Uma técnica cirúrgica inédita e um dispositivo médico criados no Acre para a enucleação da próstata acabam de ser patenteados e publicados oficialmente, com expansão comercial iniciada para o restante da América Latina. Desenvolvido em Rio Branco pelos urologistas Fernando de Assis e Felipe Oliveira, em conjunto com uma equipe de profissionais locais, o método substitui as cirurgias de abdômen aberto por um procedimento endoscópico. A alternativa foi criada para contornar a falta de equipamentos de alto custo na rede pública e privada da região.
O tratamento convencional de próstatas gigantes exigia incisões abdominais, transfusões de sangue e um período de internação de cinco a dez dias. Com o novo protocolo, a intervenção cirúrgica acontece sem cortes externos. O paciente recebe alta no dia seguinte, em grande parte das vezes sem a necessidade de sonda. O aparelho desenvolvido no estado custa oito vezes menos do que os equivalentes fabricados por indústrias dos Estados Unidos e da Alemanha. Após a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o registro de patente, a tecnologia entrou em comercialização no mercado nacional.
A criação surgiu de um cenário de limitação estrutural. “A necessidade é a mãe da criatividade”, afirma Fernando de Assis. Segundo o médico, o desenvolvimento no Norte do país foi impulsionado pela ausência de infraestrutura disponível em grandes centros urbanos. “Se eu estivesse em São Paulo, na Alemanha ou nos Estados Unidos, eu nunca ia pensar nessa forma de cirurgia”, pontua. O equipamento alternativo já foi utilizado por cirurgiões no Paraná e em Goiás como substituto imediato para falhas operacionais de maquinários importados durante os procedimentos.
O cenário da saúde masculina no Acre também passa por modificações na etapa de diagnóstico. Há duas décadas, 75% dos casos de câncer de próstata diagnosticados em Rio Branco encontravam-se em estágio avançado. Levantamentos recentes da Universidade Federal do Acre (Ufac) registraram a inversão dessa proporção, que se igualou aos índices de detecção precoce das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Apesar da mudança, a expectativa de vida do homem acreano permanece dez anos menor que a do homem japonês devido à resistência histórica em buscar consultas médicas preventivas.
Em contrapartida, novos problemas afetam a população masculina jovem. O uso de hormônios como a testosterona por razões puramente estéticas, sem deficiência clínica, gerou um aumento nos casos de infertilidade, disfunção erétil e complicações cardiovasculares. “O que chega de paciente no consultório usando testosterona é uma grosseria”, relata Assis. O consumo antecipado de medicamentos vasodilatadores, como a tadalafila, por jovens na faixa dos 20 anos mascara problemas vasculares que antecedem eventos cardíacos. Fatores como a alta taxa de obesidade no estado também elevaram a incidência de cálculos renais, uma condição historicamente menos frequente na região amazônica por causa da alta umidade e do consumo constante de água. Ocorre ainda o retorno de infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis e o vírus HPV, entre as gerações que não presenciaram as consequências em larga escala da epidemia de HIV.
A consolidação da técnica cirúrgica acreana no mercado médico viabiliza o acesso a procedimentos minimamente invasivos no Sistema Único de Saúde (SUS) e em países vizinhos. A redução no custo dos materiais possibilita a implantação de cirurgias endoscópicas em locais com menor capacidade de investimento hospitalar. Na área preventiva, profissionais de saúde cobram a adoção de protocolos mais rígidos para a prescrição de hormônios e a ampliação da vacina contra o HPV para meninos a partir dos nove anos de idade, como medida para frear o avanço de doenças crônicas ligadas à automedicação e à ausência de rastreio clínico periódico.
O podcast BaroneCast, transmitido via YouTube, reuniu na última semana o apresentador e fisioterapia Rener Barone e o especialista em joelho Raí Alves para um debate técnico focado em soluções para dores articulares. O episódio teve como tema central a questão “O que fazer pra acabar as dores nos joelhos?”, abordando desde as causas e mitos das patologias até a importância crucial do fortalecimento muscular como estratégia principal de tratamento e prevenção, em detrimento de abordagens passivas baseadas apenas em repouso e medicação.
O aumento da prática de esportes de impacto tem elevado a busca por orientações ortopédicas especializadas. Durante a conversa, Raí Alves explicou que o joelho não deve ser analisado isoladamente, mas como parte de um sistema biomecânico integrado que envolve o quadril e o tornozelo. Segundo o especialista, muitas dores na região patelar originam-se de desequilíbrios musculares, como a fraqueza do glúteo médio ou encurtamento de adutores, e não necessariamente de uma lesão estrutural primária na articulação. A análise biomecânica completa torna-se, portanto, fundamental antes da prescrição de qualquer protocolo de exercícios.
Um dos pontos centrais do debate foi a condromalácia patelar, caracterizada pelo amolecimento da cartilagem. Raí Alves esclareceu que a presença de degeneração em exames de imagem não dita necessariamente a intensidade da dor do paciente. “Não é o grau do teu desgaste que vai ditar a sua dor, mas é o nível da inflamação”, afirmou o especialista. Esta distinção é crucial para o tratamento, indicando que pacientes com graus avançados de desgaste podem permanecer assintomáticos se a inflamação estiver controlada e a musculatura devidamente fortalecida.
A prescrição de exercícios em academias, especificamente o uso da cadeira extensora e o agachamento, gerou uma análise detalhada. Raí Alves alertou que a cadeira extensora, embora eficiente para o quadríceps, gera uma compressão patelofemoral elevada que pode agravar quadros de inflamação aguda. Já o agachamento foi defendido como um exercício funcional e seguro, desde que respeitada a biomecânica individual e a amplitude de movimento permitida pelo aluno. A recomendação de Barone e Alves é evitar a generalização dos treinos e adaptar a carga à condição clínica do praticante.
Sobre o uso de intervenções medicamentosas, os participantes questionaram a eficácia isolada de suplementos como o colágeno. Houve consenso de que, sem o estímulo mecânico do exercício físico, a suplementação possui efeito limitado na regeneração tecidual. O uso excessivo de anti-inflamatórios também foi citado como um paliativo que, se utilizado de forma crônica, pode mascarar sintomas e permitir a progressão da lesão. A abordagem defendida prioriza o movimento controlado como agente anti-inflamatório natural, promovendo a nutrição da cartilagem através da circulação do líquido sinovial.
A discussão encerrou com orientações para corredores e praticantes de atividades físicas. A interrupção total do esporte, muitas vezes prescrita, foi contraindicada pelos especialistas, exceto em casos de inflamação severa. A estratégia sugerida envolve o controle de carga, a redução do volume de treino e a correção de gestos motores, permitindo que o indivíduo mantenha a atividade enquanto realiza a reabilitação. O fortalecimento preventivo e contínuo foi apontado como a única intervenção capaz de garantir a longevidade articular e a performance esportiva a longo prazo.
Para conferir a entrevista na íntegra e acompanhar outras discussões sobre saúde, esporte e bem-estar, o público pode acessar o canal oficial do podcast no YouTube, através do perfil @BaroneCastAC. O conteúdo completo desta edição com o especialista Raí Alves, bem como a agenda de próximas transmissões ao vivo, está disponível na plataforma de vídeos. O BaroneCast é realizado pela Wave Produções.
A transformação digital e a adoção de inteligência artificial alteram a dinâmica de atendimento e a captação de pacientes no setor de saúde no Brasil. As mudanças estruturais na gestão de consultórios foram o centro do debate no BaroneCast, programa apresentado pelo fisioterapeuta Barone, que recebeu a especialista em marketing médico Gisele para analisar as falhas comerciais que geram perda de receita na área da saúde. O encontro expôs a urgência de modernizar o primeiro contato com o paciente, substituindo o amadorismo no agendamento por fluxos automatizados e dados concretos.
A ausência de um processo comercial bem desenhado figura como o principal obstáculo financeiro para profissionais da medicina. Consultórios perdem altos volumes de agendamentos devido a falhas primárias na recepção e no acompanhamento de interessados. A falta de scripts de atendimento, a demora nas respostas via WhatsApp e a inexistência de uma rotina gerencial clara sobrecarregam as secretárias. Essas profissionais dividem a atenção entre o acolhimento presencial, a organização física do espaço e a triagem em aplicativos de mensagens. Esse cenário resulta em interações monossilábicas e evasivas que afastam o público em busca de tratamentos de alto valor agregado.
“O processo em que as pessoas mais erram é a secretária não ter direção”, afirmou Gisele ao relatar o impacto da desorganização operacional nas agendas. A implementação de agentes de inteligência artificial conectados a sistemas de relacionamento com o cliente (CRM) assume tarefas repetitivas e elimina erros humanos. As ferramentas automatizadas realizam a marcação direta com integração de calendários, controlam lembretes e executam o processo de retorno para a reativação de pacientes crônicos. A transferência dessas demandas para a tecnologia libera a equipe humana para executar um atendimento presencial eficiente e focado na experiência do usuário.
A presença digital dos profissionais passa por uma adequação de foco para gerar rentabilidade. A produção de conteúdo em redes sociais, frequentemente direcionada para impressionar colegas de profissão, gera baixo engajamento comercial. A comunicação eficaz exige focar na dor emocional e no desejo do paciente final, utilizando estruturas de narrativa direta desde os primeiros segundos de um vídeo. A regularidade nas publicações e a simplificação da linguagem técnica quebram a barreira do conhecimento acadêmico, conectando o especialista à pessoa que necessita da solução clínica de maneira rápida e compreensível.
A transição da mentalidade estritamente técnica para uma visão empresarial dita a escalabilidade dos negócios na área da saúde. O mapeamento de todo o trajeto do paciente, do momento em que visualiza um anúncio até a avaliação pós-consulta em buscadores da internet, exige que o médico atue ativamente como um gestor corporativo. A adoção de métricas de conversão e a profissionalização do atendimento transformam a percepção de valor do público. Os consultórios que documentarem seus processos internos e integrarem inteligência artificial aos seus fluxos de trabalho concentrarão a demanda do mercado, otimizando o tempo do especialista e garantindo uma expansão contínua de caixa.
Empreender no estado do Acre exige gestão rápida de crises e adaptação constante aos movimentos da economia, realidade vivenciada pelo empresário Paulo Henrique, criador da Digicópias. Durante o terceiro episódio da quarta temporada do podcast BaroneCast, conduzido pelo fisioterapeuta Barone, o empresário expôs a construção de sua carreira, que começou em um espaço de menos de 15 metros quadrados no Terminal Urbano de Rio Branco e atravessou um passivo financeiro de R$ 1,5 milhão na pandemia de Covid-19, chegando à atual fase de investimentos financeiros e estruturais em academias de alto padrão.
A inserção no mercado próprio ocorreu após o desligamento de uma empresa de reprografia na qual trabalhou por mais de seis anos. O negócio individual começou impulsionado por um empréstimo familiar de R$ 400 e gerou um faturamento de R$ 80 no primeiro dia de portas abertas. O crescimento da operação foi financiado pelo reinvestimento contínuo do capital em insumos, como papel e toner, e pela adaptação às transições tecnológicas, evoluindo das cópias para a revelação fotográfica e, posteriormente, para a estamparia e malharia esportiva. A adoção de uma estratégia de concessão de descontos atrelada à impressão da logomarca da empresa nos uniformes massificou a presença da marca em diversos municípios do estado.
A paralisação comercial forçada pela pandemia representou a maior fratura no fluxo de caixa da trajetória da empresa. A ausência de faturamento resultou no acúmulo da dívida milionária, que incluiu multas trabalhistas superiores à marca de R$ 60 mil. Diante do colapso, a administração optou por cancelar contratos governamentais vigentes e concentrou os esforços na renegociação direta com a rede de fornecedores privados. “Ou a empresa sobrevive ou eu pago imposto”, disse Paulo Henrique ao descrever as decisões tomadas para manter a operação em funcionamento. Cinco anos após o impacto da crise sanitária, as pendências com fornecedores foram liquidadas e o patrimônio do grupo foi multiplicado por dez.
A injeção de capital mais recente da companhia migrou para o segmento de academias, fundamentada no dado estatístico de que apenas 5% da população do país frequenta ambientes de treinamento físico. O direcionamento atual engloba a aquisição de infraestrutura imobiliária de porteira fechada e a criação de espaços de treino voltados a um público de maior poder aquisitivo, com foco na entrega de estruturas com privacidade e serviços exclusivos. A consolidação dessa nova linha de empreendimentos vai reconfigurar a concorrência na oferta de serviços esportivos no mercado local, exigindo a profissionalização da mão de obra voltada à saúde e elevando o teto de investimentos no setor de bem-estar na região.