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Cultura

Mostra de Cinema de Tiradentes abre 29ª edição com foco em políticas públicas e reconhecimento ao audiovisual brasileiro

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A 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes foi aberta na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, na cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, reunindo realizadores, produtores, artistas, representantes do poder público e jornalistas no Cine-Tenda para o início de uma programação que combina exibição de filmes, reflexão crítica e articulação institucional, em um contexto de retomada e reorganização do setor audiovisual brasileiro .

Na cerimônia de abertura, a coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, destacou o compromisso do evento com a diversidade de vozes e linguagens e defendeu a regulação das plataformas de streaming, a democratização das políticas públicas e o fortalecimento do cinema nacional como vetor econômico. Segundo ela, a mostra mantém, desde sua criação, a decisão de apostar em novos protagonismos e possibilidades narrativas no audiovisual brasileiro. O ponto central da noite foi a homenagem à atriz e diretora Karine Teles, que recebeu o Troféu Barroco por uma trajetória de mais de duas décadas no cinema, marcada por escolhas autorais e atuação em diferentes frentes da criação audiovisual .

Ao receber a homenagem, Karine Teles falou sobre as condições de trabalho no setor cultural e os desafios de manter uma carreira artística no país. “Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções”, afirmou. A atriz também comentou as dificuldades de permanência no campo cultural: “Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro” .

A abertura contou ainda com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, que ressaltou a dimensão política e simbólica do audiovisual. “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. Isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”, declarou. Já a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro, mencionando o reconhecimento internacional recente de produções nacionais e reforçando a centralidade das políticas públicas para o setor .

No sábado, 24 de janeiro, teve início o Fórum de Cinema de Tiradentes, em sua quarta edição, voltado à reflexão sobre políticas culturais, indústria e democracia. A abertura reuniu integrantes do governo e produtores, com a leitura da carta de princípios apresentada pela produtora Débora Ivanov, que convocou o setor a se mobilizar em defesa das conquistas recentes e a refletir sobre o futuro em um cenário de desafios emergenciais. O documento fez um balanço do processo de reconstrução do setor iniciado em 2023, citando a restauração do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual, a retomada do Fundo Setorial do Audiovisual, a reativação de programas de fomento, a renovação da Lei do Audiovisual e das cotas de tela, a implantação da Política Nacional Aldir Blanc, a realização da 4ª Conferência Nacional de Cultura e a retomada da cooperação internacional .

A carta também apontou a execução da Lei Paulo Gustavo em 97% dos municípios brasileiros como indicativo do interesse popular pelo audiovisual e destacou a necessidade de uma política sistêmica que articule União, estados e municípios, racionalize processos e potencialize impactos econômicos, culturais e sociais. Entre os desafios elencados estão a regulação dos serviços de streaming, a consolidação de uma política de Estado perene e a garantia de acesso do público brasileiro aos conteúdos nacionais em todas as telas. O texto conclui que “os desafios do audiovisual são desafios da nação brasileira na afirmação de um destino livre, democrático e soberano”, projetando 2026 como um ano de continuidade da mobilização do setor.

Fonte: Agência Brasil – Foto: Leo Lara/Universo Produções

Cultura

DJ VERO LANÇA O ÁLBUM OBJETOS CORTANTES

O álbum independente da artista porto-velhense combina noiadance e funk, marcando a presença da música eletrônica amazônica nas plataformas digitais.

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A cena da música eletrônica brasileira ganha um novo marco com o lançamento de Objetos Cortantes, álbum que conecta a autenticidade do noiadance de Porto Velho e do funk a produções de alto impacto. Produzido a partir da Amazônia, o projeto consolida a inserção da música eletrônica nortista nos circuitos nacionais, trazendo inovação e forte identidade cultural para um mercado maioritariamente concentrado no Sudeste do país. 

Por trás deste conceito está VERO, produtora musical, DJ, multiartista sonora e profissional de áudio. Atuando num mercado historicamente masculino, VERO destaca-se pela sua sólida bagagem técnica em sound design e cinema, transpondo para a produção musical uma pesquisa apurada de atmosferas, recortes e frequências que elevam a experiência do ouvinte. 

Lançado a 15 de outubro, Objetos Cortantes traduz vivências, dor e autoria em arquiteturas sonoras imersivas. O trabalho convida o ouvinte a mergulhar numa narrativa autêntica que reconfigura os limites do eletrônico experimental feito no Brasil. 

Ouça o álbum aqui.

Sobre VERO

Verônica Brasil (VERO) é DJ, produtora musical, sound designer e realizadora audiovisual de Porto Velho (RO). Atuando na interseção entre a pista de dança, o cinema e o território amazônico, a sua pesquisa foca-se no funk, em sonoridades latinas, no bass brasileiro e no eletrônico experimental. 

VERO é fundadora do Projeto Mormaço e tornou-se a primeira DJ mulher de Rondônia a apresentar-se em Roma (2024). Em 2025, lançou o projeto audiovisual e de remixes Ecos no Rio, gravado no rio Madeira com coprodução de Daniel Almeida, recriando canções de Gabi Shima e Gabriê. VERO assina ainda a faixa BOTANO NOIADANCE, que ganhou forte reconhecimento de nomes como DJ Caio Prince, Mc Luanna, DJ Thiago Martins e MU540. 

Fotos: Iury Melo  Fonte: Assessoria de Imprensa 

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Cultura

Projeto Eternizando Arte promove dois espetáculos gratuitos em Rio Branco nesta sexta e sábado

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Apresentações acontecem na Usina de Arte João Donato e no Horto Florestal, com entrada gratuita, e integram atividades de formação em fotografia cultural.

O projeto Eternizando Arte promove dois espetáculos gratuitos em Rio Branco nesta sexta-feira (23) e no sábado (24). A programação reúne apresentações musicais e atividades práticas de fotografia, com o objetivo de proporcionar aos participantes do projeto experiências de cobertura de eventos culturais.

Na sexta-feira (23), às 19h30, a Usina de Arte João Donato recebe o espetáculo cênico-musical “Minha Vida nas Canções de Chico”, construído a partir de composições de Chico Buarque de Holanda. A apresentação combina música e elementos teatrais para explorar histórias e narrativas presentes na obra do compositor brasileiro.

No sábado (24), às 16h30, o Horto Florestal será palco de “Sinira e Chuvisco In Concert”. A apresentação acontece em ambiente aberto e oferece aos participantes do Eternizando Arte a oportunidade de experimentar técnicas de registro fotográfico em condições diferentes das encontradas em espaços teatrais.

As apresentações integram a etapa prática do projeto “Eternizando Arte – Um mergulho na fotografia de eventos e projetos culturais”, idealizado e conduzido por Narjara Saab. A iniciativa oferece formação voltada à fotografia de manifestações culturais, abordando técnicas de iluminação, composição, posicionamento, movimentação e construção de narrativas visuais.

Antes das apresentações, os participantes tiveram aulas presenciais com Narjara Saab e atividades práticas de iluminação cênica com Ivan de Castela. Agora, poderão aplicar os conhecimentos adquiridos durante a cobertura dos dois espetáculos, trabalhando com diferentes condições de luz e movimentação dos artistas.

“Mais do que aprender a operar uma câmera ou um celular, a proposta é desenvolver um olhar atento para aquilo que acontece diante da gente: a luz, os artistas, o público, o espaço, os detalhes e a história que aquele evento precisa contar por meio das imagens”, explica Narjara.

O projeto também busca contribuir para a preservação da memória cultural por meio da fotografia, aproximando a formação técnica da experiência de registro de eventos artísticos.

As duas apresentações são abertas ao público e não haverá cobrança de ingresso.

O Eternizando Arte tem concepção e produção geral de Narjara Saab, produção da AcreAtiva Produções e realização da Fundação Elias Mansour, do Governo do Acre, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. A iniciativa conta com apoio da Usina de Arte João Donato, Museu dos Povos Acreanos e Sesc Acre.

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Cultura

Pesquisa aponta que 42% dos brasileiros querem mais acesso gratuito à cultura

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Ampliar a oferta de atividades culturais gratuitas é a principal reivindicação dos brasileiros para os próximos governantes. A demanda foi apontada por 42% dos entrevistados na 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta-feira (14). O levantamento mostra que o preço dos ingressos, as despesas com transporte e a falta de espaços culturais ainda dificultam o acesso da população a shows, cinemas, teatros e exposições.

A pesquisa, realizada pelo Observatório da Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, revela diferenças no acesso à cultura entre as classes sociais. Enquanto 63% dos brasileiros das classes A e B foram ao cinema nos últimos 12 meses, apenas 18% das classes D e E tiveram a mesma oportunidade.

O custo é a principal barreira para a participação em atividades culturais presenciais, citado por 35% dos entrevistados. Entre aqueles que declararam despesas com cultura, 46% gastam até R$ 100 por mês. A falta de equipamentos culturais também limita o acesso: 33% afirmaram não contar com esses espaços na região onde moram.

Além da gratuidade, 32% dos participantes defendem a construção de novos museus, teatros, cinemas e outros equipamentos públicos. Outros 28% pedem reformas e modernização dos espaços existentes, enquanto 26% consideram prioritário ampliar o financiamento à produção cultural independente.

O levantamento também mostra que 22% dos brasileiros querem mais apoio às iniciativas culturais desenvolvidas em favelas, periferias e comunidades tradicionais. A valorização e a formação de artistas e profissionais da cultura foram mencionadas por 21%.

A segurança pública aparece como outro obstáculo. Para 30% dos entrevistados, a violência desestimula a participação em eventos culturais. O medo de assaltos e furtos nas proximidades dos locais das apresentações foi citado por 47%, enquanto 43% mencionaram a falta de policiamento.

Entre as mulheres, 38% manifestaram preocupação com situações de violência ou assédio nos espaços culturais. O percentual representa mais que o dobro dos 14% registrados entre os homens.

Apesar de o acesso à cultura ser um direito assegurado pela Constituição Federal, 32% dos participantes disseram desconhecer essa garantia. Outros 27% afirmaram não saber o que significa ter direito à cultura.

A coordenadora do Observatório da Fundação Itaú, Ana Maria Cardoso, explica que as desigualdades de acesso não significam falta de interesse das populações de menor renda. Segundo ela, questões econômicas, sociais e educacionais interferem diretamente nas oportunidades de participação.

A pesquisa ouviu 2.448 pessoas, com idades entre 16 e 65 anos, em 137 municípios brasileiros. As entrevistas foram realizadas presencialmente entre os dias 7 e 20 de julho de 2026.

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