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Povos Indígenas

“O povo é dono”: OPIRJ entrega núcleos de gestão e reforça autonomia indígena no Juruá

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“O povo é dono”, afirmou Francisco Piyãko ao falar sobre o sentido dos Núcleos Indígenas de Gestão Integrada (NIGIs) entregues pela Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ) em territórios indígenas da região. A frase resume a abordagem defendida pelo coordenador da organização: mais do que uma obra, cada núcleo deve funcionar como um espaço de pertencimento coletivo, decisão comunitária e fortalecimento da autonomia dos povos.

Na fala de Piyãko, a estrutura física aparece como ponto de partida, mas não como centro da entrega. Para ele, o valor do espaço está na relação que a comunidade constrói com o território. “Esse lugar aqui é do território. Esse lugar aqui é do povo”, disse. O coordenador destacou que a casa não deve ser vista apenas pelo prédio, pelo mobiliário ou pelos equipamentos, mas pelo respeito que representa.

Francisco defendeu que os núcleos sejam usados no cotidiano das comunidades, como espaços de reunião, escuta e organização. Ao dizer que o local “tem que funcionar todos os dias”, ele associou a entrega à necessidade de manter viva a gestão territorial feita pelos próprios povos indígenas. O NIGI, nessa perspectiva, é um lugar para sentar em roda, conversar, aprender com a sabedoria de cada um e tomar decisões sobre o território.

A fala também aponta para uma dimensão política do trabalho da OPIRJ. Piyãko afirmou que a organização não atua apenas a partir de uma lógica burocrática. “A gente não é burocrático, a gente é parente”, disse. A afirmação reforça a ideia de que a gestão territorial indígena passa por vínculos de parentesco, responsabilidade coletiva e compromisso com as comunidades.

Ao comentar os detalhes da construção, Francisco relacionou a qualidade da obra ao respeito pelos povos atendidos. Ele citou a madeira, o piso, os desenhos e os acabamentos como sinais de cuidado. “Isso aqui foi feito com amor”, afirmou. Para ele, a beleza do espaço não é apenas estética: “É bonito, mas não é só bonito. É o tamanho do respeito.”

A OPIRJ realizou, no dia 19 de abril de 2026, a entrega do Núcleo Indígena de Gestão Integrada da Terra Indígena Nukini. A atividade fez parte da programação do Dia dos Povos Indígenas na comunidade e reuniu lideranças e moradores em um momento de significado coletivo. A ação foi conduzida por Francisco Piyãko, junto com Luiz Nukini, membro da diretoria da organização, e a equipe da OPIRJ.

Segundo a organização, o NIGI da Terra Indígena Nukini foi estruturado para apoiar a gestão do território. O espaço conta com computadores, acesso à internet, energia solar e mobiliário, como mesas e cadeiras, além de banheiros. A proposta é que a estrutura contribua para reuniões, articulações comunitárias, oficinas e processos de decisão.

A OPIRJ também realizou, recentemente a entrega oficial de um NIGI na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, na Aldeia Apiwtxa. A obra foi apoiada pelo Fundo Amazônia e informou que sete territórios foram beneficiados com estruturas desse tipo. Segundo Francisco, a agenda da organização na região é marcada por entregas e conversas com cada território.

As ações fazem parte do projeto Gestão Territorial OPIRJ, iniciativa executada pela própria Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá com apoio do Fundo Amazônia. O projeto tem foco na proteção, na gestão e na valorização dos povos indígenas, ampliando a capacidade das comunidades de organizar decisões sobre seus territórios e fortalecendo a autonomia indígena no Vale do Juruá.

Municípios do Acre citados nas entregas de NIGIs da OPIRJ Mapa municipal do Acre com destaque para Mâncio Lima, Tarauacá e Marechal Thaumaturgo. Acrelândia Assis Brasil Brasiléia Bujari Capixaba Cruzeiro do Sul Epitaciolândia Feijó Jordão Mâncio Lima Manoel Urbano Marechal Thaumaturgo Plácido de Castro Porto Walter Rio Branco Rodrigues Alves Santa Rosa do Purus Senador Guiomard Sena Madureira Tarauacá Xapuri Porto Acre Mâncio Lima Marechal Thaumaturgo Tarauacá

Municípios destacados na matéria da OPIRJ como áreas de implantação dos NIGIs. A localização das aldeias não está indicada ponto a ponto.

Gestão territorial no Juruá

A entrega começa antes da inauguração

Móveis, materiais, equipamentos e estruturas de apoio saem por estrada e rio para dar forma aos Núcleos Indígenas de Gestão Integrada e aos tanques manuais nas Terras Indígenas do Juruá.

  • Mâncio Lima: Território Nukini e Território Puyanawa.
  • Tarauacá: Terra Indígena Rio Gregório.
  • Marechal Thaumaturgo: Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia e Kuntanawa.
3 municípios aparecem como áreas de implantação dos Núcleos Indígenas de Gestão Integrada.
6 territórios são citados na etapa de estruturação dos NIGIs pela OPIRJ.
4 Terras Indígenas recebem equipamentos e materiais para tanques manuais.

O que chega aos territórios

Segundo a OPIRJ, os NIGIs foram pensados como espaços multifuncionais para reuniões, formações, planejamento e articulação institucional. Cada núcleo reúne salas de reunião e capacitação, escritório com computador e internet, mobiliário, materiais de escritório, área para armazenamento da produção comunitária e cozinha equipada.

Mâncio Lima Territórios Nukini e Puyanawa entram na rota dos NIGIs, com estruturas voltadas à organização local e à gestão comunitária.
Tarauacá A Terra Indígena Rio Gregório aparece entre os territórios contemplados na implantação dos núcleos.
Marechal Thaumaturgo Kampa do Rio Amônia, Arara do Rio Amônia e Kuntanawa concentram entregas no Alto Juruá.
1

Compra e separação

Móveis, equipamentos e materiais são organizados conforme as demandas de cada território.

2

Transporte pelo rio

Parte das entregas segue em embarcações, com materiais chegando às comunidades por via fluvial.

3

Montagem dos espaços

Os NIGIs passam a reunir infraestrutura para reuniões, formações e decisões coletivas.

4

Produção e vigilância

Tanques manuais, casas de passagem e casas de vigilância ampliam a proteção territorial e a segurança alimentar.

Equipe descarrega móveis e materiais de uma embarcação no Rio Juruá.
Equipe descarrega móveis e materiais: a estruturação dos núcleos depende de uma logística que atravessa rios e comunidades.
Embarcação transporta tubos e equipamentos para as entregas em territórios indígenas.
Materiais para tanques manuais seguem por via fluvial.
Estrutura de madeira construída no território Arara do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo.
Estrutura no território Arara do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo.
Grupo posa diante de uma estrutura de madeira construída no âmbito das ações de gestão territorial.
Estruturas específicas, como casas de passagem e vigilância, são construídas conforme a demanda de cada povo.

Para que serve: os NIGIs funcionam como base de organização dos territórios, com condições para reuniões, oficinas, planejamento, articulação com parceiros e tomada de decisão coletiva. A ação integra o projeto Gestão Territorial OPIRJ, apoiado pelo Fundo Amazônia.

Fonte: OPIRJ. Malha municipal usada no mapa: IBGE.

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Povos Indígenas

Isaac Piyãko defende respeito, políticas públicas e valorização dos povos indígenas

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Pré-candidato a deputado estadual pelo PT, liderança Ashaninka afirma que povos indígenas não são obstáculo ao desenvolvimento e cobra reconhecimento, proteção dos territórios e acesso respeitoso às políticas públicas.

Marechal Thaumaturgo (AC) — O pré-candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, Isaac Piyãko, liderança Ashaninka e ex-prefeito de Marechal Thaumaturgo, defendeu em mensagem à população do município uma visão de respeito, valorização cultural e reconhecimento dos povos indígenas como parte essencial da história e do futuro do Brasil.

Em sua fala, Isaac destacou que os povos indígenas seguem firmes na defesa de seus territórios ancestrais, de suas línguas, costumes, tradições e formas próprias de organização. Para ele, essa resistência não pertence apenas ao passado, mas continua sendo uma condição fundamental para garantir a vida cultural, espiritual e comunitária dos povos originários.

Piyãko lembrou que muitos povos foram dizimados ao longo da história, enquanto outros conseguiram sobreviver nas matas, nas cabeceiras dos rios e nos territórios mais distantes, preservando suas identidades até os dias de hoje. Segundo ele, essa presença precisa ser respeitada pela sociedade brasileira. “Os povos indígenas são os verdadeiros guardiões e ocupantes desse território. Precisam ser respeitados e valorizados”, afirmou.

A mensagem também reforçou uma crítica importante feita por Isaac: a ideia de que os povos indígenas seriam um obstáculo ao desenvolvimento. Para o pré-candidato, esse discurso é equivocado e muitas vezes usado de forma preconceituosa contra comunidades que apenas reivindicam seus direitos.

“Não podemos aceitar que as pessoas tenham os povos indígenas como um empecilho para o desenvolvimento. Na verdade, não é isso. O que os povos indígenas precisam é de respeito, reconhecimento e acesso a todas as políticas públicas de forma respeitosa”, declarou.

Isaac defendeu que políticas públicas voltadas às comunidades indígenas precisam considerar os costumes, as tradições e a forma de vida de cada povo. Na avaliação dele, garantir saúde, educação, proteção territorial, produção, cultura e desenvolvimento não pode significar apagar identidades, mas fortalecer a autonomia e a continuidade dos povos.

A fala dialoga com a trajetória política de Piyãko, que construiu sua liderança a partir da defesa do povo Ashaninka, da educação comunitária, da proteção territorial e da experiência administrativa em Marechal Thaumaturgo. Agora, busca levar essa agenda para o debate estadual, defendendo uma representação indígena capaz de dialogar com toda a população acreana. Em falas anteriores, Isaac já havia afirmado que sua atuação política não se limita aos povos indígenas, mas parte deles para pensar um projeto mais amplo de sociedade. “Não vim para governar só para os povos indígenas, vim para governar para todos”, disse durante ato de filiação no Juruá.

Na mensagem à população de Marechal Thaumaturgo, Isaac também chamou atenção para a importância da linguagem. Ele lembrou que a expressão “Dia do Índio” foi substituída por “Dia dos Povos Indígenas”, mudança que reconhece a diversidade dos povos originários e combate termos genéricos ou usados de forma pejorativa. Para Piyãko, essa mudança precisa ser compreendida pela sociedade como parte de um processo maior de enfrentamento ao preconceito e de construção de respeito. Ele defendeu que a população, as escolas, as instituições e os governos tratem os povos indígenas com justiça, responsabilidade e compromisso.

Ao final, Isaac reforçou que a resistência indígena deve servir como base para projetar o futuro. Para ele, proteger os territórios, valorizar a cultura e garantir políticas públicas são caminhos fundamentais para que os povos indígenas sigam contribuindo com o Acre, com a Amazônia e com o Brasil. “Seguimos firmes e fortes para continuar fazendo desse momento uma reflexão e uma projeção do futuro dos povos indígenas”, afirmou.

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