Rio Branco amanheceu nesta quarta-feira, 22 de abril, sem ônibus nas ruas depois que motoristas do transporte coletivo decidiram manter a frota recolhida e condicionar a retomada do serviço ao pagamento de salários e benefícios. Ainda no início da manhã, o prefeito Alysson Bestene foi à garagem da operadora e conversou diretamente com trabalhadores e representantes da categoria, numa tentativa de abrir negociação no local e conter a crise que paralisou a circulação na capital.
Bestene chegou cedo e, diante dos motoristas, disse que fez questão de estar frente a frente com a categoria durante a paralisação. “A gente esteve aqui, fiz questão de estar olhando no olho através dessa paralisação conduzida pelo sindicato dos motoristas. A prefeitura não vai se eximir de responsabilidade nenhuma, pelo contrário, apurando todos esses levantamentos”, afirmou. O prefeito também citou um cronograma emergencial para separar o que cabe ao município e o que é atribuição da empresa responsável pela operação do sistema. “Já temos um cronograma para até hoje, meio-dia, sanar o que é de responsabilidade do município e o que é de responsabilidade da empresa, temos uma reunião às 10 horas para que ela também tenha a sua contrapartida nesse processo”, disse.
A ida à garagem ocorreu no mesmo contexto em que motoristas relatam atrasos recorrentes no pagamento, além de pendências de benefícios e questionamentos sobre repasses de encargos. Em mensagem divulgada ao longo do dia, Bestene reforçou o tom de negociação com a categoria e sustentou que a prefeitura buscava um encaminhamento para reabrir o serviço. “Estivemos reunidos com o sindicato dos trabalhadores do transporte público de Rio Branco, mantendo um diálogo aberto, responsável e respeitoso, ouvindo atentamente as demandas da categoria e buscando, juntos, soluções para superar a crise enfrentada. (…) Avançamos no entendimento e conseguimos um acordo para que o movimento conceda um prazo de 48 horas, enquanto trabalhamos na adoção de medidas concretas para garantir a normalização do transporte e o respeito aos trabalhadores e usuários”, escreveu.
A mobilização se manteve após assembleia na garagem, com decisão dos trabalhadores de não colocar os ônibus em circulação sem pagamento. A pressão também chegou aos órgãos de controle: o Ministério Público do Estado do Acre acionou a Prefeitura de Rio Branco e estabeleceu prazo de 24 horas para que a gestão responda sobre as causas da interrupção, as medidas emergenciais para retomar o serviço e a situação contratual e trabalhista da concessionária. Na Câmara Municipal, a comissão responsável por infraestrutura e transporte convocou reunião emergencial para discutir o colapso do sistema e o cumprimento de regras ligadas a repasses e garantias trabalhistas.
Reuniões previstas para a manhã não avançaram, e as tratativas ganharam andamento na parte da tarde, enquanto a operadora prometia regularizar pagamentos como vale-refeição. Bestene manteve a previsão de solução em até 48 horas, com divulgação de novos informes, enquanto a cidade segue sob impacto direto da suspensão do transporte coletivo.