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MEIO AMBIENTE

Calculadora nacional aprimora estimativas de emissões por uso da terra e apoia ações de justiça climática

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A nova versão da Calculadora de Carbono por Uso da Terra (CCAL), desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), será lançada no dia 10 de outubro, em Brasília. A ferramenta online de acesso público permite calcular emissões e estoques de carbono resultantes do desmatamento e da degradação florestal em todo o território brasileiro, com base em dados oficiais e metodologias reconhecidas internacionalmente.

Criada em 2015, a CCAL foi concebida para apoiar políticas públicas de mitigação das mudanças climáticas e é atualizada de forma contínua para refletir as condições ambientais do país. A plataforma utiliza informações de sistemas como o Prodes e o Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a rede MapBiomas e o Quarto Inventário Nacional de Emissões. Com esses dados, a ferramenta estima o carbono estocado e as emissões decorrentes da perda de vegetação nativa, permitindo o monitoramento de áreas específicas e o estabelecimento de linhas de base estaduais para metas de redução de emissões.

A versão 2.0 incorpora três módulos principais. O primeiro segue as diretrizes do Nível de Referência de Emissões Florestais (FREL) do Brasil, que adota padrões metodológicos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O segundo módulo, chamado FREL Adaptado, amplia o escopo da análise ao incluir as emissões geradas por incêndios em vegetações savânicas, uma lacuna reconhecida nas metodologias anteriores. Já o terceiro módulo, QCN/MapBiomas, considera processos de degradação de longo prazo e a regeneração de vegetação secundária, além de contabilizar emissões imediatas por combustão em formações campestres.

Além dos cálculos de emissões, a plataforma oferece o módulo adicional “Dano Climático”, utilizado para estimar o valor monetário das emissões de dióxido de carbono associadas a eventos de desmatamento. Essa funcionalidade, reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça, permite calcular o prejuízo ambiental com base na densidade de carbono da vegetação e em valores internacionais de referência, fornecendo subsídios técnicos para processos judiciais e políticas públicas de responsabilização por danos ambientais.

Segundo o IPAM, a CCAL é uma ferramenta técnico-científica voltada à transparência e ao fortalecimento da governança climática. “A plataforma permite transformar dados complexos em informações acessíveis para apoiar decisões e ações de conservação”, destacam as pesquisadoras Bárbara Zimbres e Lívia Laureto, autoras da metodologia. Os cálculos são processados em ambiente de geoprocessamento no Google Earth Engine, integrando dados espaciais e temporais para estimar as emissões em diferentes biomas brasileiros.

As estimativas da CCAL seguem as diretrizes da Quarta Comunicação Nacional sobre Mudança do Clima e não têm caráter pericial, devendo ser interpretadas por profissionais qualificados e usadas em conformidade com acordos de cooperação técnica quando aplicadas por órgãos públicos.

Acesse >> https://carboncal.org.br/pt/home

MEIO AMBIENTE

Governo do Acre abre edital para recuperação de áreas degradadas e enfrentamento de extremos climáticos

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Organizações da sociedade civil ligadas à proteção ambiental e ao fomento da produção rural sustentável já podem submeter propostas para executar projetos de recuperação de áreas degradadas no Acre. O governo estadual publicou nesta segunda-feira (9), no Diário Oficial do Estado, o Edital de Chamamento Público nº 01/2026. A medida busca criar defesas práticas contra extremos climáticos e impulsionar sistemas produtivos ecologicamente equilibrados em territórios dedicados à agricultura familiar.

A seleção ocorre sob as diretrizes do Programa Global REDD for Early Movers – REM Acre Fase II. Os projetos selecionados vão firmar Termos de Colaboração com o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) para acessar recursos de fundos internacionais. O escopo das ações engloba a implantação de sistemas agroflorestais, a mecanização focada na revitalização do solo e a aquisição de mudas para cultivos perenes. A estruturação hídrica das propriedades rurais também compõe o eixo do programa, com a previsão de construção de açudes, perfuração de poços e montagem de redes de irrigação. As frentes de trabalho miram a redução frontal das taxas de desmatamento e a queda das emissões de gases de efeito estufa.

A ampliação da rede de parcerias transfere parte da execução das políticas climáticas para organizações com presença consolidada nas zonas de manejo e produção agrícola. “Este edital representa um passo importante para ampliar as ações do governo e do Programa REM Acre Fase II junto às comunidades e produtores familiares”, afirmou a presidente do IMC, Jaksilande Araújo.

A aplicação desses recursos transforma a base econômica das regiões atendidas ao substituir atividades degradantes por alternativas de cultivo conservacionista e rentável. Ao subsidiar a transição para modelos agrossilvipastoris, as comunidades rurais ganham infraestrutura e suporte técnico para proteger suas lavouras contra secas prolongadas e chuvas atípicas. A consolidação dessas práticas blinda a cobertura florestal remanescente, freia o avanço da fronteira agrícola e fixa as famílias produtoras no campo com segurança hídrica e alimentar.

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MEIO AMBIENTE

MPF denuncia dois homens por invasão, desmatamento e pecuária ilegal na Resex Chico Mendes, no Acre

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O Ministério Público Federal denunciou dois homens por crimes ambientais e ocupação irregular dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre, após investigação que levou à apreensão de mais de 1.400 cabeças de gado mantidas na área protegida e no entorno da unidade.

A acusação aponta invasão de terras da União inseridas na Resex, inserção de informações falsas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de danos ambientais ligados a desmatamento e uso de fogo. A denúncia inclui ainda a manutenção irregular de rebanho bovino em área protegida e em áreas adjacentes, atividade considerada incompatível com o regime de proteção da reserva.

Além das penas previstas para os crimes listados, o MPF pediu à Justiça Federal que determine a desocupação das áreas pelos denunciados e que eles sejam proibidos de exercer atividades econômicas incompatíveis com os objetivos da unidade de conservação, como a agropecuária.

No mesmo caso, outros três investigados firmaram acordos de não persecução penal após confessarem formalmente os fatos e assumirem obrigações voltadas à reparação dos danos e à regularização ambiental. Entre as medidas previstas estão adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), apresentação de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADA), recomposição de áreas de preservação permanente e de reserva legal, cumprimento de termos de compromisso ambiental com a autoridade estadual e entrega de bens no valor de R$ 250 mil ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para reforçar fiscalização e gestão da reserva.

Para o MPF, “a celebração dos acordos integra a estratégia institucional de priorizar a reparação efetiva do dano ambiental e a responsabilização adequada dos envolvidos, sem prejuízo da tutela judicial, quando necessária”.

O avanço do processo pode resultar em ordens de retirada de ocupantes, restrições a atividades econômicas e novas medidas de recuperação ambiental, com impacto direto na proteção da Resex e na pressão sobre áreas destinadas ao extrativismo e ao uso sustentável por populações tradicionais.

Foto: Secom/AC

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MEIO AMBIENTE

Seca extrema revela recifes inéditos de ostras de água doce no rio Muru no Acre

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A seca histórica que atingiu a Amazônia baixou o nível do rio Muru, no município de Tarauacá, no Acre, e deixou expostas plataformas de calcário cobertas por agregações densas da ostra de água doce Bartlettia stefanensis. O fenômeno revelou pequenos recifes formados pelos moluscos, um habitat aquático até então desconhecido na região, que ficou visível com a retração severa das águas durante os meses de estiagem excepcional.

Os blocos de calcrete afloraram e mostraram uma formação estrutural sem precedentes para a bacia amazônica. As ostras formaram colônias fixadas exclusivamente nesse tipo de solo rochoso, ignorando troncos submersos ou estruturas metálicas próximas. A presença dos animais agrupados em forma de recife mudou a percepção sobre a ecologia bentônica da área. “O rio estava muito baixo e os afloramentos de calcrete chamavam a atenção, até que notei que havia conchas em alguns. Sou do litoral de São Paulo e conheço bem bancos de ostras e mexilhões. Quando vi aquilo, pensei: o que isso está fazendo aqui?”, relata o biólogo Fabio Olmos.

A descoberta mobilizou especialistas para documentar a estrutura biológica diretamente no leito do rio. A formação densa e concentrada exigiu uma varredura nas informações existentes sobre o ecossistema local para compreender a magnitude do cenário. “Eu nunca havia ouvido falar em bancos ou recifes de ostras na Amazônia. Documentamos o achado e, ainda em campo, consultamos colegas e a literatura científica. Não encontramos nada sobre esses recifes de ostras expostos ali”, acrescenta Olmos.

A repetição de secas prolongadas ameaça a sobrevivência da espécie a médio e longo prazo. As alterações bruscas na hidrologia local elevam a frequência de mortalidade em massa das ostras e dificultam a recolonização dos habitats afetados pelas variações climáticas. O cenário força uma reavaliação urgente do status de conservação da Bartlettia stefanensis e de outras espécies da fauna de água doce, exigindo novas medidas de monitoramento para proteger ecossistemas que correm o risco de colapsar.

Fonte: https://oeco.org.br/ – Foto: Fabio Olmos

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