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Direto ao ponto

No coração de Sucupira, tem um Z de CZS

Com ares de grande acontecimento, a instalação de placas em Cruzeiro do Sul reacende a velha política do exagero, em que o acessório tenta posar de feito histórico e a cidade real segue esperando grandeza onde ela de fato importa.

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Em Cruzeiro do Sul, bastou subir algumas placas para que o episódio ganhasse contornos de novidade quase civilizatória. A cena, por si só, já merecia registro: estruturas metálicas, nomes de ruas, indicação de pontos públicos e, ao fundo, aquela conhecida disposição de transformar o que é simples em gesto solene. Faltou apenas Odorico Paraguaçu cortar a fita e decretar que, dali em diante, a municipalidade ingressava nos altos patamares da modernidade viária.

A comparação com Sucupira não é exagero. Exagero, na verdade, é tratar uma intervenção pontual como se ela traduzisse uma inflexão decisiva no destino urbano de Cruzeiro do Sul. Placas orientam, sim. Mas não reorganizam sozinhas uma cidade, não resolvem seus entraves e muito menos autorizam qualquer clima de epopeia administrativa.

É nesse teatro do acessório engrandecido que mora a crítica. Quando o pequeno se veste de grandioso, a gestão corre o risco de parecer menos comprometida com resultados concretos e mais inclinada a cultivar a liturgia da aparência. Em outras palavras: troca-se densidade por pose, escala por encenação, e o que deveria ser apenas parte da rotina pública vira quase um acontecimento de Estado.

No caso de Cruzeiro do Sul, o episódio também acende um alerta político. O prefeito precisa observar melhor quem o aconselha e quem ajuda a dar forma pública aos atos da administração. Porque assessor existe para calibrar, organizar, dar medida e evitar o ridículo. Quando falha nisso, expõe o gestor ao desgaste desnecessário e empurra a administração para a caricatura.

No coração de Sucupira, havia um “S”. Em alguns momentos da vida pública de Cruzeiro do Sul, já parece surgir um “Z” de CZS, como marca local dessa velha tentação brasileira de superdimensionar o trivial. E é aí que a ironia deixa de ser apenas recurso de estilo para virar diagnóstico político.

Se a cidade quiser mesmo se afastar de Sucupira, precisará de menos pompa em torno do detalhe e mais consistência no que realmente pesa para a população.

Direto ao ponto

Sem ruptura, Alysson mantém agenda de continuidade em Rio Branco

Após a saída de Tião Bocalom, a condução da prefeitura por Alysson Bestene reforça a leitura de uma transição estável, alinhada e politicamente calculada.

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Com a saída de Tião Bocalom para disputar as eleições, Alysson Bestene assumiu a gestão num movimento que, até aqui, tem sido marcado menos por gestos de ruptura e mais por sinais de continuidade cuidadosamente organizados.

O que se vê na agenda da prefeitura não é propriamente a tentativa de inaugurar um novo ciclo, mas de sustentar a imagem de que a máquina segue operando sem interrupção. E isso, em política, também é uma escolha. Ao aparecer vinculado a ações de manutenção urbana, atendimento de demandas imediatas e diálogo com lideranças comunitárias, Alysson parece atuar para consolidar uma transição estável, sem criar distância pública em relação à gestão anterior.

Esse dado chama atenção porque a sucessão poderia abrir espaço para uma inflexão mais visível, com troca de tom, mudança de prioridades ou tentativa de demarcar território. Não foi o caminho escolhido. O prefeito tem se movimentado dentro de uma linha de continuidade administrativa, preservando uma lógica já conhecida da gestão municipal: presença em agendas de rua, foco em serviços urbanos e interlocução com comunidades.

A manutenção da cidade ajuda a explicar essa estratégia. Serviços de drenagem, terraplenagem, remendo profundo, limpeza e recuperação de áreas públicas aparecem como vitrine de governo em andamento. Não se trata apenas de rotina administrativa. Trata-se de um tipo de agenda que produz efeito político imediato porque comunica normalidade, presença e resposta. Em transições de comando, esse tipo de sinal costuma ser relevante justamente por afastar a ideia de desorganização ou vazio de poder.

No mesmo sentido, a reunião com lideranças comunitárias da Baixada da Sobral reforça outra dimensão dessa condução: a manutenção do diálogo direto com setores organizados da cidade. Mais do que um encontro protocolar, a agenda funciona como marcador político. Alysson ocupa um espaço importante para qualquer prefeito que assume no curso do mandato: o de demonstrar escuta, manter pontes abertas e mostrar que a mudança no gabinete não altera, ao menos por enquanto, a interlocução com as bases.

Há um componente adicional nessa movimentação. Ao não tentar imprimir, de saída, uma identidade de contraste, Alysson evita alimentar a leitura de que sua chegada representa revisão ou correção de rumo. Pelo contrário: a escolha parece ser a de se apresentar como fiador da continuidade, alguém que assume o posto preservando o eixo político e administrativo construído ao lado de Bocalom.

Isso não é ausência de marca própria. Na prática, Alysson parece apostar que, neste momento, o ganho político não está em parecer diferente, mas em parecer seguro no comando, apto a conduzir a prefeitura dentro de uma transição pactuada e sem sobressaltos.

Tião sai do cargo, mas o grupo sabe exatamente o que quer e mantém o foco no caminho traçado para 2026. Alysson assume não como alguém que precise reinventar a gestão, mas como quem conduz a passagem com estabilidade, preserva alianças e mantém a agenda pública em funcionamento.

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Direto ao ponto

Juruá produz nomes, mas decisão sobre vice segue longe de Cruzeiro do Sul

O Juruá volta a produzir nomes e ruídos, mas a definição de verdade continua dependendo de Gladson Cameli

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No coração de Cruzeiro do Sul, não existe apenas um “Z”. Quando o assunto é política, há um alfabeto inteiro de interesses, articulações, vaidades, ruídos e movimentos de bastidor.

A atual gestão municipal tenta se afastar da imagem de inércia e baixa entrega, mas ainda enfrenta, em setores da cidade, a percepção de que falta converter discurso em resultado concreto. Diferenças e disputas pertencem ao calendário eleitoral. Governar, depois da posse, exige outra postura: a de representar a cidade inteira, inclusive quem não votou no vencedor. Ouvir a rua continua sendo parte indispensável desse processo.

No Juruá, nomes de Cruzeiro do Sul continuam circulando nos bastidores quando o assunto é composição para 2026. Mas dizer que o jogo da vice foi reaberto talvez seja mais pressa do que fato. Hoje, o cenário ainda aponta noutra direção: Mailza Assis mantém a pré-candidatura de pé, o MDB segue na composição e Jéssica Sales continua tratada como nome consolidado para a vice governista. 

Convém evitar a leitura de que Zequinha Lima detenha uma liderança incontestável em Cruzeiro do Sul ou no Juruá. Isso não corresponde ao ambiente político real. Ele está longe de ser unanimidade, e sua capacidade de influenciar o tabuleiro regional tem limites evidentes. Em vez de colocá-lo como centro organizador desse movimento, o que, segundo uma fonte da própria gestão, não corresponde à realidade, o mais adequado seria acompanhar os movimentos de lideranças como os deputados Clodoaldo, Pedro Longo e Nicolau Júnior, ainda segundo a fonte.

Por isso, o mais correto é afirmar que o Juruá segue no campo das especulações, não ao centro das decisões. No Acre, especialmente dentro da base governista, arranjos dessa dimensão não se consolidam sem a bênção de Gladson Cameli. O próprio governador já deixou claro, em diferentes momentos, que a condução das negociações passa por ele, o que reduz o espaço para movimentos regionais “autônomos” se converterem, por si só, em definição de chapa. 

Valéria Lima, ex-secretária de Saúde e vereadora mais votada de Cruzeiro do Sul nas eleições de 2024, com 1.994 votos, segue lembrada sempre que se fala em composição majoritária. Tem densidade eleitoral, recall e presença consolidada no município. É, sem dúvida, um nome competitivo para qualquer arranjo. Ao mesmo tempo, sua eventual ascensão dependeria de uma rearrumação mais ampla no campo governista, já que a candidatura de Mailza Assis continua formalmente de pé e com o MDB ocupando a vaga de vice, hoje atribuída a Jéssica Sales.

Outro nome de peso é o do presidente da Aleac, Nicolau Júnior. Cruzeirense, com forte presença política no Juruá, ele permanece como uma das principais referências da região. Mas seu projeto declarado, até aqui, é a reeleição para deputado estadual, mantendo vivo, para mais adiante, o sonho de disputar a prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Mais recentemente, quem entrou de vez no radar foi Marcelo Siqueira, do PSD. Sua saída da Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul foi confirmada em 7 de abril, e o movimento imediatamente alimentou especulações sobre uma possível candidatura a vice-governador. Veículos da região passaram a tratar Marcelo como nome possível em uma composição com Tião Bocalom.

Marcelo reúne atributos que ajudam a explicar esse interesse: tem trajetória política, experiência administrativa e boa circulação em diferentes campos. Filiado ao PSD desde 2024, aproximou-se do grupo do prefeito Zequinha Lima e, na Saúde, ganhou visibilidade como gestor. Sua saída representa perda técnica para a administração municipal, mas abre para ele uma janela política mais ampla. Em resumo: a gestão perde um quadro, e a política ganha um nome viável.

Sobre o MDB, porém, ainda não há desembarque oficial do grupo de Mailza. O movimento público mais recente aponta para a manutenção da aliança e para a consolidação de Jéssica Sales como nome da vice na chapa governista. Mesmo assim, os ruídos persistem e mantêm abertas as conversas paralelas.

No resumo da semana, o dado central é simples: a chapa oficial de Mailza continua de pé, mas o bastidor político do Juruá já opera em modo: plano B. 

Por fim, não esqueçam do Bitar. Perguntar não ofende qual o espaço que o PL de Márcio Bittar conseguirá ocupar dentro dessa engrenagem? ou irá impor?!

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Direto ao ponto

O braço direito de Bocalom e o futuro da direita em Rio Branco

Com a renúncia de Bocalom, Alysson Bestene assume a tarefa de preservar o ritmo das grandes obras e ampliar os avanços da capital

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Com a renúncia de Tião Bocalom (PL) ao segundo mandato na Prefeitura de Rio Branco, a capital vive uma passagem de bastão construída desde a formação da chapa entre o prefeito e o vice Alysson Bestene. Reeleito com 54,71% dos votos válidos, Bocalom, aos 72 anos, deixa o cargo para tentar consolidar sua trajetória no projeto de disputar o governo do Acre. Presente nas principais decisões da gestão, Bestene agora assume o peso político e administrativo de uma administração marcada pela continuidade de grandes projetos e pelo desafio de destravar gargalos históricos da capital acreana.

Desde o início do segundo mandato, a dinâmica entre os dois chamou atenção pela complementaridade de perfis e pelo alinhamento público. Desde a cerimônia de posse, enquanto Bocalom adotou seu tradicional tom voltado à gestão financeira e ao “cuidado com o dinheiro público e o campo”, Bestene trouxe um discurso mais voltado ao futuro, defendendo uma cidade “crescente, desenvolvida e ficando mais bela” para as próximas gerações. A sintonia entre os dois também se refletiu na prática administrativa, com Alysson na linha de frente de decisões de grande impacto, como o lançamento do edital de licitação do transporte coletivo.

O primeiro grande teste de Alysson Bestene à frente da prefeitura será a condução do transporte coletivo, hoje a pauta mais urgente e também a mais sensível da gestão. O próprio Bocalom já admitiu que o setor é um dos que mais têm dado contratempos à administração. Em busca de segurança jurídica, prefeito e vice lançaram a licitação estimada em R$ 1 bilhão, que prevê uma mudança profunda no sistema: as empresas passarão a ser remuneradas pelo quilômetro rodado, e não mais pelo número de passageiros, numa tentativa de melhorar a qualidade do serviço prestado à população.

Outro ponto nevrálgico da herança de Alysson Bestene é a habitação, área que deve seguir como um dos pilares da nova gestão. Os projetos da prefeitura, especialmente o programa 1.001 Dignidades, tornaram-se alvo de críticas e questionamentos levantados por vereadores da oposição. Como resposta, Bocalom foi a campo vistoriar construções e afirmou que, com a readequação de terrenos e a soma de esforços com o Minha Casa, Minha Vida, o município deve ultrapassar a marca de 1.800 unidades habitacionais entregues. Além do alcance social, a gestão também aposta no peso econômico dessas obras, que, segundo o prefeito, devem gerar de três a quatro mil empregos diretos na região.

A transição ocorre de forma amigável e reforça uma parceria construída ainda antes da posse. Bestene dividiu com Bocalom a linha de frente de decisões importantes da gestão. Agora, passa a carregar sozinho o peso político e administrativo de transformar essa parceria em entrega e resultado.

Bocalom deixa a prefeitura respaldado por números positivos, com mais de 61,3% de aprovação, somando os índices de ótimo, bom e regular, segundo pesquisas de opinião pública do último ano. Alysson Bestene, no entanto, herda obras complexas, áreas sensíveis da administração e polêmicas que vão exigir pulso firme.

Bocalom e Bestene entram nesta nova fase amparados por um capital político relevante, mas que dependerá de entrega para se sustentar. O cenário, porém, exige cautela: um quinto do eleitorado, equivalente a 20%, ainda avalia a administração de forma negativa, entre ruim e péssima, enquanto os 36,8% que a classificam como regular mostram que a percepção popular pode oscilar conforme o ritmo das obras e a capacidade de resposta da gestão.

Para que a parceria política construída entre Bocalom e Alysson Bestene siga produzindo efeitos, o caminho pragmático está dado: entregar. Se a sintonia administrativa que marcou os últimos anos se converter em obras concluídas, respostas concretas e capacidade de gestão, Bestene terá a chance de consolidar o plano de governo herdado e, ao mesmo tempo, afirmar seu próprio espaço político. Já Bocalom apostará no sucesso dessa transição como parte do lastro de sua caminhada rumo ao Palácio Rio Branco.

O balanço da era Bocalom se apoia em obras e ações de forte impacto social e de infraestrutura. Na zona urbana, a gestão iniciou grandes intervenções viárias, como o viaduto da AABB e o Viaduto Bete Bocalom, além de ampliar a rede de educação infantil com novas unidades, como a Creche da Vila Acre, e alcançar a marca de quase 2.500 vagas em creches em Rio Branco. Na área nutricional, a prefeitura implantou a produção diária de 5 mil litros de leite de soja, destinados à merenda escolar e a famílias carentes. Ao mesmo tempo, manteve operações de tapa-buracos, ampliou a pavimentação asfáltica e reforçou a limpeza das vias públicas, com canteiros e jardins que Bocalom costuma apontar como símbolo de uma cidade mais bem cuidada.

No campo, o “produzir para empregar” saiu do discurso para a prática. A gestão voltou esforços para o homem do campo, com a recuperação de mais de 2.390 quilômetros de ramais, a construção de 86 pontes e a distribuição de 6 mil toneladas de calcário e 150 mil mudas. A pecuária familiar também recebeu atenção, com a inseminação de vacas leiteiras e a estruturação de um complexo agroindustrial voltado ao armazenamento e ao processamento de grãos.

A partir de agora, as trajetórias se separam, mas o projeto político segue conectado. Enquanto Tião Bocalom parte para tentar ampliar sua experiência para todo o Acre, Alysson Bestene assume o desafio de manter a máquina em funcionamento, entregar os projetos bilionários e mostrar, na prática, se a aliança entre a experiência de seu antecessor e a sua renovação será suficiente para sustentar o rumo da gestão em Rio Branco.

Fotos: Sérgio Vale

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