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MEIO AMBIENTE

Mais de R$ 10 milhões são destinados ao enfrentamento da seca e queimadas no Acre

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O governo federal destinou mais de R$ 10 milhões para o combate à seca e às queimadas no Acre. O valor, que totaliza R$ 10,9 milhões, será aplicado em duas frentes principais: R$ 4,5 milhões serão direcionados para ações de enfrentamento à estiagem e R$ 6,4 milhões para o combate a incêndios. A medida foi anunciada na última terça-feira, 10 de setembro, por Leno Rodrigues, diretor substituto do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, vinculado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações de emergência implementadas no estado após o decreto de situação de emergência em saúde pública. Essa decisão foi motivada pela intensificação da seca e pelo aumento dos focos de incêndio, que já somam mais de 750 registros apenas na primeira semana de setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Ações previstas com os recursos

O valor destinado ao enfrentamento da estiagem será utilizado em ações como o aluguel de caminhões-pipa para fornecer água potável às populações atingidas, a perfuração de poços e a aquisição de motobombas para captação de água. Já para o combate às queimadas, os recursos serão aplicados na compra de equipamentos de segurança para os brigadistas, combustível para transporte das equipes e sopradores, entre outras necessidades logísticas.

Situação da seca e das queimadas no Acre

O cenário atual no Acre é considerado um dos mais críticos. A Bacia do Rio Acre está em alerta máximo devido à seca prolongada, e a previsão é de que a situação piore nos próximos meses. Em Rio Branco, o nível do rio está abaixo de quatro metros há quatro meses, e a capital foi incluída na lista de 22 municípios do estado que tiveram a situação de emergência reconhecida pelo governo federal. Esse reconhecimento foi oficializado em portaria publicada no Diário Oficial da União em agosto, o que permitiu a liberação de recursos para as ações emergenciais.

O governo do estado continua monitorando a situação e articulando novas medidas junto ao governo federal para mitigar os impactos da crise hídrica e dos incêndios florestais que afetam diversas comunidades rurais e urbanas.

Perspectivas futuras

As autoridades esperam que os recursos sejam repassados ao estado em breve, após a aprovação da Medida Provisória que tramita no Congresso Nacional. O governo federal e o governo do Acre continuarão trabalhando em parceria para minimizar os efeitos da estiagem e dos incêndios, buscando garantir a segurança das populações atingidas e preservar o meio ambiente no estado.

Impactos nas comunidades locais

Além das perdas materiais, as comunidades rurais enfrentam dificuldades na produção agrícola, o que agrava a situação econômica. A escassez de água para irrigação e o aumento nos custos de produção são problemas frequentes entre os agricultores. Medidas adicionais estão sendo estudadas para garantir a continuidade das atividades produtivas no campo.

Os próximos meses serão decisivos para o sucesso das ações de combate e mitigação, com foco especial nas áreas mais afetadas pela seca e pelas queimadas.

Foto: Alexandre Noronha

MEIO AMBIENTE

Governo do Acre abre edital para recuperação de áreas degradadas e enfrentamento de extremos climáticos

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Organizações da sociedade civil ligadas à proteção ambiental e ao fomento da produção rural sustentável já podem submeter propostas para executar projetos de recuperação de áreas degradadas no Acre. O governo estadual publicou nesta segunda-feira (9), no Diário Oficial do Estado, o Edital de Chamamento Público nº 01/2026. A medida busca criar defesas práticas contra extremos climáticos e impulsionar sistemas produtivos ecologicamente equilibrados em territórios dedicados à agricultura familiar.

A seleção ocorre sob as diretrizes do Programa Global REDD for Early Movers – REM Acre Fase II. Os projetos selecionados vão firmar Termos de Colaboração com o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) para acessar recursos de fundos internacionais. O escopo das ações engloba a implantação de sistemas agroflorestais, a mecanização focada na revitalização do solo e a aquisição de mudas para cultivos perenes. A estruturação hídrica das propriedades rurais também compõe o eixo do programa, com a previsão de construção de açudes, perfuração de poços e montagem de redes de irrigação. As frentes de trabalho miram a redução frontal das taxas de desmatamento e a queda das emissões de gases de efeito estufa.

A ampliação da rede de parcerias transfere parte da execução das políticas climáticas para organizações com presença consolidada nas zonas de manejo e produção agrícola. “Este edital representa um passo importante para ampliar as ações do governo e do Programa REM Acre Fase II junto às comunidades e produtores familiares”, afirmou a presidente do IMC, Jaksilande Araújo.

A aplicação desses recursos transforma a base econômica das regiões atendidas ao substituir atividades degradantes por alternativas de cultivo conservacionista e rentável. Ao subsidiar a transição para modelos agrossilvipastoris, as comunidades rurais ganham infraestrutura e suporte técnico para proteger suas lavouras contra secas prolongadas e chuvas atípicas. A consolidação dessas práticas blinda a cobertura florestal remanescente, freia o avanço da fronteira agrícola e fixa as famílias produtoras no campo com segurança hídrica e alimentar.

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MEIO AMBIENTE

MPF denuncia dois homens por invasão, desmatamento e pecuária ilegal na Resex Chico Mendes, no Acre

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O Ministério Público Federal denunciou dois homens por crimes ambientais e ocupação irregular dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, no interior do Acre, após investigação que levou à apreensão de mais de 1.400 cabeças de gado mantidas na área protegida e no entorno da unidade.

A acusação aponta invasão de terras da União inseridas na Resex, inserção de informações falsas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de danos ambientais ligados a desmatamento e uso de fogo. A denúncia inclui ainda a manutenção irregular de rebanho bovino em área protegida e em áreas adjacentes, atividade considerada incompatível com o regime de proteção da reserva.

Além das penas previstas para os crimes listados, o MPF pediu à Justiça Federal que determine a desocupação das áreas pelos denunciados e que eles sejam proibidos de exercer atividades econômicas incompatíveis com os objetivos da unidade de conservação, como a agropecuária.

No mesmo caso, outros três investigados firmaram acordos de não persecução penal após confessarem formalmente os fatos e assumirem obrigações voltadas à reparação dos danos e à regularização ambiental. Entre as medidas previstas estão adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), apresentação de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas e/ou Alteradas (PRADA), recomposição de áreas de preservação permanente e de reserva legal, cumprimento de termos de compromisso ambiental com a autoridade estadual e entrega de bens no valor de R$ 250 mil ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para reforçar fiscalização e gestão da reserva.

Para o MPF, “a celebração dos acordos integra a estratégia institucional de priorizar a reparação efetiva do dano ambiental e a responsabilização adequada dos envolvidos, sem prejuízo da tutela judicial, quando necessária”.

O avanço do processo pode resultar em ordens de retirada de ocupantes, restrições a atividades econômicas e novas medidas de recuperação ambiental, com impacto direto na proteção da Resex e na pressão sobre áreas destinadas ao extrativismo e ao uso sustentável por populações tradicionais.

Foto: Secom/AC

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MEIO AMBIENTE

Seca extrema revela recifes inéditos de ostras de água doce no rio Muru no Acre

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A seca histórica que atingiu a Amazônia baixou o nível do rio Muru, no município de Tarauacá, no Acre, e deixou expostas plataformas de calcário cobertas por agregações densas da ostra de água doce Bartlettia stefanensis. O fenômeno revelou pequenos recifes formados pelos moluscos, um habitat aquático até então desconhecido na região, que ficou visível com a retração severa das águas durante os meses de estiagem excepcional.

Os blocos de calcrete afloraram e mostraram uma formação estrutural sem precedentes para a bacia amazônica. As ostras formaram colônias fixadas exclusivamente nesse tipo de solo rochoso, ignorando troncos submersos ou estruturas metálicas próximas. A presença dos animais agrupados em forma de recife mudou a percepção sobre a ecologia bentônica da área. “O rio estava muito baixo e os afloramentos de calcrete chamavam a atenção, até que notei que havia conchas em alguns. Sou do litoral de São Paulo e conheço bem bancos de ostras e mexilhões. Quando vi aquilo, pensei: o que isso está fazendo aqui?”, relata o biólogo Fabio Olmos.

A descoberta mobilizou especialistas para documentar a estrutura biológica diretamente no leito do rio. A formação densa e concentrada exigiu uma varredura nas informações existentes sobre o ecossistema local para compreender a magnitude do cenário. “Eu nunca havia ouvido falar em bancos ou recifes de ostras na Amazônia. Documentamos o achado e, ainda em campo, consultamos colegas e a literatura científica. Não encontramos nada sobre esses recifes de ostras expostos ali”, acrescenta Olmos.

A repetição de secas prolongadas ameaça a sobrevivência da espécie a médio e longo prazo. As alterações bruscas na hidrologia local elevam a frequência de mortalidade em massa das ostras e dificultam a recolonização dos habitats afetados pelas variações climáticas. O cenário força uma reavaliação urgente do status de conservação da Bartlettia stefanensis e de outras espécies da fauna de água doce, exigindo novas medidas de monitoramento para proteger ecossistemas que correm o risco de colapsar.

Fonte: https://oeco.org.br/ – Foto: Fabio Olmos

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