O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) mantém a transmissão de dois programas de rádio voltados à divulgação de informações sobre o Judiciário. O Boletim TJ Acre é veiculado diariamente às 12h30 na rádio Aldeia 96.9 FM, e o programa Audiência Pública vai ao ar às segundas-feiras, às 15h, pela rádio Difusora Acreana AM.
As produções abordam decisões judiciais, direitos do cidadão, serviços disponíveis e ações desenvolvidas pelo TJAC. O objetivo é ampliar o acesso da população a informações sobre o funcionamento da Justiça no estado.
A diretora de Comunicação do TJAC, Andréa Zílio, afirmou que a disseminação de conteúdos por meio das rádios contribui para levar informações e serviços ao cidadão. Ela destacou que a Aldeia e a Difusora são veículos com grande alcance no estado e importantes parceiros institucionais.
O juiz de Direito Cloves Ferreira, apresentador do programa Audiência Pública, ressaltou que a iniciativa facilita o acesso à informação em regiões onde o rádio é o principal meio de comunicação. Segundo ele, o programa possibilita que pessoas que vivem em áreas isoladas conheçam seus direitos e saibam onde buscar atendimento.
Na edição mais recente do Audiência Pública, o entrevistado foi o corregedor-geral da Justiça, desembargador Nonato Maia. Durante a conversa, ele tratou dos direitos do cidadão, da atuação do Poder Judiciário e dos canais para envio de reclamações, sugestões e acompanhamento das ações da Justiça no Acre.
Os programas são produzidos pela equipe da Gerência de Comunicação do TJAC, por meio da Diretoria de Informação Institucional.
O governo do Acre somou 5.142 atendimentos nas Salas de Bem-Estar instaladas em órgãos estaduais no primeiro trimestre de 2026, entre janeiro e março, e acelerou a expansão de uma política voltada à saúde e à valorização do funcionalismo público. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Administração (Sead) e integra a Rede Estadual de Humanização, com espaços voltados ao descanso e a práticas integrativas dentro do ambiente de trabalho.
O Centro de Atenção à Saúde do Servidor (Cass) concentrou o maior volume de atendimentos no período. Na sequência, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) registrou 1.014 atendimentos, seguida pela Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), com 408, e pela Organização em Centros de Atendimento (OCA), com 359. Também aparecem entre os maiores quantitativos a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), com 303 atendimentos, e a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), com 271. O levantamento inclui ainda a Procuradoria-Geral do Estado (230), a Secretaria da Fazenda (190), o Laboratório Central de Saúde Pública (185), a Secretaria de Administração (142), a Secretaria de Planejamento (74), empresas públicas (56) e o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), com 42.
As salas foram estruturadas com equipamentos como cadeiras de massagem e macas portáteis, com foco na redução do estresse e na prevenção de doenças ocupacionais. Servidores relatam impacto direto na rotina. “É um ambiente pensado para o cuidado com os servidores, com serviços que fazem diferença no nosso dia a dia. A cadeira de massagem ajuda muito a aliviar o estresse, e práticas como a auriculoterapia também contribuem para o nosso bem-estar. É um espaço que melhora a nossa qualidade de vida no trabalho”, disse a servidora da Sead Jamile Darube de Oliveira. A servidora Liliane Costa citou o uso frequente por questões de saúde: “Tenho problemas na coluna e fibromialgia, então atividades como massagem e alongamento ajudam bastante no alívio das dores. Eu realmente me sinto melhor após utilizar os serviços. É uma iniciativa muito significativa para nós servidores”.
A política inclui, além das Salas de Bem-Estar, a atuação do Cass com atendimentos especializados em saúde física e mental. O secretário de Estado de Administração, Paulo Roberto Correia, afirmou que as medidas fazem parte de uma estratégia permanente de valorização. “Estamos trabalhando para garantir melhores condições de trabalho e mais qualidade de vida para os nossos servidores. As Salas de Bem-Estar e o Cass fazem parte de uma política contínua de valorização, que reconhece a importância de cuidar de quem está diariamente prestando serviços à população”, declarou. O secretário adjunto de Pessoal, Guilherme Duarte, associou a iniciativa ao desempenho do serviço público: “Cuidar da saúde física e mental dos servidores é essencial. Essas ações contribuem para um ambiente de trabalho mais equilibrado, reduzem o adoecimento e refletem na melhoria dos serviços oferecidos à sociedade”.
A Sead informou que a rede seguirá em expansão, com previsão de implantação de novas Salas de Bem-Estar no Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), na Secretaria de Agricultura (Seagri) e no Departamento de Trânsito do Acre (Detran).
A entrada do Comando Vermelho na cadeia do ouro em Ucayali, no leste do Peru, expôs uma nova etapa do garimpo ilegal na fronteira com o Acre, com facções disputando uma economia que combina alto valor, baixa rastreabilidade e facilidade de lavagem. A Folha de S.Paulo apurou que a mineração em áreas remotas voltou a crescer na região, em meio a pouca fiscalização, degradação ambiental acelerada e mudança no fluxo do metal, que deixou de abastecer o comércio local e passou a seguir por rotas que permitem “legalizar” a origem do ouro.
Em Pucallpa, capital de Ucayali, a transformação já aparece no cotidiano do mercado. A reportagem registrou a percepção de escassez de ouro no comércio tradicional e ouviu um joalheiro que resumiu a virada: “Não tem mais tanto ouro quanto antes”. O relato vem acompanhado de uma explicação recorrente entre compradores e autoridades na cidade: parte do metal extraído no rio Abujão deixou de circular no circuito local e passou a ser escoada para fora, alimentando um caminho em que o ouro entra em cadeias com aparência formal.
O contexto econômico ajuda a entender por que o garimpo virou alvo preferencial. A Folha destacou que, em 2025, a mineração respondeu por 67,5% do valor total exportado pelo Peru, cerca de US$ 63 bilhões, e que, no mercado clandestino, as exportações de ouro ilegal podem ter ultrapassado US$ 12 bilhões, segundo o Instituto Peruano de Economia. A cifra coloca o ouro em um patamar de protagonismo entre as economias ilícitas e reforça o peso do metal como ativo que pode circular com menos barreiras do que drogas, justamente por ter portas de entrada no mercado legal.
Para lembrar
Documentário da OPIRJ registra luta contra estradas e ameaças na fronteira
O debate sobre o avanço do desmatamento, das estradas ilegais e das economias ilícitas na fronteira entre Acre e Ucayali também está no documentário “Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta”, lançado em 22 de setembro. A produção reúne relatos, documentos e registros da atuação da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá na defesa dos territórios indígenas e da floresta na região transfronteiriça.
O filme aborda a mobilização contra a proposta de rodovia entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, trata da estrada ilegal UC-105, entre Nueva Italia e Puerto Breu, e recupera decisões judiciais, estudos econômicos e alertas de lideranças sobre os impactos das vias em áreas indígenas, unidades de conservação e territórios de povos isolados. O documentário está disponível no canal do Épop no YouTube.
A reportagem também situou que a presença do Comando Vermelho no Peru não começou agora. Desde meados de 2015, a facção se expandiu pelo Amazonas, na disputa com o PCC e grupos locais, e se aproximou de rotas de fronteira ligadas a drogas e madeira. O que muda, segundo a apuração, é a consolidação do ouro como frente de lucro e de lavagem, com vantagens operacionais para organizações criminosas. A cientista política Omayra Peña Jimenez disse à Folha que o ouro se tornou mais atraente do que a cocaína por combinar alta de preço com um mercado formal que facilita a camuflagem da origem, e afirmou que grupos criminosos enxergaram no metal uma oportunidade de investimento que também permite lavagem de dinheiro.
No Abujão, afluente na região de Pucallpa, a mineração não é novidade, mas o avanço recente redesenhou a escala da pressão. A Folha relatou que o garimpo existe desde os anos 1980 e voltou a crescer com força nos últimos sete anos, impulsionado pela valorização do ouro, pela migração de criminosos após operações em outras áreas e pela redução da presença do Estado durante a pandemia. O biólogo Sidney Novoa, da Conservación Amazónica, disse que áreas de mineração que haviam sido abandonadas passaram a ser reativadas e que a retomada ganhou tração a partir de 2022.
A facção entra no enredo a partir de relatos e informações de inteligência citadas por autoridades. O procurador de meio ambiente de Pucallpa, José Luis Guzman, afirmou à Folha que passou a ouvir menções ao Comando Vermelho em depoimentos e apurações e descreveu uma mudança no fluxo: antes de 2020, garimpeiros chegavam do Abujão com pepitas; agora, o ouro teria deixado de abastecer joalheiros e compradores locais e passou a ser enviado a mineradoras com concessão, onde o metal ganha aparência de origem legal. Guzman afirmou que “o grosso do dinheiro vai para o Brasil” e que o grupo não investe na região, exceto em consumo imediato.
Segundo ele, a resposta oficial não acompanhou o ritmo do avanço. A Folha registrou que Guzman citou uma operação em 2020 para prender garimpeiros no Abujão, mas disse que o único flagrante foi revertido quando criminosos reagiram com tiros e que, após o recuo para planejar uma ação mais forte, a nova operação não ocorreu. No intervalo, a mineração se expandiu e passou a ameaçar áreas protegidas e territórios indígenas, incluindo a área de conservação Tamaya-Abujão, a reserva indígena Isconahua e o Parque Nacional Sierra del Divisor.
Os efeitos se acumulam em quem vive à margem do rio. A reportagem ouviu moradores que relataram piora na água e mudanças no tecido social, com aumento de prostituição e tráfico de pessoas, além de crescimento da violência e da intimidação armada. Andrés Gonzalez Torres, engenheiro nascido na comunidade de Santa Rosa de Tamaya Tipishca, disse que “a mineração degradou a qualidade da água” e associou a contaminação ao adoecimento de pessoas da região. Ele também descreveu a sensação de domínio armado em áreas sem fiscalização, com a presença de estranhos associada à entrada de armas e à imposição de regras de fora para dentro.
O avanço do ouro ilegal em Ucayali encaixa numa lógica que atravessa a fronteira do Acre: quando a fiscalização falha, a economia clandestina se expande, se especializa e passa a operar como cadeia, do abastecimento ao escoamento. É a mesma engrenagem que o Épop mostrou na reportagem publicada ontem sobre a pressão em Ucayali e o risco de interiorização do problema por rios e estradas, com alertas no eixo Yurúa–Juruá e no corredor da UC-105. A entrada do Comando Vermelho no circuito do ouro reforça essa leitura ao dar nome e método a um processo que, na prática, encurta a distância entre garimpo, lavagem e crime organizado em uma fronteira onde o custo de presença do Estado ainda é alto e o impacto ambiental é imediato.
🌿 Contexto relacionado · Meio Ambiente
Garimpo em Ucayali avança por rios e estradas no Yurúa — e acende alerta no Juruá, na fronteira do Acre
A expansão do garimpo ilegal de ouro no leste do Peru pressiona a fronteira acreana por duas rotas complementares:
a logística terrestre — mais visível em Madre de Dios — e a dinâmica fluvial em Ucayali, onde dragas e acampamentos
aparecem em afluentes remotos e se aproximam do vale do Juruá.
O Peru realizou 243 operações contra mineração ilegal entre janeiro e fevereiro de 2026, sem conter o deslocamento do garimpo para rios de difícil acesso.
Em Ucayali, a mineração se espalha por afluentes do rio Abujao — padrão que pulveriza o impacto e dificulta o monitoramento.
A estrada UC-105 (Nueva Italia–Puerto Breu), no distrito de Yurúa, é apontada por satélite como vetor de desmatamento e economias ilegais a poucos quilômetros do Brasil.
A Comissão Transfronteiriça Yurúa/Alto Tamaya/Alto Juruá pede posto de controle no Hito 38 e guarda indígena binacional para conter o avanço.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na noite de quinta-feira, 30 de abril de 2026, as linhas gerais de uma nova fase do Desenrola Brasil, com renegociação de dívidas, limite de juros e permissão para saque de parte do FGTS para quitar débitos, em uma tentativa de reduzir o endividamento das famílias e destravar consumo e atividade econômica. Hoje, 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Pelo desenho apresentado no pronunciamento, a adesão ao programa permitirá renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fies, com descontos que podem variar de 30% a 90% e financiamento com juros de até 1,99% ao mês. Lula afirmou que o participante poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para pagar as dívidas. “O programa vai permitir que os brasileiros e brasileiras endividados renegociem suas dívidas”, disse o presidente ao detalhar as modalidades alcançadas.
O governo também sinalizou uma trava voltada ao comportamento de consumo: segundo Lula, os inscritos no Novo Desenrola Brasil terão o acesso a plataformas de apostas online bloqueado por um ano, como forma de evitar que novas dívidas sejam contraídas com jogos. O detalhamento do pacote deve ocorrer na segunda-feira, 4 de maio, em Brasília, com a expectativa de contemplar devedores com renda de até cinco salários mínimos — patamar informado como R$ 8.105.
A principal engrenagem da medida será o uso do FGTS para o pagamento de dívidas. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, declarou que a nova etapa deve consumir cerca de R$ 4,5 bilhões do fundo, com um teto de R$ 8 bilhões, diante de um saldo total de R$ 705 bilhões, e que a transferência dos recursos ocorrerá pela Caixa Econômica Federal após a negociação entre o devedor e a instituição credora.
A pressão do crédito caro entrou no diagnóstico oficial. O uso do rotativo do cartão — uma das modalidades mais custosas do mercado — cresceu quase 10% no primeiro trimestre de 2026, movimento associado ao avanço do endividamento. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a pasta tratou do tema com presidentes dos principais bancos, incluindo Banco do Brasil e Caixa, e afirmou que o governo vai investir em “boas práticas” na oferta de crédito e em educação financeira.
O governo trabalha para incluir microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas na nova rodada do Desenrola. No recorte de pequenos negócios, o Sebrae informou que, desde 2024, viabilizou por meio do Fampe mais de 133 mil operações de crédito, que somaram R$ 11 bilhões em empréstimos, além de mais de 1 milhão de atendimentos de crédito assistido, alcançando 721 mil pequenos negócios. A estimativa mencionada para o alcance do pacote é de repactuação entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em dívidas.