórias. Nasce para jogar luz em um mundo inteiro de dores, mas também de esperança.
Quando comecei essa jornada, eu sabia que seria um trabalho difícil. Mas não imaginava que ele me atravessaria tão profundamente, nem que transformaria toda a equipe da maneira como aconteceu. O documentário nasceu do desejo sincero de dar visibilidade a sentimentos e experiências que, por tanto tempo, ficaram aprisionados no silêncio.
Quando comecei essa jornada, eu sabia que seria um trabalho difícil. Mas não imaginava que ele me atravessaria tão profundamente, nem que transformaria toda a equipe da maneira como aconteceu. O documentário nasceu do desejo sincero de dar visibilidade a sentimentos e experiências que, por tanto tempo, ficaram aprisionados no silêncio.
Durante as gravações, encontramos mulheres que resistiram ao que parecia impossível. Mulheres que reinventaram suas vidas depois da violência, que reconstruíram a própria existência sobre os escombros do que a dor tentou destruir. Cada palavra dita diante da câmera era uma ferida exposta, mas também um gesto de cura. E foi nesse processo que entendi: dirigir Vozes do Silêncio era, acima de tudo, um exercício de escuta.
“Vozes do Silêncio é um filme que denuncia, mas também acolhe”
A escuta é o que sustenta esse filme. Ela é o fio invisível que costura todas as histórias. Aprendi, com cada depoimento, que o silêncio pode ser violento, e que ouvir o outro — de verdade — é um gesto político. Essa compreensão mudou minha forma de estar no mundo. Não era mais sobre filmar o outro, mas sobre permitir que o outro existisse na imagem com sua própria verdade.
Quando o filme ficou pronto, percebi que ele já não nos pertencia. Ele é das mulheres que falaram, das pessoas que se reconheceram nas histórias, de todos que acreditam que a arte pode ajudar a transformar a realidade. A cada exibição, sinto que a história volta a nascer, que ela segue encontrando novos ouvidos, novos corações.
“A Lei Paulo Gustavo, o apoio da Fundação Elias Mansur e do Governo do Estado do Acre foram fundamentais para que Vozes do Silêncio saísse do papel”
Acredito que a arte tem essa força — a de construir pontes entre o individual e o coletivo, entre o que somos e o que podemos ser. E é por isso que as políticas culturais são tão importantes. Porque é através delas que essas pontes se tornam possíveis. A Lei Paulo Gustavo, o apoio da Fundação Elias Mansur e do Governo do Estado do Acre foram fundamentais para que Vozes do Silêncio saísse do papel. A arte precisa de estrutura, de investimento, de visão. Quando a cultura é tratada como direito, e não como privilégio, ela floresce — e o que nasce disso toca vidas.
Vozes do Silêncio é um filme que denuncia, mas também acolhe. Que provoca, mas oferece esperança. Misturamos jornalismo, poesia e música para criar um espaço de sensibilidade, onde o público pudesse refletir, se emocionar e se reconhecer. Essa mistura nasceu da vontade de não fazer apenas um registro, mas uma escuta coletiva, uma travessia compartilhada.
Hoje, olhando para tudo o que vivemos, percebo que esse documentário não mudou apenas meu trabalho no audiovisual, mas minha forma de estar presente no mundo. Ele me fez repensar o papel do homem, do artista, do cidadão.
Se Vozes do Silêncio conseguir tocar as pessoas como tocou todos nós, já terá cumprido o seu propósito. Porque, no fim, o que o filme nos ensina é simples e imenso: toda história tem um eco, e escutar é, talvez, o primeiro passo para transformar o silêncio em vida.
Alexandre Nunes, diretor do documentário Vozes do Silêncio
A história de Medusa
Por fim, a história deste documentário é sobre a força de Medusa.
Medusa é o grito que virou palavra. É a mulher que transformou a dor em poesia e o silêncio em revolução. Nascida nas margens, ergueu-se gigante carregando em sua voz o eco de todas que vieram antes, mães, tias, meninas que aprenderam a suportar. Sua arte é ferida e cura, lágrima e resistência. Medusa fala do que muitos não ousam dizer, pensar, e ao fazê-lo, abre caminhos de esperança. Em Cada verso, ela devolve dignidade às histórias caladas e mostra que a força da mulheres não está em SUPORTAR, mas em transformar. Medusa não é só uma artista: é símbolo de renascimento, é o rosto da coragem que insiste em florescer mesmo entre ruínas.
“A poesia veio para a minha vida para me curar de todas as minhas dores…”
Medusa AK
Uma jovem e gigante mulher que transforma dor em palavra e palavra em cura.
Sua voz nasce da periferia de Rio Branco, entre o barulho das ruas e o silêncio das casas onde as mulheres aprenderam a suportar.
Como disse Lula “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera” Parafraseando Lula: Podem cortar as rosas, mas não podem deter o vento que anuncia a primavera. E Medusa é esse vento, firme, doce e impossível de CALAR.
Esse trabalho é para todos que florescem mesmo entre as ruínas… Enquanto Medusa dá voz à dor e à poesia das mulheres, Dra Louise Kristina transforma a palavra em tutela, para que o grito não seja apenas ouvido, mas acolhido e protegido.
A cada história, o documentário constrói um retrato coletivo de resistência, onde Medusa e a juíza Louise Kristina revelam que o silêncio nunca é o fim.
“Quando aplicamos a Lei Maria da Penha, reafirmamos que a vida das mulheres importa e que a violência não pode ser naturalizada.”
Louise Kristina Lopes de Oliveira Santana
Gravado no Acre e produzido com apoio da Lei Paulo Gustavo, o filme convida o público a sentir, pensar e agir.
Nesta sexta-feira (8), às 14h, no Alto Santo, em Rio Branco, um ato público vai formalizar a entrega do pedido de abertura do processo de tombamento e de reconhecimento do Sítio Histórico do Alto Santo como Patrimônio Cultural Material do Brasil. A solicitação será apresentada por Peregrina Gomes Serra, dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal — Alto Santo, e inclui a distribuição de cópias do requerimento e do memorial descritivo do sítio.
Participam do ato a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Acre (Iphan), Antônia Damasceno Barbosa; o procurador da República Luidgi Merlo Paiva dos Santos; o promotor de Justiça Alekine Lopes dos Santos; e o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Matheus Gomes. A programação prevê entrevistas com as autoridades e com pessoas ligadas ao Alto Santo.
O pedido busca acionar o instrumento federal de proteção conhecido como tombamento, previsto no Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, base normativa do sistema de preservação do patrimônio histórico e artístico nacional. No Iphan, o patrimônio material é registrado em livros de tombo conforme a natureza do bem, e o processo costuma envolver análise técnica e decisão em instâncias consultivas do órgão. O reconhecimento pretendido mira a preservação do conjunto de espaços e referências históricas associadas ao Alto Santo, território ligado à formação da tradição do Daime em Rio Branco e à trajetória de Raimundo Irineu Serra, o Mestre Irineu.
A iniciativa também conecta a medidas recentes de regularização da área: em dezembro de 2024, o governo do Acre anunciou a entrega de títulos definitivos ao Centro de Iluminação Cristã Luz Universal — Alto Santo, em cerimônia que tratou da segurança jurídica do espaço vinculado ao túmulo de Mestre Irineu.
O tombamento, caso avance, não altera a propriedade do local, mas estabelece regras para preservação e para intervenções, como obras, reformas e alterações, que passam a seguir parâmetros técnicos e autorizações conforme o enquadramento do bem. A Constituição de 1988 ampliou a noção de patrimônio cultural brasileiro e consolidou o entendimento de que a preservação envolve tanto bens materiais quanto referências de valor histórico, cultural e identitário, com diferentes instrumentos de proteção.
Fetac em Cena 2026 abre inscrições para oficinas de improvisação e poética feminina na capital; confira
Com espetáculos gratuitos em escolas e teatros, festival abre vagas para atividades de formação sobre improvisação e poética feminina no Teatro Barracão Matias.
O cenário cultural acreano ganha novas cores e movimentos a partir desta terça-feira, 5. Entre os dias 05 e 10 de maio, a capital recebe o Festival Fetac em Cena 2026 – Mostra Rio Branco. Promovido pela Federação de Teatro do Acre (Fetac), o evento celebra quase duas décadas de história como um dos principais pilares de fomento e visibilidade para as artes cênicas no estado.
A programação deste ano reflete a diversidade da produção local, levando espetáculos gratuitos para escolas públicas e para o Teatro de Arena do Sesc. O público poderá conferir desde dramas e musicais até o encanto do teatro de bonecos e da palhaçaria, com classificações indicativas que variam de “Livre” a “16 anos”.
Oportunidade de formação: oficinas gratuitas
Além das apresentações, o festival reafirma seu compromisso com a formação artística ao oferecer oficinas gratuitas no Teatro Barracão Matias, em Rio Branco. Com vagas limitadas, as atividades são uma porta de entrada para quem deseja explorar o corpo e a mente através do teatro.
Confira as opções com inscrições abertas:
A Saia como Território: O Feminino em Gira e a Poética da Cena
Data: 08 de maio, das 08h às 12h.
Proposta: Sob mediação de Dani Mirini (Grupo Vivartes), a oficina utiliza referências amazônicas e das encantarias para trabalhar o corpo feminino, explorando a saia como extensão simbólica e política.
Proposta: Ministrada por Elias Silva (Coletivo Teatro Candeeiro), a oficina introduz os conceitos de jogos teatrais de Viola Spolin, focando em desinibição, escuta e criatividade coletiva.
Para garantir a execução do festival, uma equipe diversificada atua nos bastidores. A coordenação geral é de Brenn Souza, com Claudia Toledo na programação e Lenine Alencar na produção.
O corpo de produção conta ainda com a assistência de Bia Berkman e Sacha Alencar, além do suporte de Caê Bernardo e Maysa da Costa. A estratégia de comunicação e redes sociais é conduzida por Nathânia Oliveira e Sarah Jainy, enquanto a identidade visual e os registros ficam a cargo de Neilson Abdallah. A assessoria de imprensa é realizada por Maria Meirelles, com suporte técnico de Luiz Carlos Souza (luz) e Spartacos Barbosa (cenotécnica).
O Festival Fetac em Cena 2026 conta com financiamento do Fundo Municipal de Cultura, por meio da Prefeitura de Rio Branco/Fundação Garibaldi Brasil (FGB), e apoio da Fundação Elias Mansour (FEM) e Sesc Acre. O festival é uma coprodução da Companhia Visse e Versa de Ação Cênica.
A programação completa e as atualizações diárias podem ser acompanhadas pelo perfil oficial no Instagram: @fetac_ac.
A celebração do Dia do Trabalhador no Acre terá duas grandes atrações nacionais em cidades diferentes, com programação gratuita organizada por governos locais. Em Cruzeiro do Sul, Estado e Prefeitura confirmaram show de Joelma na noite de 30 de abril, na Praça Orleir Cameli, em frente à Catedral, a partir das 21h. Em Rio Branco, o cantor Tierry foi anunciado como principal atração da Festa do Trabalhador no feriado de 1º de maio, com início às 19h, em frente ao Palácio Rio Branco.
No Juruá, a programação foi alinhada em reuniões entre as equipes do Estado e do Município para definir estrutura, serviços e esquema de segurança. O evento começa com apresentações de artistas locais e reserva o horário mais tarde para a atração nacional. O prefeito Zequinha Lima disse que a abertura do palco para músicos da cidade faz parte do formato da comemoração e afirmou: “A partir das 21h teremos apresentações dos nossos cantores e artistas locais, valorizando os talentos da terra. Já o show principal está previsto para as 23h”.
A expectativa dos organizadores é de grande público no centro de Cruzeiro do Sul, com estimativa entre 30 mil e 40 mil pessoas na área da praça ao longo da noite. A Polícia Militar informou que o planejamento operacional inclui reforço de efetivo e medidas de orientação e controle do fluxo no entorno para garantir segurança e organização durante as apresentações.
Na capital, a Festa do Trabalhador terá Tierry no comando do palco, além de DJs e artistas locais. A organização informou que a entrada será gratuita e que haverá regras para acesso, com restrição à entrada de geleiras e proibição de garrafas de vidro. A segurança terá empresa privada e apoio da Polícia Militar, e a programação detalhada com horários e demais atrações deve ser divulgada mais perto do evento.
Com shows em sequência e estrutura montada para grandes públicos, as comemorações devem movimentar o entorno das áreas de evento, com aumento no fluxo de pessoas, reforço do trabalho de segurança e maior procura por comércio e serviços durante o feriado.