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Notícias

Ex-Deputado e Senador Sibá Machado comandará escritório da Sudam em Brasília

O desafio de Sibá Machado ao assumir cargo é promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia

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O ex-deputado federal e senador pelo Acre, Sibá Machado, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi nomeado como Chefe do Escritório da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) em Brasília. A nomeação foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União e assinada pelo Ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, órgão ao qual a Sudam é vinculada.

Em conversa com o Epop, Sibá Machado expressou seu compromisso com o papel do escritório da Sudam e as responsabilidades inerentes a essa posição. Ele destacou que o escritório da Sudam já existiu no passado, mas foi desativado durante o governo de Jair Bolsonaro. Agora, com a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o escritório foi reativado.

O escritório da Sudam em Brasília tem a missão de acompanhar de perto a agenda relacionada ao desenvolvimento na região amazônica, especialmente aquelas que contam com a participação da entidade, que desempenha um papel crucial no diálogo com diversas instituições, incluindo governadores, prefeituras, casas legislativas e movimentos sociais.

O novo Chefe do Escritório da Sudam enfatizou a importância de fortalecer a colaboração com o movimento social, particularmente à luz da expectativa de que o presidente Lula sediará a COP 30 em Belém, no ano de 2025.

“Nós teremos uma atuação muito forte com o movimento social para valorizar ao máximo, levantar as questões econômicas de desenvolvimento que envolva também as populações mais tradicionais, os indígenas, ribeirinhos, seringueiros e agricultores. Então a pauta principal é essa, essa é a nossa pauta principal desses próximos dois anos de trabalho”, declara Sibá.

Rio Branco

Praça da Revolução vira ponto de encontro da Copa e do São João em Rio Branco

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A Praça da Revolução, no centro de Rio Branco, virou neste sábado (13) o principal ponto de encontro popular da capital, ao reunir no mesmo espaço a transmissão da estreia da Seleção Brasileira contra Marrocos na Copa do Mundo de 2026 e a programação do 18º Circuito Junino. A agenda colocou lado a lado duas manifestações de forte apelo popular: a torcida pelo Brasil e a tradição das quadrilhas juninas, com presença de famílias, vendedores, artistas, brincantes e torcedores ao longo do dia.

Desde a tarde, o movimento começou a crescer no entorno da praça para a campanha “Rio Branco Torce Junto”, organizada pela Prefeitura de Rio Branco. A estrutura contou com telão, palco, banheiros químicos, distribuição de água, segurança e áreas preparadas para receber famílias, idosos, crianças e pessoas com deficiência. A ideia da gestão municipal é fazer do espaço uma referência de convivência durante os jogos da Copa, especialmente pela localização central e pelo acesso gratuito à programação.

O prefeito Alysson Bestene tem tratado a ocupação da Praça da Revolução como uma marca de sua administração. Em falas públicas e publicações nas redes sociais, ele defendeu o uso do espaço como ponto de encontro da população, reunindo esporte, cultura, lazer e valorização das tradições populares. Ao comentar a estreia brasileira, o prefeito apostou no simbolismo da praça para a campanha da Seleção. “Tenho certeza de que a Praça da Revolução será pé-quente para o Brasil chegar ao Hexa”, afirmou.

A transmissão de Brasil x Marrocos puxou a programação da tarde. A partida marcou a estreia brasileira na Copa do Mundo de 2026 e levou torcedores ao centro da cidade antes do início do jogo. Em vez de espalhar pequenos pontos de exibição, a prefeitura concentrou a estrutura no coração de Rio Branco, com abertura da programação a partir das 15h.

Quando o clima de Copa perdeu força, a Praça da Revolução passou a receber o público do São João. O 18º Circuito Junino de Rio Branco, aberto oficialmente na sexta-feira (12), segue neste fim de semana com apresentações de quadrilhas, concursos culturais, comidas típicas e participação de torcidas organizadas. O evento é realizado pela Liga de Quadrilhas Juninas do Acre, em parceria com a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Fundação Garibaldi Brasil.

Na abertura do circuito, Alysson Bestene falou sobre o peso cultural das quadrilhas para os bairros e para a identidade da cidade. “É uma tradição cultural. Estamos no 18º circuito, com quadrilhas que já representaram Rio Branco em nível nacional. Isso demonstra as nossas raízes, a nossa cultura e a importância que esse movimento tem para as comunidades”, disse. O prefeito também lembrou que os grupos trabalham durante todo o ano na preparação de figurinos, alegorias, coreografias e estruturas, o que movimenta uma rede de trabalhadores da cultura popular.

A festa também tem impacto econômico direto. Além das quadrilhas e dos artistas, a programação mobiliza vendedores ambulantes, trabalhadores da alimentação, costureiras, cenógrafos, músicos, produtores culturais e equipes de apoio. O circuito deste ano foi lançado com investimento de R$ 600 mil e terá duas etapas: a primeira na Praça da Revolução, entre os dias 12, 13 e 14 de junho, e a fase final no Quadrilhódromo, nos dias 19, 20 e 21.

O ex-prefeito Tião Bocalom também entrou no clima da Copa pelas redes sociais. Em publicação registrada pelo portal O Rio Branco, ele brincou que havia aceitado uma “convocação” de Vini Jr. e chamou a população para torcer pelo hexa. “Hoje o Brasil jogará junto! Serão mais de 200 milhões de corações pulsando pela nossa seleção”, escreveu. A manifestação foi direcionada à Seleção Brasileira, sem relação direta com a programação municipal montada na Praça da Revolução.

Com telão, Copa, quadrilhas e comércio popular, a Praça da Revolução voltou a cumprir uma função que vai além da passagem diária pelo centro. Neste sábado, o espaço reuniu arquibancada, arraial e convivência pública no mesmo endereço. A programação aproximou o futebol da cultura popular e reforçou a praça como território de lazer, encontro e presença das famílias rio-branquenses.

Fotos de Sérgio Vale

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Rio Branco

Saúde Rural chega à Vila Custódio Freire com atendimento para 300 famílias em Rio Branco

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A Prefeitura de Rio Branco realiza neste sábado, 13 de junho, a terceira edição do Saúde Rural na Escola Municipal Francisco Cândido Xavier, na Vila Custódio Freire, no Ramal Castanheta, com previsão de atendimento a cerca de 300 famílias da zona rural. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde, foi montada para ampliar o acesso da população a serviços básicos e reforçar medidas de prevenção em comunidades mais distantes da área urbana.

A programação vai das 8h às 14h e inclui consultas médicas, atendimentos de enfermagem e odontologia, além de pré-natal, PCCU e inserção de Implanon. Também serão oferecidos aferição de pressão arterial e glicemia, testes rápidos, vacinação, entrega de medicamentos, regulação de exames, vacinação de cães e gatos e acompanhamento das condicionalidades do Bolsa Família.

A mobilização terá ainda ações de controle de endemias, com foco em malária e leishmaniose, além de práticas integrativas, como ventosaterapia e auriculoterapia. Segundo o secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, a proposta é levar atendimento para áreas mais afastadas e aproximar os serviços públicos dos moradores da zona rural.

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Acre

Ponte desabou em área onde estudo federal já tratava o Rio Iaco como risco muito alto

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A queda da Ponte Frei Paolino Baldassari, em 5 de junho de 2026, em Sena Madureira, trouxe para o centro da investigação uma pergunta que agora pesa sobre o poder público, a construtora e os órgãos de fiscalização: por que uma obra contratada para ligar o Centro ao Segundo Distrito não resistiu justamente em uma região onde o Serviço Geológico do Brasil já havia mapeado risco muito alto de erosão fluvial e “terras caídas” nas margens do Rio Iaco?

O alerta não nasceu depois do desabamento. Em outubro de 2015, o Serviço Geológico do Brasil, antiga CPRM, fez em Sena Madureira uma ação emergencial para delimitar áreas de alto e muito alto risco a enchentes, inundações e movimentos de massa. O trabalho foi assinado pelos geólogos José Antônio da Silva e Renato Ribeiro Mendonça, ligados ao órgão federal vinculado ao Ministério de Minas e Energia, e percorreu os pontos urbanos mais vulneráveis à força do Rio Iaco.

Sena Madureira cresceu encostada no rio. Essa relação sustenta a vida cotidiana, a travessia, o comércio e a memória da cidade, mas também cobra um preço técnico conhecido há anos. O levantamento federal reconheceu nove setores de risco no município. Quatro estavam ligados a inundações. Outros cinco envolviam erosão fluvial do tipo “terras caídas”, fenômeno comum na Amazônia, quando o barranco perde sustentação, racha, escorrega e desaba sob a força combinada da cheia, da vazante e da fragilidade do solo.

Entre esses pontos, o setor AC_SENAMAD_SR_8_CPRM aparece como um dos mais sensíveis. A área fica na margem direita do Rio Iaco, no Segundo Distrito, e recebeu classificação de risco muito alto para erosão fluvial do tipo “terras caídas”. A estimativa técnica tratava de 45 imóveis e 180 pessoas em situação de risco. Não era uma advertência abstrata sobre a Amazônia. Era um recorte urbano, com endereço, margem definida e população exposta.

O comportamento do Rio Iaco ajuda a entender a gravidade do caso. Ele é um rio meandrante, marcado por curvas que concentram erosão em alguns pontos e deposição de sedimentos em outros. Nas margens mais castigadas pela correnteza, o barranco sofre desgaste constante. Depois das cheias, os sedimentos argiloarenosos ficam encharcados. Quando o nível da água baixa, o solo perde sustentação e pode ceder em blocos, abrindo fendas, derrubando taludes e arrastando o que estiver perto demais da borda.

No setor 08, a equipe técnica encontrou escarpas íngremes formadas pela erosão fluvial, ocupações próximas ao topo do barranco e sinais de agravamento. Havia registro de trincas perto de residências, além de áreas sujeitas a inundações e solapamentos. Para quem mora à beira do Iaco, esses sinais não são termos de engenharia. São rachaduras no chão, portas que deixam de fechar, quintais que diminuem depois de cada cheia e o medo de acordar com a terra indo embora.

As recomendações federais eram diretas. A população deveria ser retirada das áreas de risco. As margens precisavam de recuperação vegetal. A drenagem urbana teria de ser melhorada. Novas ocupações em áreas de inundação deveriam ser controladas. Sistemas de alerta para chuvas anormais e cheias também deveriam ser implantados. O próprio estudo tratava obras de contenção em rios amazônicos de grande vazão como soluções caras e de vida útil curta. A alternativa mais segura, naquele cenário, era afastar famílias e estruturas permanentes das zonas mais instáveis.

Depois da queda da ponte, esse histórico passou a ter peso jurídico. Em decisão divulgada pelo Tribunal de Justiça do Acre, o juiz Caique Cirano Di Paula, da Vara Cível de Sena Madureira, considerou que estudos técnicos anteriores do Serviço Geológico do Brasil já tratavam a região como área exposta a erosão fluvial e “terras caídas”. Para a Justiça, esse dado fragiliza, neste primeiro momento do processo, a versão de que o desabamento teria sido provocado apenas por um fenômeno natural imprevisível.

A decisão autorizou o arresto de bens da Construtora Cidade Ltda. até o limite de R$ 36 milhões, valor correspondente ao contrato da obra. A medida alcança bens móveis, imóveis e participações societárias, mas deixou fora contas bancárias e ativos financeiros de liquidez imediata. A Justiça também manteve a suspensão de pagamentos e contratos públicos estaduais com a empresa, providência já adotada administrativamente pelo governo.

O Estado ainda terá de preservar todos os documentos físicos e digitais ligados à ponte, incluindo projetos, relatórios de fiscalização, medições e registros técnicos. A ordem busca impedir que provas se percam no intervalo entre o desabamento, a perícia e a apuração das responsabilidades. O Ministério Público do Acre ajuizou a ação cautelar para garantir recursos a uma eventual reparação dos danos e resguardar documentos capazes de reconstruir a história técnica da obra, da contratação à queda.

Foto: Pedro Devani/Secom

A Justiça também determinou a apresentação das apólices dos seguros, do laudo oficial de engenharia sobre as causas do desabamento e do relatório de dano ambiental elaborado pelo Imac. Em outra frente, Estado e Construtora Cidade deverão entregar, em 30 dias, um plano conjunto para desobstruir a área e reconstruir a ponte. O Deracre terá de apresentar um cronograma de ações emergenciais e garantir uma balsa gratuita para a travessia entre o Centro e o Segundo Distrito.

O estudo federal de 2015 não está sozinho nessa linha do tempo. O É Pop já mostrou que o material-base do Deracre usado na contratação da ponte mencionava a existência de “grande erosão no barranco do Rio”, com atenção especial para a margem esquerda, onde havia “grandes erosões”. Outro documento do projeto, o memorial dos acessos, registrava que a drenagem levou em conta as condições topográficas, climáticas e os tipos de solo ao longo do barranco, área que “já tem provocado grandes erosões, com escorregamentos”.

Há uma questão que atravessa o processo e ainda precisa ser respondida com documentos, cronologia e responsabilidade administrativa: o governo do Estado levou em conta a recomendação federal antes de iniciar a obra? Em 2015, o Serviço Geológico do Brasil tratou a retirada de pessoas e estruturas das áreas de risco como caminho mais seguro diante da instabilidade das margens do Rio Iaco. Anos depois, a decisão pública foi erguer uma ponte justamente em uma região marcada por erosão, escorregamentos e “terras caídas”. A obra não nasceu pequena. Somados contrato, aditivos, serviços associados e custos revelados pelo É Pop, chegou perto de R$ 45 milhões. Quando uma intervenção desse tamanho avança sobre uma área previamente mapeada como crítica, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa a tocar o coração da política pública: quem decidiu, com base em quais estudos, assumir esse risco?

A resposta importa porque uma ponte não é só concreto, aço e planilha orçamentária. Ela concentra vidas em circulação, ambulâncias, estudantes, trabalhadores, famílias inteiras que passam todos os dias de uma margem para outra acreditando que o Estado calculou o perigo antes de entregar a travessia. Se a recomendação federal foi ignorada, subestimada ou vencida por uma decisão política de tirar a obra do papel a qualquer custo, o desabamento expõe mais do que uma falha de engenharia. Expõe a possibilidade de que vidas tenham sido colocadas sob risco e que dinheiro público tenha sido consumido por uma escolha feita contra alertas que já estavam escritos.

A queda da Ponte Frei Paolino Baldassari, portanto, não pode ser lida apenas como o retrato de uma estrutura vencida pela força do rio. O caso reúne uma advertência federal antiga, documentos da própria contratação, uma obra de alto valor público, uma comunidade novamente obrigada a depender de travessia improvisada e uma investigação que agora precisa separar falha de projeto, falha de execução, falha de fiscalização e força natural. O Rio Iaco sempre se moveu. A dúvida é por que uma ponte construída sobre essa realidade não foi capaz de conviver com ela.

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