Nesta segunda-feira, 23 de setembro, Rio Branco, capital do Acre, registrou o pior índice de poluição do ar entre as capitais brasileiras, de acordo com dados da plataforma IQAir. A medição, realizada às 7h, apontou um índice de 626, considerado perigoso para a saúde.
A plataforma, que é ligada à Organização das Nações Unidas e ao Greenpeace, monitora a qualidade do ar em tempo real. Segundo os dados, o ar em Rio Branco está 77,7 vezes mais poluído do que o nível considerado seguro por órgãos internacionais de saúde e meio ambiente.
A poluição do ar em Rio Branco tem sido intensificada principalmente pelo aumento das queimadas na região durante o período de seca. Esse fator, combinado com a falta de chuvas, tem agravado a qualidade do ar, colocando a população em risco, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Na última sexta-feira (13), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) deu um passo decisivo para a reparação histórica de uma das populações tradicionais mais impactadas pelo ciclo da borracha na Amazônia, aprovando as conclusões do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Nawa.
Com a assinatura do Despacho Decisório pela presidenta da Funai, Joenia Wapichana, a área deixa o status burocrático de reivindicação fundiária “em estudo” e passa a ser reconhecida pelo Estado brasileiro como terra indígena de ocupação tradicional delimitada.
Foto: Funai
Os números da demarcação:
Área delimitada: 65.159,27 hectares.
Localização: Municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no estado do Acre.
População: Mais de 300 pessoas, distribuídas em 96 famílias.
A professora e liderança Lucila da Costa Moreira Nawa resumiu o peso da decisão para a comunidade: “São mais de 20 anos para esse reconhecimento. É uma luta centenária do nosso povo e nunca baixamos a cabeça. Sempre corremos atrás dos nossos direitos”. Para o cacique Ilson Carneiro Nawa, o Railson, a assinatura representa um marco aguardado por gerações e uma vitória coletiva.
Lucila (Foto: Acervo Opirj)
O peso do passado: das “correrias” ao êxodo urbano
A aprovação do relatório coroa uma resistência que atravessa o tempo. De acordo com os registros em vídeo do cineasta e pesquisador Tarisson Nawa, o povo Nawa sofreu um violento processo de desterritorialização e apagamento impulsionado pela economia seringalista.
No passado, os indígenas viviam em grandes malocas organizadas no interior da floresta. Com a chegada dos patrões da borracha, a população foi alvo das chamadas “correrias”, expedições armadas que visavam exterminar lideranças e escravizar os sobreviventes para o trabalho pesado nos seringais. Submetidos a cobranças abusivas de renda pela borracha extraída e sofrendo ameaças de morte, muitos indígenas foram forçados a abandonar suas terras de origem.
Esse êxodo empurrou dezenas de famílias para as periferias de cidades acreanas. No contexto urbano, além da pobreza, enfrentaram um forte racismo estrutural que tentou invalidar a identidade dos indígenas que não viviam mais isolados na mata. Apesar desse cenário hostil, a cultura Nawa sobreviveu, sendo preservada especialmente pelas mulheres nas tradições da cerâmica, utilizando o barro e as cinzas da árvore carité, saberes que hoje são o pilar da retomada cultural nas escolas e nas aldeias.
A floresta como escudo: rodovias e as novas ameaças no Juruá
A regularização da TI Nawa, que agora avança para as próximas fases administrativas, ganha urgência diante do avanço de projetos de infraestrutura que ameaçam o Vale do Juruá, ela está encravada nos municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves, estrategicamente posicionada em uma das áreas de maior pressão ambiental e cobiça da Amazônia atual.
O documentário Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta, produzido pelo jornalista Arison Jardim, com apoio da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj) joga luz sobre as severas pressões de um modelo de desenvolvimento predatório nessa região da fronteira. O maior foco de tensão é a tentativa de construção de uma rodovia ligando Cruzeiro do Sul, no Acre, a Pucallpa, no Peru.
O trajeto previsto para a obra cortaria ao meio o Parque Nacional da Serra do Divisor, uma unidade de conservação de proteção integral reconhecida por abrigar uma das maiores biodiversidades do estado. O asfalto rasgaria um corredor ecológico vital, impactando diretamente um mosaico de terras indígenas no Vale do Juruá, incluindo as áreas de fronteira e o território de retomada do povo Nawa, além de atingir comunidades extrativistas e colocar em risco extremo populações indígenas em isolamento voluntário.
Estudos da Universidade Federal do Acre (Ufac), citados pelo documentário, alertam que a rodovia comprometeria de forma irreversível a conectividade da floresta. Ao invés de impulsionar o desenvolvimento econômico local, a obra funcionaria como um vetor rápido de degradação. O avanço da infraestrutura nessas condições facilita a grilagem de terras, a extração ilegal de madeira e abre rotas diretas para a expansão do narcotráfico, ameaçando cercar os territórios tradicionais recém-regularizados com violência e desmatamento.
Foto: Arison Jardim
Principais alertas levantados no documentário da Opirj:
Suspensão Judicial: Em 2023, a Justiça Federal do Acre suspendeu a contratação de estudos para a obra, acatando ação do Ministério Público Federal (MPF) e de organizações indígenas. A justificativa foi a ausência de consulta prévia, livre e informada, regra exigida pela Convenção 169 da OIT.
Riscos Comprovados: Estudos técnicos apontam que a estrada não possui viabilidade econômica e causaria prejuízos sociais estimados em mais de R$ 1 bilhão. Apenas no lado peruano, a previsão seria de 24 mil hectares de floresta desmatada.
Avanço do Crime: Experiências na fronteira peruana mostram que a abertura de estradas nessas condições atrai a exploração ilegal de madeira, a grilagem de terras e serve de rota logística para o narcotráfico, aumentando a violência contra as comunidades locais.
Como reforça o líder indígena Francisco Piyãko no documentário, a luta dos povos originários não é contra o progresso, mas a favor da legalidade e da vida. A demarcação de territórios como o do povo Nawa fortalece uma realidade cientificamente comprovada: as terras indígenas são hoje as áreas com a floresta mais bem protegida, servindo de barreira essencial contra o colapso ambiental na Amazônia.
Autodemarcação e gestão integrada: a linha de frente na proteção da vida
A longa espera pela assinatura da Funai não significou inércia para o povo Nawa. De acordo com levantamento e informações divulgadas pela Comissão Pró-Índios do Acre (CPI-Acre), desde 2021 a comunidade assumiu a linha de frente da defesa de suas terras por meio de um processo rigoroso de autodemarcação e monitoramento territorial. As expedições de vigilância, que chegam a durar semanas em bases construídas no interior da mata, ganharam recentemente o reforço estratégico de lideranças do povo vizinho Nukini.
A defesa dessa área, que tem relação direta com o Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), evoluiu para uma gestão integrada. Desde 2023, os Nawa firmaram uma parceria tática com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os indígenas passaram a instalar “armadilhas fotográficas” em pontos críticos do território. As câmeras escondidas servem a um duplo propósito: registrar a recuperação da fauna local e flagrar ilícitos, municiando a fiscalização contra a invasão de caçadores e madeireiros.
Foto enviada pelo grupo Nawa de monitoramento e vigilância
As incursões de monitoramento reforçaram também a urgência da proteção da região para além dos povos contatados. Durante as atividades de vigilância documentadas pela CPI-Acre, os Nawa relataram ter encontrado rastros recentes e ouvido assovios que confirmam a presença e o trânsito de grupos indígenas em isolamento voluntário dentro do território.
Diante das pressões do narcotráfico e das ameaças de grandes obras rodoviárias na fronteira com o Peru, a demarcação e a vigilância constante tornam-se uma questão de sobrevivência imediata. Como resumiu o cacique Railson Nawa à equipe da CPI-Acre, justificando a aliança entre os povos indígenas da região: “A proteção não é só do território, mas é da vida. Começa desde a nossa vida, se nós não proteger, vamos ser mortos”.
A despedida do indigenista Antônio Luiz Batista de Macêdo, eternizado como Txai Macedo, ocorrida neste 15 de fevereiro, ecoou com força nas águas e nas matas do Acre. Mais do que o luto pela perda de um dos maiores arquitetos da política socioambiental da Amazônia, o momento tem sido marcado por um forte senso de responsabilidade entre as populações tradicionais. Em uma carta aberta carregada de emoção e peso histórico, Francisco Piyãko, principal liderança do Povo Ashaninka da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, transformou a dor da perda em um compromisso inegociável com o futuro do Vale do Juruá.
Na nota, Piyãko resgata o cenário brutal das décadas de 1970 e 1980, período em que o Juruá era marcado pela invisibilidade e pela violência imposta pelo avanço de madeireiros e pecuaristas. Foi nesse contexto que Txai Macedo se agigantou, sendo a peça-chave para costurar a improvável e histórica união entre indígenas e seringueiros, que culminou na criação da Aliança dos Povos da Floresta.
“As conquistas que temos hoje na região do Juruá, como a demarcação de nossos territórios e a criação das primeiras Reservas Extrativistas, têm as digitais, o suor e a coragem dele”, atesta a liderança Ashaninka.
Respeito ancestral e herança viva
Para além das demarcações e da luta política que expulsou invasores e garantiu a floresta em pé, o texto de Francisco Piyãko lança luz sobre a dimensão humana e espiritual de Macedo. O indigenista é lembrado não como um tutor do Estado, mas como um irmão que soube valorizar a identidade e o conhecimento tradicional.
“Ele sentou conosco, bebeu do nosso Kamarãpy, ouviu os nossos pajés e nos ajudou a traduzir a nossa voz para o mundo. Se hoje a Apiwtxa é forte […] é porque lá atrás, nos momentos mais sombrios, tivemos a mão estendida de um verdadeiro ‘Txai’”, relata Piyãko, recordando que a palavra significa “metade de nós mesmos”.
Em um dos trechos mais fortes do documento, a liderança redefine quem são os herdeiros do legado deixado pelo indigenista. Ampliando a ideia de uma sucessão, Piyãko convoca as lideranças locais a assumirem a linha de frente: “A continuidade dessa luta não é uma herança de sangue, mas uma herança de propósito. As conquistas que ele fez, com tanta intensidade e força, foram entregues a nós. Portanto, quem é a herança viva do Txai Macedo agora? Somos nós, as nossas lideranças. É o povo indígena e são os povos extrativistas.”
O voo do Japó
O documento é encerrado com uma profunda reverência à cosmologia Ashaninka, indicando que a presença de Macedo transcende a existência física. Reconhecido como um txaiwa pelo povo, Macedo agora é visto como um espírito protetor.
“Ele virou um Japó. A gente quer ele do nosso lado, voando como um Japó, para sempre guiar a gente. Ele não está partindo, ele está vindo para nós agora, em espírito, para continuar essa caminhada”, finaliza a nota.
O Arquiteto da Resistência no Vale do Juruá e o Guardião da Floresta
Para entender a dimensão da perda de Antônio Luiz Batista de Macêdo, é preciso revisitar a história recente da Amazônia acreana. Nascido em 7 de maio de 1952, na colocação Bagaceira, no Seringal Transval (às margens do Rio Muru, em Tarauacá), Macedo foi, antes de tudo, um filho da dura realidade do sistema de aviamento e dos seringais. Sua trajetória de vida se confunde com a própria transição do Acre: de um estado dominado por coronéis da borracha e fazendeiros do sul para um território reconhecido mundialmente por sua política socioambiental.
Nas décadas de 1970 e 1980, o Estado brasileiro operava sob uma premissa perigosa no Acre: a negação oficial da existência de povos indígenas, tratando as terras como “vazios demográficos” prontos para o avanço das frentes de expansão madeireira e pecuarista. As populações tradicionais viviam sob ameaça constante das “correrias”, expedições punitivas e violentas.
Foi nesse cenário de extermínio iminente que Macedo iniciou sua atuação indigenista. Como servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), onde dedicou mais de 40 anos de sua vida, e como um dos fundadores da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre) em 1978, ao lado de nomes como Terri Valle de Aquino, ele começou a reverter a invisibilidade dos povos originários do Juruá. Macedo foi fundamental na identificação e demarcação de cerca de 50 Terras Indígenas no estado.
A costura improvável: A Aliança dos Povos da Floresta
Historicamente, o sistema de exploração dos seringais colocava indígenas e seringueiros como inimigos mortais. A genialidade política e diplomática de Macedo, unindo forças com líderes como Chico Mendes e Ailton Krenak, foi transformar essa rivalidade em união. Ele foi um dos grandes articuladores da Aliança dos Povos da Floresta, unificando as pautas de todos aqueles que dependiam da floresta em pé para sobreviver.
Após o assassinato de Chico Mendes em 1988, Macedo assumiu a linha de frente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) no Juruá. Foi dessa articulação que nasceu a Reserva Extrativista (Resex) do Alto Juruá, a primeira do Brasil e do planeta, um modelo inovador que garantiu às populações o direito à terra e ao uso sustentável dos recursos, barrando a especulação fundiária. Em 1995, para consolidar essas conquistas, ele fundou a Fundação Txai, garantindo apoio institucional e autonomia econômica às comunidades.
A Batalha do Rio Amônia e a ponte para o mundo
O trabalho de Macedo ia muito além dos gabinetes; acontecia nos varadouros e rios. Um dos marcos de sua atuação foi o combate à invasão de madeireiros brasileiros e peruanos no território Ashaninka, no Rio Amônia. Atendendo a um pedido de socorro do então jovem Francisco Piyãko, Macedo organizou a resistência que, anos mais tarde, resultaria na expulsão dos invasores e em condenações históricas na Justiça.
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Sabendo que a causa precisava de visibilidade, em 1990 ele guiou o cantor Milton Nascimento em uma expedição pelo Juruá, que resultou no lendário álbum “Txai”. O disco levou a estética, a luta e a palavra Txai para o topo das paradas mundiais e para a consciência nacional.
O Alerta de um Guardião: Ameaças Contemporâneas
Em uma de suas falas mais contundentes, registrada no palco do TEDxAmazônia, Txai Macedo fez questão de lembrar que a sobrevivência na floresta exigiu sacrifícios extremos, revelando ter sobrevivido a cerca de oito atentados de morte para garantir os direitos dos seringueiros. Para ele, os territórios conquistados com muito suor e sangue enfrentam hoje ameaças severas que não podem ser ignoradas.
Macedo denunciou veementemente projetos como a abertura de uma estrada ligando Cruzeiro do Sul a Pucallpa, no Peru, alertando que a obra cortaria o Parque Nacional da Serra do Divisor e abrirá caminho para a devastação desordenada, impulsionada pela soja, pecuária, exploração madeireira, além de gás e petróleo nas nascentes dos rios.
Mais do que criticar grandes obras, ele deixou um aviso pragmático e urgente: é preciso sair do discurso teórico e levar apoio financeiro real às comunidades. Ele alertou que, se a miséria chegar e apertar, as próprias populações tradicionais podem se ver forçadas a se tornarem predadoras do próprio ambiente, aderindo ao garimpo e à extração ilegal de madeira. Como o próprio Macedo resumiu brilhantemente ao pedir socorro estrutural para a Amazônia: ele sabia pescar e caçar desde criança, mas dependia do apoio real da sociedade e de investimentos para encontrar os recursos financeiros necessários para manter as populações como verdadeiras guardiãs da floresta.
A ciência da floresta e o legado imaterial
A influência de Macedo transcendeu a militância e alcançou a academia. Ele foi o co-idealizador da monumental Enciclopédia da Floresta (2002). Em parceria com antropólogos de peso, a obra de mais de 700 páginas sistematizou os saberes biológicos e práticos de indígenas e seringueiros, provando que aquelas populações eram verdadeiros cientistas de seu ecossistema.
Até seus últimos dias, Txai Macedo lutou contra o apagamento da memória e defendeu a evolução cultural sem a perda das raízes ancestrais. Ao se despedir neste 15 de fevereiro de 2026, Txai Macedo não deixa apenas um legado de terras demarcadas, mas a prova viva de que a resistência, o respeito e a aliança podem reescrever a geografia e a história de um estado.
O Brasil caminha para fechar o ano de 2026 com o menor índice de desmatamento na Amazônia Legal em quase quatro décadas, segundo projeção anunciada nesta semana, em Brasília, pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A estimativa tem como base os relatórios do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que indicam uma queda contínua nos alertas de devastação nos últimos meses. O marco reflete o impacto das operações de fiscalização em campo e da aplicação de embargos remotos em áreas de supressão vegetal recente, alterando a dinâmica de ocupação do bioma.
Os satélites do Inpe registraram uma redução de 35% na área sob alerta de desmatamento no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, em comparação com os mesmos meses do ciclo anterior. Desde o início da série histórica, em 1988, o monitoramento documentou picos de devastação nos anos 2000 e uma retomada das derrubadas na última década. A inversão dessa curva resulta da retomada das autuações por órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atuam no bloqueio de frentes de grilagem e na contenção da extração de madeira ao longo de rodovias e terras protegidas.
Em sua avaliação sobre o cenário, a ministra pontuou o peso das ações de controle. “Os resultados consolidados dos últimos seis meses nos permitem afirmar que há uma forte tendência de que o país encerre o ano com o menor índice de desmatamento de toda a nossa série histórica”, declarou Marina Silva.
A retração nos índices de perda florestal altera a posição do país nas negociações climáticas globais, com a redução das emissões de gases de efeito estufa e a abertura de novos canais para o financiamento da bioeconomia.
No cenário produtivo da região amazônica, a queda na derrubada gera consequências comerciais diretas para os proprietários rurais com áreas embargadas. A intensificação da fiscalização impõe ao setor agropecuário a adoção acelerada de sistemas de rastreabilidade, uma exigência para garantir a origem legal de produtos de exportação, como a carne bovina e a soja, e evitar bloqueios nos mercados internacionais.