A poeta acreana Natielly Castro, conhecida como Natidepoesia, representa o Acre no III Torneio Singulares, em São Paulo, nos dias 16 e 17 de novembro. O torneio é parte da segunda edição da Jornada Latines, promovida pela Coletiva Slam das Minas SP, uma batalha de poesia com ênfase em questões de gênero. Seu propósito é abordar temas feministas e sociais, além de fomentar discussões sobre racismo, machismo e LGBTfobia.
Natielly Castro, também arte educadora, compartilha a importância deste evento para a Slam das Minas Acre, um movimento iniciado em 2019. “Estar nesse lugar, principalmente de representação da Slam das Minas Acre, um corre que iniciamos em 2019, significa muito pra mim, pois esse é o único SLAM (campeonato de poesia falada) com recorte de gênero do Acre, e quando idealizei lá atrás, era justamente para que nós estivéssemos um espaço seguro e confortável para falar poesia, do jeito que for. E hoje, somos parte de uma rede nacional de SLAM’s, e o Acre demonstra na prática que SEMPRE EXISTIU!”, declara.
A programação do III Torneio Singulares é exclusivamente composta por mulheres, travestis, pessoas transmasculinas e não binárias. O campeonato conta com a participação de 14 poetas de 11 estados brasileiros, incluindo Bahia, Pernambuco, Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Paraná.
O evento terá duas chaves classificatórias e finais distribuídas ao longo de dois dias. O júri, composto por cinco pessoas, inclui uma artista convidada e membros escolhidos pelo público. A vencedora terá a oportunidade de representar o Brasil no Slam Latines. O II Slam Latines, que ocorrerá em seguida ao Singulares, contará com a participação de poetas de diferentes países latinoamericanos.
Natielly Castro, que recentemente recebeu o Prêmio Pretas Potências na categoria coletivo – saraus, com o projeto “Poesia que escurece”, é uma figura multifacetada. Além de poeta, ela é escritora, Slammer, performer, arte educadora, oficineira, graffiteira, comunicadora e produtora cultural. O projeto, iniciado em 2019, é uma metodologia de escrita criativa e palavra falada voltada para a população negra e periférica do Acre, visando promover autoestima, identidade, resistência e transformação social por meio da poesia. Natielly Castro foi uma das 150 premiadas entre mais de 2 mil inscritos de todo o país no Prêmio Pretas Potências.
Poesia Acreana em cores e versos no Torneio Nacional! – Card Divulgação
Este destaque no cenário nacional também ressalta a presença poética do Acre, evidenciada recentemente pelo título conquistado pela jovem artista acreana Medusa AK no Campeonato Nacional de Poesia Falada Slam das Minas BR, realizado na Flup RJ 2023 – Festa Literária das Periferias, no Rio de Janeiro (RJ).
A exposição “Reminiscências” abre nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, às 10h, na Galeria de Arte do Palácio das Secretarias, em Rio Branco, para marcar os 38 anos da Associação dos Artistas Plásticos do Acre (Aapa) e os sete anos do projeto de ocupação cultural que mantém o espaço público com programação permanente no centro administrativo do governo. A cerimônia de abertura prevê apresentações de dança cigana, com Paula Santos, e dança latina, com Ulisses Sanchez, e a visitação será gratuita.
O projeto ganhou força no período pós-pandemia, quando o hall da Secretaria de Administração (Sead) passou a receber mostras regulares como parte de uma proposta de humanização do atendimento e do ambiente de trabalho. Curador da iniciativa e fundador da Aapa, Glissério Gomes afirmou que a ocupação funciona como “terapia cultural” e defendeu a arte como instrumento para tornar o espaço mais acolhedor para servidores e visitantes.
Criada em 1988, a Aapa atua como principal entidade de incentivo às artes visuais no Acre, com organização de exposições e articulação de eventos voltados à cena local. Além das mostras no Palácio das Secretarias, a associação mantém no calendário o Salão Hélio Melo de Artes Visuais e o Salão dos Novos, iniciativas financiadas pela Fundação Elias Mansour (FEM).
Na exposição “Reminiscências”, o recorte reúne trajetórias e técnicas diferentes, com participação de artistas ligados à fundação da entidade e nomes de outras gerações. Entre os expositores estão Glissério Gomes, Ulisses Sanchez, David Pequeno, Josinei de Pires, José Matos, Oscar Junior, Edila Maria, Edinho Teixeira e Edimilson Moreira, com trabalhos que passam por linguagens como pintura, escultura e combinações de grafite e acrílico.
À frente da Aapa, o presidente Ulisses Sanchez Carpio disse que a atuação da associação inclui parcerias fora do estado, com intercâmbio cultural com a Universidade de Belas Artes do Peru e colaboração com instituições da Bolívia, além do reconhecimento como Ponto de Cultura. A expectativa é que a mostra amplie a circulação do público na galeria e mantenha a agenda de ocupação cultural no Palácio, conectando produção artística e rotina de serviços no centro administrativo.
O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, foi indicado a oito categorias na 13ª edição dos Prêmios Platino Xcaret, cuja lista de finalistas foi anunciada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, consolidando o Brasil entre os destaques da principal premiação ibero-americana do audiovisual.
A produção concorre a Melhor Filme e Melhor Direção e também disputa Interpretação Masculina com Wagner Moura. O longa ainda aparece nas categorias de Música Original, Roteiro, Montagem, Direção de Arte e Vestuário, somando oito indicações.
Outros títulos brasileiros também entraram na seleção. Manas, de Marianna Brennand, foi indicado a Melhor Filme de Estreia, Atriz Coadjuvante, com Dira Paes, e Educação e Valores. O Último Azul, de Gabriel Mascaro, concorre a Melhor Ator Coadjuvante com Rodrigo Santoro, enquanto O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende, disputa a categoria de Maquiagem e Cabeleireiro. Entre os documentários, o país está representado por Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa.
Na televisão, o Brasil aparece com Angela Diniz: Assassinada e Condenada, indicada a Melhor Música Original, e Beleza Fatal, finalista entre as séries de longa duração. Ao todo, o Platino reúne 30 filmes e 19 séries de 14 países ibero-americanos, com produções em língua espanhola e portuguesa.
Na disputa geral, Belén (Argentina), de Dolores Fonzi, e Los Domingos (Espanha), de Alauda Ruiz de Azúa, lideram as indicações entre os longas, com 11 cada. Na sequência, aparecem O Agente Secreto, com oito, e Sirât (Espanha), de Oliver Laxe, com sete.
A cerimônia está marcada para 9 de maio, no Grand Teatro do Xcaret, em Cancún, no México, com transmissão ao vivo pelo Canal Brasil. A presença brasileira em diferentes categorias amplia a vitrine internacional das produções nacionais e pode abrir novas oportunidades de circulação e coprodução no mercado ibero-americano.
As produções voltadas a crianças e pré-adolescentes ficaram com a maior parcela de recursos do edital Seleção TV Brasil: R$ 32 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), para quatro projetos infantis e quatro infantojuvenis que devem entrar na programação da TV Brasil e circular pela Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
Na linha infantil, o edital reservou R$ 12.807.300 para “O Tubarão Martelo” (MG), “Ory” (BA), “Júlio e Verne – Os Irmãos Gemiais – 2ª temporada” (GO) e “Além da Lenda – Tecnologias Lendárias” (PE). Para o público infantojuvenil, foram R$ 19.745.000 destinados a “Ginga” (MG), “A Turma do Professor Sem Nome” (SP), “Clube Curupaco” (MG) e “Memórias de um Lobisomem Pré-Adolescente” (SP).
O reforço na faixa de infância e pré-adolescência acontece dentro de um pacote mais amplo: a Seleção TV Brasil prevê cerca de R$ 110 milhões para 39 obras independentes em sete linhas temáticas, com exibição na TV Brasil e em emissoras parceiras da RNCP. O anúncio dos projetos selecionados foi feito em 11 de fevereiro de 2026, em cerimônia no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, e incluiu ainda categorias como natureza e meio ambiente, futebol feminino, sociedade e cultura, produção e finalização de longas-metragens e a coprodução de novela.
Durante o evento, o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, afirmou que a programação infantojuvenil ocupa um lugar central na comunicação pública e disse que, na TV aberta, “a TV pública é praticamente a única janela” com oferta gratuita desse tipo de conteúdo, apontando o edital como forma de garantir acesso a produções de alcance nacional. O presidente da EBC, André Basbaum, relacionou o investimento ao fortalecimento da radiodifusão pública em um ambiente de desinformação, enquanto o diretor-presidente da Ancine, Alex Braga, citou recordes de investimento e a parceria do FSA com a TV pública.
Com a contratação dos projetos e o início das etapas de produção, a expectativa da EBC é que os novos títulos ampliem a oferta de programação voltada a crianças e jovens na grade aberta e gratuita, com distribuição em rede, num momento em que esse tipo de conteúdo tem migrado para plataformas digitais e canais pagos, reduzindo a presença na televisão aberta comercial.