Ruan Brasil, professor da Escola de Gastronomia e Hospitalidade da Rede Ieptec, foi reconhecido entre os 1000 melhores padeiros do Brasil, em 2024. O título foi concedido pela Revista Panificação Brasileira, que premia profissionais de destaque na área.
Com uma trajetória iniciada como menor aprendiz em uma rede de supermercados de Rio Branco, Ruan se formou em Gastronomia em 2022 e, desde então, vem se destacando no cenário culinário local e nacional. Além de sua formação acadêmica, ele acumula diversas especializações em panificação e confeitaria, com foco em fermentação natural e cozinha regional.
O professor e chef atribui o sucesso a mentores que encontrou ao longo do caminho, além de sua dedicação ao aperfeiçoamento constante. Ruan Brasil também se destaca por seu trabalho como educador, compartilhando sua experiência com alunos da Escola de Gastronomia da Rede Ieptec, onde ministra aulas práticas e teóricas.
A coordenadora da escola, Marineide Diógenes, ressaltou que o reconhecimento recebido por Ruan reforça o compromisso da instituição com a formação profissional de excelência. O prêmio, segundo ela, é motivo de orgulho para toda a equipe da escola.
O Prêmio 1000 Melhores Padeiros do Brasil é considerado um dos mais importantes do setor e avalia tanto habilidades técnicas quanto aspectos comportamentais dos profissionais. A premiação valoriza aqueles que contribuem para o desenvolvimento da panificação no país, destacando talentos em ascensão.
A Praça da Revolução, no centro de Rio Branco, virou neste sábado (13) o principal ponto de encontro popular da capital, ao reunir no mesmo espaço a transmissão da estreia da Seleção Brasileira contra Marrocos na Copa do Mundo de 2026 e a programação do 18º Circuito Junino. A agenda colocou lado a lado duas manifestações de forte apelo popular: a torcida pelo Brasil e a tradição das quadrilhas juninas, com presença de famílias, vendedores, artistas, brincantes e torcedores ao longo do dia.
Desde a tarde, o movimento começou a crescer no entorno da praça para a campanha “Rio Branco Torce Junto”, organizada pela Prefeitura de Rio Branco. A estrutura contou com telão, palco, banheiros químicos, distribuição de água, segurança e áreas preparadas para receber famílias, idosos, crianças e pessoas com deficiência. A ideia da gestão municipal é fazer do espaço uma referência de convivência durante os jogos da Copa, especialmente pela localização central e pelo acesso gratuito à programação.
O prefeito Alysson Bestene tem tratado a ocupação da Praça da Revolução como uma marca de sua administração. Em falas públicas e publicações nas redes sociais, ele defendeu o uso do espaço como ponto de encontro da população, reunindo esporte, cultura, lazer e valorização das tradições populares. Ao comentar a estreia brasileira, o prefeito apostou no simbolismo da praça para a campanha da Seleção. “Tenho certeza de que a Praça da Revolução será pé-quente para o Brasil chegar ao Hexa”, afirmou.
A transmissão de Brasil x Marrocos puxou a programação da tarde. A partida marcou a estreia brasileira na Copa do Mundo de 2026 e levou torcedores ao centro da cidade antes do início do jogo. Em vez de espalhar pequenos pontos de exibição, a prefeitura concentrou a estrutura no coração de Rio Branco, com abertura da programação a partir das 15h.
Quando o clima de Copa perdeu força, a Praça da Revolução passou a receber o público do São João. O 18º Circuito Junino de Rio Branco, aberto oficialmente na sexta-feira (12), segue neste fim de semana com apresentações de quadrilhas, concursos culturais, comidas típicas e participação de torcidas organizadas. O evento é realizado pela Liga de Quadrilhas Juninas do Acre, em parceria com a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Fundação Garibaldi Brasil.
Na abertura do circuito, Alysson Bestene falou sobre o peso cultural das quadrilhas para os bairros e para a identidade da cidade. “É uma tradição cultural. Estamos no 18º circuito, com quadrilhas que já representaram Rio Branco em nível nacional. Isso demonstra as nossas raízes, a nossa cultura e a importância que esse movimento tem para as comunidades”, disse. O prefeito também lembrou que os grupos trabalham durante todo o ano na preparação de figurinos, alegorias, coreografias e estruturas, o que movimenta uma rede de trabalhadores da cultura popular.
A festa também tem impacto econômico direto. Além das quadrilhas e dos artistas, a programação mobiliza vendedores ambulantes, trabalhadores da alimentação, costureiras, cenógrafos, músicos, produtores culturais e equipes de apoio. O circuito deste ano foi lançado com investimento de R$ 600 mil e terá duas etapas: a primeira na Praça da Revolução, entre os dias 12, 13 e 14 de junho, e a fase final no Quadrilhódromo, nos dias 19, 20 e 21.
O ex-prefeito Tião Bocalom também entrou no clima da Copa pelas redes sociais. Em publicação registrada pelo portal O Rio Branco, ele brincou que havia aceitado uma “convocação” de Vini Jr. e chamou a população para torcer pelo hexa. “Hoje o Brasil jogará junto! Serão mais de 200 milhões de corações pulsando pela nossa seleção”, escreveu. A manifestação foi direcionada à Seleção Brasileira, sem relação direta com a programação municipal montada na Praça da Revolução.
Com telão, Copa, quadrilhas e comércio popular, a Praça da Revolução voltou a cumprir uma função que vai além da passagem diária pelo centro. Neste sábado, o espaço reuniu arquibancada, arraial e convivência pública no mesmo endereço. A programação aproximou o futebol da cultura popular e reforçou a praça como território de lazer, encontro e presença das famílias rio-branquenses.
A Prefeitura de Rio Branco realiza neste sábado, 13 de junho, a terceira edição do Saúde Rural na Escola Municipal Francisco Cândido Xavier, na Vila Custódio Freire, no Ramal Castanheta, com previsão de atendimento a cerca de 300 famílias da zona rural. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde, foi montada para ampliar o acesso da população a serviços básicos e reforçar medidas de prevenção em comunidades mais distantes da área urbana.
A programação vai das 8h às 14h e inclui consultas médicas, atendimentos de enfermagem e odontologia, além de pré-natal, PCCU e inserção de Implanon. Também serão oferecidos aferição de pressão arterial e glicemia, testes rápidos, vacinação, entrega de medicamentos, regulação de exames, vacinação de cães e gatos e acompanhamento das condicionalidades do Bolsa Família.
A mobilização terá ainda ações de controle de endemias, com foco em malária e leishmaniose, além de práticas integrativas, como ventosaterapia e auriculoterapia. Segundo o secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, a proposta é levar atendimento para áreas mais afastadas e aproximar os serviços públicos dos moradores da zona rural.
A queda da Ponte Frei Paolino Baldassari, em 5 de junho de 2026, em Sena Madureira, trouxe para o centro da investigação uma pergunta que agora pesa sobre o poder público, a construtora e os órgãos de fiscalização: por que uma obra contratada para ligar o Centro ao Segundo Distrito não resistiu justamente em uma região onde o Serviço Geológico do Brasil já havia mapeado risco muito alto de erosão fluvial e “terras caídas” nas margens do Rio Iaco?
O alerta não nasceu depois do desabamento. Em outubro de 2015, o Serviço Geológico do Brasil, antiga CPRM, fez em Sena Madureira uma ação emergencial para delimitar áreas de alto e muito alto risco a enchentes, inundações e movimentos de massa. O trabalho foi assinado pelos geólogos José Antônio da Silva e Renato Ribeiro Mendonça, ligados ao órgão federal vinculado ao Ministério de Minas e Energia, e percorreu os pontos urbanos mais vulneráveis à força do Rio Iaco.
Sena Madureira cresceu encostada no rio. Essa relação sustenta a vida cotidiana, a travessia, o comércio e a memória da cidade, mas também cobra um preço técnico conhecido há anos. O levantamento federal reconheceu nove setores de risco no município. Quatro estavam ligados a inundações. Outros cinco envolviam erosão fluvial do tipo “terras caídas”, fenômeno comum na Amazônia, quando o barranco perde sustentação, racha, escorrega e desaba sob a força combinada da cheia, da vazante e da fragilidade do solo.
Entre esses pontos, o setor AC_SENAMAD_SR_8_CPRM aparece como um dos mais sensíveis. A área fica na margem direita do Rio Iaco, no Segundo Distrito, e recebeu classificação de risco muito alto para erosão fluvial do tipo “terras caídas”. A estimativa técnica tratava de 45 imóveis e 180 pessoas em situação de risco. Não era uma advertência abstrata sobre a Amazônia. Era um recorte urbano, com endereço, margem definida e população exposta.
O comportamento do Rio Iaco ajuda a entender a gravidade do caso. Ele é um rio meandrante, marcado por curvas que concentram erosão em alguns pontos e deposição de sedimentos em outros. Nas margens mais castigadas pela correnteza, o barranco sofre desgaste constante. Depois das cheias, os sedimentos argiloarenosos ficam encharcados. Quando o nível da água baixa, o solo perde sustentação e pode ceder em blocos, abrindo fendas, derrubando taludes e arrastando o que estiver perto demais da borda.
No setor 08, a equipe técnica encontrou escarpas íngremes formadas pela erosão fluvial, ocupações próximas ao topo do barranco e sinais de agravamento. Havia registro de trincas perto de residências, além de áreas sujeitas a inundações e solapamentos. Para quem mora à beira do Iaco, esses sinais não são termos de engenharia. São rachaduras no chão, portas que deixam de fechar, quintais que diminuem depois de cada cheia e o medo de acordar com a terra indo embora.
As recomendações federais eram diretas. A população deveria ser retirada das áreas de risco. As margens precisavam de recuperação vegetal. A drenagem urbana teria de ser melhorada. Novas ocupações em áreas de inundação deveriam ser controladas. Sistemas de alerta para chuvas anormais e cheias também deveriam ser implantados. O próprio estudo tratava obras de contenção em rios amazônicos de grande vazão como soluções caras e de vida útil curta. A alternativa mais segura, naquele cenário, era afastar famílias e estruturas permanentes das zonas mais instáveis.
Depois da queda da ponte, esse histórico passou a ter peso jurídico. Em decisão divulgada pelo Tribunal de Justiça do Acre, o juiz Caique Cirano Di Paula, da Vara Cível de Sena Madureira, considerou que estudos técnicos anteriores do Serviço Geológico do Brasil já tratavam a região como área exposta a erosão fluvial e “terras caídas”. Para a Justiça, esse dado fragiliza, neste primeiro momento do processo, a versão de que o desabamento teria sido provocado apenas por um fenômeno natural imprevisível.
A decisão autorizou o arresto de bens da Construtora Cidade Ltda. até o limite de R$ 36 milhões, valor correspondente ao contrato da obra. A medida alcança bens móveis, imóveis e participações societárias, mas deixou fora contas bancárias e ativos financeiros de liquidez imediata. A Justiça também manteve a suspensão de pagamentos e contratos públicos estaduais com a empresa, providência já adotada administrativamente pelo governo.
O Estado ainda terá de preservar todos os documentos físicos e digitais ligados à ponte, incluindo projetos, relatórios de fiscalização, medições e registros técnicos. A ordem busca impedir que provas se percam no intervalo entre o desabamento, a perícia e a apuração das responsabilidades. O Ministério Público do Acre ajuizou a ação cautelar para garantir recursos a uma eventual reparação dos danos e resguardar documentos capazes de reconstruir a história técnica da obra, da contratação à queda.
Foto: Pedro Devani/Secom
A Justiça também determinou a apresentação das apólices dos seguros, do laudo oficial de engenharia sobre as causas do desabamento e do relatório de dano ambiental elaborado pelo Imac. Em outra frente, Estado e Construtora Cidade deverão entregar, em 30 dias, um plano conjunto para desobstruir a área e reconstruir a ponte. O Deracre terá de apresentar um cronograma de ações emergenciais e garantir uma balsa gratuita para a travessia entre o Centro e o Segundo Distrito.
O estudo federal de 2015 não está sozinho nessa linha do tempo. O É Pop já mostrou que o material-base do Deracre usado na contratação da ponte mencionava a existência de “grande erosão no barranco do Rio”, com atenção especial para a margem esquerda, onde havia “grandes erosões”. Outro documento do projeto, o memorial dos acessos, registrava que a drenagem levou em conta as condições topográficas, climáticas e os tipos de solo ao longo do barranco, área que “já tem provocado grandes erosões, com escorregamentos”.
Há uma questão que atravessa o processo e ainda precisa ser respondida com documentos, cronologia e responsabilidade administrativa: o governo do Estado levou em conta a recomendação federal antes de iniciar a obra? Em 2015, o Serviço Geológico do Brasil tratou a retirada de pessoas e estruturas das áreas de risco como caminho mais seguro diante da instabilidade das margens do Rio Iaco. Anos depois, a decisão pública foi erguer uma ponte justamente em uma região marcada por erosão, escorregamentos e “terras caídas”. A obra não nasceu pequena. Somados contrato, aditivos, serviços associados e custos revelados pelo É Pop, chegou perto de R$ 45 milhões. Quando uma intervenção desse tamanho avança sobre uma área previamente mapeada como crítica, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa a tocar o coração da política pública: quem decidiu, com base em quais estudos, assumir esse risco?
A resposta importa porque uma ponte não é só concreto, aço e planilha orçamentária. Ela concentra vidas em circulação, ambulâncias, estudantes, trabalhadores, famílias inteiras que passam todos os dias de uma margem para outra acreditando que o Estado calculou o perigo antes de entregar a travessia. Se a recomendação federal foi ignorada, subestimada ou vencida por uma decisão política de tirar a obra do papel a qualquer custo, o desabamento expõe mais do que uma falha de engenharia. Expõe a possibilidade de que vidas tenham sido colocadas sob risco e que dinheiro público tenha sido consumido por uma escolha feita contra alertas que já estavam escritos.
A queda da Ponte Frei Paolino Baldassari, portanto, não pode ser lida apenas como o retrato de uma estrutura vencida pela força do rio. O caso reúne uma advertência federal antiga, documentos da própria contratação, uma obra de alto valor público, uma comunidade novamente obrigada a depender de travessia improvisada e uma investigação que agora precisa separar falha de projeto, falha de execução, falha de fiscalização e força natural. O Rio Iaco sempre se moveu. A dúvida é por que uma ponte construída sobre essa realidade não foi capaz de conviver com ela.