A filiação de Tião Bocalom ao PSDB não é um gesto burocrático. É um movimento político de peso. Ao receber o prefeito de Rio Branco e lançá-lo como pré-candidato ao governo do Acre, o PSDB deixa claro que decidiu ter projeto próprio no estado e apostar em um nome com densidade eleitoral, recall e capilaridade.
Até poucos dias atrás, Gladson Cameli ainda falava em diálogo com MDB e PSDB para ampliar sua aliança. O problema é que, na política, diálogo sem retenção não basta. O MDB foi acomodado no campo governista com a perspectiva de indicar o vice de Mailza Assis. O PSDB, porém, não ficou. Foi para Bocalom. E isso rompe a ideia de que o Palácio seguiria como destino natural das forças de centro e centro-direita do Acre.
O MDB, dividido, ainda se move em direção ao governismo. Nos bastidores, alguns partidos, já emite sinais de instabilidade: Deputados deixam a base; Não é detalhe administrativo. É sintoma político.
O ambiente de Gladson, assim, já não é o de quem conduz a sucessão com autoridade incontestável. Passa a ser o de quem precisa administrar perdas enquanto aliados recalculam rota. Quando o governador fala em “usufruir” do governo para depois “fugir na hora decisiva”, o recado não é de expansão, mas de incômodo com a erosão da base.
Isso não significa colapso. O governismo ainda tem máquina, estrutura, aliança robusta e instrumentos reais de disputa.
Mailza Assis segue amparada por um bloco competitivo. Mas uma coisa é ter estrutura; outra é preservar magnetismo político. E é justamente aí que o sinal amarelo se acende.
A entrada de Bocalom no PSDB aprofunda esse cenário porque cria um novo polo com lastro popular. Alan Rick já atrai dissidências.
Mailza representa a continuidade do Palácio. Bocalom surge agora com legenda, discurso e força eleitoral. O campo político acreano deixou de ser difuso e passou a ter mais de uma via competitiva.
No fundo, o que está em disputa é herança política. Gladson quer transferir capital para sua sucessão e pavimentar sua candidatura ao Senado. Mas herança não se impõe; se transfere com coesão e confiança. Quando deputados saem, quadros pedem exoneração e partidos testam outros caminhos, o que entra em crise não é apenas a base numérica, mas a autoridade do projeto.
É nesse ponto que entram Petecão e o MDB. O senador, em busca da reeleição, corre o risco de ficar sem um palanque forte ou ter de reassumir sozinho um protagonismo que hoje parece mais difícil.
O MDB, embora se prepare para indicar o vice da chapa governista, a quem diga oferece a “barriga” para uma indicação governista, segue fora do governo e diante de uma escolha: aceitar papel acessório numa aliança em que foi pedido em casamento, mas sob separação universal total de bens, ou buscar uma composição em que seu peso histórico se converta em protagonismo real. Vale destacar que há quem defenda que isso vale uma chapa forte para concorrer a uma vaga ou duas na câmara federal, mas a que preço?, mais uma barriga de aluguel?
Nesse contexto, uma aproximação com Senador Petecão pode ampliar o espaço de Jéssica ao Senado, ainda mais porque, nos bastidores, seu entusiasmo com a hipótese de ser vice de Mailza nunca pareceu exatamente transbordante, e essa indicação como dizem é fumaça “danada”.
No fim, a questão é simples: quem perceber primeiro que, em política, estar perto do poder nem sempre significa participar dele de verdade.
Foto: Sérgio Vale